{"id":1868,"date":"2026-01-13T08:00:00","date_gmt":"2026-01-13T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/art100.in\/?p=1868"},"modified":"2026-05-29T16:44:27","modified_gmt":"2026-05-29T16:44:27","slug":"mano-penalva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/mano-penalva\/","title":{"rendered":"Mano Penalva"},"content":{"rendered":"\n<p>Mano Penalva (Salvador, 1987) \u00e9 um artista cujas obras desafiam conceitos opostos entre o comum e o extraordin\u00e1rio, o regional e o global, o industrial e o artesanal. Seu trabalho revela um olhar agudo sobre as complexidades das intera\u00e7\u00f5es humanas e a rela\u00e7\u00e3o entre o indiv\u00edduo e o ambiente, seja em seu pa\u00eds de origem, seja em outros lugares visitados. Na entrevista, o artista detalha como sua pr\u00e1tica busca deslocar materiais de seu contexto usual para recontextualiz\u00e1-los no campo da arte e de que maneira usa esse ambiente como um meio de investiga\u00e7\u00e3o cultural e social para explorar e questionar as rela\u00e7\u00f5es entre seres humanos e objetos e entre cultura e identidade. Confira:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/220728_manopenalva_retratos_019-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1869\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/220728_manopenalva_retratos_019-scaled.jpg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/220728_manopenalva_retratos_019-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/220728_manopenalva_retratos_019-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/220728_manopenalva_retratos_019-768x512.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/220728_manopenalva_retratos_019-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/220728_manopenalva_retratos_019-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mano, muito obrigado por me receber aqui no seu est\u00fadio. Gostaria que voc\u00ea se apresentasse com qualquer informa\u00e7\u00e3o que achar relevante, pensando num p\u00fablico que ainda n\u00e3o conhece voc\u00ea e a sua pr\u00e1tica art\u00edstica.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Meu nome \u00e9 Mano Penalva, nasci em Salvador, Bahia. Tenho muito interesse em observar como os seres se relacionam com as coisas. Acredito que uma das coisas m\u00e1gicas de ser artista \u00e9 ser um facilitador, como se as coisas fossem criadas para existir de uma forma e, como artista, tenho essa possibilidade m\u00e1gica de expandir essas possibilidades. Sou formado em comunica\u00e7\u00e3o, mas inicialmente estudei ci\u00eancias sociais com \u00eanfase em antropologia. Trabalhei por muito tempo com pesquisa de comportamento e pesquisa de mercado para grandes marcas globais, e isso me deu uma possibilidade muito interessante de viajar bastante, de entrar em diferentes aspectos de realidades completamente distintas, sobretudo aqui no Brasil. Em paralelo, tamb\u00e9m estudava no parque Lage, onde havia uma carga muito forte de pintura e que \u00e9 evidente na minha produ\u00e7\u00e3o ainda hoje, mesmo quando a tinta n\u00e3o est\u00e1 presente. O meu trabalho possui muitas camadas, e at\u00e9 mesmo os trabalhos mais pict\u00f3ricos carregam uma carga sociocultural muito importante, que est\u00e1 ligada \u00e0 minha forma\u00e7\u00e3o. Minha produ\u00e7\u00e3o hoje ocorre bastante em S\u00e3o Paulo, com um interesse muito forte na manualidade e na materialidade latina, especialmente no M\u00e9xico, aonde, nos \u00faltimos anos, tenho ido com uma certa frequ\u00eancia para expor, mas tamb\u00e9m para produzir e pensar em novos trabalhos.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como voc\u00ea percebe a influ\u00eancia da cultura brasileira e baiana no seu trabalho? E como essa percep\u00e7\u00e3o mudou \u00e0 medida que voc\u00ea viajou e teve experi\u00eancias em outros lugares, como o M\u00e9xico?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 engra\u00e7ado, hoje mesmo, quando estava vindo para o ateli\u00ea, encontrei um amigo artista chamado C\u00e9lio Braga. Ele mora na Holanda, em Amsterd\u00e3, h\u00e1 20 anos, e normalmente passa seis meses no Brasil e seis meses l\u00e1. Ele estava me contando sobre a import\u00e2ncia de vir ao Brasil para ele. E realmente, acho que no Brasil h\u00e1 uma certa visceralidade, algo muito potente. Encontrei isso tamb\u00e9m no M\u00e9xico, principalmente na Cidade do M\u00e9xico. Tinha a impress\u00e3o de que meu trabalho estava muito associado \u00e0 brasilidade, mas isso era uma percep\u00e7\u00e3o das pessoas, pois eu mesmo n\u00e3o tinha essa vis\u00e3o. \u00c0s vezes, me incomodava um pouco, pois sa\u00edam mat\u00e9rias me rotulando como &#8220;artista baiano&#8221; ou &#8220;artista brasileiro traz o olhar baiano para isso&#8221;. Na verdade, acredito que o lugar da arte n\u00e3o tem a ver com isso. N\u00e3o acredito que exista uma arte baiana ou uma arte brasileira. Acho que essa quest\u00e3o do entorno cultural pode esbo\u00e7ar alguns elementos que contribuem para essa produ\u00e7\u00e3o, mas acredito muito nesse campo maior. O Cildo Meirelles, no lan\u00e7amento do livro dele na galeria Luisa Strina, respondeu a v\u00e1rios jornalistas que o questionavam sobre como ele se sentia no \u00e1pice da arte conceitual. Ele disse: &#8220;Parem de me chamar de artista conceitual, eu sou artista e ponto&#8221;. Acho isso muito interessante para refletir.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O seu trabalho, como o <\/strong><strong><em>Projeto para monumento<\/em><\/strong><strong>, interage bastante com a pop art e quest\u00f5es contempor\u00e2neas, mas tamb\u00e9m estabelece um di\u00e1logo com a hist\u00f3ria da arte. Poderia falar mais sobre esse projeto?