{"id":3020,"date":"2025-12-16T08:00:00","date_gmt":"2025-12-16T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/art100.in\/?p=3020"},"modified":"2026-05-29T16:41:32","modified_gmt":"2026-05-29T16:41:32","slug":"regina-parra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/regina-parra\/","title":{"rendered":"Regina Parra"},"content":{"rendered":"\n<p>A artista visual Regina Parra (S\u00e3o Paulo, 1984) dedica sua pesquisa \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do corpo \u2014 em especial, o corpo feminino \u2014 e suas diversas representa\u00e7\u00f5es e interpreta\u00e7\u00f5es. Seja atrav\u00e9s da pintura, v\u00eddeo, performance ou instala\u00e7\u00f5es em neon, cada obra de Parra busca criar um di\u00e1logo cr\u00edtico entre o antigo e o contempor\u00e2neo. A artista detalha a sua busca em retratar o corpo feminino como um espa\u00e7o de afirma\u00e7\u00e3o e poder, explorando temas como opress\u00e3o, resist\u00eancia e identidade de uma maneira profundamente \u00edntima e provocativa. Confira a entrevista:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Regina-Parra_20230304_Ph-Julia-Thompson_05-4-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3029\" style=\"width:1100px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Regina-Parra_20230304_Ph-Julia-Thompson_05-4-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Regina-Parra_20230304_Ph-Julia-Thompson_05-4-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Regina-Parra_20230304_Ph-Julia-Thompson_05-4-768x512.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Regina-Parra_20230304_Ph-Julia-Thompson_05-4-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Regina-Parra_20230304_Ph-Julia-Thompson_05-4-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Regina, primeiramente, muito obrigado por separar esse tempo do seu dia para falar com a gente. Eu queria pedir para voc\u00ea se apresentar com qualquer informa\u00e7\u00e3o que voc\u00ea ache relevante, pensando em um p\u00fablico que talvez ainda n\u00e3o conhe\u00e7a sua pr\u00e1tica art\u00edstica.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Meu nome \u00e9 Regina. \u00c9 um prazer falar com voc\u00ea aqui, Brunno. Eu sou artista visual, trabalho principalmente com pintura, e n\u00e3o por uma prioridade, mas por uma quest\u00e3o de que a pintura demanda mais tempo, ent\u00e3o a maior parte do meu tempo eu passo pintando. Mas eu trabalho tamb\u00e9m com outras linguagens, fa\u00e7o v\u00eddeo, performance, instala\u00e7\u00e3o em letreiros de neon. Minha primeira forma\u00e7\u00e3o \u00e9 em artes c\u00eanicas, eu trabalhei com o Antunes Filho (1929-2019), diretor de teatro, durante tr\u00eas anos, e isso foi super importante na minha forma\u00e7\u00e3o. O meu <em>background<\/em> \u00e9 em teatro, mas sempre transitei entre diversas disciplinas como teatro, cinema e dan\u00e7a. Acho que esse tr\u00e2nsito tamb\u00e9m faz parte da minha pr\u00e1tica art\u00edstica, e estou tentando trazer isso mais para o meu trabalho recentemente, de um jeito mais forte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>E quando aconteceu essa mudan\u00e7a de carreira?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Eu sempre desenhei, como toda crian\u00e7a. Com 11 anos eu comecei a pintar, depois fui fazer um curso sem nenhuma pretens\u00e3o. Eu sou da Zona Leste de S\u00e3o Paulo, e esse curso era em cima de um mercado, com senhorinhas pintando pano de prato e porcelana. Algumas, mais ambiciosas, pintavam umas telinhas, e eu comecei tamb\u00e9m a pintar umas telinhas. A gente basicamente copiava pinturas de outras pessoas. Eu adoraria que, naquela \u00e9poca, a gente tivesse copiado os grandes mestres, mas est\u00e1vamos copiando pinturas que, por algum motivo, a professora achava que eram boas pinturas. Na minha fam\u00edlia ningu\u00e9m trabalha ou tem alguma forma\u00e7\u00e3o em arte ou cultura, ent\u00e3o, para mim, isso sempre foi um <em>hobby<\/em>. Eu nunca achei que eu poderia ser artista, ou que pintar poderia ser uma profiss\u00e3o. E apenas entendia que ser atriz, ou trabalhar com teatro, poderia ser uma profiss\u00e3o. Continuei pintando, como hobby, e fui fazer artes c\u00eanicas na ECA (Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da Universidade de S\u00e3o Paulo).<\/p>\n\n\n\n<p>Foi pelo teatro que eu entendi que as artes visuais podiam ser uma profiss\u00e3o. O Antunes tinha um jeito de trabalhar que era muito integrado com todas as \u00e1reas: a gente pesquisava cinema, artes pl\u00e1sticas, ia \u00e0s exposi\u00e7\u00f5es com ele. E foi a\u00ed que eu comecei a entender mais sobre arte contempor\u00e2nea. Mas eu s\u00f3 pensei em ser uma artista profissional quando eu sa\u00ed do Antunes. A gente ficou em cartaz com a pe\u00e7a <em>Medeia<\/em>; quando ela terminou, eu decidi sair da companhia. Eu estava em uma fase bem <em>junk<\/em> da minha vida e resolvi recome\u00e7ar. Nesse momento, meu pai, por coincid\u00eancia, estava indo morar no Rio de Janeiro por uma quest\u00e3o de trabalho e eu decidi ir com ele. E, l\u00e1 no Rio, eu trabalhava como gar\u00e7onete das 16h \u00e0s 22h \u2013 que era um hor\u00e1rio \u00f3timo, eu tinha basicamente o dia inteiro livre \u2013 e comecei a fazer v\u00e1rios cursos no Parque Lage, com um monte de gente legal, Wilson Coutinho (1947-2003), Paulo Sergio Duarte, cursos de teoria, pr\u00e1tica. Depois, eu voltei para S\u00e3o Paulo para fazer a FAAP (Funda\u00e7\u00e3o Armando Alvares Penteado).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>E depois, durante a faculdade, voc\u00ea j\u00e1 come\u00e7ou a fazer exposi\u00e7\u00f5es? Como foi essa fase?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Eu tive bastante sorte, especialmente vendo como o Brasil est\u00e1 agora, como o mundo est\u00e1. Artes pl\u00e1sticas era a minha segunda faculdade, ent\u00e3o eu j\u00e1 entrei mais velha, com uma certa experi\u00eancia tamb\u00e9m, algo que me ajudou a colar nos professores. Eu era muito CDF, do tipo: \u201cvou fazer esse neg\u00f3cio acontecer\u201d. A FAAP tem um programa que se chama Anual de Arte, que d\u00e1 uma bolsa para os alunos \u2013 na \u00e9poca, eu trabalhava no MAM (Museu de Arte Moderna de S\u00e3o Paulo), ent\u00e3o eu precisava da bolsa \u2013 e tamb\u00e9m \u00e9 algo que d\u00e1 um destaque ao artista. Na \u00e9poca, iam galeristas e um monte de gente ao evento para ver o que os estudantes estavam produzindo. Ent\u00e3o, nessa \u00e9poca, eu j\u00e1 comecei a trabalhar com galerias, j\u00e1 comecei a vender.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea trabalha com pintura, mas tamb\u00e9m com v\u00eddeo, com instala\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma pr\u00e1tica bastante aberta. Voc\u00ea poderia contar sobre a obra <em>A perigosa<\/em>, de 2019?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 uma s\u00e9rie de pinturas que estava na minha exposi\u00e7\u00e3o, em 2019, na Galeria Millan, em S\u00e3o Paulo, que se chamava \u201cBacante\u201d. Por conta do teatro, eu sou completamente apaixonada por trag\u00e9dia grega, mitologia grega, pelos cl\u00e1ssicos, e \u00e9 uma coisa para a qual eu sempre retorno, mas eu tento retornar para o assunto trazendo uma coisa mais contempor\u00e2nea. As bacantes eram as seguidoras do Dion\u00edsio, que \u00e9 o deus do teatro, deus do vinho, e a maneira com que elas prestavam homenagem ao Dion\u00edsio era por uma s\u00e9rie de encontros orgi\u00e1sticos. Eram mulheres muito liberais, que iam para as montanhas tocar m\u00fasica, celebrar Dion\u00edsio, participar de orgias, beber vinho e, enfim, se jogar por l\u00e1. Essa ideia da <em>Bacante<\/em>, a trag\u00e9dia grega de Eur\u00edpides, era o pano de fundo para essa exposi\u00e7\u00e3o, onde eu mostrei essa s\u00e9rie de pinturas. E eu lembro que, quando eu estava pensando essa exposi\u00e7\u00e3o, foi o momento em que o Bolsonaro foi eleito no Brasil. Ent\u00e3o, j\u00e1 come\u00e7ou essa onda de conservadorismo no Brasil, essa onda machista que a gente tem no pa\u00eds ficou ainda mais forte, a gente come\u00e7ou a sentir isso mais \u00e0 flor da pele. E eu achei que seria importante pensar uma exposi\u00e7\u00e3o que traz a bacante, que \u00e9 quase uma utopia de mulher livre, num momento em que as mulheres do Brasil come\u00e7avam a se ver cada vez mais limitadas, em termos do corpo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped has-lightbox wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"979\" data-id=\"3034\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Bacante_Exibicao-Millan_Foto-Filipe-Berndt-1024x979.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3034\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Bacante_Exibicao-Millan_Foto-Filipe-Berndt-1024x979.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Bacante_Exibicao-Millan_Foto-Filipe-Berndt-300x287.