{"id":1752,"date":"2026-09-22T08:00:00","date_gmt":"2026-09-22T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/art100.in\/?p=1752"},"modified":"2026-08-14T20:12:25","modified_gmt":"2026-08-14T20:12:25","slug":"luiza-baldan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/luiza-baldan\/","title":{"rendered":"Luiza Baldan"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A artista visual brasileira Luiza Baldan n\u00e3o se limita a capturar imagens que retratam a cidade e suas complexidades, mas se dedica a mergulhar profundamente nas hist\u00f3rias e nas pessoas que comp\u00f5em os lugares que fotografa. Na entrevista, a artista enfatiza a import\u00e2ncia da experi\u00eancia pessoal em seu trabalho. Ela destaca como cada projeto \u00e9 motivado por um interesse ou uma curiosidade pessoal que a leva a pesquisar um local e sua comunidade. Para Luiza, a fotografia tornou-se uma consequ\u00eancia de seus encontros e experi\u00eancias, um meio de expressar as ricas hist\u00f3rias que descobre atrav\u00e9s de suas incurs\u00f5es e viv\u00eancias. Confira:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1920\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/IMG_2973-scaled.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1753\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/IMG_2973-scaled.jpeg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/IMG_2973-300x225.jpeg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/IMG_2973-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/IMG_2973-768x576.jpeg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/IMG_2973-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/IMG_2973-2048x1536.jpeg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Luiza, primeiramente obrigado por aceitar nosso convite para essa conversa hoje. Gostar\u00edamos que voc\u00ea se apresentasse, compartilhando as informa\u00e7\u00f5es que achar relevante para algu\u00e9m que ainda n\u00e3o conhece voc\u00ea como artista.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu sou Luiza Baldan, nasci no Rio de Janeiro em 1980. N\u00e3o planejava ser artista quando crian\u00e7a, mas, olhando para tr\u00e1s, percebo que algumas sementes foram plantadas sem que eu percebesse. No Brasil, se voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 uma daquelas crian\u00e7as talentosas que desenham bem, raramente \u00e9 incentivado a seguir uma carreira art\u00edstica, seja na fam\u00edlia ou na escola. Ao longo da vida, flertei com v\u00e1rias \u00e1reas que hoje se entrela\u00e7am na minha pr\u00e1tica art\u00edstica. Entre elas est\u00e3o a arquitetura, a literatura e as ci\u00eancias sociais. Comecei meus estudos em ci\u00eancias sociais, foi a primeira faculdade que escolhi. Tentei estudar comunica\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o era bem o que eu queria. Depois, fui para ci\u00eancias sociais, mas a falta de criatividade me levou a deixar a universidade. Eu sentia muita necessidade de trabalhar com a escrita. Ent\u00e3o, quando meu irm\u00e3o, que mora nos Estados Unidos, ofereceu ajuda, eu aproveitei. Comecei a estudar literatura, mas era tudo em ingl\u00eas. Por acaso, acabei trabalhando num laborat\u00f3rio de fotografia. Meu trabalho era mais administrativo, como ir ao banco, cuidar da contabilidade, entre outras tarefas. Mas foi nesse ambiente que me aproximei da fotografia. Embora o meu irm\u00e3o, 20 anos mais velho, seja fot\u00f3grafo, eu n\u00e3o sentia atra\u00e7\u00e3o pela fotografia. Mas tudo mudou quando comecei a trabalhar com desconto nos filmes, a aprender a revelar fotos, a mexer nas m\u00e1quinas. Isso despertou meu interesse e me levou a comprar minha primeira c\u00e2mera e, na universidade, acabei migrando para a fotografia. Essa mudan\u00e7a foi algo bem espont\u00e2neo, o que \u00e9 positivo. No entanto, \u00e9 triste perceber a grande diferen\u00e7a entre as oportunidades educacionais oferecidas nos Estados Unidos e no Brasil, n\u00e3o em termos de qualidade, mas nas oportunidades geradas dentro da universidade. Logo no in\u00edcio da faculdade, me tornei volunt\u00e1ria no laborat\u00f3rio de fotografia preto e branco. Dediquei muitas horas ao trabalho, fui selecionada para um pr\u00eamio e ganhei uma bolsa que cobriu grande parte da anuidade da universidade. Ent\u00e3o, foi um grande incentivo, n\u00e3o s\u00f3 financeiramente, mas tamb\u00e9m pelo reconhecimento que veio da pr\u00f3pria universidade. Depois de um tempo, deixei os Estados Unidos e vivi em outros pa\u00edses, morei na Espanha e voltei para o Brasil em 2005. Foi quando realmente comecei a me conectar com a arte brasileira. At\u00e9 ent\u00e3o, meu conhecimento sobre ela era praticamente o que a universidade nos Estados Unidos tinha me ensinado. Basicamente, se resumia a Tarsila do Amaral, H\u00e9lio Oiticica, Lygia Clark e um pouco mais. Cheguei completamente crua. Durante o per\u00edodo que trabalhei na Espanha e nos Estados Unidos, atuei com produ\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia de curadoria, colaborando com museus, galerias e livrarias. Era o modo que eu tinha para me sustentar, pois ainda n\u00e3o lucrava com meu trabalho de arte. Cheguei a vender uma obra nos Estados Unidos durante a exposi\u00e7\u00e3o de conclus\u00e3o do curso universit\u00e1rio, o que foi emocionante [risos]. Contudo, demorou um bom tempo para que isso ocorresse de maneira mais recorrente. Em 2005, quando fui para o Brasil para trabalhar em produ\u00e7\u00e3o, acabei trabalhando em uma galeria. Foi quase como fazer uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, pois comecei a estudar todos os artistas da galeria e me conectei com uma cena rica em talentos. Havia artistas incr\u00edveis, alguns dos quais se tornaram amigos pr\u00f3ximos, como Marcos Chaves, L\u00facia Laguna e Amanda Bonan. Foi uma \u00f3tima experi\u00eancia de aprendizado e me ajudou a perceber que eu n\u00e3o queria mais trabalhar com produ\u00e7\u00e3o. Precisava me dedicar \u00e0 minha carreira como artista e, possivelmente, como educadora, j\u00e1 que em paralelo tamb\u00e9m dou cursos e acompanho outros artistas. Desde ent\u00e3o, tive a oportunidade de fazer mestrado e doutorado na Escola de Belas Artes da UFRJ, o que foi muito importante pelos contatos e pelas pessoas que ficaram na minha vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Refletindo sobre a sua pr\u00e1tica art\u00edstica, percebo que ela tem uma forte base na pesquisa e na fotografia. Desde o princ\u00edpio, voc\u00ea j\u00e1 tinha interesse em mergulhar fundo nessas hist\u00f3rias antes de criar as imagens ou antes era apenas a fotografia? Como voc\u00ea chegou a essa pr\u00e1tica t\u00e3o focada e engajada na pesquisa?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tudo come\u00e7ou com a fotografia. Eu tinha uma ideia para um projeto, mas n\u00e3o tinha muita pesquisa, tinha apenas o que hoje entendo como &#8220;desculpa geogr\u00e1fica&#8221;. Essa &#8220;desculpa&#8221; era apenas o pretexto inicial, um ponto de partida que despertou meu interesse em investigar mais. Normalmente, eu chamo de &#8220;desculpa&#8221; porque o projeto n\u00e3o se limita a esse ponto inicial. Ele come\u00e7a naquele gatilho e depois se expande para lugares imprevis\u00edveis. \u00c9 o pr\u00f3prio processo que me guia. O primeiro projeto que fiz, ainda na universidade, foi fotografar durante dois anos v\u00e1rios becos em South Beach. Se voc\u00ea fechar os olhos e imaginar South Beach, provavelmente pensar\u00e1 em ruas coloridas, flamingos, lojas de luxo, hot\u00e9is, tudo, menos um beco em preto e branco. Naquela \u00e9poca, eu trabalhava no Wolfsonian Museum, na Washington Ave, e morava em South Beach. Fazia sempre o mesmo trajeto de volta do trabalho. Minha entrada era por um beco, na entrada dos fundos do museu. Esse trajeto pelos becos me fez perceber que eu podia desenvolver um grande exerc\u00edcio de observa\u00e7\u00e3o. Isso se baseia muito na observa\u00e7\u00e3o do cotidiano, das pequenas transforma\u00e7\u00f5es que ocorrem todos os dias. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n<div class=\"wonderpluginaudio\" id=\"wonderpluginaudio-32\" data-audioplayerid=\"32\" data-width=\"24\" data-height=\"600\" data-skin=\"button24\" data-progressinbar=\"false\" data-showinfo=\"false\" data-showimage=\"false\" data-autoplay=\"false\" data-random=\"false\" data-autoresize=\"false\" data-responsive=\"false\" data-showtracklist=\"false\" data-tracklistscroll=\"true\" data-showprogress=\"false\" data-showprevnext=\"false\" data-showloop=\"false\" data-stopotherplayers=\"true\" data-preloadaudio=\"true\" data-showtracklistsearch=\"false\" data-saveposincookie=\"false\" data-wptracklist=\"false\" data-removeinlinecss=\"true\" data-showtime=\"false\" data-showvolume=\"false\" data-showvolumebar=\"false\" data-showliveplayedlist=\"false\" data-showtitleinbar=\"false\" data-showloading=\"false\" data-enablega=\"false\" data-titleinbarscroll=\"true\" data-donotinit=\"false\" data-addinitscript=\"false\" data-imagewidth=\"100\" data-imageheight=\"100\" data-loop=\"0\" data-tracklistitem=\"10\" data-titleinbarwidth=\"80\" data-gatrackingid=\"\" data-ga4account=\"\" data-playbackrate=\"1\" data-playpauseimage=\"playpause-24-24-2.png\" data-playpauseimagewidth=\"24\" data-playpauseimageheight=\"24\" data-cookiehours=\"240\" data-prevnextimage=\"prevnext-24-24-0.png\" data-prevnextimagewidth=\"24\" data-prevnextimageheight=\"24\" data-volumeimage=\"volume-24-24-2.png\" data-volumeimagewidth=\"24\" data-volumeimageheight=\"24\" data-liveupdateinterval=\"10000\" data-maxplayedlist=\"8\" data-playedlisttitle=\"Last Tracks Played\" data-loopimage=\"loop-24-24-2.png\" data-loopimagewidth=\"24\" data-loopimageheight=\"24\" data-infoformat=\"\" data-tracklistscroll=\"false\" data-jsfolder=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/plugins\/wonderplugin-audio\/engine\/\" style=\"display:block;position:relative;margin:0 auto;width:24px;height:auto;\"><ul class=\"amazingaudioplayer-audios\" style=\"display:none;\"><li data-artist=\"\" data-title=\"Luiza Baldan - audio 1\" data-album=\"\" data-info=\"&quot;Luiza Baldan - audio 1&quot;.\" data-image=\"https:\/\/art100.in\/wp-includes\/images\/media\/audio.svg\" data-duration=\"37\"><div class=\"amazingaudioplayer-source\" data-src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Luiza-Baldan-audio-1.mp3\" data-type=\"audio\/mpeg\" ><\/div><\/li><\/ul><\/div><script>function wonderaudio_32_appendcss(csscode) {var head=document.head || document.getElementsByTagName(\"head\")[0];var style=document.createElement(\"style\");head.appendChild(style);style.type=\"text\/css\";if (style.styleSheet){style.styleSheet.cssText=csscode;} else {style.appendChild(document.createTextNode(csscode));}};wonderaudio_32_appendcss(\"#wonderpluginaudio-32 { \tbox-sizing: content-box; 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E aquilo que rompe, que n\u00e3o necessariamente \u00e9 visual, pode ser qualquer est\u00edmulo, um som, um cheiro, qualquer coisa que fa\u00e7a voc\u00ea parar e olhar para aquela cena que voc\u00ea v\u00ea todos os dias de uma forma diferente. O exerc\u00edcio de observa\u00e7\u00e3o, na verdade, \u00e9 voc\u00ea ter uma outra aten\u00e7\u00e3o para aquilo que parece ser sempre o mesmo.<\/strong> <\/em>Acredito que \u00e9 assim que surgem os projetos mais longos. No come\u00e7o, tudo era fotografia, at\u00e9 que percebi que a fotografia n\u00e3o era o objetivo, mas, sim, um resultado dessa observa\u00e7\u00e3o. Quando morava em Miami, eu fazia muita coisa de bicicleta, tinha uma mobilidade diferente. Mas quando voltei a morar no Rio de Janeiro, tudo mudou drasticamente. Eu costumava fotografar \u00e0 noite, sozinha, com um trip\u00e9, usando longas exposi\u00e7\u00f5es e filme. Mas quando cheguei ao Rio, em 2005, tive que lidar com quest\u00f5es de seguran\u00e7a, acesso a equipamentos, entre outras coisas que tornaram a minha pr\u00e1tica mais complicada. O primeiro projeto que fiz, al\u00e9m das fotografias avulsas que ia tirando, foi dentro do Jockey do Rio. O Jockey era um local onde eu poderia ficar \u00e0 noite, cercada e com certa prote\u00e7\u00e3o, enquanto andava com minha c\u00e2mera. Os becos do Jockey tinham caracter\u00edsticas que me atra\u00edam, como a grande cena colorida e toda a parte menos vis\u00edvel, a parte de servi\u00e7o e <em>invizibilizada<\/em>, o movimento e a perman\u00eancia daqueles que trabalham e mant\u00eam o local. H\u00e1 todo um lado operacional que, embora n\u00e3o esteja \u00e0 vista do p\u00fablico, n\u00e3o \u00e9 menos simb\u00f3lico ou representativo, mas est\u00e1 fora dos holofotes. E era exatamente isso que me interessava. No Jockey, percebi que havia uma s\u00e9rie de tribunas. As corridas de cavalos acontecem l\u00e1 nos fins de semana e em alguns dias da semana, mas n\u00e3o possuem aquele glamour de outros tempos, pelo menos n\u00e3o nos dias de semana, com certeza. E pelo menos naquela \u00e9poca, 2005-06, quando me envolvi com esse projeto, eu fui exatamente para algumas tribunas que estavam semiabandonadas. Era um lugar sombrio e interessante, tanto pela arquitetura quanto pela ilumina\u00e7\u00e3o. Dentro dele, havia enormes espa\u00e7os de sil\u00eancio, enquanto do lado de fora se ouvia correria e conversas. Eu estava ali como se estivesse em uma bolha, quase suspensa. Ent\u00e3o, as fotografias retratavam muito esse estado de suspens\u00e3o entre coisas. Algumas pessoas diziam &#8220;a menina que gosta de fotografar espa\u00e7os vazios, ru\u00ednas&#8221;, mas na verdade n\u00e3o \u00e9 isso. N\u00e3o \u00e9 um espa\u00e7o vazio, mas \u00e9 para onde estou direcionando a c\u00e2mera. Busco quase essa lacuna, esse espa\u00e7o entre coisas, entre atos, entre momentos. Isso \u00e9 algo que persegui por muito tempo, influenciada tamb\u00e9m por outras pessoas que trabalhavam com fotografia antes de mim, pelo cinema e pela pintura. Esses espa\u00e7os despertam a sua imagina\u00e7\u00e3o, porque te oferecem poucos elementos. N\u00e3o ter uma pessoa ali ou grandes acontecimentos, mas, sim, uma insinua\u00e7\u00e3o de possibilidades, inclusive com quest\u00f5es formais que eu buscava na imagem, na composi\u00e7\u00e3o de portas. Isso \u00e9 evidente na minha s\u00e9rie que chama &#8220;Sobre umbrais e afins&#8221;, que fala sobre possibilidades de atravessamento dentro da pr\u00f3pria imagem. \u00c9 como se houvesse outra imagem insinuada a partir da imagem que eu estou mostrando. \u00c9 como se eu estivesse comprimindo uma cena, uma hist\u00f3ria, numa \u00fanica imagem bidimensional. Mas essa imagem est\u00e1 repleta de sonhos, cheia de coisas. Isso sempre foi o meu grande interesse na fotografia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"2344\" height=\"2353\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Sem-titulo-Serie-Sobre-umbrais-e-afins-2005-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1791\" style=\"width:1100px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Sem-titulo-Serie-Sobre-umbrais-e-afins-2005-2.jpg 2344w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Sem-titulo-Serie-Sobre-umbrais-e-afins-2005-2-300x300.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Sem-titulo-Serie-Sobre-umbrais-e-afins-2005-2-1020x1024.jpg 1020w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Sem-titulo-Serie-Sobre-umbrais-e-afins-2005-2-150x150.jpg 150w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Sem-titulo-Serie-Sobre-umbrais-e-afins-2005-2-768x771.