{"id":2058,"date":"2025-09-01T14:58:23","date_gmt":"2025-09-01T14:58:23","guid":{"rendered":"https:\/\/art100.in\/celina-portella\/"},"modified":"2025-09-01T19:10:39","modified_gmt":"2025-09-01T19:10:39","slug":"celina-portella","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/celina-portella\/","title":{"rendered":"Celina Portella"},"content":{"rendered":"\n<p>Celina Portella (Rio de Janeiro, 1977), bailarina e artista pl\u00e1stica carioca, investiga atrav\u00e9s de diferentes t\u00e9cnicas e formatos a intera\u00e7\u00e3o entre o corpo e a imagem no espa\u00e7o. Em suas obras, que abrangem v\u00eddeos, fotografias e instala\u00e7\u00f5es, a artista utiliza extensivamente seu pr\u00f3prio corpo como instrumento para provocar reflex\u00f5es sobre o corpo feminino, a percep\u00e7\u00e3o e a identidade. Na entrevista, Celina explora sua abordagem anal\u00f3gica e discute o olhar coreogr\u00e1fico que desenvolve em suas cria\u00e7\u00f5es, destacando, ainda, o car\u00e1ter l\u00fadico que permeia suas composi\u00e7\u00f5es. Confira:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Portrait-Celina-Portella-2024-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1957\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Celina, muito obrigado por estar conosco hoje. Gostar\u00edamos de come\u00e7ar pedindo que voc\u00ea se apresente, compartilhando qualquer informa\u00e7\u00e3o que considere importante sobre voc\u00ea e o seu trabalho.\u2028\u2028<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Eu que agrade\u00e7o pelo convite! Eu sou Celina Portella. Brasileira, carioca, artista pl\u00e1stica e bailarina. Tenho uma trajet\u00f3ria longa na dan\u00e7a. Aquela coisa de menina que os pais colocam na escola desde pequena. Comecei a trabalhar muito cedo profissionalmente dando aulas, dan\u00e7ando em companhias etc. Na faculdade, comecei a estudar design gr\u00e1fico, mas percebi que n\u00e3o era bem isso que eu queria, depois estudei artes pl\u00e1sticas. Na pr\u00e1tica, comecei a fazer meus trabalhos atrav\u00e9s da dan\u00e7a, porque j\u00e1 dan\u00e7ava profissionalmente e comecei a fazer filmes em formato Super-8. Durante algum tempo trabalhei com a Lia Rodrigues Companhia de Dan\u00e7as e com o meu pr\u00f3prio trabalho ao mesmo tempo. Ent\u00e3o, eu viajava muito, circulava em muitos ambientes e circuitos diferentes, apesar de pr\u00f3ximos. Sou aquela pessoa que quer sempre estar e conhecer lugares novos. Depois de um tempo direto no Rio, acabei vindo para S\u00e3o Paulo, porque na \u00e9poca pretendia fazer um mestrado fora do pa\u00eds, mas n\u00e3o aconteceu, ent\u00e3o decidi vir para S\u00e3o Paulo. Eu adoro o Rio, mas estou curtindo morar em S\u00e3o Paulo. Tive o meu filho e logo veio a pandemia, ent\u00e3o ainda estou aproveitando e conhecendo a cidade, mesmo j\u00e1 estando aqui h\u00e1 5 anos (em 2024). Meu trabalho se desenvolveu nesse percurso, atrav\u00e9s das diversas experi\u00eancias que fui vivendo. Vamos falar mais dele agora&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea mencionou que \u00e9 bailarina. Como voc\u00ea percebe a influ\u00eancia entre suas pr\u00e1ticas de dan\u00e7a e art\u00edsticas?\u00a0\u2028<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Comecei a misturar as coisas fazendo filmes com Super-8, eram movimentos criados para aquele tipo de c\u00e2mera. Trabalhava em dupla com outra artista, Elisa Pessoa. Fomos fazendo alguns filmes e, com o passar dos anos, percebemos que est\u00e1vamos fazendo um trabalho que tinha uma unidade. Ela me filmava dan\u00e7ando. Eram imagens meio absurdas, meio improv\u00e1veis, uma dan\u00e7a para a c\u00e2mera. N\u00e3o havia uma narrativa que contava uma hist\u00f3ria. Mas estava muito atravessado pela dan\u00e7a ou por algum tipo de a\u00e7\u00e3o ou movimenta\u00e7\u00e3o. Esses foram os primeiros trabalhos. Depois, o digital come\u00e7ou muito forte, e comecei a trabalhar com a proje\u00e7\u00e3o do corpo em tamanho real sobre algumas superf\u00edcies, e \u00e0s vezes refilmar isso, criando camadas e texturas nessa imagem digital que, para mim, \u00e9 muito dif\u00edcil. A c\u00e2mera anal\u00f3gica, a Super-8, o filme anal\u00f3gico, tem uma est\u00e9tica que me interessa e que \u00e9 muito linda. Me acostumei com o digital, mas, quanto mais perfeita e \u201climpa\u201d a imagem vai ficando, menos interessante acho (risos). Ent\u00e3o, comecei a prestar aten\u00e7\u00e3o nessa quest\u00e3o est\u00e9tica do filme e da imagem. E a brincar com isso. Eu acho que, desde o in\u00edcio, nos filmes meus onde h\u00e1 dan\u00e7a, eu n\u00e3o estava apenas falando de dan\u00e7a. Ali\u00e1s, nunca nada \u00e9 apenas uma coisa. Mas me interessa muito essa liberdade que se tem nas artes visuais de poder pesquisar o que quiser, independentemente da linguagem ou da t\u00e9cnica que se esteja usando, e de poder desconstru\u00ed-las. Em outros contextos, isso tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel, mas, para mim, o das artes pl\u00e1sticas me interessou mais. Para mim, n\u00e3o h\u00e1 muita separa\u00e7\u00e3o, mas o que eu percebo hoje em dia \u00e9 que o meu trabalho foi se desenvolvendo a partir de um olhar coreogr\u00e1fico. No in\u00edcio, eu trabalhava muito com v\u00eddeo, <em>site-specific<\/em>, com a proje\u00e7\u00e3o do