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Bacante_Exibicao-Millan_Foto-Filipe-Berndt-768x735.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Bacante_Exibicao-Millan_Foto-Filipe-Berndt.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" data-id=\"3069\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Vista-da-exposicao-Bacante-na-Galeria-Millan_Fonte-Premio-Pipa.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3069\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Vista-da-exposicao-Bacante-na-Galeria-Millan_Fonte-Premio-Pipa.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Vista-da-exposicao-Bacante-na-Galeria-Millan_Fonte-Premio-Pipa-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Vista-da-exposicao-Bacante-na-Galeria-Millan_Fonte-Premio-Pipa-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"666\" data-id=\"3071\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Vista-da-exposicao-Bacante-2019_Foto_Artforum.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-3071\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Vista-da-exposicao-Bacante-2019_Foto_Artforum.webp 1000w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Vista-da-exposicao-Bacante-2019_Foto_Artforum-300x200.webp 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Vista-da-exposicao-Bacante-2019_Foto_Artforum-768x511.webp 768w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\">Exposi\u00e7\u00e3o Bacante, 2019<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wonderpluginaudio\" id=\"wonderpluginaudio-70\" data-audioplayerid=\"70\" data-width=\"24\" data-height=\"600\" data-skin=\"button24\" data-progressinbar=\"true\" data-showinfo=\"false\" data-showimage=\"false\" data-autoplay=\"false\" data-random=\"false\" data-autoresize=\"false\" data-responsive=\"false\" data-showtracklist=\"false\" data-tracklistscroll=\"true\" data-showprogress=\"false\" data-showprevnext=\"false\" data-showloop=\"false\" data-stopotherplayers=\"true\" data-preloadaudio=\"true\" data-noncontinous=\"false\" data-showtracklistsearch=\"false\" data-saveposincookie=\"false\" data-wptracklist=\"false\" data-removeinlinecss=\"true\" data-enabletabindex=\"false\" data-showtime=\"false\" data-showvolume=\"false\" data-showvolumebar=\"true\" data-showliveplayedlist=\"false\" data-stoponpausebutton=\"false\" data-reloadstream=\"false\" data-playpausefontcircle=\"true\" data-prevnextfontcircle=\"true\" data-showtitleinbar=\"false\" data-showloading=\"false\" data-enablega=\"false\" data-titleinbarscroll=\"true\" data-donotinit=\"false\" data-addinitscript=\"false\" data-imagewidth=\"100\" data-imageheight=\"100\" data-loop=\"1\" data-tracklistitem=\"10\" data-titleinbarwidth=\"80\" data-gatrackingid=\"\" data-ga4account=\"\" data-playbackrate=\"1\" data-playpauseimage=\"playpause-24-24-2.png\" data-playpauseimagewidth=\"24\" data-playpauseimageheight=\"24\" data-cookiehours=\"240\" data-prevnextimage=\"prevnext-24-24-0.png\" data-prevnextimagewidth=\"24\" data-prevnextimageheight=\"24\" data-volumeimage=\"volume-24-24-0.png\" data-volumeimagewidth=\"24\" data-volumeimageheight=\"24\" data-liveupdateinterval=\"10000\" data-maxplayedlist=\"8\" data-playedlisttitle=\"Last Tracks Played\" data-loopimage=\"loop-24-24-0.png\" data-loopimagewidth=\"24\" data-loopimageheight=\"24\" data-playpausefontwidth=\"32\" data-playpausefontheight=\"32\" data-playpausefontsize=\"12\" data-playpausefontradius=\"0\" data-playpausefontcolor=\"#fff\" data-playpausefontbgcolor=\"#333\" data-playpausefonthovercolor=\"#fff\" data-playpausefonthoverbgcolor=\"#555\" data-prevnextfontwidth=\"32\" data-prevnextfontheight=\"32\" data-prevnextfontsize=\"12\" data-prevnextfontradius=\"0\" data-prevnextfontcolor=\"#fff\" data-prevnextfontbgcolor=\"#333\" data-prevnextfonthovercolor=\"#fff\" data-prevnextfonthoverbgcolor=\"#555\" data-infoformat=\"&lt;div class=&#039;amazingaudioplayer-info-title&#039;&gt;%ARTIST% %ALBUM%&lt;\/div&gt;\n&lt;div class=&#039;amazingaudioplayer-info-description&#039;&gt;%INFO%&lt;\/div&gt;\" data-tracklistscroll=\"false\" data-jsfolder=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/plugins\/wonderplugin-audio\/engine\/\" style=\"display:block;position:relative;margin:0 auto;width:24px;height:auto;\"><ul class=\"amazingaudioplayer-audios\" style=\"display:none;\"><li data-artist=\"\" data-title=\"Regina Parra_ AUDIO site 1\" data-album=\"\" data-info=\"\" data-image=\"https:\/\/art100.in\/wp-includes\/images\/media\/video.svg\" data-duration=\"33\"><div class=\"amazingaudioplayer-source\" data-src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Regina-Parra_-AUDIO-site-1.mov\" data-type=\"video\/mp4\" ><\/div><\/li><\/ul><\/div><script>function wonderaudio_70_appendcss(csscode) {var head=document.head || document.getElementsByTagName(\"head\")[0];var style=document.createElement(\"style\");head.appendChild(style);style.type=\"text\/css\";if (style.styleSheet){style.styleSheet.cssText=csscode;} else {style.appendChild(document.createTextNode(csscode));}};wonderaudio_70_appendcss(\"#wonderpluginaudio-70 { \tbox-sizing: content-box; }  #wonderpluginaudio-70 div { \t-webkit-box-sizing: content-box; \t-moz-box-sizing: content-box; \tbox-sizing: content-box;    }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-image { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-image-clear { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-text { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-text-clear { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-title { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-title-clear { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-info { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-info-clear { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-bar { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-bar-buttons-clear { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-bar-clear { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-bar-title { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-playpause { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-play { \tposition: relative; }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-pause { \tposition: relative; }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-stop { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-prev { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-next { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-loop { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-progress { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-progress-loaded { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-progress-played { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-time { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-volume { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-volume-bar { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-volume-bar-adjust { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-volume-bar-adjust-active { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-tracklist { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-tracklist-container { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-tracks-wrapper { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-tracks { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-track-item { \tclear: both; \tlist-style-type: none; }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-track-item-active { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-track-item a { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-track-item-active a { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-track-item-duration { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-tracklist-arrow-prev { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-tracklist-arrow-next { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-tracklist-clear { }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-item-id { \tfloat: left; \tmargin: 0 8px 0 0; }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-item-info { \tfloat: right; }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-item-title { \toverflow: hidden; }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-track-item:before, #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-track-item:after { \tdisplay: none; }  #wonderpluginaudio-70 ul, #wonderpluginaudio-70 li { \tlist-style-type: none; }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-tracklistsearch { \tbox-sizing: border-box; \tpadding: 4px; }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-tracklistsearch-input { \tbox-sizing: border-box; \twidth: 100%; }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-tabindex .amazingaudioplayer-play:focus, #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-tabindex .amazingaudioplayer-pause:focus, #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-tabindex .amazingaudioplayer-prev:focus, #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-tabindex .amazingaudioplayer-next:focus, #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-tabindex .amazingaudioplayer-loop:focus, #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-tabindex .amazingaudioplayer-volume-button:focus { \toutline:1px solid #666; }\");wonderaudio_70_appendcss(\"#wonderpluginaudio-70 .wonderaudio-button {   display: inline-block;   width: 20px;   height: 20px;   line-height: 20px;   font-size: 12px;   border-radius: 50%;   color: #fff;   vertical-align: middle;   text-align: center;   margin: 0 4px 0 0;   padding: 0;   cursor: pointer; }  #wonderpluginaudio-70 .wonderaudio-download {   background-color: #555555; }  #wonderpluginaudio-70 .wonderaudio-share {   background-color: #3195d4; }  #wonderpluginaudio-70 .amazingaudioplayer-info-share {   margin: 4px 0; } .wonderaudio-button-link, .wonderaudio-button-link:focus, .wonderaudio-button-link:active {   border: none;   outline: none;   box-shadow: none; }\");<\/script>\n\n\n\n<p><em><strong>A gente vem de uma sociedade patriarcal de anos e anos, acho que desde o cristianismo, e que s\u00f3 piora cada vez mais. Uma sociedade patriarcal que tem muita dificuldade em entender a sexualidade, o desejo, ou mesmo o corpo que n\u00e3o \u00e9 o corpo padr\u00e3o, masculino, h\u00e9tero, normativo. O corpo da mulher \u00e9 um corpo que ainda \u00e9 visto como tabu, como uma coisa perigosa. A gente pode pensar na Eva, que vai oferecer a ma\u00e7\u00e3 para a Ad\u00e3o; a mulher \u00e9 sempre esse ser meio tentador, por isso A perigosa.<\/strong><\/em><strong> <\/strong>E essa s\u00e9rie de pinturas traz imagens de fragmentos de corpos, que possam servir para mais do que uma pessoa \u2013 n\u00e3o \u00e9 uma biografia, mas \u00e9 sobre v\u00e1rios corpos \u2013 ou para que outras pessoas possam se identificar. E \u00e9 um corpo que est\u00e1 sob tens\u00e3o, mas n\u00e3o fica muito claro que tipo de tens\u00e3o que \u00e9. \u00c9 quase como se o corpo estivesse em uma batalha interna entre dor e prazer, que eu acho que era a maneira que eu via esse momento que a gente estava vivendo. Um pouco como se esse corpo estivesse o tempo todo querendo ser livre, mas, por conta de amarras sociais, externas \u2013 mas tamb\u00e9m amarras internas, coisas que a gente carrega \u2013, a gente fica sempre nessa luta. Ent\u00e3o, essas imagens s\u00e3o imagens de um corpo que se contorce, se aperta, se pega. Tem um pouco disso, dessa vontade de se libertar e tentar chegar nesse lugar de prazer.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2164\" height=\"2560\" data-id=\"3049\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_5-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3049\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_5-scaled.jpg 2164w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_5-254x300.jpg 254w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_5-865x1024.jpg 865w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_5-768x909.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_5-1298x1536.jpg 1298w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_5-1731x2048.jpg 1731w\" sizes=\"(max-width: 2164px) 100vw, 2164px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2164\" height=\"2560\" data-id=\"3051\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_4-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3051\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_4-scaled.jpg 2164w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_4-254x300.jpg 254w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_4-865x1024.jpg 865w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_4-768x909.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_4-1298x1536.jpg 1298w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_4-1731x2048.jpg 1731w\" sizes=\"(max-width: 2164px) 100vw, 2164px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2164\" height=\"2560\" data-id=\"3053\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_3-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3053\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_3-scaled.jpg 2164w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_3-254x300.jpg 254w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_3-865x1024.jpg 865w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_3-768x909.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_3-1298x1536.jpg 1298w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_3-1731x2048.jpg 1731w\" sizes=\"(max-width: 2164px) 100vw, 2164px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2164\" height=\"2560\" data-id=\"3055\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_2-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3055\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_2-scaled.jpg 2164w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_2-254x300.jpg 254w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_2-865x1024.jpg 865w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_2-768x909.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_2-1298x1536.jpg 1298w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_2-1731x2048.jpg 1731w\" sizes=\"(max-width: 2164px) 100vw, 2164px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2164\" height=\"2560\" data-id=\"3057\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_1-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3057\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_1-scaled.jpg 2164w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_1-254x300.jpg 254w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_1-865x1024.jpg 865w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_1-768x909.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_1-1298x1536.jpg 1298w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019_1-1731x2048.jpg 1731w\" sizes=\"(max-width: 2164px) 100vw, 2164px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2164\" height=\"2560\" data-id=\"3047\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3047\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019-scaled.jpg 2164w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019-254x300.jpg 254w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019-865x1024.jpg 865w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019-768x909.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019-1298x1536.jpg 1298w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Perigosa-2019-1731x2048.jpg 1731w\" sizes=\"(max-width: 2164px) 100vw, 2164px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\">A perigosa, 2019<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O corpo feminino ainda \u00e9 considerado um ato pol\u00edtico, e tem um ponto de partida muito diferente do corpo masculino. N\u00e3o apenas na forma como percebemos o corpo, mas tamb\u00e9m na maneira como falamos sobre ele e como ele pode ser utilizado na arte. Um elemento que se destaca no fundo da obra \u00e9 um cabo. O que \u00e9 esse cabo?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O cabo \u00e9 o fio da minha lumin\u00e1ria, porque o processo todo \u00e9 muito amador, e eu at\u00e9 gosto que seja amador. Eu parto sempre de v\u00eddeos ou fotos para as pinturas. Essa ideia toda de que eu te falei, as bacantes, o Bolsonaro, isso tudo \u00e9 <em>background<\/em> da obra. A partir do momento em que eu sei que eu quero fazer uma s\u00e9rie de pinturas, eu n\u00e3o sei ainda que imagem \u00e9 essa. Quando eu comecei a fazer essas pinturas, eu tentei trabalhar com uma bailarina, e eu tentei dirigi-la para que ela fizesse algumas coisas, mas eu percebi que nem eu sabia o movimento que eu queria, ent\u00e3o ficava uma coisa muito posada. A\u00ed eu entendi que o que funciona para mim quando eu fa\u00e7o esse tipo de pintura \u00e9 fazer uma esp\u00e9cie de performance comigo mesma que eu filmo. Depois, a partir disso, eu seleciono alguns movimentos que eu acho que podem funcionar para a pintura. \u00c9 uma performance que fica no limite entre performance e atua\u00e7\u00e3o, porque eu sei que eu estou sendo filmada, eu sei que eu quero que isso se transforme numa pintura, mas eu fa\u00e7o aquilo geralmente no meu ateli\u00ea mesmo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O fio que voc\u00ea v\u00ea na pintura \u00e9 o ch\u00e3o. Eu comecei a performance sentada e depois eu fui para o ch\u00e3o, onde aquelas fotos foram feitas, e por isso o fio aparece. Eu achei que era interessante ter o fio, \u00e9 um elemento meio estranho. Tem coisa que aparece que eu acho boa. Eu monto uma estrutura bem capenga para tentar tirar foto, porque da\u00ed, no meio do processo, eu vou entendendo como ele ocorre. Eu tinha o ch\u00e3o e, como eu precisava de uma luz muito forte \u2013 a luz \u00e9 importante para dar sombra \u2013 e eu n\u00e3o sabia onde o abajur estava, eu fui iluminar a cena com o celular, \u00e0s vezes fa\u00e7o isso at\u00e9 com a c\u00e2mera do computador. Para mim, \u00e9 at\u00e9 bom quando n\u00e3o tem muita qualidade, porque d\u00e1 mais abertura pra eu entrar com a pintura, pois eu n\u00e3o quero uma coisa super HD.