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Sem-titulo-Serie-Sobre-umbrais-e-afins-2005-2-1530x1536.jpg 1530w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Sem-titulo-Serie-Sobre-umbrais-e-afins-2005-2-2040x2048.jpg 2040w\" sizes=\"(max-width: 2344px) 100vw, 2344px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Detalhe da obra Sem t\u00edtulo (S\u00e9rie \u201cSobre umbrais e afins\u201d), 2005<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pensando nessas imagens e em espa\u00e7os arquitet\u00f4nicos, parece que h\u00e1 sempre um tra\u00e7o humano. Mesmo que n\u00e3o vejamos as pessoas, percebemos que estes n\u00e3o s\u00e3o espa\u00e7os apenas de contempla\u00e7\u00e3o, mas sim locais de transi\u00e7\u00e3o, movimenta\u00e7\u00e3o, transporte, viv\u00eancia e funcionalidade. Eles est\u00e3o l\u00e1 porque precisam deste espa\u00e7o liminar, que \u00e9 f\u00edsico, mas que, de certa forma, tamb\u00e9m se torna social.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acho que o conceito de ru\u00edna \u00e9 um bom exemplo. Quando comecei a fotografar lugares em ru\u00ednas, tinha uma coisa muito clara para mim: n\u00e3o se tratava da ru\u00edna rom\u00e2ntica. N\u00e3o era apenas a contempla\u00e7\u00e3o de algo em desuso que est\u00e1 l\u00e1 para ser simplesmente admirado. Me interessava mais os espa\u00e7os que, mesmo em ru\u00ednas, serviam como abrigo. Isso se reflete no projeto \u201cTug\u00farios\u201d, no qual pessoas invadem casas e moram l\u00e1 dentro. Mesmo que o im\u00f3vel tenha sido condenado, ele ainda oferece uma possibilidade de abrigo. Parece multifuncional, mas, ao mesmo tempo, sempre vi uma grande beleza nesse reaproveitamento dos espa\u00e7os. \u00c9 como se as hist\u00f3rias se sobrepusessem, uma n\u00e3o apaga a outra. Por exemplo, h\u00e1 um projeto, uma s\u00e9rie que eu fiz no antigo Carandiru do Rio de Janeiro. Era um galp\u00e3o abandonado, perto da rodovi\u00e1ria Novo Rio, com conex\u00e3o com a antiga esta\u00e7\u00e3o da Leopoldina. Serviu como oficina e estacionamento de trens, mas estava desativado. Escolas de samba que desfilavam em Madureira ocupavam o local. Devido \u00e0 proximidade com a rodovi\u00e1ria, o local tinha uma variedade de atividades, como com\u00e9rcio informal de pipoca e refrigerante. Algumas fam\u00edlias at\u00e9 moravam l\u00e1. Muitos usavam o lugar como dep\u00f3sito dos adere\u00e7os das escolas de samba do grupo especial, reciclando o que restava do ano anterior para criar os carros aleg\u00f3ricos do pr\u00f3ximo carnaval. Era um lugar fant\u00e1stico, que infelizmente acabou devido \u00e0 obra do Porto Maravilha. Mas isso nos mostra que, em qualquer lugar, podemos encontrar hist\u00f3rias diversas e interessantes. E, no mundo da fotografia, quando essas hist\u00f3rias s\u00e3o t\u00e3o evidentes, elas ganham outra dimens\u00e3o. Isso sempre foi algo que me despertou interesse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Voc\u00ea mencionou um ponto interessante, as hist\u00f3rias tem\u00e1ticas. Como voc\u00ea decide quais hist\u00f3rias quer focar e desenvolver? Como \u00e9 esse processo para voc\u00ea?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando menciono a &#8220;desculpa geogr\u00e1fica&#8221;, reconhe\u00e7o que existem aspectos macro e micro. Mas s\u00f3 me aprofundo no micro depois de come\u00e7ar pelo macro, investigando. <\/p>\n\n\n<div class=\"wonderpluginaudio\" id=\"wonderpluginaudio-33\" data-audioplayerid=\"33\" data-width=\"24\" data-height=\"600\" data-skin=\"button24\" data-progressinbar=\"false\" data-showinfo=\"false\" data-showimage=\"false\" data-autoplay=\"false\" data-random=\"false\" data-autoresize=\"false\" data-responsive=\"false\" data-showtracklist=\"false\" data-tracklistscroll=\"true\" data-showprogress=\"false\" data-showprevnext=\"false\" data-showloop=\"false\" data-stopotherplayers=\"true\" data-preloadaudio=\"true\" data-showtracklistsearch=\"false\" data-saveposincookie=\"false\" data-wptracklist=\"false\" data-removeinlinecss=\"true\" data-showtime=\"false\" data-showvolume=\"false\" data-showvolumebar=\"false\" data-showliveplayedlist=\"false\" data-showtitleinbar=\"false\" data-showloading=\"false\" data-enablega=\"false\" data-titleinbarscroll=\"true\" data-donotinit=\"false\" data-addinitscript=\"false\" data-imagewidth=\"100\" data-imageheight=\"100\" data-loop=\"0\" data-tracklistitem=\"10\" data-titleinbarwidth=\"80\" data-gatrackingid=\"\" data-ga4account=\"\" data-playbackrate=\"1\" data-playpauseimage=\"playpause-24-24-2.png\" data-playpauseimagewidth=\"24\" data-playpauseimageheight=\"24\" data-cookiehours=\"240\" data-prevnextimage=\"prevnext-24-24-0.png\" data-prevnextimagewidth=\"24\" data-prevnextimageheight=\"24\" data-volumeimage=\"volume-24-24-2.png\" data-volumeimagewidth=\"24\" data-volumeimageheight=\"24\" data-liveupdateinterval=\"10000\" data-maxplayedlist=\"8\" data-playedlisttitle=\"Last Tracks Played\" data-loopimage=\"loop-24-24-2.png\" data-loopimagewidth=\"24\" data-loopimageheight=\"24\" data-infoformat=\"\" data-tracklistscroll=\"false\" data-jsfolder=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/plugins\/wonderplugin-audio\/engine\/\" style=\"display:block;position:relative;margin:0 auto;width:24px;height:auto;\"><ul class=\"amazingaudioplayer-audios\" style=\"display:none;\"><li data-artist=\"\" data-title=\"Luiza Baldan - audio 2\" data-album=\"\" data-info=\"&quot;Luiza Baldan - audio 2&quot;.\" data-image=\"https:\/\/art100.in\/wp-includes\/images\/media\/audio.svg\" data-duration=\"29\"><div class=\"amazingaudioplayer-source\" data-src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Luiza-Baldan-audio-2.mp3\" data-type=\"audio\/mpeg\" ><\/div><\/li><\/ul><\/div><script>function wonderaudio_33_appendcss(csscode) {var head=document.head || document.getElementsByTagName(\"head\")[0];var style=document.createElement(\"style\");head.appendChild(style);style.type=\"text\/css\";if (style.styleSheet){style.styleSheet.cssText=csscode;} else {style.appendChild(document.createTextNode(csscode));}};wonderaudio_33_appendcss(\"#wonderpluginaudio-33 { \tbox-sizing: content-box; 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Posso at\u00e9 trabalhar com alguns arquivos, mas, para mim, a experi\u00eancia de corpo presencial \u00e9 fundamental. Pode at\u00e9 ser um termo mal gasto hoje em dia, mas eu sou uma pessoa de afetos. N\u00e3o s\u00f3 me afeto, mas tamb\u00e9m afeto os outros, enfim, e o trabalho lida muito com isso. Isso fica cada vez mais evidente quando come\u00e7o a lidar com pessoas.<\/em><\/strong> Isso fica cada vez mais evidente quando eu come\u00e7o a interagir com pessoas. Em 2005, eu fui para o Rio e tive que adaptar meu m\u00e9todo de trabalho. Acho que essa adapta\u00e7\u00e3o come\u00e7ou com a primeira resid\u00eancia que fiz no Minhoc\u00e3o, no Pedregulho, no Rio de Janeiro. L\u00e1, comecei a trabalhar com a ideia de moradia e tudo o que envolve morar, habitar, estar junto. Todas as concess\u00f5es, tudo que nos faz viver em sociedade, mas de uma forma micro. E essa percep\u00e7\u00e3o vem se estendendo desde ent\u00e3o, e acredito que fica ainda mais pungente depois que me tornei m\u00e3e. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n<div class=\"wonderpluginaudio\" id=\"wonderpluginaudio-34\" data-audioplayerid=\"34\" data-width=\"24\" data-height=\"600\" data-skin=\"button24\" data-progressinbar=\"false\" data-showinfo=\"false\" data-showimage=\"false\" data-autoplay=\"false\" data-random=\"false\" data-autoresize=\"false\" data-responsive=\"false\" data-showtracklist=\"false\" data-tracklistscroll=\"true\" data-showprogress=\"false\" data-showprevnext=\"false\" data-showloop=\"false\" data-stopotherplayers=\"true\" data-preloadaudio=\"true\" data-showtracklistsearch=\"false\" data-saveposincookie=\"false\" data-wptracklist=\"false\" data-removeinlinecss=\"true\" data-showtime=\"false\" data-showvolume=\"false\" data-showvolumebar=\"false\" data-showliveplayedlist=\"false\" data-showtitleinbar=\"false\" data-showloading=\"false\" data-enablega=\"false\" data-titleinbarscroll=\"true\" data-donotinit=\"false\" data-addinitscript=\"false\" data-imagewidth=\"100\" data-imageheight=\"100\" data-loop=\"0\" data-tracklistitem=\"10\" data-titleinbarwidth=\"80\" data-gatrackingid=\"\" data-ga4account=\"\" data-playbackrate=\"1\" data-playpauseimage=\"playpause-24-24-2.png\" data-playpauseimagewidth=\"24\" data-playpauseimageheight=\"24\" data-cookiehours=\"240\" data-prevnextimage=\"prevnext-24-24-0.png\" data-prevnextimagewidth=\"24\" data-prevnextimageheight=\"24\" data-volumeimage=\"volume-24-24-2.png\" data-volumeimagewidth=\"24\" data-volumeimageheight=\"24\" data-liveupdateinterval=\"10000\" data-maxplayedlist=\"8\" data-playedlisttitle=\"Last Tracks Played\" data-loopimage=\"loop-24-24-2.png\" data-loopimagewidth=\"24\" data-loopimageheight=\"24\" data-infoformat=\"\" data-tracklistscroll=\"false\" data-jsfolder=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/plugins\/wonderplugin-audio\/engine\/\" style=\"display:block;position:relative;margin:0 auto;width:24px;height:auto;\"><ul class=\"amazingaudioplayer-audios\" style=\"display:none;\"><li data-artist=\"\" data-title=\"Luiza Baldan - audio 3\" data-album=\"\" data-info=\"&quot;Luiza Baldan - audio 3&quot;.\" data-image=\"https:\/\/art100.in\/wp-includes\/images\/media\/audio.svg\" data-duration=\"46\"><div class=\"amazingaudioplayer-source\" data-src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Luiza-Baldan-audio-3.mp3\" data-type=\"audio\/mpeg\" ><\/div><\/li><\/ul><\/div><script>function wonderaudio_34_appendcss(csscode) {var head=document.head || document.getElementsByTagName(\"head\")[0];var style=document.createElement(\"style\");head.appendChild(style);style.type=\"text\/css\";if (style.styleSheet){style.styleSheet.cssText=csscode;} else {style.appendChild(document.createTextNode(csscode));}};wonderaudio_34_appendcss(\"#wonderpluginaudio-34 { \tbox-sizing: content-box; 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Me interessa muito conhecer o lugar, mas de alguma maneira introduzida ou como eu falo, contaminada, afetada, literalmente, pelas hist\u00f3rias, pelas conversas, pelas fofocas, pelos conflitos, mas muito pelo que as pessoas do lugar t\u00eam para dizer sobre o que \u00e9 aquilo.<\/strong> <\/em>Claro que existe um ponto de vista que \u00e9 meu, porque tamb\u00e9m vivencio experi\u00eancias que s\u00e3o v\u00e1lidas, independentemente do tempo que passo em um determinado lugar ou da pesquisa que estou realizando. Mas a fotografia n\u00e3o \u00e9 o objetivo em si, mas, sim, uma consequ\u00eancia. A fotografia acontece como um resultado desses encontros. Ent\u00e3o, essa fotografia tamb\u00e9m vem muito do desejo da pessoa com quem estou falando, do que ela quer expressar, do que ela quer mostrar. Na verdade, \u00e9 um grande encontro, porque \u00e9 uma soma de experi\u00eancias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ouvindo voc\u00ea falar sobre estar l\u00e1, observar e interagir me faz pensar sobre o exerc\u00edcio de observa\u00e7\u00e3o, pensando na arquitetura, na pol\u00edtica e no planejamento das cidades. \u00c9 como se voc\u00ea estivesse testando, entendendo como as pessoas usam o espa\u00e7o, como a comunidade se organiza e responde \u00e0s mudan\u00e7as. \u00c9 quase uma pesquisa sociol\u00f3gica.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acredito que um aspecto que me distingue da sociologia ou de qualquer outra disciplina \u00e9 que n\u00e3o sigo uma agenda predefinida. Quando inicio um trabalho, sei apenas que desejo conhecer determinado lugar. Hoje estou trabalhando num lugar pr\u00f3ximo a Lisboa, no encontro do Tejo com o Atl\u00e2ntico, em uma comunidade chamada Cova do Vapor. A hist\u00f3ria e as particularidades desse local s\u00e3o fascinantes. Para exemplificar, quando conheci na Cova do Vapor, estava morando em Berlim e vinha de uma experi\u00eancia bastante dif\u00edcil, marcada pela pandemia e pelas perdas pessoais. Ao chegar a essa praia, senti uma emo\u00e7\u00e3o indescrit\u00edvel ao observar aquela paisagem, sentir o vento e ficar sobre aquela pequena duna. Afinal, al\u00e9m das pessoas, o mar sempre foi algo que me fez muita falta enquanto vivia em Berlim. Foi como uma sensa\u00e7\u00e3o de lar, de conforto. Parecia que eu estava sendo abra\u00e7ada pelo lugar. Foi uma experi\u00eancia t\u00e3o enriquecedora em todos os aspectos que comecei a visitar aquele lugar com frequ\u00eancia. Sempre que eu precisava sentir algo, precisava de um banho de mar, mesmo que eu pudesse ir \u00e0 praia mais pr\u00f3xima, eu optava por atravessar e ir \u00e0quela praia. Essa praia criou uma dimens\u00e3o dentro de mim que \u00e9 indescrit\u00edvel. E isso n\u00e3o est\u00e1 ligado \u00e0 hist\u00f3ria do lugar ou a quest\u00f5es pol\u00edticas, nada disso. \u00c9 a minha conex\u00e3o pessoal com aquele lugar, e percebo que n\u00e3o estou sozinha nisso. Ao conversar com outras pessoas, vejo que aquele lugar provoca um sentimento de lugar especial. Ent\u00e3o, me vejo levada por esse sentimento, come\u00e7ando a me interessar muito pela hist\u00f3ria do local. Descobri coisas que nunca imaginei. Mas \u00e9 claro, a pesquisa traz muito mais interesse ao trabalho. Uma coisa \u00e9 falar sobre o que me atrai para l\u00e1, outra \u00e9 fazer um trabalho porque me arrepiei ao pisar l\u00e1 pela primeira vez. Ent\u00e3o, fui atr\u00e1s da hist\u00f3ria desse lugar. E, quando cheguei para realmente trabalhar nesse local e conheci as pessoas que por acaso estavam l\u00e1, o trabalho ganhou outra dimens\u00e3o, uma dimens\u00e3o afetiva. Hoje, tenho pessoas que me acolhem em suas casas, me oferecem um lugar para dormir, me alimentam, cuidam de mim, querem saber e contar, se encontrar. \u00c9 t\u00e3o lindo que costumo dizer que estamos juntos inventando um novo lugar [risos]. Mas como expressar tudo isso? Cada trabalho vai compartilhar um pouco disso. O pr\u00f3prio trabalho s\u00e3o os encontros, que v\u00e3o determinar como eles ir\u00e3o se resolver enquanto projeto. N\u00e3o h\u00e1 uma expectativa predefinida, nem a obriga\u00e7\u00e3o de um resultado final. \u00c9 totalmente sobre o processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Depois de todas essas pesquisas e conversas, \u00e9 importante para voc\u00ea que o resultado seja algo tang\u00edvel para quem v\u00ea a obra ou visita a exposi\u00e7\u00e3o?