{"id":2047,"date":"2025-09-01T14:57:59","date_gmt":"2025-09-01T14:57:59","guid":{"rendered":"https:\/\/art100.in\/marjo-mizumoto-3\/"},"modified":"2025-09-01T19:10:31","modified_gmt":"2025-09-01T19:10:31","slug":"marjo-mizumoto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/marjo-mizumoto\/","title":{"rendered":"Marj\u00f4 Mizumoto"},"content":{"rendered":"\n<p>Marj\u00f4 Mizumoto (S\u00e3o Paulo, 1988) \u00e9 uma artista pl\u00e1stica brasileira de ascend\u00eancia japonesa e amplo interesse em pintura. Suas obras retratam um mundo repleto de cenas do cotidiano familiar e momentos \u00edntimos intercalados com o fant\u00e1stico e surreal. Na entrevista, a artista revela como a experi\u00eancia enquanto m\u00e3e e a influ\u00eancia das pessoas ao seu redor despertaram-lhe o fasc\u00ednio no dia a dia e a vontade de interpret\u00e1-lo na tela. Cada pincelada \u00e9 uma express\u00e3o de sua conex\u00e3o emocional com a cena, levando os espectadores a um lugar nost\u00e1lgico. Confira a entrevista:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/conheca-marjo-mizumoto.jpg.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-1914\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Marj\u00f4, gostaria de come\u00e7ar pedindo que voc\u00ea se apresentasse da maneira que achar melhor, com as informa\u00e7\u00f5es que considera relevantes, especialmente para um p\u00fablico que talvez ainda n\u00e3o conhe\u00e7a sua pr\u00e1tica art\u00edstica.<\/strong><span id=\"docs-internal-guid-d15d0ada-7fff-2ea5-24fa-c45b75613a8f\" style=\"white-space: normal;\"><span style=\"font-size: 12pt; font-family: Roboto, sans-serif; font-weight: 700; font-variant-ligatures: normal; font-variant-alternates: normal; font-variant-numeric: normal; font-variant-east-asian: normal; font-variant-position: normal; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;\"><\/span><\/span><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Eu sou a Marj\u00f4 Mizumoto. Sou m\u00e3e, mulher e artista pl\u00e1stica. Venho de uma fam\u00edlia inteira de m\u00e9dicos \u2013 sou meio a ovelha negra (risos). Nasci no Brasil, e toda a minha ascend\u00eancia \u00e9 japonesa. Estudei artes pl\u00e1sticas na FAAP e fiz uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em hist\u00f3ria da arte, mas n\u00e3o a conclu\u00ed. Cheguei at\u00e9 o final, mas fiquei gr\u00e1vida e acabei deixando para depois a conclus\u00e3o do curso. Quando crian\u00e7a, estudei na escola Waldorf Rudolf Steiner e, por conta da escola, sempre estive envolvida no mundo das artes em geral. Esse contato sempre esteve presente. Durante a faculdade, acabei fazendo assist\u00eancia para alguns artistas, e esse trabalho acabou me levando para o lado da pintura. Eu n\u00e3o achava que seria pintora, mas no final da faculdade era a \u00fanica coisa que eu me via fazendo. Desde ent\u00e3o, tenho seguido o caminho da pintura.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A sua obra se manifesta na pintura, mas existe todo um processo anterior de manipula\u00e7\u00e3o da imagem digital, bem como a etapa de recorda\u00e7\u00e3o e compartilhamento do seu contexto familiar que resulta na pintura. Como voc\u00ea enxerga todos esses processos? Como funciona a quest\u00e3o da mem\u00f3ria, que acredito ser muito importante para voc\u00ea, e como alcan\u00e7ou essa resolu\u00e7\u00e3o da pintura?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Acredito que minha prefer\u00eancia pela pintura se d\u00e1 por interesse e compet\u00eancia. Sempre tive grande interesse em registrar momentos, fosse com a c\u00e2mera ou com o celular. No entanto, nunca fui boa nisso. Na faculdade, comecei a explorar o mundo do v\u00eddeo e da xilogravura, o que me despertou o interesse pela constru\u00e7\u00e3o de imagens. Considero minha fotografia e filmagem bem medianas, mas sinto que quando expresso meus pensamentos por meio da pintura, consigo traduzir melhor o que est\u00e1 na minha cabe\u00e7a. O interesse pela pintura surgiu por acaso, quando vi uma cena que n\u00e3o consegui registrar. Vi uma mulher olhando para o c\u00e9u que come\u00e7ava a se fechar, puxando o guarda-chuva com uma express\u00e3o angustiada. Aquela cena me marcou. Lembro de estar passando de carro e pensar: &#8220;Nossa, eu queria ter registrado isso&#8221;, mas n\u00e3o consegui. Foi ent\u00e3o que comecei a pensar em formas de traduzir aquela cena. Comecei a me fotografar e tentar pintar, de uma forma muito ruim, na tentativa de capturar aquela cena. Mas quando eu fiz aquela primeira pintura, daquela maneira, gostei de como eu conseguia criar um mundo que teoricamente n\u00e3o existe. Fazer uma assemblagem de uma composi\u00e7\u00e3o de ideias e traduzir aquilo num plano. Criar isso em v\u00eddeo para mim era muito mais complexo, j\u00e1 que precisaria de algu\u00e9m para filmar e dirigir a cena, entre outras coisas. Durante a faculdade, eu nunca considerei a filmagem como um caminho a ser seguido, eu sempre gostei de resolver as coisas por conta pr\u00f3pria. Quando comecei a manipular imagens no Photoshop, criando um universo \u00fanico, eu gostei do resultado da composi\u00e7\u00e3o. No entanto, editar