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A gente percebe que a cor vermelha tem uma import\u00e2ncia bastante forte nas suas obras.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Acho que o vermelho representa v\u00e1rias coisas. \u00c9 algo que apareceu e, depois, como foi aparecendo com muita intensidade, fui tentando entender de onde vinha, porque \u00e9 um lugar em que eu estou e do qual eu n\u00e3o consigo muito fugir. Se for pensar em refer\u00eancias, tem uma que para mim \u00e9 muito forte, pela qual eu sou completamente obcecada, que s\u00e3o os afrescos da cidade de Pompeia, todos feitos nesse vermelho super intenso. As paredes da Vila dos Mist\u00e9rios mostram cenas de um ritual pra Dion\u00edsio que t\u00eam esse fundo muito vermelho, porque \u00e9 afresco, ent\u00e3o \u00e9 um pigmento natural. \u00c9 uma coisa que existe s\u00f3 para me deixar maluca, porque \u00e9 uma cor \u00e0 qual, mesmo com tinta a \u00f3leo, eu nunca vou conseguir chegar, pois a tinta a \u00f3leo n\u00e3o \u00e9 esse pigmento natural na parede que d\u00e1 essa vibra\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E tem um momento da pintura em que voc\u00ea come\u00e7a a ver coisas, e que n\u00e3o \u00e9 nem a coisa que voc\u00ea est\u00e1 pintando, mas \u00e9 o que o momento da pincelada sugere. Eu vejo carne, eu vejo m\u00fasculo, tem uma coisa de organismo interno, e eu gosto tamb\u00e9m de pensar que o vermelho \u00e9 a cor que a gente fica quando uma parte do corpo est\u00e1 inflamada ou est\u00e1 febril. Inflamada pode ser uma coisa boa, pode ser ruim, mas \u00e9 essa ideia de que tem uma coisa que est\u00e1 vibrando, est\u00e1 vermelha, est\u00e1 quente. Eu ainda estou super nesse vermelho, preciso achar outra obsess\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ai-ai-aaa_Foto-Jose-Pelegrini-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3032\" style=\"width:1100px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ai-ai-aaa_Foto-Jose-Pelegrini-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ai-ai-aaa_Foto-Jose-Pelegrini-300x225.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ai-ai-aaa_Foto-Jose-Pelegrini-768x576.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ai-ai-aaa_Foto-Jose-Pelegrini-1536x1151.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ai-ai-aaa_Foto-Jose-Pelegrini-2048x1535.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ai ai aaa, 2021<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pensando nesses seus pontos de partida, a mitologia, os afrescos de Pompeia, como \u00e9 para voc\u00ea traz\u00ea-los para o mundo e para o debate contempor\u00e2neo? N\u00e3o s\u00f3 pensando na pintura, mas tamb\u00e9m nos neons.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Os neons envolvem um processo um pouco diferente da pintura. No meu ateli\u00ea, em volta de cada pintura que eu come\u00e7o, por exemplo, tem um monte de papel com anota\u00e7\u00f5es. Tem todo um universo, e eu escrevo de tudo, coisas que eu estou lendo, cita\u00e7\u00f5es, coisas que n\u00e3o t\u00eam nada a ver, mas que eu acho que v\u00e3o ter. Ent\u00e3o, tem algumas frases ou alguns textos que, \u00e0s vezes, ficam me perseguindo por mais tempo. Eu tento trazer esse universo em torno da pintura para o t\u00edtulo ou para a pintura de algum jeito, mas \u00e0s vezes n\u00e3o d\u00e1. E \u00e0s vezes tem frases que me perseguem de um jeito que a pintura n\u00e3o vai resolver. E com isso, me veio a primeira ideia do neon.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro neon que eu fiz, <em>A zona,<\/em> foi em 2009 e \u00e9 um trecho de um poema do Arseny Tarkovski (1907-1989), pai do Andrei Tarkovski (1932-1986), cineasta. Era um poema que eu tinha na minha agenda, na parede do ateli\u00ea e, tudo que acontecia na minha vida, aquele poema me vinha na cabe\u00e7a. A\u00ed eu pensei: \u201cacho que vai ser interessante trazer isso para a cidade\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O que mais me interessa quando eu penso uma instala\u00e7\u00e3o em neon \u00e9 que as frases s\u00e3o quase uma coisa que voc\u00ea fala para si mesmo, que voc\u00ea meio que sussurra para si mesmo, uma conversa interna, uma conversa muito \u00edntima, mas que, da\u00ed, quando colocada no neon, se torna algo p\u00fablico.<strong> <\/strong>Agora acho que nem tanto, mas era para o neon ser um ve\u00edculo de propaganda, para anunciar coisas, tentar vender alguma coisa, falar alguma coisa. <\/p>\n\n\n<div class=\"wonderpluginaudio\" id=\"wonderpluginaudio-71\" data-audioplayerid=\"71\" data-width=\"24\" data-height=\"600\" data-skin=\"button24\" data-progressinbar=\"true\" data-showinfo=\"false\" data-showimage=\"false\" data-autoplay=\"false\" data-random=\"false\" data-autoresize=\"false\" data-responsive=\"false\" data-showtracklist=\"false\" data-tracklistscroll=\"true\" data-showprogress=\"false\" data-showprevnext=\"false\" data-showloop=\"false\" data-stopotherplayers=\"true\" data-preloadaudio=\"true\" data-noncontinous=\"false\" data-showtracklistsearch=\"false\" data-saveposincookie=\"false\" data-wptracklist=\"false\" data-removeinlinecss=\"true\" data-enabletabindex=\"false\" data-showtime=\"false\" data-showvolume=\"false\" data-showvolumebar=\"true\" data-showliveplayedlist=\"false\" data-stoponpausebutton=\"false\" data-reloadstream=\"false\" data-playpausefontcircle=\"true\" data-prevnextfontcircle=\"true\" data-showtitleinbar=\"false\" data-showloading=\"false\" data-enablega=\"false\" data-titleinbarscroll=\"true\" data-donotinit=\"false\" data-addinitscript=\"false\" data-imagewidth=\"100\" data-imageheight=\"100\" data-loop=\"1\" data-tracklistitem=\"10\" data-titleinbarwidth=\"80\" data-gatrackingid=\"\" data-ga4account=\"\" data-playbackrate=\"1\" data-playpauseimage=\"playpause-24-24-2.png\" data-playpauseimagewidth=\"24\" data-playpauseimageheight=\"24\" data-cookiehours=\"240\" data-prevnextimage=\"prevnext-24-24-0.png\" data-prevnextimagewidth=\"24\" data-prevnextimageheight=\"24\" data-volumeimage=\"volume-24-24-0.png\" data-volumeimagewidth=\"24\" data-volumeimageheight=\"24\" data-liveupdateinterval=\"10000\" data-maxplayedlist=\"8\" data-playedlisttitle=\"Last Tracks Played\" data-loopimage=\"loop-24-24-0.png\" data-loopimagewidth=\"24\" data-loopimageheight=\"24\" data-playpausefontwidth=\"32\" data-playpausefontheight=\"32\" data-playpausefontsize=\"12\" data-playpausefontradius=\"0\" data-playpausefontcolor=\"#fff\" data-playpausefontbgcolor=\"#333\" data-playpausefonthovercolor=\"#fff\" data-playpausefonthoverbgcolor=\"#555\" data-prevnextfontwidth=\"32\" data-prevnextfontheight=\"32\" data-prevnextfontsize=\"12\" data-prevnextfontradius=\"0\" data-prevnextfontcolor=\"#fff\" data-prevnextfontbgcolor=\"#333\" data-prevnextfonthovercolor=\"#fff\" data-prevnextfonthoverbgcolor=\"#555\" data-infoformat=\"&lt;div class=&#039;amazingaudioplayer-info-title&#039;&gt;%ARTIST% %ALBUM%&lt;\/div&gt;\n&lt;div class=&#039;amazingaudioplayer-info-description&#039;&gt;%INFO%&lt;\/div&gt;\" data-tracklistscroll=\"false\" data-jsfolder=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/plugins\/wonderplugin-audio\/engine\/\" style=\"display:block;position:relative;margin:0 auto;width:24px;height:auto;\"><ul class=\"amazingaudioplayer-audios\" style=\"display:none;\"><li data-artist=\"\" data-title=\"Regina Parra_ AUDIO site 2\" data-album=\"\" data-info=\"\" data-image=\"https:\/\/art100.in\/wp-includes\/images\/media\/video.svg\" data-duration=\"32\"><div class=\"amazingaudioplayer-source\" data-src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Regina-Parra_-AUDIO-site-2.mov\" data-type=\"video\/mp4\" ><\/div><\/li><\/ul><\/div><script>function wonderaudio_71_appendcss(csscode) {var head=document.head || document.getElementsByTagName(\"head\")[0];var style=document.createElement(\"style\");head.appendChild(style);style.type=\"text\/css\";if (style.styleSheet){style.styleSheet.cssText=csscode;} else {style.appendChild(document.createTextNode(csscode));}};wonderaudio_71_appendcss(\"#wonderpluginaudio-71 { \tbox-sizing: content-box; }  #wonderpluginaudio-71 div { \t-webkit-box-sizing: content-box; \t-moz-box-sizing: content-box; \tbox-sizing: content-box;    }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-image { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-image-clear { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-text { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-text-clear { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-title { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-title-clear { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-info { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-info-clear { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-bar { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-bar-buttons-clear { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-bar-clear { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-bar-title { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-playpause { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-play { \tposition: relative; }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-pause { \tposition: relative; }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-stop { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-prev { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-next { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-loop { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-progress { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-progress-loaded { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-progress-played { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-time { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-volume { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-volume-bar { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-volume-bar-adjust { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-volume-bar-adjust-active { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-tracklist { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-tracklist-container { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-tracks-wrapper { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-tracks { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-track-item { \tclear: both; \tlist-style-type: none; }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-track-item-active { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-track-item a { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-track-item-active a { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-track-item-duration { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-tracklist-arrow-prev { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-tracklist-arrow-next { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-tracklist-clear { }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-item-id { \tfloat: left; \tmargin: 0 8px 0 0; }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-item-info { \tfloat: right; }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-item-title { \toverflow: hidden; }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-track-item:before, #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-track-item:after { \tdisplay: none; }  #wonderpluginaudio-71 ul, #wonderpluginaudio-71 li { \tlist-style-type: none; }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-tracklistsearch { \tbox-sizing: border-box; \tpadding: 4px; }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-tracklistsearch-input { \tbox-sizing: border-box; \twidth: 100%; }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-tabindex .amazingaudioplayer-play:focus, #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-tabindex .amazingaudioplayer-pause:focus, #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-tabindex .amazingaudioplayer-prev:focus, #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-tabindex .amazingaudioplayer-next:focus, #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-tabindex .amazingaudioplayer-loop:focus, #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-tabindex .amazingaudioplayer-volume-button:focus { \toutline:1px solid #666; }\");wonderaudio_71_appendcss(\"#wonderpluginaudio-71 .wonderaudio-button {   display: inline-block;   width: 20px;   height: 20px;   line-height: 20px;   font-size: 12px;   border-radius: 50%;   color: #fff;   vertical-align: middle;   text-align: center;   margin: 0 4px 0 0;   padding: 0;   cursor: pointer; }  #wonderpluginaudio-71 .wonderaudio-download {   background-color: #555555; }  #wonderpluginaudio-71 .wonderaudio-share {   background-color: #3195d4; }  #wonderpluginaudio-71 .amazingaudioplayer-info-share {   margin: 4px 0; } .wonderaudio-button-link, .wonderaudio-button-link:focus, .wonderaudio-button-link:active {   border: none;   outline: none;   box-shadow: none; }\");<\/script>\n\n\n\n<p><strong><em>No meu caso, a pessoa olha para o neon porque ele \u00e9 grande, ele tem muita luz, mas na hora em que voc\u00ea o l\u00ea, ele n\u00e3o est\u00e1 te falando para fazer nada, pelo contr\u00e1rio. O neon te coloca num lugar de uma vulnerabilidade compartilhada de um jeito coletivo e inesperado. Isso que eu gosto de pensar, como usar essa ferramenta do neon, mas ao contr\u00e1rio da ideia dele. Ao inv\u00e9s de vender alguma coisa, o neon vai dizer: \u201colha, essa \u00e9 a minha subjetividade, a minha vulnerabilidade. Talvez voc\u00ea encontre eco aqui\u201d.<\/em> <\/strong>O processo \u00e9 muito intuitivo, eu tenho que estar cercada por essas coisas, e a\u00ed aparece uma frase, depois eu come\u00e7o a entender o <em>layout<\/em> dessa frase, vejo se \u00e9 poss\u00edvel instalar e onde instalar. Eu acho que \u00e9 um processo meio independente do meu trabalho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nas vezes em que eu vi os neons, eles normalmente estavam em locais externos, tinham sempre um aspecto de arte p\u00fablica. Isso \u00e9 intencional?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 uma das coisas que eu mais gosto. Eu tenho tamb\u00e9m edi\u00e7\u00f5es de neon \u2013 outras frases, outra preocupa\u00e7\u00e3o, outro tipo de <em>layout<\/em> \u2013 feitos para espa\u00e7o interno, seja espa\u00e7o interno de exposi\u00e7\u00e3o ou espa\u00e7o interno dentro de casa, de colecionador, de quem for. Mas a minha inten\u00e7\u00e3o com os neons maiores, esses que eu coloco em espa\u00e7os p\u00fablicos, \u00e9 que eles fiquem meio camuflados na vida real, que saiam desse lugar de \u201cisso \u00e9 arte\u201d, \u201cisso n\u00e3o \u00e9 arte\u201d. O neon que eu instalei, por exemplo, no Parque Laje (Rio de Janeiro), <em>Chance<\/em> (2015-2017), foi feito para uma exposi\u00e7\u00e3o com curadoria do Bernardo Mosqueira, e foi a partir de uma proposi\u00e7\u00e3o dele que eu falei: \u201cnossa, acho que esse neon vai funcionar\u201d. Ao inv\u00e9s de instalar o neon perto do pr\u00e9dio, onde os trabalhos eram expostos, eu o coloquei dentro do parque mesmo, onde s\u00f3 as pessoas que est\u00e3o fazendo trilha e caminhada v\u00e3o ver. O p\u00fablico da exposi\u00e7\u00e3o, se soubesse da obra, teria que ir para o parque procurar, mas a ideia \u00e9 que as pessoas que estavam no parque fazendo caminhada se deparassem com a obra e pensassem: \u201copa, achei a grande chance\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Eu acho maravilhoso poder falar com esse p\u00fablico que n\u00e3o est\u00e1 esperando, \u00e9 uma ideia de comunicar para outras pessoas. O neon do Largo da Batata tamb\u00e9m tinha um fluxo de pessoas em torno dele. Eu gosto quando tem um fluxo de pessoas que se depara com a obra e gosto de observar as rea\u00e7\u00f5es e como as pessoas se relacionam com a frase. Eu acho fascinante quando o trabalho est\u00e1 bem p\u00fablico, bem para fora.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Chance_foto-Adriano-Fagundes-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3036\" style=\"width:1100px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Chance_foto-Adriano-Fagundes-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Chance_foto-Adriano-Fagundes-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Chance_foto-Adriano-Fagundes-768x512.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Chance_foto-Adriano-Fagundes-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Chance_foto-Adriano-Fagundes-2048x1366.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Chance, 2015<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os pontos de partida de algumas das obras s\u00e3o a hist\u00f3ria da mulher, a hist\u00f3ria da percep\u00e7\u00e3o social da mulher, como, por exemplo, a sua pesquisa sobre histeria e essas classifica\u00e7\u00f5es dadas ao corpo feminino. Como essas refer\u00eancias e esses interesses que voc\u00ea tem chegam ao p\u00fablico atrav\u00e9s da obra final?