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Projeto para Monumento<\/em> fala sobre a constru\u00e7\u00e3o desse corpo alimentado, que tamb\u00e9m \u00e9 um monumento, uma constru\u00e7\u00e3o. Um dos primeiros trabalhos que fiz em 2017 e que eu considero muito importante se chama <em>Ma\u00edz, 2017<\/em>. <em>Ma\u00edz<\/em> significa milho em espanhol, e esse trabalho nasce a partir de uma not\u00edcia que vi na cidade, que dizia que o milho bom, org\u00e2nico, estava indo para os Estados Unidos, e o milho transg\u00eanico produzido nos Estados Unidos estava indo para o M\u00e9xico. Ent\u00e3o, criei essa imagem, que \u00e9 um milho feito de salgadinhos Cheetos<em>, <\/em>em forma de cart\u00e3o-postal. Trabalhei com dez vendedores ambulantes na Cidade do M\u00e9xico, vendendo esses cart\u00f5es-postais, e todo ano, retorno \u00e0 cidade para colocar mais cart\u00f5es no mercado. E foi muito curioso, tiveram alguns vendedores que ficaram super reticentes. Eles costumam vender imagens de Che Guevara, da torre latino-americana, das pir\u00e2mides, mas isso tamb\u00e9m \u00e9 um s\u00edmbolo mexicano, a coisa do milho, da cultura, est\u00e1 muito associada \u00e0 comida. E eu fui conversando com eles para vender esses cart\u00f5es l\u00e1, onde a renda ficava toda para eles, pois o meu interesse era que esse trabalho circulasse. No ano seguinte, voltei para falar com um dos vendedores \u2014 o mais reticente ao topar o projeto \u2014 e ele falou assim: \u201cPor que voc\u00ea demorou tanto? Eu vendi todos os cart\u00f5es-postais na primeira semana&#8221;. Para mim, esses feedbacks s\u00e3o muito importantes, porque de alguma forma \u00e9 um trabalho que dialoga com o movimento de arte postal e ele fala muito sobre a quest\u00e3o alimentar, sobre essas trocas que acontecem&#8230; n\u00e3o s\u00f3 culturais, mas tamb\u00e9m socioecon\u00f4micas. E, no caso desse milho, muita gente n\u00e3o se d\u00e1 conta de que ele \u00e9 feito de Cheetos e \u00e9 quase o mesmo processo que acontece com a comida. Quantas coisas acabamos ingerindo sem nos dar conta do que realmente est\u00e1 ali. Tenho outra s\u00e9rie de trabalhos chamada <em>Costales<\/em>, que \u00e9 feita a partir de sacos de r\u00e1fia que transitam pelo mundo transportando alimentos geralmente secos, como gr\u00e3os, pimenta-preta, arroz, feij\u00e3o, manjeric\u00e3o, milho de pipoca, coco, fertilizantes. Esses s\u00e3o sacos colombianos de uso geral. Para fazer esse trabalho, s\u00e3o necess\u00e1rios cerca de 60 sacos de r\u00e1fia plissados para criar essas texturas, essas camadas. O que me interessa nisso \u00e9 criar uma abstra\u00e7\u00e3o tanto da palavra quanto da forma e ir para o campo da pintura. \u00c9 tinta sobre uma estrutura, mas quem determina e aplica essa tinta \u00e9 a ind\u00fastria. Esses trabalhos conversam muito com a hist\u00f3ria da arte. Eles possuem uma carga de Palatnik, mas partem dessa mat\u00e9ria que est\u00e1 em jogo na vida. Ent\u00e3o, h\u00e1 um questionamento muito grande sobre esses s\u00edmbolos e esses c\u00f3digos que s\u00e3o impressos nesses sacos, como se fossem vistos de entrada. H\u00e1 at\u00e9 pouco tempo n\u00e3o existiam passaportes nem vistos de entrada. Os vistos come\u00e7aram ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, considerando que os meios de transporte n\u00e3o eram hiperdesenvolvidos, ent\u00e3o a facilidade de transitar n\u00e3o era grande. Na verdade, os fatores sociais de tr\u00e2nsito eram determinados pelos socioecon\u00f4micos, ou seja, viajava quem tinha dinheiro. Hoje, a partir do momento que o avi\u00e3o tornou muito mais f\u00e1cil viajar, \u00e9 necess\u00e1rio criar outras pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o de entrada nos espa\u00e7os. Isso tamb\u00e9m se aplica aos gr\u00e3os, \u00e0s comidas. Logo, tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio criar novas pol\u00edticas e novos c\u00f3digos para serem impressos nesses sacos, como se fossem vistos. Isso, na verdade, \u00e9 o produto final, mas, at\u00e9 chegarmos a esses acordos de transi\u00e7\u00e3o e de troca desses sacos no mundo, s\u00e3o necess\u00e1rias pol\u00edticas externas macro e microgigantescas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped has-lightbox wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1772\" height=\"1181\" data-id=\"1871\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/13_Mano-Penalva-Corn-Project-for-Monument-2017-Postcard-.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1871\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/13_Mano-Penalva-Corn-Project-for-Monument-2017-Postcard-.jpg 1772w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/13_Mano-Penalva-Corn-Project-for-Monument-2017-Postcard--300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/13_Mano-Penalva-Corn-Project-for-Monument-2017-Postcard--1024x682.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/13_Mano-Penalva-Corn-Project-for-Monument-2017-Postcard--768x512.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/13_Mano-Penalva-Corn-Project-for-Monument-2017-Postcard--1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1772px) 100vw, 1772px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ma\u00edz, S\u00e9rie: Projeto para monumento, 2017<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" data-id=\"2605\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/13_IMG_2917-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2605\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/13_IMG_2917-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/13_IMG_2917-300x225.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/13_IMG_2917-768x576.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/13_IMG_2917-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/13_IMG_2917-2048x1536.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A\u00e7\u00e3o conjunta com vendedores ambulantes pr\u00f3ximos a pontos tur\u00edsticos e ag\u00eancias dos correios na Cidade do M\u00e9xico (2017). O artista colocou 10.000 cart\u00f5es-postais em circula\u00e7\u00e3o entre 2017 e 2022.<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>E falando sobre o contexto e a influ\u00eancia da pintura nos seus trabalhos, podemos falar um pouco da s\u00e9rie <\/strong><strong><em>Ventana<\/em><\/strong><strong>?