{"id":3204,"date":"2026-01-20T08:00:00","date_gmt":"2026-01-20T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/art100.in\/?p=3204"},"modified":"2026-05-29T16:45:42","modified_gmt":"2026-05-29T16:45:42","slug":"cadu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/cadu\/","title":{"rendered":"Cadu"},"content":{"rendered":"\n<p>Como artista, educador e pesquisador, Cadu (S\u00e3o Paulo, 1977) investiga as converg\u00eancias entre diferentes campos do conhecimento, diluindo fronteiras conceituais e materiais. Sua pr\u00e1tica art\u00edstica se desenvolve em um campo experimental, em que ideias abstratas ganham forma atrav\u00e9s de processos que abra\u00e7am o acaso e a imprevisibilidade. A colabora\u00e7\u00e3o social catalisa o di\u00e1logo e a constru\u00e7\u00e3o coletiva de significados, ampliando o impacto e a resson\u00e2ncia de suas obras. Essa abordagem permite que Cadu explore quest\u00f5es sociais complexas de maneira mais profunda, dando voz a diferentes perspectivas e realidades. Na entrevista, o artista reflete sobre como seu trabalho aborda as tens\u00f5es entre o individual e o coletivo, o material e o imaterial, explorando as camadas que comp\u00f5em nossa experi\u00eancia sociocultural contempor\u00e2nea. Confira:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1708\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-03-28-at-16.16.30.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3206\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-03-28-at-16.16.30.jpeg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-03-28-at-16.16.30-300x200.jpeg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-03-28-at-16.16.30-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-03-28-at-16.16.30-768x512.jpeg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-03-28-at-16.16.30-1536x1025.jpeg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-03-28-at-16.16.30-2048x1366.jpeg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cadu, agrade\u00e7o muito por separar esse tempo para falar com a gente. Eu queria come\u00e7ar pedindo para voc\u00ea se apresentar, com qualquer informa\u00e7\u00e3o que voc\u00ea ache relevante, pensando num p\u00fablico que talvez ainda n\u00e3o conhe\u00e7a a sua pr\u00e1tica art\u00edstica.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Meu nome \u00e9 Carlos Eduardo F\u00e9lix da Costa, mas opto por usar, como nome art\u00edstico, apenas Cadu, sem sobrenome, que \u00e9 o apelido pelo qual sempre fui chamado desde crian\u00e7a. Essa decis\u00e3o tem uma rela\u00e7\u00e3o \u00edntima com escolhas de trabalho que se d\u00e3o entre o meu senso t\u00e9cnico e o meu senso \u00e9tico e que visam a uma postura de dilui\u00e7\u00e3o da autoria, de desaparecimento, de segredo, e que, de certa maneira, j\u00e1 come\u00e7am pela forma como me denomino. Eu sou um homem branco, tenho 46 anos, 1,87 m de altura, cabelos lisos. Minha forma\u00e7\u00e3o ocorreu dentro da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), na Escola de Belas Artes, onde cursei a gradua\u00e7\u00e3o de pintura no meio dos anos 1990. No final dessa d\u00e9cada, comecei a dar aulas de desenho, de modelo vivo, de observa\u00e7\u00e3o e a trabalhar fazendo est\u00e1gios em universidades na \u00e1rea de doc\u00eancia, em faculdades de moda e desenho industrial. Ap\u00f3s a faculdade, comecei a me p\u00f3s-graduar, trabalhando nas \u00e1reas de arte e filosofia, nas quais sou mestre, doutor e p\u00f3s-doutor tamb\u00e9m pela UFRJ. E, junto com a carreira art\u00edstica, fui me abrigando no interior de institui\u00e7\u00f5es, como centros culturais, trabalhando na parte de produ\u00e7\u00e3o e montagem de exposi\u00e7\u00e3o, em produtoras, com montagem de projetos de exposi\u00e7\u00f5es, at\u00e9 que a pr\u00e1tica art\u00edstica se encontrou com a doc\u00eancia. J\u00e1 fui professor de algumas universidades particulares e p\u00fablicas e, atualmente, sou professor-adjunto no Departamento de Artes e Design da PUC-Rio (Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro), onde coordeno o LINDA, o Laborat\u00f3rio Interdisciplinar em Natureza, Design e Arte. No Rio de Janeiro, sou representado pela Galeria Silvia Cintra, em S\u00e3o Paulo, pela Galeria Vermelho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 quanto tempo voc\u00ea trabalha nesse departamento?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2007 leciono no Departamento de Artes e Design como professor do quadro complementar, podendo tamb\u00e9m trabalhar em outras universidades. Ent\u00e3o, em paralelo, trabalhei na UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), na Universidade Veiga de Almeida e na Faculdade Est\u00e1cio de S\u00e1. Mas, desde o segundo semestre de 2017, tenho um cargo de dedica\u00e7\u00e3o exclusiva. Durante muitos anos tamb\u00e9m fui professor do Parque Laje, uma escola livre que tem uma import\u00e2ncia grande no cen\u00e1rio da arte carioca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conta mais sobre essa intersec\u00e7\u00e3o entre natureza, design e arte.