corpo. E, depois, comecei a migrar para a tela, com o corpo interagindo com a moldura da tela, primeiro no v\u00eddeo e, depois, na fotografia. Tamb\u00e9m iniciei mais fazendo trabalhos para institui\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o era um trabalho criado para aquele espa\u00e7o espec\u00edfico. Durante muito tempo eu n\u00e3o trabalhei com galeria, por exemplo, at\u00e9 porque eram projetos maiores, com m\u00e1quinas, v\u00eddeos, videoinstala\u00e7\u00f5es. No entanto, comecei a pensar no formato adequado para estar numa galeria. Acredito ser importante estar em diferentes contextos, na galeria, na rua, no ateli\u00ea, nas feiras, no mercado, na institui\u00e7\u00e3o, nos museus e nos espa\u00e7os independentes. Foi por isso que comecei a pensar em um formato que dialogasse tamb\u00e9m com a galeria. Da\u00ed a produzir fotografias que, assim como os v\u00eddeos, tinham uma rela\u00e7\u00e3o forte com o corpo, a dan\u00e7a e com a materialidade da imagem. Na maioria dos meus trabalhos sou eu mesma quem aparece nas imagens. Como eu sempre dancei, eu sei como fazer as coisas que invento e usava a mim mesma, por ser mais pr\u00e1tico e preciso. Mas n\u00e3o quero falar s\u00f3 de mim, mas sobre o corpo da mulher. Hoje em dia, n\u00e3o estou dan\u00e7ando em companhias, mas para mim \u00e9 e sempre ser\u00e1 muito evidente e presente a quest\u00e3o da coreografia, do olhar coreogr\u00e1fico, que \u00e9 a escrita do movimento do corpo no espa\u00e7o e naquele espa\u00e7o espec\u00edfico do v\u00eddeo ou da foto. Se, por exemplo, eu estou interagindo com a moldura, eu tenho que saber o que tenho que fazer para que a ideia funcione tecnicamente, os tempos e a coreografia da c\u00e2mera etc. Claro que, na fotografia, \u00e0s vezes, \u00e9 mais f\u00e1cil, porque ela \u00e9 est\u00e1tica. No v\u00eddeo, alguns trabalhos foram bem desafiadores, em que eu precisei pensar em como a ideia que eu tive funcionaria naquele formato.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 interessante considerar que, embora a fotografia seja est\u00e1tica, \u00e9 preciso capturar e representar um movimento em uma imagem. Por exemplo, ao falar da sua experi\u00eancia com a coreografia, posso perceber isso na sua s\u00e9rie \u201cCorte\u201d, atrav\u00e9s do movimento do bra\u00e7o indicando a a\u00e7\u00e3o que ocorreu para resultar no corte.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Gosto da ideia de realizar a\u00e7\u00f5es, mais do que interpretar algo. Mesmo que n\u00e3o haja uma interpreta\u00e7\u00e3o, no sentido de criar um personagem, ao se mover para a c\u00e2mera, voc\u00ea est\u00e1 sempre criando uma coreografia e interpretando movimentos, e isso depende da experi\u00eancia que voc\u00ea tem. Em qualquer tipo de t\u00e9cnica de movimento, se voc\u00ea tem mais experi\u00eancia, est\u00e1 mais preparado em rela\u00e7\u00e3o a como fazer um certo movimento ou pelo menos tem maior consci\u00eancia de qual movimento est\u00e1 fazendo e como ele vai ficar. Ent\u00e3o, quando eu digo que na imagem est\u00e1tica \u00e9 mais f\u00e1cil, \u00e9 porque posso fazer e refazer as fotos at\u00e9 encontrar o resultado que espero. Mas, mesmo que eu possa repetir, tem um limite tamb\u00e9m. O ideal \u00e9 mergulhar na performance e ir tirando as fotos sem tanto controle. \u00c0s vezes eu paro um pouco para dar uma olhada se o material est\u00e1 saindo do jeito que eu quero, desde o enquadramento, o \u00e2ngulo etc., que pode ser muito espec\u00edfico dependendo do projeto. Nos trabalhos de v\u00eddeo, \u00e9 mais importante que as coisas deem certo mais r\u00e1pido. Muitas vezes \u00e9 complicado ficar repetindo. \u00c0s vezes voc\u00ea faz um <em>take<\/em> de 10 minutos, voc\u00ea olha e n\u00e3o est\u00e1 bom. Voc\u00ea precisa fazer de novo. No cinema, por exemplo, tem toda uma equipe e toda a grana investida na filmagem, tudo precisa dar certo meio de primeira. Na produ\u00e7\u00e3o de videoarte, tem uma contradi\u00e7\u00e3o: pelo fato de n\u00e3o envolver tanta estrutura, existe um pouco mais de liberdade, ao mesmo tempo tamb\u00e9m tem que dar certo logo, pois n\u00e3o h\u00e1 verba para refazer as coisas. Para mim, isso faz com que a performance\/movimento e sua \u201cefemeridade\u201d fiquem presentes no trabalho. Mesmo que uma a\u00e7\u00e3o seja registrada em filme, v\u00eddeo ou em foto, e mesmo que o trabalho n\u00e3o seja um registro de performance, a performance que aconteceu para o trabalho existir fica vis\u00edvel na imagem, mesmo na imagem est\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Corte_-Corte_1_2019_fotografia-recortada_135x95x8cm_alta-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1960\" style=\"width:1100px;height:auto\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Corte\/1, 2019<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como voc\u00ea descreve a sua rela\u00e7\u00e3o com a performance?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A performance n\u00e3o \u00e9 a linguagem final dos meus trabalhos, mas est\u00e1 dentro dele. Quando eu filmo ou fotografo, o que acontece para a c\u00e2mera s\u00f3 acontece naquela hora e n\u00e3o d\u00e1 para ficar refazendo um milh\u00e3o de vezes. Tem uma coisa do ef\u00eamero que \u00e9 essencial, apesar de ser filmado, fotografado ou gravado. Mas, em geral, o suporte final \u00e9 um v\u00eddeo, \u00e9 uma foto, \u00e9 uma instala\u00e7\u00e3o, uma videoinstala\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 uma performance.