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Esse<em> <\/em>\u00e9 o trabalho mais recente na minha produ\u00e7\u00e3o, que inclusive estava em exibi\u00e7\u00e3o na galeria Sim\u00f5es de Assis [Exposi\u00e7\u00e3o \u201cDois pra l\u00e1, dois pra c\u00e1\u201d, inaugurada na galeria Sim\u00f5es de Assis, em Curitiba, de 7 de mar\u00e7o at\u00e9 20 de abril de 2024]. Esses trabalhos s\u00e3o um desdobramento de uma s\u00e9rie que comecei por volta de 2013-2014, chamada <em>Samba<\/em>. S\u00e3o faixas de n\u00e1ilon \u2013 geralmente encontradas em cadeiras de praia e sacolas de feira \u2013 plissadas e dobradas. \u00c9 um trabalho que dialoga muito com a Op Art, e trata-se de uma observa\u00e7\u00e3o da materialidade e de como o material se comporta ao ser usado. Todas as vezes que eu comprava esses materiais, era muito dif\u00edcil de manusear, pois qualquer coisa ele amassava e marcava, e essas dobras respeitavam essa condi\u00e7\u00e3o, essa natureza do material. Ent\u00e3o, essa s\u00e9rie aconteceu l\u00e1 atr\u00e1s, e recentemente eu comecei a produzir esses trabalhos, que t\u00eam uma segunda camada, que s\u00e3o as ripas de madeira. \u00c9 um trabalho de composi\u00e7\u00e3o de cor e pintura. Todos esses trabalhos t\u00eam um jogo. Ent\u00e3o, quando voc\u00ea vai passando por eles, eles trazem novas informa\u00e7\u00f5es a partir dessa segunda camada.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sim, \u00e9 um trabalho bastante abstrato. Embora possamos identificar alguns elementos do material, da textura, as camadas, o resultado final \u00e9 abstrato.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um abstrato geom\u00e9trico, ent\u00e3o conversa muito com a produ\u00e7\u00e3o concreta. O meu trabalho muitas vezes tem uma carga de humor, quase de chiste, muito forte, pela natureza da mat\u00e9ria. E a\u00ed eu venho com esse material muito pl\u00e1stico, que est\u00e1 nas feiras, nas praias. Na \u00faltima camada, por exemplo, eu uso tinta esmalte, que tamb\u00e9m \u00e9 uma mat\u00e9ria que est\u00e1 presente na rua, na vida, no cotidiano. N\u00e3o \u00e9 uma tinta super refinada de uma pintura cl\u00e1ssica nem uma tinta a \u00f3leo. Eu brinco com o pessoal aqui no ateli\u00ea e digo que me interessa essa gostosura da tinta, tanto na produ\u00e7\u00e3o quanto no resultado. Eu me delicio fazendo isso. Aplico o pincel e a superf\u00edcie fica completamente coberta por essa camada que tem uma plasticidade, um certo brilho, ainda que seja acetinada.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>At\u00e9 o pl\u00e1stico, quando voc\u00ea trabalha com ele em uma estrutura um pouco mais r\u00edgida que o painel, d\u00e1 uma qualidade a ele, como o brilho, que no dia a dia a gente acaba n\u00e3o percebendo. Porque, por mais que seja um tecido, a gente sempre v\u00ea ele sendo utilizado, as curvas sendo moldadas, e n\u00e3o lisas. Eu nunca tinha visto como rolo.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Um aspecto fascinante do meu trabalho \u00e9 a quest\u00e3o dos rolos de materiais. Frequentemente, tendemos a ver certos itens como intrinsecamente regionais e artesanais, supondo que foram feitos manualmente. Naturalizamos esses objetos como populares ou regionais, mas esquecemos que h\u00e1 uma grande ind\u00fastria por tr\u00e1s deles. Na verdade, muitos desses itens n\u00e3o t\u00eam nada de artesanal, s\u00e3o produtos de processos industriais altamente sofisticados. Explorar essa tem\u00e1tica est\u00e1 diretamente ligado ao meu interesse pela antropologia, com um foco espec\u00edfico no estudo da cultura material. Busco compreender como esses materiais interagem com a cultura, como s\u00e3o apropriados e trabalhados. Al\u00e9m disso, me intriga a possibilidade de deslocar esses materiais para o campo da arte, transformando-os em algo completamente novo e diferente. <\/p>\n\n\n<div class=\"wonderpluginaudio\" id=\"wonderpluginaudio-59\" data-audioplayerid=\"59\" data-width=\"24\" data-height=\"600\" data-skin=\"button24\" data-progressinbar=\"false\" data-showinfo=\"false\" data-showimage=\"false\" data-autoplay=\"false\" data-random=\"false\" data-autoresize=\"false\" data-responsive=\"false\" data-showtracklist=\"false\" data-tracklistscroll=\"true\" data-showprogress=\"false\" data-showprevnext=\"false\" data-showloop=\"false\" data-stopotherplayers=\"true\" data-preloadaudio=\"true\" data-noncontinous=\"false\" data-showtracklistsearch=\"false\" data-saveposincookie=\"false\" data-wptracklist=\"false\" data-removeinlinecss=\"true\" data-enabletabindex=\"false\" data-showtime=\"false\" data-showvolume=\"false\" data-showvolumebar=\"false\" data-showliveplayedlist=\"false\" data-stoponpausebutton=\"false\" data-reloadstream=\"false\" data-playpausefontcircle=\"true\" data-prevnextfontcircle=\"true\" data-showtitleinbar=\"false\" data-showloading=\"false\" data-enablega=\"false\" data-titleinbarscroll=\"true\" data-donotinit=\"false\" data-addinitscript=\"false\" data-imagewidth=\"100\" data-imageheight=\"100\" data-loop=\"0\" data-tracklistitem=\"10\" data-titleinbarwidth=\"80\" data-gatrackingid=\"\" data-ga4account=\"\" data-playbackrate=\"1\" data-playpauseimage=\"playpause-24-24-2.png\" data-playpauseimagewidth=\"24\" data-playpauseimageheight=\"24\" data-cookiehours=\"240\" data-prevnextimage=\"prevnext-24-24-0.png\" data-prevnextimagewidth=\"24\" data-prevnextimageheight=\"24\" data-volumeimage=\"volume-24-24-2.png\" data-volumeimagewidth=\"24\" data-volumeimageheight=\"24\" data-liveupdateinterval=\"10000\" data-maxplayedlist=\"8\" data-playedlisttitle=\"Last Tracks Played\" data-loopimage=\"loop-24-24-2.png\" data-loopimagewidth=\"24\" data-loopimageheight=\"24\" data-playpausefontwidth=\"32\" data-playpausefontheight=\"32\" data-playpausefontsize=\"12\" data-playpausefontradius=\"0\" data-playpausefontcolor=\"#fff\" data-playpausefontbgcolor=\"#333\" data-playpausefonthovercolor=\"#fff\" data-playpausefonthoverbgcolor=\"#555\" data-prevnextfontwidth=\"32\" data-prevnextfontheight=\"32\" data-prevnextfontsize=\"12\" data-prevnextfontradius=\"0\" data-prevnextfontcolor=\"#fff\" data-prevnextfontbgcolor=\"#333\" data-prevnextfonthovercolor=\"#fff\" data-prevnextfonthoverbgcolor=\"#555\" data-infoformat=\"\" data-tracklistscroll=\"false\" data-jsfolder=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/plugins\/wonderplugin-audio\/engine\/\" style=\"display:block;position:relative;margin:0 auto;width:24px;height:auto;\"><ul class=\"amazingaudioplayer-audios\" style=\"display:none;\"><li data-artist=\"\" data-title=\"Mano Penalva - Audio 1\" data-album=\"\" data-info=\"&quot;Mano Penalva - Audio 1&quot;.