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando comecei essas resid\u00eancias, tamb\u00e9m comecei a escrever. Antes, meu trabalho era exclusivamente com fotografia, sem sequer um t\u00edtulo. Mas, desde 2009, com o in\u00edcio desses projetos, passei a trabalhar mais com v\u00eddeo, som e texto. O projeto foi ganhando novos corpos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n<div class=\"wonderpluginaudio\" id=\"wonderpluginaudio-35\" data-audioplayerid=\"35\" data-width=\"24\" data-height=\"600\" data-skin=\"button24\" data-progressinbar=\"false\" data-showinfo=\"false\" data-showimage=\"false\" data-autoplay=\"false\" data-random=\"false\" data-autoresize=\"false\" data-responsive=\"false\" data-showtracklist=\"false\" data-tracklistscroll=\"true\" data-showprogress=\"false\" data-showprevnext=\"false\" data-showloop=\"false\" data-stopotherplayers=\"true\" data-preloadaudio=\"true\" data-showtracklistsearch=\"false\" data-saveposincookie=\"false\" data-wptracklist=\"false\" data-removeinlinecss=\"true\" data-showtime=\"false\" data-showvolume=\"false\" data-showvolumebar=\"false\" data-showliveplayedlist=\"false\" data-showtitleinbar=\"false\" data-showloading=\"false\" data-enablega=\"false\" data-titleinbarscroll=\"true\" data-donotinit=\"false\" data-addinitscript=\"false\" data-imagewidth=\"100\" data-imageheight=\"100\" data-loop=\"0\" data-tracklistitem=\"10\" data-titleinbarwidth=\"80\" data-gatrackingid=\"\" data-ga4account=\"\" data-playbackrate=\"1\" data-playpauseimage=\"playpause-24-24-2.png\" data-playpauseimagewidth=\"24\" data-playpauseimageheight=\"24\" data-cookiehours=\"240\" data-prevnextimage=\"prevnext-24-24-0.png\" data-prevnextimagewidth=\"24\" data-prevnextimageheight=\"24\" data-volumeimage=\"volume-24-24-2.png\" data-volumeimagewidth=\"24\" data-volumeimageheight=\"24\" data-liveupdateinterval=\"10000\" data-maxplayedlist=\"8\" data-playedlisttitle=\"Last Tracks Played\" data-loopimage=\"loop-24-24-2.png\" data-loopimagewidth=\"24\" data-loopimageheight=\"24\" data-infoformat=\"\" data-tracklistscroll=\"false\" data-jsfolder=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/plugins\/wonderplugin-audio\/engine\/\" style=\"display:block;position:relative;margin:0 auto;width:24px;height:auto;\"><ul class=\"amazingaudioplayer-audios\" style=\"display:none;\"><li data-artist=\"\" data-title=\"Luiza Baldan - audio 4\" data-album=\"\" data-info=\"&quot;Luiza Baldan - audio 4&quot;.\" data-image=\"https:\/\/art100.in\/wp-includes\/images\/media\/audio.svg\" data-duration=\"28\"><div class=\"amazingaudioplayer-source\" data-src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Luiza-Baldan-audio-4.mp3\" data-type=\"audio\/mpeg\" ><\/div><\/li><\/ul><\/div><script>function wonderaudio_35_appendcss(csscode) {var head=document.head || document.getElementsByTagName(\"head\")[0];var style=document.createElement(\"style\");head.appendChild(style);style.type=\"text\/css\";if (style.styleSheet){style.styleSheet.cssText=csscode;} else {style.appendChild(document.createTextNode(csscode));}};wonderaudio_35_appendcss(\"#wonderpluginaudio-35 { \tbox-sizing: content-box; 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Porque falo em primeira pessoa, mas falo com outras pessoas, outras pessoas entram no texto. Falamos sobre essa informa\u00e7\u00e3o sampleada, como se fosse uma grande colagem. E isso \u00e9 um recurso que me interessa muito, porque de alguma forma representa o que acontece nesses projetos, \u00e9 uma grande colagem.<\/em><\/strong> Diferente talvez de uma disciplina mais r\u00edgida, vou desenvolvendo conversas casuais, nas quais algu\u00e9m me conta uma hist\u00f3ria que me intriga e acabam conduzindo a novos contatos e a mais hist\u00f3rias. Ent\u00e3o, desenvolvo meu trabalho atrav\u00e9s desses di\u00e1logos e descobertas. \u00c9 como se fosse um novelo, de alguma forma se desenrolando. A fotografia, muitas vezes, possui determinadas caracter\u00edsticas, baseadas no meu olhar. Quando eu me volto para o texto, \u00e9 a oportunidade para que outras coisas apare\u00e7am, como vozes, encontros e desvios. \u00c0s vezes, o texto se torna parte de um v\u00eddeo. Ou ent\u00e3o, um v\u00eddeo que na verdade \u00e9 uma fotografia, mas, com tempo, como um v\u00eddeo parado, um <em>frame<\/em> \u00fanico, que possui tempo e som, di\u00e1logos ao fundo. Ele ganhou uma dimens\u00e3o maior, que, muitas vezes, apenas pela forma como \u00e9 apresentado, j\u00e1 transmite o que \u00e9 necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pensando nessa dedica\u00e7\u00e3o e nesse engajamento e no afeto que voc\u00ea mencionou, quando voc\u00ea consegue decidir se afastar do trabalho? Afinal, j\u00e1 que envolve hist\u00f3rias e pessoas, voc\u00ea poderia dedicar muito tempo s\u00f3 para falar de um tema. Como \u00e9 esse processo de distanciamento?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na minha tese de doutorado, &#8220;A imagem no fim&#8221;, discuto sobre um final que \u00e9 aberto, um fim que n\u00e3o \u00e9 necessariamente um fim. Esse conceito de fim \u00e9 muito ocidental, muito da nossa cultura. Por exemplo, no trabalho do Pedregulho, ainda mantenho contato com as pessoas. Apesar de a resid\u00eancia ter sido encerrada, ainda mantenho um contato afetivo com elas, n\u00e3o apenas profissional. Organizo encontros e, quando retorno ao Brasil, sinto como se um cap\u00edtulo do projeto estivesse se fechando. Por exemplo, agora, nesse projeto da Cova do Vapor em que estou trabalhando, combinei que vou fazer um encontro no Brasil, o que vai encerrar uma etapa desse projeto. E no ano que vem eu volto. Mas vai ter um esfriamento, literalmente, pois ser\u00e1 inverno. A cidade muda muito com as esta\u00e7\u00f5es. Como \u00e9 uma cidade de veraneio, quando chega o inverno, h\u00e1 um esfriamento, tanto literal quanto das pessoas, o que acaba esfriando tamb\u00e9m o trabalho. Quando retorno, sei que h\u00e1 coisas que ainda quero fazer, mas \u00e0s vezes sinto que algo, apesar de especial naquele momento, est\u00e1 chegando ao fim. \u00c9 uma mistura de sentimentos e a percep\u00e7\u00e3o de que certos assuntos v\u00e3o se esgotando. A vida nos leva para outras dire\u00e7\u00f5es e acabamos nos dividindo. Contudo, n\u00e3o costumo colocar prazos nas coisas. Muitas vezes, defino um prazo para terminar um trabalho devido a uma exposi\u00e7\u00e3o programada ou a uma necessidade espec\u00edfica. No entanto, isso n\u00e3o significa que o projeto termina ali. Ele continua aberto para novas interpreta\u00e7\u00f5es e possibilidades. Tenho projetos que foram exibidos e documentados em livros, mas ainda existem in\u00fameros arquivos do mesmo tema que n\u00e3o foram trabalhados. Por exemplo, para a Bienal de Arquitetura em Veneza, eu tinha algumas imagens que nunca havia utilizado e que foram feitas dez anos atr\u00e1s. Selecionamos seis fotos in\u00e9ditas desse mesmo tema. Portanto, consigo elaborar uma exposi\u00e7\u00e3o totalmente diferente usando material da mesma fonte.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1763\" height=\"1371\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Angelita-Serie-Leituras-de-um-lugar-valioso-2012-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1794\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Angelita-Serie-Leituras-de-um-lugar-valioso-2012-2.jpg 1763w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Angelita-Serie-Leituras-de-um-lugar-valioso-2012-2-300x233.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Angelita-Serie-Leituras-de-um-lugar-valioso-2012-2-1024x796.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Angelita-Serie-Leituras-de-um-lugar-valioso-2012-2-768x597.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Angelita-Serie-Leituras-de-um-lugar-valioso-2012-2-1536x1194.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1763px) 100vw, 1763px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Detalhe da obra Angelita (S\u00e9rie \u201cLeituras de um lugar valioso\u201d), 2012<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u00c9 quase como um antidocument\u00e1rio. O p\u00fablico geral acredita que document\u00e1rios cl\u00e1ssicos t\u00eam um come\u00e7o, meio e fim definidos. Mas, na realidade, o diretor pode seguir v\u00e1rias hist\u00f3rias, escolhendo apenas aquelas com desfecho ou discuss\u00e3o interessante. \u00c9 essa tentativa de encaixar a vida real na estrutura de consumo de hist\u00f3ria que conhecemos. No seu caso, a ideia \u00e9 capturar o momento, e ainda ter essa abertura de voltar e ver o que mudou, j\u00e1 que as coisas est\u00e3o constantemente em mudan\u00e7a. Uma hist\u00f3ria sem fim, como voc\u00ea mencionou.