minhas fotos no Photoshop n\u00e3o era algo que eu considerava uma obra de arte. Para mim, era um meio, e n\u00e3o o fim. Na pintura, fui seduzida pela pincelada e pela cor, pela possibilidade de transformar tudo aquilo em um lugar, e encontrei o meu lugar. A gravura n\u00e3o entregava a quantidade de cor que eu queria, a fotografia n\u00e3o me permitia fazer isso de uma maneira aut\u00f4noma. J\u00e1 a pintura me proporciona tudo isso, \u00e9 na pintura onde eu consigo resolver essas quest\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Oyasumi-Bachan-2021-2022_baixa-1-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1937\" style=\"width:1101px;height:auto\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Oyasumi Bachan <br>*Boa noite vov\u00f3 (Tiseko Yamaguchi), 2021-2022<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 curioso pensar que a pintura pode assustar o artista \u00e0s vezes. Isso acontece muitas vezes por causa da hist\u00f3ria da arte e dos grandes mestres que vieram antes. Mas \u00e9 interessante ver como voc\u00ea consegue se apropriar da m\u00eddia sem se sentir intimidada. Ao contr\u00e1rio, voc\u00ea usa toda essa hist\u00f3ria para trazer as ideias que surgem de sua pesquisa e de suas experi\u00eancias no campo da pintura.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A pintura nunca me intimidou, ao contr\u00e1rio de outras t\u00e9cnicas. Talvez seja porque comecei a pintar de uma forma muito livre, usando tudo \u00e0 m\u00e3o e aplicando pinceladas grossas com pinc\u00e9is bem duros. Se eu fosse depositando grandes massas de tinta e sobrepondo camada ap\u00f3s camada, estava tudo bem. A pintura me deu um pouco da \u201cang\u00fastia de Giacometti<em>\u201d<\/em> de n\u00e3o conseguir hoje, mas amanh\u00e3 eu pinto de novo, e de novo. Se sei que n\u00e3o resolvi hoje, amanh\u00e3 eu vou olhar para o problema e enfrent\u00e1-lo. Para mim, a pintura sempre foi esse desafio de eu olhar para ela, ela olhar para mim e falar: &#8220;Cara, como \u00e9 que a gente vai se entender?&#8221;. Eu n\u00e3o paro at\u00e9 dar certo. No entanto, n\u00e3o \u00e9 uma coisa que funciona de primeira. Uma pintura, para mim, sempre tem que ter pelo menos tr\u00eas camadas \u2013 nunca \u00e9 apenas uma \u2013 at\u00e9 que eu olhe para ela e ache que deu certo. A pintura me permite fazer isso, sempre retornar e adicionar mais camadas. Em compara\u00e7\u00e3o, acho o desenho muito mais intimidador. Para mim, o desenho \u00e9 resumido a uma linha, \u00e0s vezes bem simples. \u00c9 uma s\u00edntese da imagem. Enquanto isso, a pintura sempre me oferece a possibilidade de reconversarmos.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nas suas obras, percebo a ideologia da imagem, esse encanto m\u00e1gico do momento est\u00e1 bem presente. E essa conversa com a pintura expressa melhor esse momento ideal do que uma fotografia ou at\u00e9 mesmo um v\u00eddeo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Transformar uma imagem em uma foto ou v\u00eddeo, de forma que tudo pare\u00e7a t\u00e3o realista a ponto de questionarmos a veracidade da cena, \u00e9 um processo bastante complexo. Afinal, estamos habituados a ver o mundo com nossos pr\u00f3prios olhos, e a fotografia \u00e9 apenas uma representa\u00e7\u00e3o disso. Se algo n\u00e3o parecer certo, notamos imediatamente. J\u00e1 a pintura, ela n\u00e3o existe at\u00e9 ela existir. Tudo que transformo em pintura, a partir das fotografias, tem a mesma linguagem da m\u00e3o que est\u00e1 pintando. Quando escolho as fotografias para montar um projeto, preparo tudo no Photoshop antes de pintar. \u00c9 como montar uma cena de um filme ou teatro. Eu vou ajustando, mexendo, detalhe por detalhe, nos personagens e no cen\u00e1rio, at\u00e9 que o projeto esteja todo certinho. Se eu te mostrasse o meu projeto, voc\u00ea veria que \u00e9 uma colagem. Mas quando est\u00e1 na pintura, eu consigo trazer tudo para um \u00fanico universo.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sim, por meio da m\u00e3o, temos acesso ao seu universo. Nada \u00e9 mais estruturado do que a pintura, que carrega consigo um peso de realidade. Quando pensamos na pintura dos s\u00e9culos XIV e XV, que era a \u00fanica forma de express\u00e3o art\u00edstica da \u00e9poca, gosto de imaginar Napole\u00e3o pedindo para ser retratado como se tivesse dois metros de altura. \u00c9 uma constru\u00e7\u00e3o, pois quando voc\u00ea v\u00ea as pinturas de Napole\u00e3o, nunca poder\u00e1 adivinhar sua verdadeira estatura. \u00c9 fascinante refletir sobre essas constru\u00e7\u00f5es, pois elas sempre foram intencionais. \u00c9 ter acesso ao seu mundo, ao seu universo, porque \u00e9 pela sua m\u00e3o que essa pintura \u00e9 criada.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Se Michelangelo ou Da Vinci tivessem acesso \u00e0s tecnologias que temos hoje para criar uma imagem, ficariam loucos (risos). O que j\u00e1 faziam naquela \u00e9poca com um modelo posando e construindo de forma mais manual \u00e9 impressionante, imagine com as possibilidades de hoje.