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Eu n\u00e3o sei se o p\u00fablico tem acesso a isso tudo ou se precisa ter acesso. Eu acho que esse tanto de pesquisa \u2013 por exemplo, a histeria, as bacantes \u2013 \u00e9 mais um processo meu de pesquisa, que eu preciso ter para criar a obra. Quase uma neurose que \u00e9 minha, n\u00e3o \u00e9 da obra. Eu acho que a obra \u00e9 sempre maior do que o artista. A partir do momento em que se cria o trabalho, eu n\u00e3o tenho como prever como ele vai afetar as pessoas, em que ponto, e nem quero. N\u00e3o quero que as pessoas enxerguem esse trabalho pela opress\u00e3o da mulher, se algu\u00e9m olhar para esse trabalho e sentir uma coisa completamente diferente, \u00f3timo tamb\u00e9m. A minha preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer um trabalho que afete as pessoas, mas nem isso eu posso pedir, porque eu tamb\u00e9m acho que seria autorit\u00e1rio da minha parte. A partir do momento em que o trabalho est\u00e1 no mundo, ele tem a vida dele e \u00e9 maior do que eu. Tamb\u00e9m gosto de quando as pessoas v\u00eam conversar comigo durante a exposi\u00e7\u00e3o. Isso me d\u00e1 a oportunidade de ver atrav\u00e9s dos olhos das pessoas que v\u00eam compartilhar suas hist\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Algumas das suas obras foram colabora\u00e7\u00f5es, por exemplo, as performances. Como funciona essa colabora\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Eu adoro fazer colabora\u00e7\u00e3o. Eu fiz a exposi\u00e7\u00e3o \u201cBacante\u201d com a art\u00edsta Ana Mazzei e, na exposi\u00e7\u00e3o que eu fiz na Pinacoteca, \u201cPag\u00e3\u201d (2023), colaborei com m\u00fasicos, figurinistas, core\u00f3grafos. Eu geralmente trabalho com pessoas com quem tenho afinidade. Afinidade n\u00e3o necessariamente de ser meu amigo, mas afinidade de trabalho. Eu e a Ana t\u00ednhamos colaborado em uma outra performance chamada <em>Of\u00e9lia<\/em> (2018) e eu a convidei para performar na <em>Bacante,<\/em> pois queria ativar o corpo de algum jeito na exposi\u00e7\u00e3o. Eu gosto de convidar a colaboradora, o colaborador, no momento em que eu estou pensando o trabalho. Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 assim: \u201ceu estou com esse trabalho, vai ser isso, voc\u00ea vai entrar fazendo isso\u201d, porque, a\u00ed, seria mais um fornecedor do que um colaborador. \u00c9 maravilhoso trabalhar em colabora\u00e7\u00e3o, porque d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de que a gente parte da mesma inten\u00e7\u00e3o, mas eles, os colaboradores, trazem bagagens, experi\u00eancias e habilidades diferentes. Ent\u00e3o, especialmente para performance, eu tenho trabalhado com colabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped has-lightbox wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" data-id=\"3041\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/ophelia_1-1024x683.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-3041\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/ophelia_1-1024x683.webp 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/ophelia_1-300x200.webp 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/ophelia_1-768x512.webp 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/ophelia_1-1536x1024.webp 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/ophelia_1-2048x1365.webp 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" data-id=\"3043\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ophelia-4-1024x683.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-3043\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ophelia-4-1024x683.webp 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ophelia-4-300x200.webp 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ophelia-4-768x512.webp 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ophelia-4-1536x1024.webp 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ophelia-4.webp 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" data-id=\"3045\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/ophelia-2_Foto-CABREL-_-Escritorio-de-Imagem-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3045\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/ophelia-2_Foto-CABREL-_-Escritorio-de-Imagem-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/ophelia-2_Foto-CABREL-_-Escritorio-de-Imagem-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/ophelia-2_Foto-CABREL-_-Escritorio-de-Imagem-768x512.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/ophelia-2_Foto-CABREL-_-Escritorio-de-Imagem-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/ophelia-2_Foto-CABREL-_-Escritorio-de-Imagem-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\">Ophelia, 2018<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre a sua exibi\u00e7\u00e3o na Pinacoteca, como foi criar uma mostra t\u00e3o grande para esse espa\u00e7o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Foi um processo bem ambicioso. Eu comecei a pensar sobre esse projeto antes de saber que ele ia ser feito na Pinacoteca, quase por necessidade de pensar em alguma coisa ambiciosa durante a pandemia para me alimentar. Eu tinha uma vontade muito grande de trazer esses elementos do teatro de uma forma mais escancarada e menos t\u00edmida, de realmente abra\u00e7ar o que seria esse encontro do teatro com as artes visuais e tamb\u00e9m de fazer uma exposi\u00e7\u00e3o imersiva, no sentido de realmente abra\u00e7ar o p\u00fablico com as obras ou com um certo ambiente. Na pandemia, era essa situa\u00e7\u00e3o em que a gente n\u00e3o podia se encontrar, n\u00e3o podia nada, e eu falei: \u201ceu quero fazer uma exposi\u00e7\u00e3o em que as pessoas sejam afetadas, para o bem ou para o mal\u201d. Eu comecei uma conversa com a Ana Maria Maia, que \u00e9 a curadora, e com o Jochen Volz, diretor da Pinacoteca. Se a gente pensar em termos de colabora\u00e7\u00e3o, a Ana Maia foi a minha primeira colaboradora, porque, na primeira conversa que eu tive com eles, eram ideias muito soltas. Eu trabalhei um ano e pouco nos trabalhos, tinha as performances, foi um processo bem intenso.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea v\u00ea alguma diferen\u00e7a entre os p\u00fablicos nacional e internacional, ou entre o efeito que o trabalho tem neles?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Eu acho que sempre tem coisas que a gente perde, sempre tem coisas que a gente ganha. No Brasil, a gente vive quase uma viol\u00eancia naturalizada contra a mulher, uma viol\u00eancia cotidiana que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o intensa ou n\u00e3o ocorre da mesma forma nos Estados Unidos, por exemplo. Ent\u00e3o, o trabalho, claro, n\u00e3o vai chegar de um jeito t\u00e3o agudo. S\u00f3 falando pela minha experi\u00eancia, eu tenho mais <em>feedback<\/em> do p\u00fablico no Brasil do que nos Estados Unidos, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, uma coisa que \u00e0s vezes acontece quando voc\u00ea est\u00e1 nos Estados Unidos \u00e9 que eles v\u00e3o te colocar na caixinha \u201cLatin America\u201d, ent\u00e3o \u00e9 delicado. Ao mesmo tempo, \u00e9 sempre um p\u00fablico completamente novo, com um olhar muito fresco, sem nenhum preconceito, pr\u00e9-conhecimento, \u00e9 um olhar interessante tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Eu queria te perguntar sobre o trabalho <em>7.536 passos (por uma geografia da proximidade) <\/em>(2012), que \u00e9<em> <\/em>mais do come\u00e7o da sua carreira<em>.<\/em> Como foi o processo de faz\u00ea-lo?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um trabalho de que eu gosto muito. Foi uma comiss\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Joaquim Nabuco, onde o Moacir dos Anjos trabalha, ent\u00e3o foi um projeto muito conversado com ele e com o pessoal da funda\u00e7\u00e3o. Sempre que tem uma comiss\u00e3o para fazer um v\u00eddeo, o artista acaba tendo mais f\u00f4lego para fazer o trabalho, fazer a pesquisa. Ele surgiu, primeiro, de um inc\u00f4modo, para ser bem sincera, um inc\u00f4modo que eu sempre tive. Meu ateli\u00ea, na \u00e9poca em que eu fiz esse trabalho, era bem no centro de S\u00e3o Paulo, entre a Pra\u00e7a da Rep\u00fablica e a Pra\u00e7a da S\u00e9. E existe uma maneira que S\u00e3o Paulo tem de invisibilizar as pessoas que eles querem invisibilizar que \u00e9 muito cruel. Eu acho que \u00e9 uma caracter\u00edstica muito de S\u00e3o Paulo. L\u00e1, tem esse jeito de voc\u00ea ir colocando \u00e0 margem as pessoas que n\u00e3o pertencem \u00e0 cidade, ou que voc\u00ea n\u00e3o quer que perten\u00e7am, ou que voc\u00ea quer que perten\u00e7am s\u00f3 para alguns assuntos. Voc\u00ea vai invisibilizando e empurrando essa popula\u00e7\u00e3o para a borda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o Paulo tem essa comunidade gigantesca de bolivianos que vive sobretudo no Br\u00e1s. Voc\u00ea s\u00f3 sabe ou voc\u00ea s\u00f3 tem contato com essa comunidade quando tem uma not\u00edcia sobre trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o em alguma das confec\u00e7\u00f5es, parece uma coisa feita para voc\u00ea n\u00e3o ter nenhum contato com essas pessoas, e isso sempre me intrigou, porque eu estava extremamente perto delas. Ent\u00e3o, eu comecei a frequentar a regi\u00e3o do Br\u00e1s, fiz parte de uma associa\u00e7\u00e3o de apoio ao imigrante, eu prestava servi\u00e7o documentando eventos da comunidade. Basicamente, era uma associa\u00e7\u00e3o para fornecer informa\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O bairro era muito pr\u00f3ximo do meu ateli\u00ea, eu ia andando para o Br\u00e1s, mas era muito claro para mim que eram dois