\" data-image=\"https:\/\/art100.in\/wp-includes\/images\/media\/audio.svg\" data-duration=\"33\"><div class=\"amazingaudioplayer-source\" data-src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Mano-Penalva-Audio-1.wav\" data-type=\"audio\/mpeg\" ><\/div><\/li><\/ul><\/div><script>function wonderaudio_59_appendcss(csscode) {var head=document.head || document.getElementsByTagName(\"head\")[0];var style=document.createElement(\"style\");head.appendChild(style);style.type=\"text\/css\";if (style.styleSheet){style.styleSheet.cssText=csscode;} else {style.appendChild(document.createTextNode(csscode));}};wonderaudio_59_appendcss(\"#wonderpluginaudio-59 { \tbox-sizing: content-box; 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A minha produ\u00e7\u00e3o e o meu interesse caminham muito por esse lado de entender, observar, escutar e ressignificar esses materiais e coisas dentro da cultura. \u00c9 uma esp\u00e9cie de batalha boa: n\u00e3o tem perdedor nem vencedor, tem fa\u00edscas, tem trabalhos.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eu tenho um trabalho chamado <em>A b\u00ean\u00e7\u00e3o<\/em>, onde coloco um cabelo gigante de palha da costa em uma cadeira de balan\u00e7o. Esse simples ato transforma a cadeira, fazendo com que ela deixe de ser apenas uma cadeira para se tornar uma b\u00ean\u00e7\u00e3o \u2014 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o de uma senhora, uma b\u00ean\u00e7\u00e3o da minha av\u00f3. Essa transforma\u00e7\u00e3o reflete a grande contribui\u00e7\u00e3o dos movimentos Fluxus e Dada\u00edsmo para o mundo da arte. Eles nos ensinaram que pequenos deslocamentos podem ter um impacto poderoso, funcionando como uma esp\u00e9cie de &#8220;efeito lupa&#8221;. O artista tem a capacidade de ampliar ou diminuir a import\u00e2ncia de algo, proporcionando novas percep\u00e7\u00f5es e significados.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1708\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1_A-BENCAO-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2581\" style=\"width:1100px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1_A-BENCAO-scaled.jpg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1_A-BENCAO-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1_A-BENCAO-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1_A-BENCAO-768x512.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1_A-BENCAO-1536x1025.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1_A-BENCAO-2048x1367.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A ben\u00e7\u00e3o, 2016<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quando falamos desses materiais n\u00e3o preciosos e extremamente difundidos, diferentes pessoas os reconhecem de maneiras distintas. Por exemplo, os coreanos podem identificar um uso para esse material, enquanto brasileiros podem reconhecer outro. Talvez, at\u00e9 mesmo na Cidade do M\u00e9xico, as pessoas associem esse material a uma utiliza\u00e7\u00e3o diferente. O espa\u00e7o onde cada pessoa atribui seu entendimento para aquele objeto, sua textura, sua bagagem cultural e experi\u00eancias, \u00e9 \u00fanico.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Essa leitura \u00e9 perfeita. Em 2016, trabalhei extensivamente com <em>tote bags<\/em>, um material comum no Brasil, e expus esses trabalhos em Miami e Bruxelas. As interpreta\u00e7\u00f5es foram diversas: pessoas ligadas \u00e0 moda associavam as <em>tote bags<\/em> \u00e0 Chanel, que havia feito um desfile com elas em 2012 ou 2014. Outros viam uma conex\u00e3o com a \u00c1frica ou com as pessoas carregando <em>tote bags<\/em> nas ruas de Paris.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 o poder plural da arte: a capacidade de ser interpretada de acordo com as experi\u00eancias e as bagagens culturais de cada um. Esses trabalhos t\u00eam uma carga mais ampla, representando o campo expansivo da arte, que consegue penetrar e ser reinterpretada pela cultura. Embora muitas pessoas associem essas obras \u00e0 Op Art, meu interesse reside mais no encontro dos materiais e no efeito que produzem enquanto pintura e composi\u00e7\u00e3o. Trata-se da plasticidade, do brilho sofisticado, que, embora familiar, convida a uma observa\u00e7\u00e3o mais profunda. Frederico Morais, um curador cujo pensamento eu admiro, disse que uma das contribui\u00e7\u00f5es da arte latino-americana \u00e9 emprestar ao mundo um aspecto \u201ccaliente-sexy&#8221; \u00e0 produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Acho essa vis\u00e3o extremamente potente, pois atrav\u00e9s dos materiais conseguimos falar sobre forma e geometria de maneira envolvente e rica. Somos moldados a reconhecer formas, mas minha inten\u00e7\u00e3o \u00e9 desafiar o observador a olhar al\u00e9m, explorando novas camadas de significado.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ainda sobre a s\u00e9rie <\/strong><strong><em>Ventana<\/em><\/strong><strong>, como \u00e9 o processo de cria\u00e7\u00e3o e escolha dos t\u00edtulos e apresenta\u00e7\u00e3o dos trabalhos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Os t\u00edtulos s\u00e3o todos a partir de observa\u00e7\u00f5es do cotidiano, de a\u00e7\u00f5es, como beijo, ampulheta, baleba \u2013 que \u00e9 um jogo de gude \u2013, pandeiros. S\u00e3o nomes e palavras que, de certa forma, funcionam como um chamado para observar esses eventos do mundo comum. Justamente, \u00e9 para indicar que o trabalho n\u00e3o est\u00e1 nesse lugar puro, da forma, da cor e da pintura. Est\u00e1 em um lugar um pouco mais ordin\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alguns dos seus trabalhos s\u00e3o bastante esculturais e possuem um jogo \u00f3ptico de cores que muda conforme a percep\u00e7\u00e3o do espectador. Como voc\u00ea integra esses elementos nos trabalhos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O ateli\u00ea funciona muito como um laborat\u00f3rio, onde permito um espa\u00e7o para tentativa e erro. Muitas vezes eu n\u00e3o come\u00e7o j\u00e1 sabendo o que o trabalho vai ser, me permito seguir o fluxo do material e \u00e0s vezes, vou seguindo com uma ideia. Tenho um trabalho chamado <em>O beijo<\/em>, que \u00e9 feito com corda de mi\u00e7angas, e, dependendo do \u00e2ngulo que voc\u00ea olha, ele pode ser roxo ou verde, como um efeito <em>moir\u00e9<\/em> de interfer\u00eancia \u00f3ptica. Esse trabalho, por exemplo, iria ter outra camada de verde. Mas \u00e9 muito complexo, pois, se eu mudo 10 cent\u00edmetros para cima ou se eu coloco um verde um pouco mais claro ou mais escuro, o trabalho se transforma em outra coisa. Ent\u00e3o, h\u00e1 muita experimenta\u00e7\u00e3o e tentativa e erro. E, no meu trabalho, eu deixo que esses erros venham mesmo, porque