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 um tra\u00e7o de performance na obra, talvez devido ao seu corpo, que faz refer\u00eancia ao movimento. Pensando na obra <em>Movimento\u00b2<\/em>, \u00e9 um desafio classific\u00e1-la, pois \u00e9 um v\u00eddeo, mas tamb\u00e9m uma escultura, n\u00e3o \u00e9 uma performance, mas visualmente se apresenta como tal. Minha leitura seria algo como uma grava\u00e7\u00e3o de uma performance que se transforma em performance dentro do contexto da mec\u00e2nica que move a tela.\u2028\u2028<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 porque existem duas coisas diferentes. A documenta\u00e7\u00e3o de performances, que \u00e9 quando o artista que est\u00e1 fazendo uma performance e \u00e9 filmado. Aquilo fica documentado em v\u00eddeo, que vai para o museu, para a galeria etc. No caso do <em>Movimento\u00b2<\/em>, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a documenta\u00e7\u00e3o de uma performance. Eu filmei uma movimenta\u00e7\u00e3o muito espec\u00edfica para a c\u00e2mera, para criar imagens que iriam ser apresentadas naquele suporte\/objeto que tinham caracter\u00edsticas especificas tamb\u00e9m. Por isso chamo esse trabalho de v\u00eddeo-objeto. Eu o classifico tamb\u00e9m como videoinstala\u00e7\u00e3o. A performance aconteceu em algum momento, ao filmar no v\u00eddeo, mas n\u00e3o \u00e9 a linguagem final da obra. Nessa s\u00e9rie h\u00e1 uma tela que se desloca em um trilho horizontal, outra em um trilho vertical, e algumas que s\u00e3o fixas, onde o corpo aparece em dimens\u00f5es diferentes. Com mais ou menos espa\u00e7o eu acabo me movimentando de formas diferentes em cada v\u00eddeo-objeto. Esse trabalho teve uma quest\u00e3o de c\u00e1lculo de \u00e1rea, dist\u00e2ncia e velocidade. Eu precisei fazer umas contas matem\u00e1ticas, foi um trabalho bem louco. Pois, por exemplo, se eu desse 10 passos para a direita e 15 para a esquerda, a tela iria sair do trilho. Eu tinha que definir quantos passos precisava dar para caber no tamanho de trilho e qual a velocidade dos passos, entre outras coisas. Eu fui trabalhando com a fotografia e a edi\u00e7\u00e3o e tudo que se apresenta de forma muito autodidata. Assim, de repente, me vi fazendo contas de matem\u00e1tica, que, apesar de simples, eu n\u00e3o me lembrava muito, porque eram da \u00e9poca da escola (risos). Nesse trabalho, o v\u00eddeo e a edi\u00e7\u00e3o me levam para um universo matem\u00e1tico. O trabalho o leva para muitas dire\u00e7\u00f5es quando voc\u00ea faz tudo. Voc\u00ea sempre pode contratar algu\u00e9m para fazer ou resolver quest\u00f5es t\u00e9cnicas do seu trabalho, mas, no caso, eu mesma que fiz esses c\u00e1lculos, porque dava. J\u00e1 na parte de programa\u00e7\u00e3o e mec\u00e2nica, eu contei com o trabalho de outros profissionais. De qualquer forma, \u00e9 sempre necess\u00e1rio entender como cada coisa funciona para que o trabalho possa acontecer.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sim, \u00e9 interessante ver essa simetria e sinergia entre o corpo e a m\u00eddia em suas obras. Por exemplo, as m\u00e3os em tamanho real rezando e as fotografias em formatos maiores. \u00c0s vezes, olhamos para o v\u00eddeo e pensamos que \u00e9 super f\u00e1cil. Mas, na verdade, n\u00e3o \u00e9. H\u00e1 sempre uma negocia\u00e7\u00e3o entre o corpo, o v\u00eddeo e a forma como o v\u00eddeo ser\u00e1 exibido. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 engra\u00e7ado, porque hoje em dia todo mundo tem acesso tanto ao v\u00eddeo como \u00e0 fotografia, muito mais que antes. E, \u00e0s vezes, voc\u00ea vai fazer um v\u00eddeo e expor numa exposi\u00e7\u00e3o e acaba virando uma loucura, porque depende do formato de v\u00eddeo, do Codec, do HD que vai estar tocando na TV, da TV, qual o formato que ela aceita etc., o v\u00eddeo pode simplesmente n\u00e3o rodar. Eu sei que isso s\u00e3o coisas t\u00e9cnicas, mas tudo isso acaba entrando no trabalho. Apresentar um v\u00eddeo comum pode ser f\u00e1cil ou n\u00e3o. Apresentar um v\u00eddeo-objeto ou uma videoinstala\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 mais complexo. Principalmente quando a imagem e o suporte s\u00e3o partes insepar\u00e1veis e codependentes. O v\u00eddeo sempre foi inserido em um contexto de novas tecnologias. Eu comecei a participar de eventos relacionados a isso e pensava \u201ceu n\u00e3o tenho nada a ver com novas tecnologias, eu sou bailarina (risos)\u201d. Eu n\u00e3o sou a pessoa mais expert do mundo com computadores. Tem gente que consegue ver tutorial e resolver de tudo, acho isso maravilhoso porque facilita a vida. Mas a quest\u00e3o t\u00e9cnica n\u00e3o \u00e9 a coisa que mais me interessa.