universos que n\u00e3o se encontravam de jeito nenhum, e aquilo me perturbava. Por isso que o nome do v\u00eddeo \u00e9 7000 passos; eu n\u00e3o cheguei a contar, mas calculei pela dist\u00e2ncia que eu caminhava quantos passos seriam do ateli\u00ea ao Br\u00e1s. \u00c9 uma dist\u00e2ncia curta, mas parece que voc\u00ea est\u00e1 cruzando fronteiras, n\u00e3o s\u00f3 essa fronteira entre Brasil e Bol\u00edvia, porque n\u00e3o \u00e9 sobre isso, mas outras fronteiras e separa\u00e7\u00f5es no meio disso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Eu comecei a conviver mais com as pessoas da regi\u00e3o e acabei descobrindo, nessa pesquisa, que eles t\u00eam uma s\u00e9rie de r\u00e1dios piratas para atender \u00e0 comunidade. Uma das r\u00e1dios que era mais ouvida chamava Impactos Calientes, uma r\u00e1dio maravilhosa, tocava basicamente o dia inteiro. Ela tinha uma programa\u00e7\u00e3o variada, come\u00e7ava com umas not\u00edcias, depois as m\u00fasicas, as pessoas ligavam para a r\u00e1dio e, como ela era uma r\u00e1dio pirata, ela mudava de frequ\u00eancia tamb\u00e9m com o tempo, ent\u00e3o foi um trabalho para tentar captar a frequ\u00eancia da r\u00e1dio durante a pesquisa. Eu soube dessa r\u00e1dio e pensei: &#8220;acho que a r\u00e1dio pirata \u00e9 uma boa met\u00e1fora, um bom s\u00edmbolo da situa\u00e7\u00e3o dessas pessoas\u201d. E mesmo essa ideia da tentativa de sintonizar a r\u00e1dio me parecia muito com a situa\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m que muda de pa\u00eds, parece que voc\u00ea fica sempre nesse lugar entre as esta\u00e7\u00f5es, voc\u00ea fica sempre com um p\u00e9 na cidade que voc\u00ea deixou, de onde voc\u00ea veio, mas voc\u00ea quer estar na cidade em que voc\u00ea est\u00e1, voc\u00ea fica um pouco nesse lugar onde as coisas se encontram. A\u00ed eu decidi fazer esse v\u00eddeo, que \u00e9 basicamente uma caminhada, saindo da Pra\u00e7a da S\u00e9, que \u00e9 o Marco Zero de S\u00e3o Paulo, com um r\u00e1dio na m\u00e3o, que est\u00e1 sintonizado na Impactos Calientes, em dire\u00e7\u00e3o ao Br\u00e1s. O r\u00e1dio est\u00e1 num <em>dial<\/em> que est\u00e1 vazio, na Pra\u00e7a da S\u00e9 ele ainda n\u00e3o est\u00e1 pegando a Impactos Calientes, ele est\u00e1 pegando outras r\u00e1dios pirata do centro de S\u00e3o Paulo. Ent\u00e3o, no come\u00e7o, voc\u00ea ouve um pastor, umas outras m\u00fasicas que v\u00e3o entrando, vai meio que pegando tudo. Conforme eu me aproximo do Br\u00e1s, o som da r\u00e1dio fica mais claro, ent\u00e3o passa do portugu\u00eas para o castelhano, come\u00e7am as m\u00fasicas bolivianas. E eu termino essa caminhada na feirinha que eles faziam todos os s\u00e1bados. Nesse momento, fica claro que a situa\u00e7\u00e3o se inverte, que eu sou a estrangeira e n\u00e3o perten\u00e7o \u00e0quele lugar e meio que me perco nessa multid\u00e3o. Ent\u00e3o, era um pouco sobre essa caminhada, que s\u00e3o passos, mas ao mesmo tempo \u00e9 muito distante, e sobre esse lugar \u201centre\u201d, essa vontade de encontro, mas ao mesmo tempo a impossibilidade de encontro nessa cidade que \u00e9 S\u00e3o Paulo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"640\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Captura-de-tela-2025-10-31-124026-1024x640.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3062\" style=\"width:1100px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Captura-de-tela-2025-10-31-124026-1024x640.png 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Captura-de-tela-2025-10-31-124026-300x187.png 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Captura-de-tela-2025-10-31-124026-768x480.png 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Captura-de-tela-2025-10-31-124026.png 1245w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">7.536 PASSOS (POR UMA GEOGRAFIA DA PROXIMIDADE), Frame, 2012<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Interessante ver essas an\u00e1lises de dist\u00e2ncia <em>versus<\/em> aproxima\u00e7\u00e3o que tanto aparecem nas suas obras. Eu queria terminar perguntando sobre o v\u00eddeo <em>Lasciva<\/em> (2018).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Esse v\u00eddeo veio de uma pesquisa sobre imagens de mulheres fotografadas pelo doutor Jean-Martin Charcot (1825-1893), no s\u00e9culo XIX, na Fran\u00e7a, que eram mulheres tidas como hist\u00e9ricas, que foram diagnosticadas de diversas maneiras, com sintomas muito diferentes e foram colocadas dentro de um hospital em Paris. E o doutor Charcot, um m\u00e9dico muito respeitado, era respons\u00e1vel por esse departamento. E s\u00e3o imagens super cru\u00e9is. A maneira dele provar o diagn\u00f3stico era justamente atrav\u00e9s de imagens (que est\u00e3o em acesso p\u00fablico); ele fotografava as pacientes tendo esses acessos de histeria e, embaixo de cada foto, tem uma esp\u00e9cie de categoriza\u00e7\u00e3o. \u00c9 muito cruel porque, obviamente, essas mulheres est\u00e3o numa situa\u00e7\u00e3o super vulner\u00e1vel, sofrendo de v\u00e1rios sintomas e, naquela \u00e9poca, a fotografia n\u00e3o era um <em>snapshot<\/em> igual a gente tira agora, tinha que ficar l\u00e1 parado por um tempo. A\u00ed entra essa rela\u00e7\u00e3o do quanto elas est\u00e3o encenando o pr\u00f3prio sintoma para a c\u00e2mera. Existe uma rela\u00e7\u00e3o de poder bem perversa dos homens que diagnosticam as mulheres, que, na maioria das vezes, est\u00e3o de camisola, numa situa\u00e7\u00e3o meio sexualizada, ent\u00e3o \u00e9 bem desconfort\u00e1vel de ver as imagens. No final, o que me trouxe para essa pesquisa era ver que essas mulheres eram retratadas sem qualquer tipo de subjetividade. Elas passam a ser s\u00f3 pacientes, t\u00eam uma coisa meio sedutora, mas tamb\u00e9m est\u00e3o tendo uma crise hist\u00e9rica. E a\u00ed surgiu a vontade de fazer esse projeto, que era dif\u00edcil: como usar essas imagens como ponto de partida, fazendo um trabalho que n\u00e3o reafirmasse isso. Porque eu acho que essa ideia da histeria virou quase um clich\u00ea, eu tinha muito receio de fazer algum trabalho que, no final, ia ser \u201co trabalho da histeria\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para esse trabalho, eu sabia que queria fazer alguma coisa com o corpo, porque elas eram diagnosticadas como hist\u00e9ricas por conta de posi\u00e7\u00f5es do corpo. A quest\u00e3o era como, a partir do corpo, eu consigo fazer o caminho inverso? Como, pelo corpo, eu consigo trazer a subjetividade dessas mulheres? Ent\u00e3o eu convidei o core\u00f3grafo Bruno Levorin, a Clarissa Sacchelli e a Mait\u00ea Lacerda. A gente selecionou algumas imagens que queria ter como ponto de partida para uma coreografia, mas tentando justamente trazer isso que foi retirado dessas mulheres das fotos, a subjetividade e o desejo, porque a gente achava que o que estava por tr\u00e1s de todas as imagens era um desejo que elas n\u00e3o tinham o direito de ter. Por n\u00e3o ter o direito de ter o desejo, elas eram categorizadas como hist\u00e9ricas. Por isso que o trabalho se chama <em>Lasciva<\/em>, porque \u00e9 meio uma busca para tentar trazer o desejo para esse corpo que est\u00e1 tenso.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"680\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Lascivous-2018-1024x680.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-3039\" style=\"width:1100px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Lascivous-2018-1024x680.webp 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Lascivous-2018-300x199.webp 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Lascivous-2018-768x510.webp 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Lascivous-2018-1536x1020.webp 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Lascivous-2018.webp 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Lascivious, 2018<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Como a gente acabou pesquisando bastante, ensaiando bastante, o trabalho frutificou de maneiras diferentes: uma s\u00e9rie de pe\u00e7as coreogr\u00e1ficas, da Clarissa e da Mait\u00ea, que a gente apresentou algumas vezes, um v\u00eddeo de documenta\u00e7\u00e3o e esse v\u00eddeo, <em>Lasciva<\/em>, que eu fiz com trechos dos movimentos que foram criados durante a pesquisa. S\u00e3o movimentos que t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o com essas imagens do doutor Charcot, mas a ideia \u00e9 justamente subverter isso e trazer outra coisa. Ent\u00e3o, no v\u00eddeo, a Clarissa est\u00e1 fazendo uma coreografia. Para ajudar na subvers\u00e3o, eu coloquei legendas, que s\u00e3o trechos da pe\u00e7a <em>Bacantes<\/em>, justamente, do Eur\u00edpedes, que falam sobre o desejo. A trilha sonora foi feita pelo Gustavo Riviera, que \u00e9 um m\u00fasico que toca rock, \u00e9 do Forgotten Boys, e eu pedi para ele pensar numa trilha que fosse bem pesada, bem rock, para dar a ideia de alguma coisa que est\u00e1 destoando, alguma coisa que \u00e9 desviante da norma, mas que a gente est\u00e1 justamente colocando para fora. Ent\u00e3o, tem um movimento que \u00e9 um pouco retido, porque ele vem desse lugar retido da imagem, mas tem uma vontade de libera\u00e7\u00e3o, liberta\u00e7\u00e3o, impulsionado pelo desejo. Mas foi uma pesquisa longa e intensa, com a colabora\u00e7\u00e3o fundamental do Bruno, da Clarissa e da Mait\u00ea, que eu, sozinha, jamais teria feito.