<\/p>\n\n\n<div class=\"wonderpluginaudio\" id=\"wonderpluginaudio-28\" data-audioplayerid=\"28\" data-width=\"24\" data-height=\"600\" data-skin=\"button24\" data-progressinbar=\"false\" data-showinfo=\"false\" data-showimage=\"false\" data-autoplay=\"false\" data-random=\"false\" data-autoresize=\"false\" data-responsive=\"false\" data-showtracklist=\"false\" data-tracklistscroll=\"true\" data-showprogress=\"false\" data-showprevnext=\"false\" data-showloop=\"false\" data-stopotherplayers=\"true\" data-preloadaudio=\"true\" data-showtracklistsearch=\"false\" data-saveposincookie=\"false\" data-wptracklist=\"false\" data-removeinlinecss=\"true\" data-showtime=\"false\" data-showvolume=\"false\" data-showvolumebar=\"false\" data-showliveplayedlist=\"false\" data-showtitleinbar=\"false\" data-showloading=\"false\" data-enablega=\"false\" data-titleinbarscroll=\"true\" data-donotinit=\"false\" data-addinitscript=\"false\" data-imagewidth=\"100\" data-imageheight=\"100\" data-loop=\"0\" data-tracklistitem=\"10\" data-titleinbarwidth=\"80\" data-gatrackingid=\"\" data-ga4account=\"\" data-playbackrate=\"1\" data-playpauseimage=\"playpause-24-24-2.png\" data-playpauseimagewidth=\"24\" data-playpauseimageheight=\"24\" data-cookiehours=\"240\" data-prevnextimage=\"prevnext-24-24-0.png\" data-prevnextimagewidth=\"24\" data-prevnextimageheight=\"24\" data-volumeimage=\"volume-24-24-2.png\" data-volumeimagewidth=\"24\" data-volumeimageheight=\"24\" data-liveupdateinterval=\"10000\" data-maxplayedlist=\"8\" data-playedlisttitle=\"Last Tracks Played\" data-loopimage=\"loop-24-24-2.png\" data-loopimagewidth=\"24\" data-loopimageheight=\"24\" data-infoformat=\"\" data-tracklistscroll=\"false\" data-jsfolder=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/plugins\/wonderplugin-audio\/engine\/\" style=\"display:block;position:relative;margin:0 auto;width:24px;height:auto;\"><ul class=\"amazingaudioplayer-audios\" style=\"display:none;\"><li data-artist=\"\" data-title=\"Marjo Mizumoto - audio 1\" data-album=\"\" data-info=\"&quot;Marjo Mizumoto - audio 1&quot;.\" data-image=\"https:\/\/art100.in\/wp-includes\/images\/media\/audio.png\" data-duration=\"21\"><div class=\"amazingaudioplayer-source\" data-src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Marjo-Mizumoto-audio-1.mp3\" data-type=\"audio\/mpeg\" ><\/div><\/li><\/ul><\/div><script>function wonderaudio_28_appendcss(csscode) {var head=document.head || document.getElementsByTagName(\"head\")[0];var style=document.createElement(\"style\");head.appendChild(style);style.type=\"text\/css\";if (style.styleSheet){style.styleSheet.cssText=csscode;} else {style.appendChild(document.createTextNode(csscode));}};wonderaudio_28_appendcss(\"#wonderpluginaudio-28 { \tbox-sizing: content-box; 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No final das contas, todo artista tem exatamente as mesmas coisas: tinta e pincel. Agora, o que aquele artista vai transformar com aquela tinta, como ele vai deposit\u00e1-la, o que ele vai criar com isso, \u00e9 o que est\u00e1 ali na cabe\u00e7a dele.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pensando nas suas imagens, percebo que voc\u00ea usa muitas cenas do cotidiano da sua fam\u00edlia, o que \u00e9 bem interessante. Conseguimos identificar a \u00e9poca de cada pintura s\u00f3 pela idade das crian\u00e7as. O que te inspirou a compartilhar esses momentos t\u00e3o pessoais e incorpor\u00e1-los em suas pinturas, que s\u00e3o fruto de um processo mais demorado e normalmente voltado para o observador?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Na pintura, sempre fui muito verdadeira ao que realmente me interessava. Quando escolho uma imagem, \u00e9 uma escolha pessoal. N\u00e3o costumo pensar muito em quem vai ver depois, onde ela vai acabar, seja na casa de algu\u00e9m, em um museu, ou quem vai olhar aquela cena. As imagens que escolho t\u00eam grande significado para mim. \u00c0s vezes, fico em uma pintura de um a tr\u00eas meses. Se n\u00e3o estiver fazendo algo que tenha import\u00e2ncia para mim, posso perder o interesse no meio do processo. Come\u00e7o uma pintura porque quero registrar algo, quero guardar aquele momento. \u00c0s vezes, no final de um trabalho, quando est\u00e1 em exibi\u00e7\u00e3o num museu e vejo todos observando algo t\u00e3o \u00edntimo meu, me dou conta de que \u00e9 real e de que todos est\u00e3o vendo uma parte de mim. Mas esse pensamento s\u00f3 me ocorre depois, n\u00e3o enquanto estou pintando. Quando estou pintando, n\u00e3o penso em quem vai ver, apenas quero registrar aquilo. Se fosse para pintar s\u00f3 para ficar no meu ateli\u00ea, continuaria pintando.