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim, essa mudan\u00e7a \u00e9 n\u00e3o apenas de local, mas tamb\u00e9m da nossa percep\u00e7\u00e3o do lugar, do que nos chama a aten\u00e7\u00e3o. No meu trabalho, eu posso chegar num lugar repleta de ideias. Em um projeto em que estou desenvolvendo, o ponto de partida era fotografar casas que haviam sido realocadas mecanicamente, de um ponto a outro, para fugir do avan\u00e7o do mar. \u00c9 quase como as palafitas, mas sem a ideia de estar \u00e0 beira de um rio, e sim \u00e0 beira de uma praia com mais de 2 km de areia. Com o avan\u00e7o do mar, algumas casas foram perdidas, enquanto outras foram erguidas e transportadas por pessoas e carro\u00e7as de bois para outros locais. Ainda h\u00e1 pessoas que vivem nessas casas, que hoje se misturam \u00e0 paisagem em raz\u00e3o do crescimento urbano. Meu interesse inicial era encontrar e fotografar essas casas. Conheci a pessoa que vive em uma dessas casas e descobri a hist\u00f3ria de uma senhora de 80 anos que come\u00e7ou a frequentar esse lugar quando tinha apenas 15. Isso me faz pensar: o que \u00e9 mais fascinante nessa hist\u00f3ria? Seria a casa onde ela vive agora ou seria toda a incr\u00edvel hist\u00f3ria de vida dessa pessoa, que vai muito al\u00e9m desse lugar? Essas m\u00faltiplas hist\u00f3rias de vida v\u00e3o al\u00e9m do que eu poderia imaginar sobre aquele lugar. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n<div class=\"wonderpluginaudio\" id=\"wonderpluginaudio-36\" data-audioplayerid=\"36\" data-width=\"24\" data-height=\"600\" data-skin=\"button24\" data-progressinbar=\"false\" data-showinfo=\"false\" data-showimage=\"false\" data-autoplay=\"false\" data-random=\"false\" data-autoresize=\"false\" data-responsive=\"false\" data-showtracklist=\"false\" data-tracklistscroll=\"true\" data-showprogress=\"false\" data-showprevnext=\"false\" data-showloop=\"false\" data-stopotherplayers=\"true\" data-preloadaudio=\"true\" data-showtracklistsearch=\"false\" data-saveposincookie=\"false\" data-wptracklist=\"false\" data-removeinlinecss=\"true\" data-showtime=\"false\" data-showvolume=\"false\" data-showvolumebar=\"false\" data-showliveplayedlist=\"false\" data-showtitleinbar=\"false\" data-showloading=\"false\" data-enablega=\"false\" data-titleinbarscroll=\"true\" data-donotinit=\"false\" data-addinitscript=\"false\" data-imagewidth=\"100\" data-imageheight=\"100\" data-loop=\"0\" data-tracklistitem=\"10\" data-titleinbarwidth=\"80\" data-gatrackingid=\"\" data-ga4account=\"\" data-playbackrate=\"1\" data-playpauseimage=\"playpause-24-24-2.png\" data-playpauseimagewidth=\"24\" data-playpauseimageheight=\"24\" data-cookiehours=\"240\" data-prevnextimage=\"prevnext-24-24-0.png\" data-prevnextimagewidth=\"24\" data-prevnextimageheight=\"24\" data-volumeimage=\"volume-24-24-2.png\" data-volumeimagewidth=\"24\" data-volumeimageheight=\"24\" data-liveupdateinterval=\"10000\" data-maxplayedlist=\"8\" data-playedlisttitle=\"Last Tracks Played\" data-loopimage=\"loop-24-24-2.png\" data-loopimagewidth=\"24\" data-loopimageheight=\"24\" data-infoformat=\"\" data-tracklistscroll=\"false\" data-jsfolder=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/plugins\/wonderplugin-audio\/engine\/\" style=\"display:block;position:relative;margin:0 auto;width:24px;height:auto;\"><ul class=\"amazingaudioplayer-audios\" style=\"display:none;\"><li data-artist=\"\" data-title=\"Luiza Baldan - audio 5\" data-album=\"\" data-info=\"&quot;Luiza Baldan - audio 5&quot;.\" data-image=\"https:\/\/art100.in\/wp-includes\/images\/media\/audio.svg\" data-duration=\"48\"><div class=\"amazingaudioplayer-source\" data-src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Luiza-Baldan-audio-5.mp3\" data-type=\"audio\/mpeg\" ><\/div><\/li><\/ul><\/div><script>function wonderaudio_36_appendcss(csscode) {var head=document.head || document.getElementsByTagName(\"head\")[0];var style=document.createElement(\"style\");head.appendChild(style);style.type=\"text\/css\";if (style.styleSheet){style.styleSheet.cssText=csscode;} else {style.appendChild(document.createTextNode(csscode));}};wonderaudio_36_appendcss(\"#wonderpluginaudio-36 { \tbox-sizing: content-box; 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Quero ser surpreendida pelas coisas que as pessoas t\u00eam de melhor para dizer e o que para elas \u00e9 de fato importante. Ent\u00e3o, a partir do que elas acham relevante, nesse contexto hist\u00f3rico, isso entra em cena junto ao que passou a ser interessante para mim, porque elas me mostraram essa possibilidade. \u00c9 esse cruzamento, esse caldeir\u00e3o de coisas que v\u00e3o sendo colocadas e que de alguma forma v\u00e3o criando um &#8220;saborzinho&#8221; extra. \u00c9 a capacidade de juntar pessoas t\u00e3o bacanas, e eu acho que isso \u00e9 uma caracter\u00edstica do trabalho que eu fa\u00e7o.<\/em> <\/strong>N\u00e3o consigo definir se \u00e9 devido \u00e0 minha abordagem, dedica\u00e7\u00e3o ou ao carinho que coloco no que fa\u00e7o, mas, de alguma forma, conseguimos criar conex\u00e3o e familiaridade. Tenho o cuidado de devolver as fotos para as pessoas que participaram, pois, sem elas, nada disso aconteceria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Essa proximidade com o trabalho evita saudosismo. Em trabalhos de pesquisas e documenta\u00e7\u00e3o, o artista pode se distanciar do tema, levando a saudosismo, talvez por achar que vive uma cultura superior. Podemos considerar isso como armadilhas da dist\u00e2ncia entre o artista e o assunto local ou a pessoa entrevistada. Como voc\u00ea sabe quando se afastar do tema, tempor\u00e1ria ou permanentemente? Ou isso nunca acontece?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acredito que depende, pois existem situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas em que o trabalho terminou. Por exemplo, eu fiz um projeto em S\u00e3o Paulo chamado Perab\u00e9, que come\u00e7ou a partir de uma resid\u00eancia art\u00edstica que fiz no Copan. Essa experi\u00eancia foi bastante intensa para mim. Passei um m\u00eas em uma resid\u00eancia que inventei, dormindo num colch\u00e3o no ch\u00e3o de um apartamento com as janelas originais do Niemeyer, em pleno frio. At\u00e9 come\u00e7ar a ser convidada para participar de resid\u00eancias, era assim que eu as inventava. Havia muito desse conceito de construir um lar, de me estabelecer como moradora em um determinado lugar. Durante esse processo, enfrentei alguns desafios, como roubos, coisas que estavam fora do meu controle e que me fizeram questionar at\u00e9 que ponto valia a pena continuar. A resid\u00eancia me dava um prazo para que as coisas acontecessem, pois ficaria l\u00e1 por um tempo determinado. Esse seria o per\u00edodo para fazer as observa\u00e7\u00f5es. O Copan foi quase o \u00faltimo projeto desse tipo e l\u00e1 eu encontrei desculpas geogr\u00e1ficas para o pr\u00f3ximo projeto que decidi fazer, o Perab\u00e9. Um dia algu\u00e9m me disse que era poss\u00edvel ver o mar dentro da cidade de S\u00e3o Paulo e eu fiquei fascinada. Resolvi que precisava encontrar esse lugar e, nessa busca, acabei descobrindo muito mais. Afinal, o projeto era muito mais do que apenas esse lugar. Consegui comprovar que realmente era poss\u00edvel ver o mar, mas isso ainda n\u00e3o era o trabalho. No fim das contas, o projeto se transformou em um milh\u00e3o de outras coisas. Foi incr\u00edvel, em 2015, quando mandei esse projeto ao Centro Cultural S\u00e3o Paulo. Expliquei que estava atravessando de S\u00e3o Paulo at\u00e9 a Baixada Santista em busca dessa paisagem. Deixei claro que n\u00e3o tinha um resultado definido nem um prazo fixo para concluir, mas mesmo assim eles aceitaram. Isso \u00e9 algo raro, j\u00e1 que geralmente se espera algum resultado de um projeto. Lembro perfeitamente que conclu\u00ed a \u00faltima caminhada no dia 7 de setembro, \u00e0s margens do rio Ipiranga. J\u00e1 sabia que teria uma exposi\u00e7\u00e3o no Centro Cultural S\u00e3o Paulo e j\u00e1 tinha bastante material. Foi ent\u00e3o que decidi parar. Cada projeto tem a sua pr\u00f3pria din\u00e2mica. Tenho outro projeto que iniciei no Chile, onde morei por um tempo. Quando me mudei para Portugal, levei algumas fotografias e v\u00eddeos processuais dessas caminhadas. Convidei pessoas que n\u00e3o estiveram presencialmente naquelas paisagens para pegar esse material processual e dar um desfecho para ele. Sem dire\u00e7\u00e3o, sem roteiro, cada um pegou essas imagens e fez algo \u00fanico. Criei um piloto aqui em Lisboa com duas vers\u00f5es de v\u00eddeo e j\u00e1 mandei o projeto a editais, pois tenho mais de seis colaboradores. Entre eles, Simone Cupello, que editaria as imagens para criar uma escultura, Gisele Camargo, convidada para fazer uma s\u00e9rie de pinturas a partir das imagens. Temos tamb\u00e9m profissionais da dan\u00e7a criando coreografias inspiradas nas imagens. Assim, criamos diversas possibilidades de edi\u00e7\u00e3o com o mesmo material.