para mim eles s\u00e3o fontes de inspira\u00e7\u00e3o. Tem um jogo \u00f3ptico que n\u00e3o permite ver tudo de uma vez s\u00f3. O corpo precisa se mover para que essas camadas apare\u00e7am. Por isso, essa exposi\u00e7\u00e3o se chama &#8220;Dois pra l\u00e1, dois pra c\u00e1&#8221;, que \u00e9 como uma dan\u00e7a. Quando convidamos algu\u00e9m para dan\u00e7ar e a pessoa diz que n\u00e3o sabe, respondemos: &#8220;vem, \u00e9 muito simples, \u00e9 dois pra l\u00e1, dois pra c\u00e1&#8221;. Ent\u00e3o, \u00e9 quase um convite para essa percep\u00e7\u00e3o mais simples desses trabalhos. Vamos apenas curtir, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ter todo esse conhecimento e forma\u00e7\u00e3o em arte para experienciar esses trabalhos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1707\" height=\"2560\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/8_240208_simoes_177-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2584\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/8_240208_simoes_177-scaled.jpg 1707w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/8_240208_simoes_177-200x300.jpg 200w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/8_240208_simoes_177-683x1024.jpg 683w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/8_240208_simoes_177-768x1152.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/8_240208_simoes_177-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/8_240208_simoes_177-1366x2048.jpg 1366w\" sizes=\"(max-width: 1707px) 100vw, 1707px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O beijo, Ventana<br>2024<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 interessante esse movimento inconsciente que acontece quando um espectador tenta negociar o espa\u00e7o da sua vis\u00e3o com a obra. Geralmente, acaba se encontrando numa esp\u00e9cie de dan\u00e7a, uma din\u00e2mica que permite observar e explorar diferentes aspectos do trabalho, que muda conforme o espectador explora essas diferentes posi\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, total. Eu tamb\u00e9m tenho uma outra s\u00e9rie de trabalhos agigantados que chamo de <em>Alpendre<\/em>. Alpendre \u00e9 essa pequena varanda na porta de casa, que vem de uma cultura \u00e1rabe, mas que, de certa forma, muitas outras culturas adotaram esse aspecto arquitet\u00f4nico. A Espanha, com a chegada dos mouros, por exemplo, teve uma forte interfer\u00eancia nessa forma\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica. Ent\u00e3o, esses trabalhos receberam esse nome pois representam muito do que considero importante na minha produ\u00e7\u00e3o e investiga\u00e7\u00e3o, que \u00e9 esse lugar de transi\u00e7\u00e3o entre a casa e a rua, entre o p\u00fablico e o privado. Esses trabalhos funcionam como esse lugar de passagem, onde o corpo quase que precisa se aclimatar para entrar e sair de casa. Isso ficou muito evidente na pandemia, por exemplo, quando as casas, das mais simples as mais sofisticadas, todas criaram esse lugar para tirar o sapato, lavar as m\u00e3os. Ou tamb\u00e9m esse lugar onde as pessoas colocam uma planta para afastar o mau-olhado. \u00c9 esse lugar onde criamos uma zona que prepara o corpo para sair ou entrar em casa. Ent\u00e3o, tem uma rela\u00e7\u00e3o muito corporal. Nas vezes que expus esses trabalhos, eles funcionavam quase como uma janela, em que h\u00e1 essa rela\u00e7\u00e3o entre vitral de catedral, entre o externo e o interno. Essas camadas t\u00eam quadrados de tamanhos diferentes. Ent\u00e3o, h\u00e1 tamb\u00e9m esse efeito \u00f3ptico, e quando o corpo caminha por esses elementos, atrav\u00e9s do movimento dos quadrados, cria-se uma outra percep\u00e7\u00e3o de aprofundamento e afastamento.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/3_230204_mano_penalva_151_escala-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2602\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/3_230204_mano_penalva_151_escala-scaled.jpg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/3_230204_mano_penalva_151_escala-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/3_230204_mano_penalva_151_escala-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/3_230204_mano_penalva_151_escala-768x512.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/3_230204_mano_penalva_151_escala-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/3_230204_mano_penalva_151_escala-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Alpendre, 2023<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Essa densidade que \u00e9 criada no espa\u00e7o tamb\u00e9m \u00e9 interessante, porque, embora seja uma barreira muito simples de transpor, ao mesmo tempo, pelas camadas, ela cria uma densidade que \u00e9 dif\u00edcil de penetrar. A s\u00e9rie <\/strong><strong><em>Ventana<\/em><\/strong><strong> tamb\u00e9m promove essa sensa\u00e7\u00e3o de uma barreira perme\u00e1vel, que n\u00e3o deixa de ser barreira.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Na s\u00e9rie <em>Ventana<\/em>, todos os trabalhos foram feitos com elementos de passagem, como as palhas, muxarabis e peneiras com densidades diferentes, normalmente usadas para separar o joio do trigo, para separar gr\u00e3os e at\u00e9 na constru\u00e7\u00e3o civil, para peneirar areia e remover pedrinhas. E isso tamb\u00e9m tem a ver com como o corpo \u00e9 percebido na sociedade. O muxarabi, por exemplo, \u00e9 o primeiro lugar onde as mulheres aparecem para a sociedade, nesse lugar onde voc\u00ea v\u00ea sem ser visto. \u00c9 um elemento arquitet\u00f4nico colonial muito importante e relevante principalmente para o clima do Brasil, j\u00e1 que permite a passagem de ar. Envidra\u00e7ar tudo e colocar tudo como caixas de concreto pode causar um problema s\u00e9rio. Se n\u00e3o come\u00e7armos a adaptar e pensar nisso, as constru\u00e7\u00f5es se tornam estufas. Esse trabalho das <em>Ventanas<\/em> parte da observa\u00e7\u00e3o de arquiteturas e valores arquitet\u00f4nicos, como os trabalhos dos <em>Beirais<\/em>, por exemplo. Os beirais s\u00e3o essas estruturas arquitet\u00f4nicas das fachadas das casas coloniais, e que eram extens\u00f5es do telhado, e a quantidade de beirais em uma casa indicava a condi\u00e7\u00e3o financeira da fam\u00edlia. Se a fam\u00edlia era mais rica, a casa tinha tr\u00eas beirais, chamados de eira, beira e tribeira. Se a fam\u00edlia tinha menos condi\u00e7\u00f5es, a casa n\u00e3o tinha eira nem beira, dando origem \u00e0 express\u00e3o popular. Era um elemento arquitet\u00f4nico, mas que tamb\u00e9m era um distintivo social. Ent\u00e3o, come\u00e7o a fazer esses trabalhos com as mi\u00e7angas de madeira, que est\u00e3o muito presentes no cotidiano do brasileiro, seja nas cortinas que fazem a separa\u00e7\u00e3o das casas, dos c\u00f4modos, mas tamb\u00e9m aquelas presentes nos encostos de carro dos taxistas. Sobretudo para criar uma camada de ar entre o corpo e o banco, pois a ergonomia dos carros n\u00e3o era como hoje em dia, n\u00e3o tinha ar-condicionado.