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 curioso como mudamos. Eu sempre observei as pessoas ao meu redor. Sabe aquela situa\u00e7\u00e3o em que voc\u00ea est\u00e1 num \u00f4nibus ou num restaurante e come\u00e7a a imaginar a vida da pessoa ao seu lado? Sempre tive isso de observar e tentar entender o universo delas. Eu n\u00e3o imaginava que um dia pintaria crian\u00e7as. Nunca fui a adulta que gostava de estar com crian\u00e7as, mas quando me tornei m\u00e3e, minha vida mudou completamente. Passei quase cinco anos sem pintar, sendo m\u00e3e em tempo integral. E, com isso, o meu olhar estava completamente voltado para dentro, por\u00e9m continuei com o celular na m\u00e3o, registrando o que estava ao meu redor. N\u00e3o era mais um olhar para as pessoas na rua nem para a arquitetura da cidade. Eu estava dentro de casa, rodeada pelas mesmas pessoas de sempre. Quando a pandemia chegou, n\u00e3o mudou muito o meu cotidiano, j\u00e1 que eu vivia um pouco isolada. Meu ateli\u00ea \u00e9 em casa, e as crian\u00e7as tamb\u00e9m ficam em casa. Quando n\u00e3o estava sendo m\u00e3e, estava sendo artista. O universo que eu compartilho pela pintura pode n\u00e3o ser muito planejado, mas \u00e9 o que me rodeia hoje. Talvez quando as crian\u00e7as crescerem, ou se eu um dia fizer uma resid\u00eancia em outro pa\u00eds, outras coisas poder\u00e3o brilhar. Mas eu gosto de trazer o que mais me atrai no momento. H\u00e1 certas imagens que persistem na minha mente, quase como se estivessem insistindo: &#8220;Voc\u00ea precisa me pintar&#8221;. Essas imagens n\u00e3o desaparecem at\u00e9 que eu as pinte. Ent\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cronologia das imagens, nem todas seguem uma ordem cronol\u00f3gica r\u00edgida. \u00c0s vezes, um projeto pode ter prioridade, mas a imagem que foi deixada para tr\u00e1s ainda permanece na minha mente. Por isso, mesmo depois de muito tempo, eu retorno para aquela cena porque eu necessito pint\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Enquanto-Eles-Dormem-2022-baixa-1-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1939\" style=\"width:1100px;height:auto\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Enquanto Eles Dormem (Heroes), 2022<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea mencionou essas imagens que persistem e pinturas que podem levar um tempo para serem conclu\u00eddas. Como voc\u00ea lida com o processo de ter uma imagem ou um projeto em mente e decidir quando \u00e9 o momento certo para finaliz\u00e1-lo e come\u00e7ar a execut\u00e1-lo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Quando come\u00e7o um projeto, normalmente j\u00e1 investi bastante tempo trabalhando nele. J\u00e1 dediquei dias a uma \u00fanica imagem, apliquei filtros, fiz de tudo. No entanto, enquanto estou pintando, tamb\u00e9m estou em di\u00e1logo com a pintura. \u00c0s vezes, a pintura parece me dizer: &#8220;N\u00e3o \u00e9 bem isso ainda&#8221; e, embora eu possa n\u00e3o ter uma refer\u00eancia clara do que ser\u00e1, sei que ainda n\u00e3o est\u00e1 certo. Em alguns momentos, mudo completamente a pintura, mas antes disso, volto ao computador e exploro v\u00e1rias possibilidades no projeto \u00e0 medida que a pintura se desenvolve. Para mim, a pintura n\u00e3o \u00e9 um projeto conclu\u00eddo at\u00e9 o final. Ent\u00e3o, mesmo que eu tenha uma ideia do que quero que seja, a pintura e o projeto s\u00e3o elementos distintos. Isso \u00e9 interessante, porque come\u00e7o o projeto achando-o incr\u00edvel e termino achando ele uma porcaria (risos), porque, para mim, a pintura acaba superando o projeto.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nesse momento, o projeto se torna um rascunho do que a pintura consegue ser depois?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, \u00e9 a pintura que me d\u00e1 essa liberdade. Sinto que ela me trata muito bem, e eu tamb\u00e9m a trato muito bem. Mesmo que eu sinta que a foto do computador me apresenta todas as possibilidades para realizar a pintura, \u00e9 a pintura que mais me retribui.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estamos falando de como cada pintura \u00e9 um universo em si. Em uma exposi\u00e7\u00e3o individual com v\u00e1rias pinturas, por exemplo, voc\u00ea cria uma conversa entre as obras? Ou voc\u00ea est\u00e1 aberta a permitir que um curador ou uma galeria criem esse di\u00e1logo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Eu nunca criei uma s\u00e9rie de obras (risos). Os trabalhos s\u00e3o sempre bem individuais. No entanto, \u00e9 curioso perceber que, depois de concluir uma obra, ela geralmente se relaciona de alguma forma com algo que j\u00e1 fiz. Nunca determinei uma paleta de cores ou algo espec\u00edfico para uma exposi\u00e7\u00e3o. O que acontece \u00e0s vezes \u00e9 que uma pintura de 2010, outra de 2020 e uma de 2023 acabam aparecendo na mesma exposi\u00e7\u00e3o, porque o curador achou que elas conversavam. Estou organizando minha exposi\u00e7\u00e3o individual para o pr\u00f3ximo ano na Galeria Anita Schwartz [setembro de 2024]. Preciso escolher algumas pinturas para exibi\u00e7\u00e3o e quero que ela tenha a sensa\u00e7\u00e3o de um domingo \u00e0 tarde, e com isso tenho muitas possibilidades. Um domingo \u00e0 tarde pode ser um churrasco em casa, um dia com meus filhos e seus primos no interior, ou at\u00e9 uma ida \u00e0 praia em fam\u00edlia. Mas, para mim, domingo \u00e9 o dia da fam\u00edlia, quando tentamos nos reunir para um almo\u00e7o juntos. Quero que essa exposi\u00e7\u00e3o transmita essa sensa\u00e7\u00e3o. O desafio \u00e9 decidir quais imagens vou criar, pois tenho de tudo aqui.