<\/p>\n\n\n<div class=\"wonderpluginaudio\" id=\"wonderpluginaudio-42\" data-audioplayerid=\"42\" data-width=\"24\" data-height=\"600\" data-skin=\"button24\" data-progressinbar=\"false\" data-showinfo=\"false\" data-showimage=\"false\" data-autoplay=\"false\" data-random=\"false\" data-autoresize=\"false\" data-responsive=\"false\" data-showtracklist=\"false\" data-tracklistscroll=\"true\" data-showprogress=\"false\" data-showprevnext=\"false\" data-showloop=\"false\" data-stopotherplayers=\"true\" data-preloadaudio=\"true\" data-noncontinous=\"false\" data-showtracklistsearch=\"false\" data-saveposincookie=\"false\" data-wptracklist=\"false\" data-removeinlinecss=\"true\" data-enabletabindex=\"false\" data-showtime=\"false\" data-showvolume=\"false\" data-showvolumebar=\"false\" data-showliveplayedlist=\"false\" data-stoponpausebutton=\"false\" data-reloadstream=\"false\" data-playpausefontcircle=\"true\" data-prevnextfontcircle=\"true\" data-showtitleinbar=\"false\" data-showloading=\"false\" data-enablega=\"false\" data-titleinbarscroll=\"true\" data-donotinit=\"false\" data-addinitscript=\"false\" data-imagewidth=\"100\" data-imageheight=\"100\" data-loop=\"0\" data-tracklistitem=\"10\" data-titleinbarwidth=\"80\" data-gatrackingid=\"\" data-ga4account=\"\" data-playbackrate=\"1\" data-playpauseimage=\"playpause-24-24-2.png\" data-playpauseimagewidth=\"24\" data-playpauseimageheight=\"24\" data-cookiehours=\"240\" data-prevnextimage=\"prevnext-24-24-0.png\" data-prevnextimagewidth=\"24\" data-prevnextimageheight=\"24\" data-volumeimage=\"volume-24-24-2.png\" data-volumeimagewidth=\"24\" data-volumeimageheight=\"24\" data-liveupdateinterval=\"10000\" data-maxplayedlist=\"8\" data-playedlisttitle=\"Last Tracks Played\" data-loopimage=\"loop-24-24-2.png\" data-loopimagewidth=\"24\" data-loopimageheight=\"24\" data-playpausefontwidth=\"32\" data-playpausefontheight=\"32\" data-playpausefontsize=\"12\" data-playpausefontradius=\"0\" data-playpausefontcolor=\"#fff\" data-playpausefontbgcolor=\"#333\" data-playpausefonthovercolor=\"#fff\" data-playpausefonthoverbgcolor=\"#555\" data-prevnextfontwidth=\"32\" data-prevnextfontheight=\"32\" data-prevnextfontsize=\"12\" data-prevnextfontradius=\"0\" data-prevnextfontcolor=\"#fff\" data-prevnextfontbgcolor=\"#333\" data-prevnextfonthovercolor=\"#fff\" data-prevnextfonthoverbgcolor=\"#555\" data-infoformat=\"\" data-tracklistscroll=\"false\" data-jsfolder=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/plugins\/wonderplugin-audio\/engine\/\" style=\"display:block;position:relative;margin:0 auto;width:24px;height:auto;\"><ul class=\"amazingaudioplayer-audios\" style=\"display:none;\"><li data-artist=\"\" data-title=\"Celina Portella audio 1-esv2-69p-bg-0p\" data-album=\"\" data-info=\"&quot;Celina Portella audio 1-esv2-69p-bg-0p&quot;.\" data-image=\"https:\/\/art100.in\/wp-includes\/images\/media\/audio.svg\" data-duration=\"24\"><div class=\"amazingaudioplayer-source\" data-src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Celina-Portella-audio-1-esv2-69p-bg-0p.mp3\" data-type=\"audio\/mpeg\" ><\/div><\/li><\/ul><\/div><script>function wonderaudio_42_appendcss(csscode) {var head=document.head || document.getElementsByTagName(\"head\")[0];var style=document.createElement(\"style\");head.appendChild(style);style.type=\"text\/css\";if (style.styleSheet){style.styleSheet.cssText=csscode;} else {style.appendChild(document.createTextNode(csscode));}};wonderaudio_42_appendcss(\"#wonderpluginaudio-42 { \tbox-sizing: content-box; 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Por exemplo, quando fa\u00e7o a proje\u00e7\u00e3o do corpo em tamanho real, que eu projeto, filmo novamente, projeto, filmo de novo, aquilo vai criando camadas, mas isso \u00e9 feito sem efeitos digitais.<\/em><\/strong> Muitas vezes as pessoas v\u00eam e dizem: &#8220;tem um efeito no Photoshop que vai ficar \u00f3timo&#8221;, porque no Photoshop voc\u00ea consegue montar v\u00e1rias camadas. Mas n\u00e3o \u00e9 sobre isso. Tenho um trabalho mais recente, uma s\u00e9rie que eu chamo de \u201cFoto-pinturas\u201d, que s\u00e3o fotos do meu corpo se relacionando com um quadrado, um ret\u00e2ngulo e um c\u00edrculo. Eu fiz alguns objetos de ferro para prender na parede e fazer as fotos. Depois, esse objeto some e eu pintei aquelas formas. Eu queria fazer algo em que o corpo se relacionasse com a pintura como mat\u00e9ria. Eu poderia fazer um efeito, colocar no Photoshop ou me deitar no ch\u00e3o e fotografar de cima, para n\u00e3o ter que usar esses objetos. Mas, usando-os, aquela performance, aquela situa\u00e7\u00e3o com aquele formato, aconteceu de fato. Eu estava interagindo com as formas de fato. E, para mim, isso faz muita diferen\u00e7a, \u00e9 a minha pesquisa. Ent\u00e3o, nesse sentido, eu digo que o meu trabalho \u00e9 anal\u00f3gico, pois quase tudo \u00e9 real mesmo, s\u00e3o esp\u00e9cies de efeitos anal\u00f3gicos. \u00c0s vezes eu limpo um pouco a foto, mas eu n\u00e3o fa\u00e7o montagens ou anima\u00e7\u00f5es. No trabalho do trilho, um dos v\u00eddeos tem uma sequ\u00eancia de 12 minutos. Se por acaso eu errasse um passo, daria errado e ter\u00edamos que filmar de novo. A tela vai at\u00e9 o final, at\u00e9 o meio, at\u00e9 1\/4 e at\u00e9 3\/4 e volta, \u00e9 uma verdadeira coreografia em cima do trilho.