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1666\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Sem-titulo-Serie-Perabe-2016-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1796\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Sem-titulo-Serie-Perabe-2016-scaled.jpg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Sem-titulo-Serie-Perabe-2016-300x195.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Sem-titulo-Serie-Perabe-2016-1024x666.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Sem-titulo-Serie-Perabe-2016-768x500.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Sem-titulo-Serie-Perabe-2016-1536x1000.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Sem-titulo-Serie-Perabe-2016-2048x1333.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Detalhe da obra Sem t\u00edtulo (S\u00e9rie \u201cPerab\u00e9\u201d), 2015<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Quando pensamos na sua proposta, sem prazo ou conclus\u00e3o, talvez possamos ligar isso \u00e0 poesia presente na obra. Isso talvez at\u00e9 se relacione com a literatura que voc\u00ea mencionou no in\u00edcio. Essa liberdade em n\u00e3o ter um objetivo ou uma raz\u00e3o predefinida.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim, ou um resultado esperado. N\u00e3o precisa necessariamente ser algo. Pode assumir diversas formas, e o que \u00e9 hoje pode ser revisto e transformado em algo completamente diferente daqui a dois anos. Isso ocorre porque ele possui um repert\u00f3rio amplo e informa\u00e7\u00f5es suficientes para se desdobrar em diferentes interpreta\u00e7\u00f5es, dependendo da abordagem. Por exemplo, se olharmos para o Pedregulho, voc\u00ea pode ter uma vis\u00e3o mais voltada para a arquitetura, para os retratos, ou para a moda, levando em conta as roupas que marcam uma determinada \u00e9poca. Ou seja, o trabalho \u00e9 bastante aberto. E isso destaca esse outro aspecto do trabalho quando se torna de fato uma exposi\u00e7\u00e3o. Por exemplo, em 2017, realizei uma exposi\u00e7\u00e3o na galeria Anita Schwartz, no Rio, de um projeto na ba\u00eda de Guanabara. Esse projeto, que come\u00e7ou em parceria com Jonas Arrabal, era inicialmente editorial, com o objetivo de se tornar um livro. Para isso, t\u00ednhamos v\u00e1rios procedimentos planejados. Ir\u00edamos lan\u00e7ar um objeto chamado \u201cderivador\u201d (termo usado por ocean\u00f3grafos). Esse objeto se desloca com a mar\u00e9 e estuda esse movimento. Normalmente, o derivador tem um GPS dentro, mas n\u00f3s adaptamos esse aparato para ser uma c\u00e2mera pinhole. Assim, fotografamos \u00e0 deriva. O objetivo do livro era justamente isso: fotografar \u00e0 deriva e falar sobre a ba\u00eda de Guanabara. Isso resultou em uma conversa entre mim, Jonas e alguns colaboradores convidados. Para realizar isso, t\u00ednhamos planejado oito sa\u00eddas de barco na ba\u00eda de Guanabara, que estavam inclu\u00eddas no or\u00e7amento. Nesse processo, descobri que uma pessoa conhecida minha, que \u00e9 ocean\u00f3grafa, estava trabalhando em um projeto na ba\u00eda de Guanabara durante a limpeza e a manuten\u00e7\u00e3o feita por conta das Olimp\u00edadas. Consegui com ela a oportunidade de participar de uma visita feita todas as manh\u00e3s. Eles seguiam um roteiro fixo na ba\u00eda de Guanabara, observando e informando sobre a localiza\u00e7\u00e3o do lixo, para que uma equipe pudesse retir\u00e1-lo da superf\u00edcie da ba\u00eda. Assim, eu sa\u00eda com essa equipe pelo menos tr\u00eas vezes por semana. Eram sempre as mesmas pessoas, ent\u00e3o nos tornamos colegas de trabalho. Pass\u00e1vamos a manh\u00e3 inteira, das 7h da manh\u00e3 at\u00e9 13h da tarde. Comecei a notar lugares que nunca teria visto al\u00e9m do percurso da barca Rio-Niter\u00f3i. Assim, comecei a realmente conhecer a ba\u00eda de Guanabara, sentindo que fazia parte daquele lugar. Esse sentimento de pertencer ao local me fazia querer me aproximar mais, me tornava mais interessada e me levava a descobrir coisas que, se estivesse sentada na praia, talvez n\u00e3o notaria. Estar l\u00e1 no meio fazia tudo come\u00e7ar a fazer sentido. Eu realmente acredito que, quando dedicamos tempo, aten\u00e7\u00e3o e cuidado a qualquer assunto na vida, essa coisa ganha um novo significado. O projeto da Ba\u00eda de Guanabara se transformou em uma exposi\u00e7\u00e3o individual, que n\u00e3o era mais a obra que eu fiz com o Jonas, mas sim o trabalho que eu realizei na Ba\u00eda, al\u00e9m do projeto, com o Jonas. E esse foi o momento de juntar todas essas pe\u00e7as do quebra-cabe\u00e7a. Com tudo isso em m\u00e3os, eu me perguntava &#8220;o que vou fazer com essa hist\u00f3ria?&#8221;. \u00c9 necess\u00e1rio dar um contexto a isso, um contorno. Ent\u00e3o, criei uma instala\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo, fotogravuras e tamb\u00e9m havia um texto. Foi uma exposi\u00e7\u00e3o linda, um projeto muito especial. Quase sem fotografias de pessoas, mas, ao mesmo tempo, estava na ba\u00eda de Guanabara, onde incr\u00edveis 14 munic\u00edpios do estado do Rio de Janeiro s\u00e3o banhados por aquela \u00e1gua gigantesca. Um universo de hist\u00f3rias, vidas, mortes, trag\u00e9dias e belezas, porque tudo est\u00e1 ali. Ent\u00e3o, esse recorte, que de alguma forma conclu\u00ed, pelo menos em um projeto expositivo, tamb\u00e9m \u00e9 muito interessante, por causa da maneira como costuramos essas pontas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E, conectando ao come\u00e7o da nossa conversa, tamb\u00e9m consideramos que o mar da ba\u00eda \u00e9 um &#8220;n\u00e3o lugar&#8221;, \u00e9 simplesmente um mar. Pode haver alguma arquitetura no mar, como os barcos ou at\u00e9 as estruturas que eles constroem dentro da ba\u00eda, mas, no final, \u00e9 um lugar indefinido. N\u00e3o existe uma preocupa\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica como na cidade, mas, ao mesmo tempo, \u00e9 um espa\u00e7o onde as hist\u00f3rias se desenvolvem e as pessoas se conectam. A vida na cidade ainda \u00e9 influenciada pela ba\u00eda, ent\u00e3o h\u00e1 uma conex\u00e3o com esse espa\u00e7o liminar.