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/domingo-legal-web-1-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1941\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Domingo legal, 2020<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na minha perspectiva pessoal, suas pinturas s\u00e3o bastante inclusivas em rela\u00e7\u00e3o ao espectador. Embora eu n\u00e3o tenha filhos, quando observo algumas de suas pinturas, sinto a mesma alegria que sentia quando era crian\u00e7a brincando com meu irm\u00e3o. Consigo visualizar a felicidade de uma das minhas irm\u00e3s, que \u00e9 m\u00e3e, com seus filhos \u2013 meus sobrinhos. Ent\u00e3o, para mim, suas pinturas criam uma atmosfera de inclus\u00e3o, na qual se compartilham alegrias e sentimentos. E, recentemente, a tarde de domingo se tornou aquele momento especial em que escolhemos cuidadosamente os amigos com quem queremos passar o tempo, descansar e recarregar as energias para a semana que est\u00e1 por vir. Na sexta \u00e0 noite, voc\u00ea pode convidar todos que conhece, mas para um almo\u00e7o de domingo, escolhemos com cuidado os amigos para compartilhar o momento.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Eu diria que realmente me coloco na minha pintura. Mesmo quando estou retratando meus filhos, tento trazer algo da minha pr\u00f3pria inf\u00e2ncia. Por exemplo, tem um jogo chamado &#8220;pesca-peixe&#8221; que me lembra muito da minha inf\u00e2ncia. Se eu tiver que escolher um momento para representar eles brincando, provavelmente seria eles jogando &#8220;pesca-peixe&#8221;. Gosto de incluir elementos que s\u00e3o mais da minha inf\u00e2ncia do que da deles. Mas acontece meio que sem perceber, porque s\u00e3o coisas que me interessam muito e que eu quero incorporar. Acho que isso acaba fazendo com que as pessoas se identifiquem com o meu trabalho e se sintam mais pr\u00f3ximas dele, pois remete a momentos e pessoas da inf\u00e2ncia delas. Eu questionei durante muito tempo se o car\u00e1ter \u00edntimo e pessoal do meu trabalho conseguiria evocar emo\u00e7\u00f5es nos outros. Cheguei a me perguntar: &#8220;Ser\u00e1 que algu\u00e9m vai querer ver uma pintura da minha av\u00f3 na cama? Ou do meu filho dormindo com meu marido?&#8221; (risos). De certa maneira, n\u00e3o carrego muito do universo popular brasileiro em meu trabalho. Acabo inserindo aspectos &#8220;gringos&#8221;, de fora do Brasil, j\u00e1 que meu universo foi constru\u00eddo de maneira din\u00e2mica, com v\u00e1rias influ\u00eancias ao meu redor, tanto brasileiras quanto japonesas e internacionais. Sempre tive a d\u00favida se as pessoas conseguiriam se conectar com o meu trabalho, e essa resposta veio quando elas come\u00e7aram a dizer que se identificavam com o que eu fazia. Recebo relatos que \u00e0s vezes me emocionam. Um dia, uma garota me contou que tinha visto meu trabalho e disse: &#8220;Sabe, eu nunca conheci meu av\u00f4. Ele j\u00e1 tinha falecido quando eu nasci. Mas ao ver a imagem do seu filho com o av\u00f4 dele, senti como se tivesse vivido aquele momento&#8221;. Ela me agradeceu ter feito aquela pintura. Isso \u00e9 muito forte. Voc\u00ea faz algo porque viu uma cena que te marcou de tal forma que quis registrar e isso tocou uma pessoa que voc\u00ea n\u00e3o conhece, num momento em que voc\u00ea n\u00e3o estava l\u00e1, porque ela sentiu que viveu uma cena que n\u00e3o viveu. \u00c9 muito legal.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/No-meu-tempo-era-assim-2021_baixa-1-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1943\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">No meu tempo era assim, 2021<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Esse \u00e9 um dos grandes objetivos da arte: nos levar al\u00e9m de n\u00f3s mesmos, permitindo a descoberta de novas ideias e pensamentos. Isso envolve explorar uma mem\u00f3ria inexistente e o sentimento de nostalgia por algo que nunca aconteceu. Na abstra\u00e7\u00e3o encontramos um caminho mais f\u00e1cil para navegar por esses sentimentos do que no figurativo, que busca envolver o observador na cena. Seus trabalhos, com suas grandes dimens\u00f5es, colaboram para essa imers\u00e3o. Como voc\u00ea decide a escala e o tamanho das suas pinturas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Quando comecei a pintar, minhas pinceladas eram marcadas e grossas, era dif\u00edcil trabalhar em espa\u00e7os pequenos. Por isso, o tamanho da tela nunca me intimidou; eu precisava de espa\u00e7o. Com o tempo, percebi que, ao pintar um retrato menor do que o tamanho humano, ele me parecia muito pequeno. Depois de fazer v\u00e1rias pinturas, comecei a entender como cada uma me respondia, se estava certo ou n\u00e3o. Eu n\u00e3o gosto de pintar a mesma ideia mais de uma vez. Se eu criei uma imagem, a pintura \u00e9 espec\u00edfica para essa imagem, uma nova pintura vir\u00e1 de uma nova imagem. N\u00e3o costumo refazer uma pintura que j\u00e1 conclu\u00ed, porque n\u00e3o vejo sentido nisso. No entanto, \u00e0s vezes olho para a pintura finalizada e penso que poderia ter sido maior. Parece que a pintura teria sido mais correta se fosse maior. Comecei a entender que, para mim, a propor\u00e7\u00e3o da imagem deve ser, no m\u00ednimo, do tamanho real. Para definir o tamanho da tela, eu imprimo o rosto no tamanho que pretendo pintar, para verificar se me sinto confort\u00e1vel com ele ou se deveria ser maior. Quando a pintura tem v\u00e1rios personagens em perspectiva, sempre verifico o tamanho do rosto do personagem mais ao fundo. Se o personagem da frente estiver muito grande, isso n\u00e3o \u00e9 um problema para mim. No entanto, se o personagem de tr\u00e1s estiver em um tamanho muito menor, a\u00ed sim, temos um problema.