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-video\"><video height=\"1080\" style=\"aspect-ratio: 1920 \/ 1080;\" width=\"1920\" controls src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Movimento\u00b2_video-instalacoes_2010_14.mp4\"><\/video><figcaption class=\"wp-element-caption\">Movimento\u00b2, V\u00eddeo-objeto 1, 2, 3, 4 e 5, 2010\/14<br>Vista da exposi\u00e7\u00e3o &#8211; Centro Municipal de Artes H\u00e9lio Oiticica, Rio Janeiro<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Muitas de suas obras t\u00eam uma qualidade l\u00fadica que diverte e fascina. De onde surge esse interesse? \u00c9 algo que simplesmente ocorre ou que voc\u00ea busca intencionalmente criar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Eu acredito que \u00e9 algo que acontece. Os trabalhos s\u00e3o decorrentes uns dos outros. Eu fiz filmes com a Super-8, depois a proje\u00e7\u00f5es do corpo em tamanho real, e a partir da\u00ed eu tinha que encaixar a imagem 2D em superf\u00edcies 3D. Ent\u00e3o comecei a refletir muito sobre os limites e o suporte da imagem. Foi a partir da\u00ed que passei para a tela, para a moldura, para o suporte de papel. Uma coisa foi levando a outra. Meu trabalho \u00e9 apresentado de maneira que as pessoas entendam sem a necessidade de estudarem para compreender. A quest\u00e3o do l\u00fadico tem um aspecto que eu acho bom. As pessoas n\u00e3o entendem como o trabalho funciona e ficam tentando descobrir qual \u00e9 o truque por tr\u00e1s da obra. Mas, logo, qualquer pessoa entende, pois s\u00e3o dispositivos anal\u00f3gicos e simples. Nesse sentido, eu diria que \u00e9 um trabalho popular, \u00e9 f\u00e1cil e muitas pessoas de diferentes cen\u00e1rios acessam. Embora a qualidade do l\u00fadico tamb\u00e9m se encaixe, eu me identifico mais com o car\u00e1ter ir\u00f4nico. Eu estou falando muito de movimento, de percep\u00e7\u00e3o e do corpo da mulher, e, para mim, dessa forma, estou falando de pol\u00edtica. Tudo \u00e9 pol\u00edtico, mas o trabalho n\u00e3o tem um discurso pol\u00edtico evidente, ele possui algumas camadas por tr\u00e1s das ironias, das coisas l\u00fadicas, tem m\u00faltiplos sentidos. Eu n\u00e3o tenho o objetivo de ser ir\u00f4nica, divertida ou qualquer coisa nesse sentido, mas acho que faz parte do meu jeito e da minha forma de comunicar.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na s\u00e9rie sobre o fogo, \u00e9 not\u00e1vel que um corpo feminino, um rosto feminino, causa a destrui\u00e7\u00e3o da imagem. Do ponto de vista pol\u00edtico, isso d\u00e1 poder \u00e0 figura passiva, seja ela observada ou fotografada, por homem ou mulher. Essa figura passiva tomando uma a\u00e7\u00e3o na sua pr\u00f3pria representa\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, a s\u00e9rie \u201cFogo\u201d tem as imagens que chamo de \u201cQueimadas\u201d, que s\u00e3o fotografias do meu torso queimadas m\u00faltiplas vezes, criando diferentes formas, tem o trabalho <em>Fogo-F\u00e1tuo<\/em>, que \u00e9 um v\u00eddeo no qual minha imagem come\u00e7a tamb\u00e9m a queimar e vemos flamas, e tem tamb\u00e9m uns d\u00edpticos em que uma fotografia est\u00e1 queimada e a outra \u00e9 uma foto da pr\u00f3pria imagem pegando fogo. Uma \u00e9 a mat\u00e9ria j\u00e1 queimada e a outra \u00e9 a mat\u00e9ria em chamas, mas \u00e9 apenas a foto da mat\u00e9ria, n\u00e3o \u00e9 a pr\u00f3pria mat\u00e9ria ali viva. Sobre destruir a pr\u00f3pria imagem, a pr\u00f3pria representa\u00e7\u00e3o e, portanto, a representa\u00e7\u00e3o de uma mulher, \u00e9 um ato iconoclasta, em que destruir \u00e9 tamb\u00e9m criar algo novo. Quando a figura representada toma a\u00e7\u00e3o, ela deixa de ser passiva e j\u00e1 representa algo diferente. Quando estamos falando da figura de uma mulher, isso levanta diretamente quest\u00f5es feministas. No v\u00eddeo do \u201cFogo\u201d, eu projeto sobre um papel e queimo esse papel no momento exato, assim, tamb\u00e9m preciso realizar uma coreografia, pois eu sei que tenho que sincronizar a a\u00e7\u00e3o que eu vou fazer com a a\u00e7\u00e3o que foi feita no v\u00eddeo. Parece algo complexo, mas acaba que \u00e9 muito simples, que cria um efeito. Isso causa um estranhamento, as pessoas questionam &#8220;nossa, mas est\u00e1 queimando o qu\u00ea, aonde?&#8221;. Ent\u00e3o penso sobre um questionamento da percep\u00e7\u00e3o. \u00c9 sobre isso que a gente mais tem discutido hoje em dia, principalmente por causa das m\u00eddias sociais e o acesso \u00e0 fotografia. A representa\u00e7\u00e3o da verdade \u00e9 a grande quest\u00e3o da arte, de buscar o real, um retrato da realidade. N\u00f3s temos realidades paralelas, cada um cria a sua. Existe uma realidade consensual quando fazemos pactos ou acordos para que todos acreditem mais ou menos nas mesmas coisas, mas a realidade \u00e9 completamente relativa. Quando se trata de m\u00eddias sociais, quest\u00e3o central hoje, a ideia de que as imagens representam o real pode ser muito perigosa. N\u00f3s precisamos pensar em como ter um olhar cr\u00edtico sobre o que estamos vendo. As pessoas olham e dizem &#8220;ai, que absurdo&#8221; sem sequer entender a situa\u00e7\u00e3o. Ainda conseguimos perceber quando \u00e9 uma fotomontagem ou pelo menos sabemos que a fotografia n\u00e3o garante que o que vemos nela seja real. Porque j\u00e1 temos muito acesso \u00e0 produ\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica e muitas pessoas sabem mexer em Photoshop ou em apps de edi\u00e7\u00e3o de imagem. Mas agora, com o <em>deep fake<\/em>, as pessoas embarcam totalmente na ideia de realidade. Porque s\u00e3o v\u00eddeos e por isso acreditam que as imagens s\u00e3o a realidade. Eu acho que, quando coloco em quest\u00e3o o que o espectador est\u00e1 vendo, \u00e9 uma forma de chamar aten\u00e7\u00e3o para tudo isso.