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ideia do &#8220;n\u00e3o lugar&#8221;, retirada da defini\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica de Marc Aug\u00e9, refere-se a espa\u00e7os em que parece faltar identidade, hist\u00f3ria ou v\u00ednculo. Eu sempre questiono: j\u00e1 pensou num lugar comum, como um aeroporto, como um n\u00e3o lugar? Sim, \u00e9 um local de passagem, as pessoas n\u00e3o ficam. Eles se repetem em v\u00e1rios locais, dando essa falsa sensa\u00e7\u00e3o de familiaridade quando, na verdade, voc\u00ea n\u00e3o o conhece. Mas agora, vamos mudar para o micro. Pense na pessoa que trabalha no aeroporto. Ela est\u00e1 l\u00e1 todos os dias, abre e fecha uma loja, tem uma rotina de transporte. Ela conheceu algu\u00e9m de outra loja e come\u00e7ou a namorar. Isso criou uma hist\u00f3ria, uma relev\u00e2ncia. A forma como ela se relaciona com aquele aeroporto nunca mais ser\u00e1 a mesma, pois ela criou uma hist\u00f3ria ali. Ent\u00e3o, o que quero dizer \u00e9 que, quando falamos sobre lugares com ambiguidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 funcionalidade, sempre existem elementos que contribuem para essa ambiguidade. Eles se apresentam como a possibilidade de um lugar. Estou olhando para uma foto que tirei dentro de uma central el\u00e9trica. \u00c9 um lugar vazio, com linhas paralelas, uma foto bastante ortogonal. Mas me lembro que visitei este lugar porque meu sogro trabalhou l\u00e1 quase a vida inteira. Quando olho para isso, percebo que n\u00e3o foram as linhas nem a concep\u00e7\u00e3o espacial que vejo na fotografia que me levaram a este lugar. N\u00e3o estou dizendo que seja uma regra ou que acontecer\u00e1 sempre. Por\u00e9m, percebo que, em meio a essa explos\u00e3o de imagens que registramos hoje, uma foto real tem um peso para mim. Uso muito o celular para fotografar, adoro Instagram, mas quando tiro uma foto de verdade, ela tem uma import\u00e2ncia. Ela se conecta a um lugar, mesmo quando n\u00e3o parece. Por exemplo, a ba\u00eda de Guanabara. Cada detalhe ali tem um sentido, um prop\u00f3sito, uma relev\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Refletindo sobre isso, me lembrei de uma teoria contempor\u00e2nea sobre imigrantes chamada &#8220;imigrante conectado&#8221;. Segundo essa teoria, esses imigrantes n\u00e3o est\u00e3o totalmente ancorados nem em seu pa\u00eds de origem nem no pa\u00eds atual. Existe um espa\u00e7o intermedi\u00e1rio, social, onde eles parecem n\u00e3o pertencer a nenhum dos dois lugares. Mas, ao contr\u00e1rio, ela argumenta que \u00e9 criado um terceiro lugar. Eles ainda mant\u00eam la\u00e7os com o lugar de onde vieram, se adaptam ao lugar onde est\u00e3o e criam esse terceiro espa\u00e7o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Que \u00e9 a sobreviv\u00eancia [risos]. \u00c9 basicamente a nossa maneira de continuar vivendo, porque \u00e9 realmente desafiador se integrar totalmente a uma nova cultura. Alguns conseguem, mas \u00e9 bem dif\u00edcil. Aqui em Portugal, convivo com artistas e pessoas que vieram do Brasil, principalmente por conta da mudan\u00e7a pol\u00edtica, desde 2013. Muitos dizem que n\u00e3o se veem retornando ao Brasil, pois sentem-se expulsos de casa. Mas tamb\u00e9m percebem que Portugal n\u00e3o \u00e9 exatamente o lar deles. Ent\u00e3o, ficam nesse meio-termo, que n\u00e3o \u00e9 bem um lugar. \u00c9 um &#8220;a-lugar&#8221;. Uma situa\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria. E \u00e9 complicado aceitar que n\u00e3o se pode ter o melhor dos dois mundos. Me arrisco em dizer que esses trabalhos art\u00edsticos que fa\u00e7o s\u00e3o um grande passo, especialmente porque este \u00e9 o primeiro projeto com mais f\u00f4lego que desenvolvo desde que sa\u00ed do Brasil. Mesmo o trabalho que fiz no Chile, comecei quando ainda estava no Brasil. Logo depois, fui para o Chile, mas ainda havia uma certa proximidade que agora n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o forte. Este projeto que estou desenvolvendo agora, acredito, representa esse &#8220;terceiro lugar&#8221;. E \u00e9 minha esperan\u00e7a encontrar, atrav\u00e9s do trabalho, um certo conforto. N\u00e3o apenas relacionado \u00e0 cria\u00e7\u00e3o, que \u00e9 algo muito importante para mim, mas tamb\u00e9m porque sou m\u00e3e. Minha filha tem 6 anos e agora estou come\u00e7ando a ter um pouco mais de energia para retomar mental e emocionalmente essa conex\u00e3o com o trabalho. \u00c9 um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o. Estou especialmente feliz porque este projeto me apaixona. Estou muito envolvida e \u00e9 algo que realmente me preenche de coisas boas. Apesar de enfrentar problemas e lidar com situa\u00e7\u00f5es extremamente complexas, hist\u00f3rias de vida complicadas e tudo mais, o prazer que sinto em interagir com essas pessoas \u00e9 imenso. N\u00e3o se trata apenas de me conectar com imigrantes brasileiros ou identificar-me com o estrangeiro, mas de interagir com pessoas de outra gera\u00e7\u00e3o, a maioria delas idosas. \u00c9 maravilhoso poder se conectar com esse tal ser humano que n\u00e3o est\u00e1 totalmente perdido e que ainda existe neste mundo de c\u00e3o em que vivemos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Entrevista realizada em 21 de Novembro de 2023 remotamente via Zoom.<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-4 is-cropped has-lightbox wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2046\" height=\"1447\" data-id=\"1763\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Angelita-Serie-Leituras-de-um-lugar-valioso-2012-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1763\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Angelita-Serie-Leituras-de-um-lugar-valioso-2012-1.jpg 2046w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Angelita-Serie-Leituras-de-um-lugar-valioso-2012-1-300x212.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Angelita-Serie-Leituras-de-um-lugar-valioso-2012-1-1024x724.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Angelita-Serie-Leituras-de-um-lugar-valioso-2012-1-768x543.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Angelita-Serie-Leituras-de-um-lugar-valioso-2012-1-1536x1086.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 2046px) 100vw, 2046px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Angelita (S\u00e9rie \u201cLeituras de um lugar valioso\u201d)<br>Impress\u00e3o com tinta de pigmento mineral em papel algod\u00e3o<br>70 x 90cm<br>2012<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1810\" height=\"2560\" data-id=\"1765\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Pilar-Serie-Como-olhar-junto-2023-1-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1765\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Pilar-Serie-Como-olhar-junto-2023-1-scaled.jpg 1810w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Pilar-Serie-Como-olhar-junto-2023-1-212x300.jpg 212w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Pilar-Serie-Como-olhar-junto-2023-1-724x1024.jpg 724w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Pilar-Serie-Como-olhar-junto-2023-1-768x1086.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Pilar-Serie-Como-olhar-junto-2023-1-1086x1536.jpg 1086w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Pilar-Serie-Como-olhar-junto-2023-1-1448x2048.jpg 1448w\" sizes=\"(max-width: 1810px) 100vw, 1810px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pilar (S\u00e9rie \u201cComo olhar junto\u201d)<br>Impress\u00e3o com tinta de pigmento mineral em papel algod\u00e3o\u00a0<br>40 x 30cm<br>2023<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1810\" data-id=\"1767\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Sem-titulo-Serie-Perabe-2015-1-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1767\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Sem-titulo-Serie-Perabe-2015-1-scaled.jpg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Sem-titulo-Serie-Perabe-2015-1-300x212.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Sem-titulo-Serie-Perabe-2015-1-1024x724.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Sem-titulo-Serie-Perabe-2015-1-768x543.jpg 768w, 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