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea diria que talvez a rela\u00e7\u00e3o entre a pintura e quem a observa influencia nessa quest\u00e3o de tamanho?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, o foco n\u00e3o \u00e9 tanto a pessoa que est\u00e1 observando, sou eu. Isso \u00e9 intrigante, a pintura \u00e9 uma extens\u00e3o de mim. Pode parecer ego\u00edsta, mas a pintura, para mim, \u00e9 minha (risos). \u00c9 uma conversa muito \u00edntima comigo mesma. N\u00e3o estou t\u00e3o preocupada com a rea\u00e7\u00e3o das pessoas a ela, mas sim com a minha pr\u00f3pria rea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como \u00e9 para voc\u00ea o processo de compartilhar sua pintura com o mundo e, de certa forma, dizer adeus a ela? Voc\u00ea lida bem com isso ou acaba guardando v\u00e1rias delas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Sinto um apego forte em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s minhas pinturas enquanto estou criando, chegando a pensar que nunca conseguirei deix\u00e1-las sair do meu ateli\u00ea. No entanto, quando termino, percebo que elas precisam ser compartilhadas com o mundo e que mant\u00ea-las apenas no meu ateli\u00ea n\u00e3o seria o certo. Ao mesmo tempo, existem certas pinturas a que me apego muito e que prefiro guardar s\u00f3 para mim, sem inten\u00e7\u00e3o de vend\u00ea-las. Por exemplo, em uma das minhas primeiras pinturas, eu retratei a minha v\u00f3 de uma maneira solta e despretensiosa. Ela n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o boa tecnicamente, mas quando olho para ela, eu sei de onde vim como pessoa e como pintora, e se precisar voltar para esse lugar, eu sei que posso voltar. Se hoje me interessa uma pintura que \u00e9 mais minuciosa, mais detalhista, sei que muito de mim est\u00e1 um tanto dentro dessas pinturas soltas. Embora eu tenha muitas pinturas que retratam momentos \u00fanicos com meus filhos, n\u00e3o me preocupo em deix\u00e1-las ir. \u00c9 gratificante quando elas encontram um novo lar, e as respostas que recebo das pessoas me deixam feliz. Sei que mesmo que minhas pinturas possam acabar em qualquer lugar do mundo, elas sempre ter\u00e3o uma conex\u00e3o comigo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/O-amanha-e-seu-Heroes-2022_web-1-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1945\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O amanh\u00e3 \u00e9 seu (Heroes), 2022<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Parece que voc\u00ea tem uma conex\u00e3o forte e saud\u00e1vel n\u00e3o apenas com a pintura, mas tamb\u00e9m com seus filhos. A maternidade alterou de alguma forma sua rela\u00e7\u00e3o com a pintura?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Nunca tive problemas em deixar minhas pinturas irem embora, mas, \u00e9 claro, \u00e9 sempre mais f\u00e1cil ver uma pintura de um amigo partindo do que uma de um filho. Eu sabia que tinha algo ali que n\u00e3o era totalmente meu. Quando voc\u00ea \u00e9 m\u00e3e, voc\u00ea sente algo que de certa forma te pertence. Eu entendo que, um dia, meus filhos v\u00e3o partir para o mundo, mas ainda h\u00e1 aquele sentimento de que eles s\u00e3o meus filhinhos, meus beb\u00eas (risos). Pode parecer brega, mas as frases que voc\u00ea ouve de uma m\u00e3e, como: &#8220;O amor de m\u00e3e \u00e9 indescrit\u00edvel e diferente de qualquer outro amor&#8221;, acabam sendo verdade. A maternidade traz tantas experi\u00eancias novas que voc\u00ea inevitavelmente acaba levando muitas delas para a sua vida como um todo. Eu traduzi muitas dessas novas sensa\u00e7\u00f5es, responsabilidades e tarefas para a minha vida: essa nova forma de se dedicar a algu\u00e9m al\u00e9m de mim mesma, pensar na comunidade, no lugar onde moro, nas pessoas ao meu redor. Coisas que, quando somos jovens, talvez n\u00e3o questionemos tanto porque estamos mais focadas em n\u00f3s mesmos. Mas quando voc\u00ea tem filhos, tudo isso deixa de ser apenas sobre voc\u00ea. \u00c9 sobre o que voc\u00ea est\u00e1 deixando para tr\u00e1s, onde voc\u00ea quer que seus filhos cres\u00e7am, quem voc\u00ea quer que eles sejam na sociedade. Voc\u00ea come\u00e7a a pensar de maneira mais ampla. H\u00e1 algo em ver sua pintura indo embora, sentir que ela n\u00e3o pertence s\u00f3 a voc\u00ea, mas tamb\u00e9m de certa forma ao mundo. Voc\u00ea aprende a ver al\u00e9m de si mesmo, a entender a comunidade, o ser humano e a sociedade como um todo. Isso n\u00e3o tem tanto a ver necessariamente com se tornar m\u00e3e e refletir essa mudan\u00e7a no seu trabalho de pintura, mas a maternidade muda voc\u00ea de uma maneira que acaba provocando mudan\u00e7as inevit\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>E pensando que n\u00f3s, como sociedade, nossos