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Fogo_-Queimadas-_2020_fotografias-queimadas_30x20cm-cada-35-pecas_baixa_1138.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1964\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Queimada, 2020<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na s\u00e9rie de fotopinturas, a pintura na parede termina com a fotografia da m\u00e3o segurando o pincel. Quando o visitante v\u00ea o tra\u00e7o, ele pensa que foi feito por algu\u00e9m, talvez o artista. Mas, ao ver a fotografia, o espectador \u00e9 desafiado. Aquela percep\u00e7\u00e3o real do tra\u00e7o muda, pois n\u00e3o sabemos se foi realmente o artista que o fez. A pintura nos conduz \u00e0 conclus\u00e3o de que \u00e9 a fotografia.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Pois \u00e9, apesar de ser um efeito evidente, traz esses questionamentos. Voc\u00ea pensa que \u00e9 uma coisa, mas n\u00e3o \u00e9. Voc\u00ea sabe que o tra\u00e7o n\u00e3o foi feito por aquela m\u00e3o da foto, mas ainda assim permite se iludir. N\u00e3o \u00e9 apenas um efeito que conecta a pintura real a uma foto que afirma ter feito a pintura, eu acho que vai al\u00e9m disso. Voc\u00ea se surpreende e questiona o que est\u00e1 escolhendo ver, ou escolhendo acreditar, pois sabe evidentemente que \u00e9 \u201cfalso\u201d. Agora isso me fez pensar no trabalho <em>P\u00fablico<\/em>, que fiz na Trienal de Artes no Sesc de Sorocaba, que \u00e9 uma videoinstala\u00e7\u00e3o interativa. \u00c9 uma sala fechada e, quando o espectador entra, est\u00e1 em cima de um palco. E, na frente desse palco, tem uma plateia, que s\u00e3o v\u00e1rias televis\u00f5es, e, em cada televis\u00e3o, aparece o busto de uma pessoa. Da\u00ed, tem uma programa\u00e7\u00e3o que, quando o espectador entra, os sensores avisam, as imagens mudam e todo mundo come\u00e7a a aplaudir. Foi muito legal fazer esse trabalho, porque, \u00e0s veze,s voc\u00ea inventa um projeto grande, uma instala\u00e7\u00e3o complexa, e pensa: &#8220;nossa, ser\u00e1 que isso vai funcionar?&#8221;. E foi muito interessante ver realmente o espectador entrar e ficar sem gra\u00e7a, como se ele estivesse realmente sendo aplaudido por pessoas presentes. Mas \u00e9 l\u00f3gico que ele sabem que as pessoas n\u00e3o estavam ali. Na \u00e9poca nem havia essa coisa de Zoom e de tanto <em>videocall<\/em>. A instala\u00e7\u00e3o <em>P\u00fablico<\/em> inverte o lugar do espectador e do artista. Geralmente, o p\u00fablico est\u00e1 ali olhando a obra e est\u00e1 protegido, de certa maneira. Mas, quando ele entra nessa instala\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem jeito, est\u00e1 todo mundo olhando, batendo palmas, e ele vira o centro das aten\u00e7\u00f5es. \u00c9 claro que a pessoa sabe que s\u00e3o televis\u00f5es e inclusive que n\u00e3o \u00e9 ao vivo. Mas por que isso causa desconforto ou vergonha? Ao confrontar as telas da televis\u00e3o, voc\u00ea acaba se perguntando se de fato tem algu\u00e9m ali ou n\u00e3o, mesmo sabendo que n\u00e3o tem. Mas, por um segundo, voc\u00ea acredita que tem. Por um segundo, voc\u00ea sente o que sentiria se aquilo fosse verdade. Isso nos coloca em conflito com a imagem e fricciona nossa rela\u00e7\u00e3o com ela. Isso \u00e9 o que me interessa. Acredito que temos instintos ancestrais que nos fazem acreditar no que vemos. Temos algo programado para sobreviver, perceber um le\u00e3o e saber que precisamos correr e coisas assim. No entanto, quando voc\u00ea coloca um le\u00e3o na tela, em tamanho real, voc\u00ea sabe que o le\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 ali. Mas, \u00e0s vezes, parece que a mente n\u00e3o sabe. Da\u00ed tanta manipula\u00e7\u00e3o e desentendimento nesse mundo atual de propaga\u00e7\u00e3o de imagens. Meus trabalhos brincam com a percep\u00e7\u00e3o do real.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Pu\u0301blico\" width=\"1300\" height=\"731\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/EZpzK1G8Prw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\">P\u00fablico, 2017<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em geral, acredito que suas obras possuem uma sensibilidade bem universal. H\u00e1 uma economia nos cen\u00e1rios e at\u00e9 mesmo nas roupas. \u00c9 dif\u00edcil identificar onde as fotos foram tiradas. Claramente, o corpo \u00e9 feminino e, com o tempo, percebe-se que \u00e9 o seu, mas h\u00e1 uma universalidade. At\u00e9 na aus\u00eancia de texto ou palavras. Isso \u00e9 intencional ou uma consequ\u00eancia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Eu n\u00e3o tinha pensado muito nessa ideia de universal, mas, sim, em uma ideia de neutro. Embora eu ache que n\u00e3o existe um neutro (risos). Sei que eu n\u00e3o quero chamar aten\u00e7\u00e3o para as roupas que estou usando ou para mim mesma. Me interessa mais quando meu rosto n\u00e3o aparece, apesar de ser dif\u00edcil conseguir isso. Tenho interesse em falar do corpo em geral, logicamente o corpo da mulher. Eu acho que cada elemento adiciona outras camadas e muitas vezes confunde. Tenho um desejo, sim, de acessar o diverso e, portanto, procuro que as coisas sejam neutras. Por exemplo, a s\u00e9rie de trabalhos que eu chamo de \u201cCorte\u201d \u00e9 