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 curioso pensar como essas mi\u00e7angas de madeira ou at\u00e9 mesmo as estruturas como portas devem aparecer em diversas culturas al\u00e9m da brasileira.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, vai muito al\u00e9m da cultura brasileira. Por exemplo, em Nova York, vemos taxistas usando isso nos bancos. Claro que isso est\u00e1 diminuindo cada vez mais, pois a ergonomia dos carros est\u00e1 melhorando. No entanto, as pessoas tamb\u00e9m t\u00eam um fluxo cultural e levam um pouco da sua cultura e dos seus valores para outros lugares. Isso \u00e9 o que eu acho muito interessante.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/4_230317_mano_026_escala-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2586\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/4_230317_mano_026_escala-scaled.jpg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/4_230317_mano_026_escala-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/4_230317_mano_026_escala-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/4_230317_mano_026_escala-768x512.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/4_230317_mano_026_escala-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/4_230317_mano_026_escala-2048x1366.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Beiral de 3 pontas, Ventana<br>2023<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Existe tamb\u00e9m uma democratiza\u00e7\u00e3o do objeto e desses detalhes arquitet\u00f4nicos que viajam com muita facilidade. Pensando no mundo \u00e1rabe ou no mundo europeu, n\u00e3o existe um julgamento religioso ou cultural desses objetos. Eles s\u00e3o simplesmente incorporados e reaproveitados conforme cada um precisa. Isso tamb\u00e9m se reflete nas <\/strong><strong><em>tote bags<\/em><\/strong><strong> e nesses materiais que s\u00e3o, de certa forma, culturalmente democr\u00e1ticos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, exatamente. E retornando um pouco a quest\u00e3o da bagagem pessoal, na exposi\u00e7\u00e3o que fiz no M\u00e9xico, [Exposi\u00e7\u00e3o Cama de Gato, inaugurada em 24 de setembro a 29 de outubro de 2022, no espa\u00e7o da galeria LLANO, na Cidade do M\u00e9xico], os visitantes percebiam elementos completamente diferentes, baseados em suas pr\u00f3prias cren\u00e7as e experi\u00eancias. Alguns viam refer\u00eancias ao Candombl\u00e9 ou \u00e0 Santeria, como \u00e9 conhecido localmente. Os visitantes judeus identificavam elementos judaicos, enquanto os budistas viam refer\u00eancias budistas nas mi\u00e7angas. Alguns tamb\u00e9m viam elementos de sadomasoquismo, como as argolas. Essa exposi\u00e7\u00e3o abordava muito o trabalho nessa l\u00f3gica de dor e prazer. As composi\u00e7\u00f5es eram feitas com tecido de bancos de carros e mi\u00e7angas e faziam refer\u00eancia aos encostos que ofereciam \u201cmassagens\u201d aos trabalhadores que passam muitas horas no carro. Com isso, tamb\u00e9m tinha o convite para os visitantes experimentarem essa ideia de prazer e dor e refletirem sobre que massagem \u00e9 essa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Essas mi\u00e7angas de madeira s\u00e3o produzidas no Brasil?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, eu trabalho com uma fam\u00edlia de artes\u00e3os no interior do Paran\u00e1, e isso \u00e9 um outro dado da minha pesquisa e produ\u00e7\u00e3o. Entendo que cada trabalho, cada ideia, exige um meio para existir. Portanto, estou interessado em explorar o m\u00e1ximo desses meios. Por exemplo, tenho um trabalho que se chama <em>Branquinhas<\/em>, e s\u00e3o sete tonalidades de branco, mas s\u00e3o de farinha de mandioca. E esse trabalho fala muito sobre esse aspecto de que s\u00f3 quem conhece bem sabe entender a qualidade dessas farinhas. Como nordestino, consigo decifrar essas qualidades, como a mais torrada, a menos torrada, a mais branca, a mais crocante e assim por diante. Isso tem muito a ver com a cultura e a l\u00f3gica, por exemplo, dos esquim\u00f3s, que possuem milhares de nomes para o branco. Ou os ind\u00edgenas t\u00eam nomes diferentes para os verdes, pois imagina a percep\u00e7\u00e3o deles dentro da floresta. Ent\u00e3o, eu me coloco sabendo das qualidades dessas farinhas e, como s\u00e3o sete, acaba criando a l\u00f3gica de ser uma para cada dia da semana e, com isso, o trabalho se torna completamente geom\u00e9trico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/12_DSC03354-1-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2612\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/12_DSC03354-1-scaled.jpg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/12_DSC03354-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/12_DSC03354-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/12_DSC03354-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/12_DSC03354-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/12_DSC03354-1-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Branquinhas, 2023<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mudando para uma outra obra, poderia nos falar sobre <\/strong><strong><em>Tudo passa<\/em><\/strong><strong>?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Essa obra nasceu em 2016, durante um per\u00edodo muito dif\u00edcil no Brasil, quando estava acontecendo o <em>impeachment<\/em>. Acredito que esse trabalho seja mais abrangente do que tenha apenas um cunho pol\u00edtico, pois j\u00e1 foi utilizado em v\u00e1rios momentos desde ent\u00e3o. Quando come\u00e7ou a pandemia, fiz uma reuni\u00e3o com a galeria com a qual trabalhava e decidimos n\u00e3o publicar novamente o trabalho, j\u00e1 que havia sido publicado outras vezes em movimentos pol\u00edticos. Por\u00e9m, em certo dia, um artista na It\u00e1lia publicou o trabalho no Instagram e eu apenas compartilhei no meu perfil. Depois disso, houve uma quantidade enorme de compartilhamentos, a ponto de o pr\u00f3prio Instagram entrar em contato comigo, pois n\u00e3o estavam entendendo a quantidade de compartilhamentos daquela imagem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1900\" height=\"1160\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/16_Mano-Penalva_expo-Balneario_2016_fotos-Ding-Musa-18.