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Entrevista realizada em 28 de Fevereiro de 2024 remotamente via Zoom.<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-3 is-cropped has-lightbox wp-block-gallery-4 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"581\" data-id=\"3067\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/The-Taste-of-The-Living-2023-1024x581.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-3067\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/The-Taste-of-The-Living-2023-1024x581.webp 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/The-Taste-of-The-Living-2023-300x170.webp 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/The-Taste-of-The-Living-2023-768x436.webp 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/The-Taste-of-The-Living-2023-1536x871.webp 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/The-Taste-of-The-Living-2023-2048x1161.webp 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O gosto do vivo<br>\u00d3leo sobre papel Arches montado em alum\u00ednio |<br>250 x 440 cm<br>2023<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1080\" height=\"1033\" data-id=\"3034\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Bacante_Exibicao-Millan_Foto-Filipe-Berndt.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3034\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Bacante_Exibicao-Millan_Foto-Filipe-Berndt.jpg 1080w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Bacante_Exibicao-Millan_Foto-Filipe-Berndt-300x287.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Bacante_Exibicao-Millan_Foto-Filipe-Berndt-1024x979.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Bacante_Exibicao-Millan_Foto-Filipe-Berndt-768x735.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Vista da exposi\u00e7\u00e3o \u201cBacante\u201d, 2019, na Galleria Milan, S\u00e3o Paulo<br>2019<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"666\" data-id=\"3071\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Vista-da-exposicao-Bacante-2019_Foto_Artforum.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-3071\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Vista-da-exposicao-Bacante-2019_Foto_Artforum.webp 1000w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Vista-da-exposicao-Bacante-2019_Foto_Artforum-300x200.webp 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Vista-da-exposicao-Bacante-2019_Foto_Artforum-768x511.webp 768w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Da esquerda: <em>Bacante I<\/em> (Bacchante I), <em>Bacante II,<\/em> <em>Bacante III,<\/em> <br>2019<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" data-id=\"3075\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/MG_1760-copy.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3075\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/MG_1760-copy.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/MG_1760-copy-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/MG_1760-copy-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A Perigosa<br>\u00d3leo e cera sobre papel |<br>101,6 x 119,4 cm cada<br>2019<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2500\" height=\"1874\" data-id=\"3032\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ai-ai-aaa_Foto-Jose-Pelegrini.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3032\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ai-ai-aaa_Foto-Jose-Pelegrini.jpg 2500w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ai-ai-aaa_Foto-Jose-Pelegrini-300x225.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ai-ai-aaa_Foto-Jose-Pelegrini-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ai-ai-aaa_Foto-Jose-Pelegrini-768x576.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ai-ai-aaa_Foto-Jose-Pelegrini-1536x1151.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ai-ai-aaa_Foto-Jose-Pelegrini-2048x1535.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2500px) 100vw, 2500px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ai Ai Aaa<br>Instala\u00e7\u00e3o em n\u00e9on sobre estrutura de terracota |<br>170 x 80 cm<br>2021<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2500\" height=\"1667\" data-id=\"3036\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Chance_foto-Adriano-Fagundes.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3036\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Chance_foto-Adriano-Fagundes.jpg 2500w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Chance_foto-Adriano-Fagundes-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Chance_foto-Adriano-Fagundes-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Chance_foto-Adriano-Fagundes-768x512.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Chance_foto-Adriano-Fagundes-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Chance_foto-Adriano-Fagundes-2048x1366.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2500px) 100vw, 2500px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Chance<br>Luminoso em neon |<br>200 x 260 cm<br>2015<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1600\" height=\"1067\" data-id=\"3043\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ophelia-4.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-3043\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ophelia-4.webp 1600w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ophelia-4-300x200.webp 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ophelia-4-1024x683.webp 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ophelia-4-768x512.webp 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ophelia-4-1536x1024.webp 1536w\" sizes=\"(max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ophelia<br>Performance em colabora\u00e7\u00e3o com Ana Mazzei<br>2018<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1245\" height=\"778\" data-id=\"3062\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Captura-de-tela-2025-10-31-124026.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3062\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Captura-de-tela-2025-10-31-124026.png 1245w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Captura-de-tela-2025-10-31-124026-300x187.png 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Captura-de-tela-2025-10-31-124026-1024x640.png 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Captura-de-tela-2025-10-31-124026-768x480.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1245px) 100vw, 1245px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">7.536 PASSOS (POR UMA GEOGRAFIA DA PROXIMIDADE)<br>Frame<br>2012<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1600\" height=\"1062\" data-id=\"3039\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Lascivous-2018.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-3039\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Lascivous-2018.webp 1600w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Lascivous-2018-300x199.webp 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Lascivous-2018-1024x680.webp 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Lascivous-2018-768x510.webp 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Lascivous-2018-1536x1020.webp 1536w\" sizes=\"(max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Lascivious<br>Performance<br>2018<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Regina Parra explora o corpo feminino como espa\u00e7o de tens\u00e3o e resist\u00eancia, articulando mem\u00f3ria, poder e identidade por meio de imagens de intensa for\u00e7a po\u00e9tica<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3067,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[34,187,68,356,50],"class_list":["post-3020","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","tag-instalacao","tag-performance-2","tag-pintura","tag-regina-parra","tag-sao-paulo-pt-br"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3020","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3020"}],"version-history":[{"count":26,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3020\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3843,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3020\/revisions\/3843"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3067"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3020"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3020"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3020"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}