feita de duas formas: alguns trabalhos s\u00e3o neutros, com fundo branco, onde estou usando roupas mais casuais, sem estampas. E tem outros que foram fotografados na casa da minha av\u00f3 em Petr\u00f3polis, em um ambiente com cortinas estampadas e m\u00f3veis antigos. Eu estou usando uma saia de veludo preto e uma blusa de renda. \u00c9 uma casa muito antiga, que eu conhe\u00e7o muito, que carrega muita informa\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o as fotos falam tamb\u00e9m de tradi\u00e7\u00e3o, de fam\u00edlia, de uma cultura, da mulher e das regras e, enfim, eu acho que aquele ambiente traz tudo isso, ent\u00e3o resolvi fotografar l\u00e1. Porque essa est\u00e9tica e seus s\u00edmbolos me interessam bastante. Mas \u00e9 o \u00fanico trabalho que eu tenho assim. \u00c9 algo que fiz bem espec\u00edfico, tem a ver comigo, com a minha hist\u00f3ria. Em geral, eu busco o neutro, porque assim posso falar do corte, do corpo, do movimento e de coisas muito b\u00e1sicas e ao mesmo tempo muito importantes, que dizem respeito \u00e0 vida e \u00e0 experi\u00eancia de quase todos. Da\u00ed eu n\u00e3o estou falando s\u00f3 de mim. Se eu coloco um vestido de tafet\u00e1, por exemplo, eu j\u00e1 mudo completamente o sentido do que \u00e9 mais b\u00e1sico. Eu acho que cada elemento que comp\u00f5e o trabalho pode interferir muito. Como a m\u00fasica, por exemplo. Quase nenhum v\u00eddeo meu tem m\u00fasica ou trilha. Geralmente uso o som do ambiente, do que est\u00e1 acontecendo no momento mesmo. Eu acho que isso se conecta tamb\u00e9m com a quest\u00e3o de eu n\u00e3o procurar uma interpreta\u00e7\u00e3o. Eu n\u00e3o busco interpretar, pois n\u00e3o tem a ver com o que eu quero dizer. Eu busco executar uma a\u00e7\u00e3o com o prop\u00f3sito de fazer a ideia funcionar. \u00c9 mais direto ao ponto. Se eu pegar um v\u00eddeo meu e colocar um som ou uma trilha sonora, precisa ser algo que fa\u00e7a um sentido naquele contexto. No trabalho dos trilhos, eu uso essas roupas casuais e falo da intera\u00e7\u00e3o da imagem com o movimento da tela. Falando de movimento e da percep\u00e7\u00e3o, n\u00e3o faz sentido para mim ter alguma roupa que simboliza uma terceira coisa. Apesar de que a cal\u00e7a jeans tamb\u00e9m simboliza algo (risos).<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vejo que v\u00e1rias de suas obras apresentam uma ruptura, e toda essa economia de informa\u00e7\u00e3o, essa neutralidade, ela traz realmente um destaque para essa ruptura, que \u00e0s vezes \u00e9 agressiva, como no fogo, mas tamb\u00e9m uma ruptura de movimento, como em <em>Movimento\u00b2<\/em>. Aqui, buscamos uma ruptura entre a expectativa daquela imagem inerte na tela e o movimento que ela provoca no espa\u00e7o. Pode falar um pouco mais sobre essa ruptura no seu trabalho? Voc\u00ea considera isso um aspecto importante?\u2028\u2028<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, eu penso e pesquisei um pouco sobre o termo \u201ciconoclastia\u201d, que \u00e9 essa ideia de destruir imagens, para n\u00e3o deixar rastros. No entanto, a busca pela destrui\u00e7\u00e3o da imagem sempre gerou novas imagens. Por exemplo quando os cat\u00f3licos chegaram \u00e0s Am\u00e9ricas, buscaram destruir tudo que simbolizava religi\u00f5es e cultura origin\u00e1ria para reduzir seu poder. No entanto, o resultado disso foi a cria\u00e7\u00e3o de sincretismo, imagens h\u00edbridas, misturas culturais e por a\u00ed vai. Acho que tem isso no meu trabalho. De destruir para criar algo novo. Eu tenho algo bem radical de destrui\u00e7\u00e3o e um certo impulso violento. Nas s\u00e9ries \u201cCorte\u201d e \u201cFogo\u201d e no v\u00eddeo \u201cDerrube\u201d, isso \u00e9 bem presente. \u201cDerrube\u201d \u00e9 um trabalho mais antigo, em que eu vou quebrando uma parede onde minha imagem est\u00e1 projetada. Dessa forma, minha imagem acaba sumindo. Assim, esses trabalhos falam de viol\u00eancia, de ruptura, no sentido de acabar com aquela apar\u00eancia, prop\u00f5em destruir, cortar, queimar minha pr\u00f3pria imagem. Mas tamb\u00e9m falam de questionar o que est\u00e1 vis\u00edvel e de cria\u00e7\u00e3o de algo novo. De abrir espa\u00e7o para outras imagens e outras realidades.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-video\"><video height=\"540\" style=\"aspect-ratio: 720 \/ 540;\" width=\"720\" controls src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Derrube_2009_video_12_-2.mp4\"><\/video><figcaption class=\"wp-element-caption\">Derrube, 2009<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sim. Seus trabalhos lidam bastante com essa expectativa do olhar, lidando com o que o olho v\u00ea e a expectativa que temos da imagem que estamos confrontando.