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2590\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/16_Mano-Penalva_expo-Balneario_2016_fotos-Ding-Musa-18.jpg 1900w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/16_Mano-Penalva_expo-Balneario_2016_fotos-Ding-Musa-18-300x183.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/16_Mano-Penalva_expo-Balneario_2016_fotos-Ding-Musa-18-1024x625.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/16_Mano-Penalva_expo-Balneario_2016_fotos-Ding-Musa-18-768x469.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/16_Mano-Penalva_expo-Balneario_2016_fotos-Ding-Musa-18-1536x938.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1900px) 100vw, 1900px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Tudo Passa, 2016<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como \u00e9 para voc\u00ea trabalhar nessas s\u00e9ries? Por exemplo, voc\u00ea termina uma s\u00e9rie e ent\u00e3o retorna a esses elementos e os utiliza de novo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Eu costumo trabalhar em v\u00e1rias coisas ao mesmo tempo. Minha produ\u00e7\u00e3o acontece tudo junto num processo um pouco aleat\u00f3rio, \u00e9 o que me move. \u00c0s vezes, estou trabalhando simultaneamente em tr\u00eas s\u00e9ries diferentes. Sempre que estou envolvido em projetos grandes que demandam muito tempo, geralmente vou para um trabalho que consigo realizar de forma mais r\u00e1pida, como as colagens. E tamb\u00e9m tenho os trabalhos de performance e a\u00e7\u00f5es, como <em>Jardim para David Hammons<\/em>, no qual eu instalo uma lona verde na Cidade do M\u00e9xico e vendo flores de pl\u00e1stico para fechar ralos. David Hammons \u00e9 um artista de quem eu gosto muito, e ele fez um trabalho que para mim \u00e9 o m\u00e1ximo da pot\u00eancia, chamado <em>Bliz-aard Ball Sale<\/em>. Nessa obra, ele vende bolas de neve no inverno de Nova York, e o trabalho fala muito sobre vender esse m\u00e1ximo da perecibilidade e ao mesmo tempo contagia tanto adultos quanto crian\u00e7as. Eu acho isso muito potente, quando um espectro muito grande de pessoas consegue acessar o trabalho de diferentes formas, e em <em>Jardim para David Hammons<\/em> eu fa\u00e7o essa homenagem para ele.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho uma outra performance que gosto bastante chamada <em>Desenhos interessados<\/em>. Durante os tr\u00eas meses que passei em Nova York durante uma resid\u00eancia que fiz no AnnexB em 2018, colecionei todas as garrafas de \u00e1gua que consumi. No final desse per\u00edodo, comecei a desenhar na rua usando essas garrafas. O trabalho consiste em criar uma linha com todas essas garrafas vazias, retirando a \u00faltima e colocando-a na frente. \u00c9 um objeto ao qual estamos super conectados, que tem uma ergonomia da nossa m\u00e3o, mas que \u00e9 questionado a todo instante, por exemplo, n\u00e3o sabemos se est\u00e1 sendo sustent\u00e1vel ou n\u00e3o. E isso gerava v\u00e1rias rea\u00e7\u00f5es do p\u00fablico \u2014 desde observa\u00e7\u00e3o at\u00e9 indigna\u00e7\u00e3o. Algumas pessoas ficavam completamente furiosas, me xingavam e questionavam por que eu estava fazendo aquilo. Por\u00e9m, eu estava bem-preparado para essas rea\u00e7\u00f5es e estava interessado mesmo em ver como as pessoas reagiriam.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 interessante observar que, apesar dessa economia de material, ainda causa essa barreira arquitet\u00f4nica no espa\u00e7o. Eu imagino que havia pessoas observando, mas todas de forma cuidadosa para evitar derrubar ou interferir.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O lugar mais ofensivo foi no Brooklyn. Alguns jovens e tamb\u00e9m um camel\u00f4 ficaram muito revoltados. Eles falavam &#8220;Voc\u00ea \u00e9 idiota, por que n\u00e3o coloca \u00e1gua dentro?&#8221;. E isso foi algo muito interessante observar, por exemplo, se as garrafas estavam vazias e o vento as derrubava, eu voltava l\u00e1 e reposicionava todas elas. As pessoas tentavam encontrar a solu\u00e7\u00e3o para algo que n\u00e3o tinha solu\u00e7\u00e3o, pois o trabalho era justamente lidar com as intemp\u00e9ries daquele momento, reagindo ao que acontecia. A obra se chama <em>Desenho interessado<\/em>, porque essa linha caminhava de acordo com o n\u00edvel de interesse das pessoas. Portanto, podia ser desde um encorajamento, como &#8220;Estou gostando, continue&#8221;, at\u00e9 uma revolta. Uma das confronta\u00e7\u00f5es, que quase chegou a ser uma briga, foi com um camel\u00f4 no Brooklyn que n\u00e3o se conformava. Ele come\u00e7ava a xingar, e toda vez que ele xingava, a linha voltava para ele. E era um espa\u00e7o p\u00fablico, ent\u00e3o ele n\u00e3o podia fazer nada, eu estava dividindo aquele espa\u00e7o com ele.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped has-lightbox wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" data-id=\"2597\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/14_IMG_9905-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2597\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/14_IMG_9905-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/14_IMG_9905-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/14_IMG_9905-768x512.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/14_IMG_9905-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/14_IMG_9905-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" data-id=\"2599\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/14_IMG_9760-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2599\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/14_IMG_9760-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/14_IMG_9760-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/14_IMG_9760-768x512.