sistemas cotidianos, somos constru\u00eddos com base no patriarcado, e que, por consequ\u00eancia, acabamos excluindo muitas experi\u00eancias e o sentimento de maternidade. Suas pinturas compartilham sentimentos de maternidade, permitindo que, mesmo aqueles que n\u00e3o s\u00e3o m\u00e3es, entendam essas emo\u00e7\u00f5es que permeiam determinada cena. Isso nos ajuda a aprender e incorporar essas experi\u00eancias em nossas vidas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Acredito que a quest\u00e3o do meu trabalho n\u00e3o \u00e9 tanto sobre a maternidade, mas sim sobre o cuidado, o afeto, compreender e querer bem o outro. E isso \u00e9 algo acess\u00edvel a todos n\u00f3s, mesmo que voc\u00ea n\u00e3o experimente a maternidade em sua vida. Seja voc\u00ea m\u00e3e ou n\u00e3o, h\u00e1 algo ali que voc\u00ea sente e compreende, um sentimento que voc\u00ea reconhece. N\u00e3o acho que o problema real \u00e9 termos crescido numa sociedade patriarcal, mas a falta de valoriza\u00e7\u00e3o do cuidado na sociedade. \u00c9 interessante tamb\u00e9m considerar isso dentro do campo da pol\u00edtica. Acredito que \u00e9 crucial ter mais mulheres na pol\u00edtica, n\u00e3o apenas por serem mulheres, mas porque conseguimos abordar quest\u00f5es a partir de uma perspectiva menos individualista. Temos um olhar mais voltado para o coletivo. N\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de g\u00eanero, mas talvez ela se d\u00ea porque as expectativas colocadas nas mulheres desde a inf\u00e2ncia s\u00e3o diferentes das dos homens. Como m\u00e3e de um menino e uma menina, eu percebo que os desafios educacionais s\u00e3o diferentes. Por exemplo, n\u00e3o preciso enfatizar tanto para a minha filha que ela deve ser emp\u00e1tica, que deve ser amig\u00e1vel com seus colegas e que n\u00e3o se deve bater em ningu\u00e9m. \u00c0s vezes, fa\u00e7o isso, mas n\u00e3o \u00e9 a mesma abordagem que uso com meu filho, pois desde pequenos eles t\u00eam comportamentos diferentes. Nesse caso, eu, como m\u00e3e, tenho duas op\u00e7\u00f5es: incentivar meu filho a se defender e revidar de forma mais agressiva, ou ensin\u00e1-lo da mesma forma que ensinaria \u00e0 minha filha, explicando que a agress\u00e3o \u00e9 errada e incentivando a empatia e o carinho. Talvez a maior quest\u00e3o que enfrentamos sobre as diferen\u00e7as de g\u00eanero seja o machismo, a ideia de que o homem deve ser bruto e grande provedor inabal\u00e1vel. Desde cedo, certas expectativas s\u00e3o depositadas em meninos e meninas de formas diferentes. Quando me tornei m\u00e3e, percebi que uma das atitudes mais revolucion\u00e1rias que podemos ter \u00e9 a forma como criamos nossos filhos. As crian\u00e7as aprendem a ser humanas com base em quem est\u00e1 ao redor delas, nos exemplos que veem e nas coisas que s\u00e3o ditas. Essa crian\u00e7a um dia ser\u00e1 um adulto que criar\u00e1 leis, que poder\u00e1 impedir ou iniciar uma guerra, \u00e9 o adulto que decidir\u00e1 priorizar a economia ou a sa\u00fade. Hoje, entendo que ser m\u00e3e \u00e9 um papel social que tenho como cuidadora e educadora desse pequeno ser que se tornar\u00e1 um adulto.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Hello-Mr.-President-2022-baixa-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1947\" style=\"width:1101px;height:auto\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Hello Mr. President (Al\u00f4 Sr. Presidente), 2022<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Com certeza, n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil. \u00c0 medida que expandimos o cuidado e a educa\u00e7\u00e3o como algo social, mais se destaca o fato dessa responsabilidade ser de todos, n\u00e3o s\u00f3 dos pais.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, da sociedade, de quem est\u00e1 ali cuidando. O pol\u00edtico, em ess\u00eancia, deveria ser aquele que cuida da sociedade. \u00c9 a pessoa que colocamos l\u00e1 para cuidar de n\u00f3s, dos nossos interesses.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Marj\u00f4, \u00e9 incr\u00edvel conversar com voc\u00ea, j\u00e1 que muitos dos assuntos que discutimos s\u00e3o temas muito presentes na sua pintura. Agrade\u00e7o o compartilhamento dessas imagens \u00edntimas e sentimentos que n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis de transformar em uma pintura num contexto de arte contempor\u00e2nea, no qual o confronto \u00e9 \u00e0s vezes mais f\u00e1cil de ser observado. Suas pinturas t\u00eam um peso conceitual e emo\u00e7\u00e3o forte, transmitindo sentimentos positivos de acolhimento que v\u00e3o al\u00e9m do n\u00facleo familiar e que abrangem o cuidado e o amor.