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma sobreposi\u00e7\u00e3o de coisas. Mistura uma rea\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica que nos faz ver as coisas de certa forma, mais intuitivamente, com o contexto social, cultural e pol\u00edtico em que cada um est\u00e1 inserido, que tamb\u00e9m define nossa percep\u00e7\u00e3o e\/ou nos permite question\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Entrevista realizada em 21 de novembro de 2023 remotamente via Zoom<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-3 is-cropped has-lightbox wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" data-id=\"1978\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Subtracoes_Oco-1_2018_fotografia-recortada_35x26-cm_alta-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1978\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Subtra\u00e7\u00f5es Oco 1<br>Fotografia recortada | 35&#215;26 cm<br>2018<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1853\" height=\"2560\" data-id=\"1976\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Corte_-Corte_1_2019_fotografia-recortada_135x95x8cm_alta-1-scaled-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1976\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Corte_-Corte_1_2019_fotografia-recortada_135x95x8cm_alta-1-scaled-1.jpg 1853w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Corte_-Corte_1_2019_fotografia-recortada_135x95x8cm_alta-1-scaled-1-217x300.jpg 217w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Corte_-Corte_1_2019_fotografia-recortada_135x95x8cm_alta-1-scaled-1-741x1024.jpg 741w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Corte_-Corte_1_2019_fotografia-recortada_135x95x8cm_alta-1-scaled-1-768x1061.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Corte_-Corte_1_2019_fotografia-recortada_135x95x8cm_alta-1-scaled-1-1112x1536.jpg 1112w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Corte_-Corte_1_2019_fotografia-recortada_135x95x8cm_alta-1-scaled-1-1482x2048.jpg 1482w\" sizes=\"(max-width: 1853px) 100vw, 1853px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Corte\/1<br>Fotografia recortada | 135 x 95,8 cm<br>2019<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" data-id=\"1982\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Fogo_-Queimadas-_2020_fotografias-queimadas_30x20cm-cada-35-pecas_baixa_1138-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1982\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Queimada<br>Fotografias queimadas | 30 x 20 cm (cada)<br>2020<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" data-id=\"1980\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Movimento\u00b2_Video-objeto-4_2010_14_video-instalacao_monitor-trilho-de-ferro-e-equipamento-de-automocao_305x300x10-cm_vista3_alta-2-scaled-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1980\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Movimento\u00b2_Video-objeto-4_2010_14_video-instalacao_monitor-trilho-de-ferro-e-equipamento-de-automocao_305x300x10-cm_vista3_alta-2-scaled-1.jpg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Movimento\u00b2_Video-objeto-4_2010_14_video-instalacao_monitor-trilho-de-ferro-e-equipamento-de-automocao_305x300x10-cm_vista3_alta-2-scaled-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Movimento\u00b2_Video-objeto-4_2010_14_video-instalacao_monitor-trilho-de-ferro-e-equipamento-de-automocao_305x300x10-cm_vista3_alta-2-scaled-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Movimento\u00b2_Video-objeto-4_2010_14_video-instalacao_monitor-trilho-de-ferro-e-equipamento-de-automocao_305x300x10-cm_vista3_alta-2-scaled-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Movimento\u00b2_Video-objeto-4_2010_14_video-instalacao_monitor-trilho-de-ferro-e-equipamento-de-automocao_305x300x10-cm_vista3_alta-2-scaled-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Movimento\u00b2_Video-objeto-4_2010_14_video-instalacao_monitor-trilho-de-ferro-e-equipamento-de-automocao_305x300x10-cm_vista3_alta-2-scaled-1-2048x1366.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Movimento\u00b2, Video-objeto 4<br>2010\/14<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" data-id=\"1968\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Publico_2017_video-instalacao_vista2_alta_1600_c.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1968\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">P\u00fablico<br>Vistas da v\u00eddeoinstala\u00e7\u00e3o &#8211; SESC Sorocaba, S\u00e3o Paulo<br>2017<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" data-id=\"1974\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Derrube_2009_video_12__still1_alta-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1974\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Derrube<br>Video instala\u00e7\u00e3o<br>2009<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Celina Portella, dan\u00e7arina e artista visual carioca, investiga a intera\u00e7\u00e3o entre o corpo e a imagem no espa\u00e7o por meio de v\u00eddeos, fotos e instala\u00e7\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2060,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[114,36],"class_list":["post-2058","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","tag-celina-portella-2-pt-br","tag-fotografia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2058","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2058"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2058\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2069,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2058\/revisions\/2069"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2060"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2058"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2058"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2058"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}