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/14_IMG_9760-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/14_IMG_9760-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\">Desenhos Interessados, 2018<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 curioso como as restri\u00e7\u00f5es sociais, geogr\u00e1ficas e at\u00e9 log\u00edsticas acabam moldando a forma de criar e apresentar um trabalho. Voc\u00ea poderia nos falar mais sobre os desafios ou limita\u00e7\u00f5es que j\u00e1 enfrentou na sua pr\u00e1tica art\u00edstica?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Pensando nos desafios, hoje em dia, por exemplo, j\u00e1 temos um pouco mais de estrutura aqui no ateli\u00ea, mas principalmente em termos de documenta\u00e7\u00e3o para exporta\u00e7\u00e3o, durante muito tempo, tivemos uma l\u00f3gica dentro da nossa produ\u00e7\u00e3o de fazer trabalhos que cabiam na mala. O trabalho n\u00e3o precisa nem ser do tamanho de uma mala, mas precisa ter partes que coubessem dentro de uma mala. E isso eu acho que \u00e9 tamb\u00e9m um dado, uma informa\u00e7\u00e3o sobre o trabalho que fala sobre essa caracter\u00edstica de ilhamento que vivemos, seja da l\u00edngua, seja geogr\u00e1fico, seja das dist\u00e2ncias e do tamanho do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Entrevista realizada em 14 de mar\u00e7o de 2024, no est\u00fadio do artista localizado no bairro da Vila Buarque em S\u00e3o Paulo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-3 is-cropped has-lightbox wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" data-id=\"2618\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/7_240208_simoes_156-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2618\" 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src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/13_Mano-Penalva-Corn-Project-for-Monument-2017-Postcard-.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1871\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/13_Mano-Penalva-Corn-Project-for-Monument-2017-Postcard-.jpg 1772w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/13_Mano-Penalva-Corn-Project-for-Monument-2017-Postcard--300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/13_Mano-Penalva-Corn-Project-for-Monument-2017-Postcard--1024x682.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/13_Mano-Penalva-Corn-Project-for-Monument-2017-Postcard--768x512.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/13_Mano-Penalva-Corn-Project-for-Monument-2017-Postcard--1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1772px) 100vw, 1772px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ma\u00edz, S\u00e9rie: Projeto para monumento<br>Cart\u00e3o Postal I 10 x 15 cm<br>2017<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1708\" data-id=\"2581\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1_A-BENCAO-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2581\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1_A-BENCAO-scaled.jpg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1_A-BENCAO-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1_A-BENCAO-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1_A-BENCAO-768x512.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1_A-BENCAO-1536x1025.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1_A-BENCAO-2048x1367.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A ben\u00e7\u00e3o Cadeira, palhinha e palha da costa I 100 x 150 x 60 cm<br>2016<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" data-id=\"2586\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/4_230317_mano_026_escala-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2586\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/4_230317_mano_026_escala-scaled.jpg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/4_230317_mano_026_escala-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/4_230317_mano_026_escala-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/4_230317_mano_026_escala-768x512.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/4_230317_mano_026_escala-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/4_230317_mano_026_escala-2048x1366.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Beiral de 3 pontas, Ventana<br>Mi\u00e7anga de madeira, fitilho, chassi, fio de a\u00e7o, chumbada e prego I 220 x 100 x 10 cm<br>2023<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" data-id=\"2602\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/3_230204_mano_penalva_151_escala-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2602\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/3_230204_mano_penalva_151_escala-scaled.jpg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/3_230204_mano_penalva_151_escala-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/3_230204_mano_penalva_151_escala-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/3_230204_mano_penalva_151_escala-768x512.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/3_230204_mano_penalva_151_escala-1536x1024.jpg 1536w, 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Constru\u00e7\u00e3o de linhas com garrafas pl\u00e1sticas de \u00e1gua, na qual o artista criou regras pr\u00f3prias para dar seguimento \u00e0 linha de acordo com a rea\u00e7\u00e3o do p\u00fablico.<br>2018<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mano Penalva explora as rela\u00e7\u00f5es entre cultura, identidade e materialidade, aproximando universos regionais e globais por meio de objetos, gestos e narrativas do cotidiano<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2618,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[148,37,276],"class_list":["post-1868","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","tag-bahia","tag-escultura","tag-mano-penalva"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1868","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1868"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1868\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3847,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1868\/revisions\/3847"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2618"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1868"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1868"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1868"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}