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Eu que agrade\u00e7o muito. Como voc\u00ea disse, o confronto \u00e9 mais midi\u00e1tico, atrai mais aten\u00e7\u00e3o. E a sutileza \u00e9, por natureza, sutil. Portanto, \u00e9 dif\u00edcil encontrar espa\u00e7o para discutir isso. Eu me sinto muito grata por fazer algo que amo, compartilhar algo em que acredito e, de certa forma, ser ouvida sem precisar gritar. Hoje temos tantas maneiras de gritar, de falar sobre um assunto, mas toda vez que abordo um tema, sinto que entro num lugar de responsabilidade. Por exemplo, existem v\u00e1rias formas de falar sobre uma guerra, e a mais comum \u00e9 por meio das suas atrocidades. Entendo que h\u00e1 o aspecto de confrontar e gerar repulsa com tais cenas, mas qual \u00e9 a minha responsabilidade como artista ao adicionar mais uma dessas imagens ao mundo? Ser\u00e1 que tenho outra maneira de falar sobre esse sentimento, sobre o que estamos perdendo ou aquilo em que n\u00e3o estamos prestando muita aten\u00e7\u00e3o? Tenho muitos pensamentos, bons e ruins. \u00c0s vezes, tenho mais pesadelos do que sonhos. Se eu fosse traduzir o que est\u00e1 na minha mente, teria muitas coisas negativas para mostrar ao mundo, mas eu estaria fortalecendo essas imagens ruins. Como artista, sinto que devemos valorizar nossa humanidade para al\u00e9m do que muitos consideram talento. Porque n\u00e3o \u00e9 sobre ser competente no fazer art\u00edstico, produzir obras tecnicamente perfeitas, mas sobre aquilo que \u00e9 verdadeiramente humano que temos dentro de n\u00f3s. Esse \u00e9 o maior presente que podemos deixar para o outro.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Entrevista realizada em 13 de novembro de 2023 remotamente via Zoom<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-4 is-cropped has-lightbox wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" data-id=\"1926\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Miss-Empatia-2020-10M-2-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1926\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Miss Empatia 2020<br>(Autorretrato)<br>\u00d3leo sobre Tela<br>160 x 120 x 3.5 cm<br>2020<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" data-id=\"1920\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/No-meu-tempo-era-assim-2021_baixa-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1920\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">No meu tempo era assim&nbsp;<br>(Leon Mizumoto Gomes e Pedro Gomes)<br>\u00d3leo sobre Tela<br>120 x 100 x 3.5 cm<br>2021<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" data-id=\"1934\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/O-amanha-e-seu-Heroes-2022_web-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1934\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O amanh\u00e3 \u00e9 seu (Heroes)<br>(Lui Haru Jorqueira Nakumo e Tom Inari Jorqueira Nakumo)<br>\u00d3leo sobre Tela<br>180 x 135 x 3.5 cm<br>2022<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" data-id=\"1922\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Copy-of-Hello-Mr.-President-2022-baixa-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1922\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Hello Mr. President (Al\u00f4 Sr. Presidente)<br>(Leon Mizumoto Gomes e Marie Yuki Mizumoto Gomes)<br>\u00d3leo sobre Tela<br>180 x 135 x 3.5 cm<br>2022<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" data-id=\"1923\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Oyasumi-Bachan-2021-2022_baixa-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1923\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Oyasumi Bachan<br>*Boa noite vov\u00f3 (Tiseko Yamaguchi)<br>\u00d3leo sobre Tela<br>120 x 160 x 3.5 cm<br>2021-2022<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" data-id=\"1932\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Enquanto-Eles-Dormem-2022-baixa-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1932\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Enquanto eles dormem (Heroes)<br>(Leon Mizumoto Gomes, Francisco P. M. Gomes e Marie Yuki Mizumoto Gomes)<br>\u00d3leo sobre Tela<br>190 x 250 x 3.5 cm<br>2022<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" data-id=\"1929\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/domingo-legal-web-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1929\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Domingo legal<br>(Leon Mizumoto Gomes e Marie Yuki Mizumoto Gomes)<br>\u00d3leo sobre Tela<br>100.5 x 120.5 x 3.5 cm<br>2020<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marj\u00f4 Mizumoto usa a pintura para expressar a vida cotidiana e a maternidade, combinando influ\u00eancias da cultura japonesa com um toque de nostalgia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2040,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[89,111,75,68,50],"class_list":["post-2047","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","tag-marjo-mizumoto","tag-marjo-mizumoto-2-pt-br","tag-painting-2","tag-pintura","tag-sao-paulo-pt-br"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2047","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2047"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2047\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2569,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2047\/revisions\/2569"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2040"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2047"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2047"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2047"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}