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Essa conflu\u00eancia vem, na verdade, seguindo o exemplo de atos que nem eram chamados dessa forma, \u201cecologicamente\u201d. Podemos afirmar que eles se inauguraram talvez com a publica\u00e7\u00e3o de um livro chamado <em>Walden<\/em>, de 1854. Henry David Thoreau (1817-1862) viveu dois anos, dois meses e dois dias numa cabana e contou essa jornada que, na verdade, se iniciou como uma forma de desobedi\u00eancia civil, j\u00e1 que desejava n\u00e3o pagar impostos. A partir da\u00ed, fui entendendo que ele tamb\u00e9m se associava a uma corrente liter\u00e1ria dos transcendentalistas norte-americanos, que alimentam uma rela\u00e7\u00e3o com a paisagem, com as ideias do Iluminismo, os contatos com os povos do Novo Mundo, o conceito de liberdade, aspectos que come\u00e7am, eu intuo, a aparecer na arte a partir do momento em que artistas como Claude Monet (1840-1926), J. M. W. Turner (1775-1851), Paul C\u00e9zanne (1839-1906) e outros deixam seus ateli\u00eas. Nessa hora, a maneira de ver o mundo come\u00e7a a ser menos separada do meio ambiente. E agora, obviamente, uma vez que estamos imersos nos processos de repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, que v\u00e3o sempre atravessar classe, g\u00eanero e ra\u00e7a, estamos olhando para o nosso pr\u00f3prio legado aqui no Brasil e compreendendo que essa rela\u00e7\u00e3o entre religi\u00e3o, arte e ci\u00eancia, que criam lugares de amplia\u00e7\u00e3o da imagina\u00e7\u00e3o e da subjetividade, j\u00e1 estava constitu\u00edda bem no cerne, bem no <em>ethos<\/em> dos nossos povos origin\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Eu sei que \u00e9 dif\u00edcil fazer uma conex\u00e3o direta, mas, pensando na obra <em>Nadar nada mar,<\/em> de 2022, como voc\u00ea v\u00ea esses interesses surgindo em sua pr\u00e1tica art\u00edstica?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Consigo fazer um caminho, voltando bastante no tempo. Minhas primeiras pesquisas dentro da universidade empurravam os desenhos de paisagem para uma postura que n\u00e3o era artes\u00e3. Ao inv\u00e9s de apenas contemplar dentro de um recorte \u2013 que normalmente a gente v\u00ea ali no suporte do desenho e da pintura \u2013, eu me envolvia em maquin\u00e1rios e pequenas pr\u00f3teses que faziam com que elementos da natureza se manifestassem no trabalho. Trabalhava com o vento, com a luz do sol, com comportamento de animais, com a topografia de terrenos, e esse processo de interface entre a natureza e o suporte era minha contribui\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Isto \u00e9, gerar imagens que funcionavam como uma coparticipa\u00e7\u00e3o minha e de um elemento entr\u00f3pico. Em um determinado momento, o desejo de ir para a natureza foi t\u00e3o intenso que realizei para o doutorado o projeto <em>Esta\u00e7\u00f5es <\/em>(2012-2013), quando morei em uma cabana no meio da floresta por um ano. Fiquei tr\u00eas meses construindo esse abrigo, outros nove meses vivendo ali, num per\u00edodo que circunscreveu todas as esta\u00e7\u00f5es e, simbolicamente, um processo de gesta\u00e7\u00e3o de nove meses. Isso, de certa forma, inaugurou uma n\u00e3o discernibilidade entre realizar arte e estar num estado de arte, quer fazendo objetos, quer dando aula. E, a\u00ed, eu passei a ser convidado, curiosamente, para habitar, por certos per\u00edodos, comunidades humanas ou contextos naturais selvagens em que os trabalhos aconteciam no meio dessas rela\u00e7\u00f5es. O que antes era s\u00f3 um elemento da natureza come\u00e7ou a passar por pessoas, colaboradores. Esses trabalhos mais atuais s\u00e3o at\u00e9 uma novidade, pois n\u00e3o costumo trabalhar com figura\u00e7\u00e3o. Durante a pandemia, regressei ao b\u00e1sico da forma\u00e7\u00e3o: o desenho a grafite. Ali, dei in\u00edcio a uma mitologia visual que se baseava muito no conceito de quimera, utilizando imagens criadas por exploradores navais entre o s\u00e9culo XV e o s\u00e9culo XVIII. Ent\u00e3o, <em>Nadar nada mar<\/em> traz animais, traz bestas, traz polvos, traz krakens, traz sereias, dentro de uma pr\u00e1tica tradicional de representa\u00e7\u00e3o. Mas a minha rela\u00e7\u00e3o com a natureza, e a ponte tamb\u00e9m entre as pr\u00e1ticas projetivas e art\u00edsticas, vem de longa data.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/mg_0651_copy-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3243\" style=\"width:1100px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/mg_0651_copy-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/mg_0651_copy-300x300.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/mg_0651_copy-150x150.jpg 150w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/mg_0651_copy-768x768.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/mg_0651_copy-650x650.jpg 650w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/mg_0651_copy.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Nadar nada mar, 2022  \u2014 Cr\u00e9dito da foto: Filipe Berndt<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea poderia falar sobre os elementos abstratos na obra <em>O monge Pierrot e o n\u00e1ufrago nupcial<\/em> (2020-21).&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Mantenho uma rela\u00e7\u00e3o muito forte com a literatura e crio alguns personagens para mim mesmo. Cada exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 uma f\u00e1bula espec\u00edfica. Ent\u00e3o, <em>O monge Pierrot e o n\u00e1ufrago nupcial<\/em> s\u00e3o, de fato, produ\u00e7\u00f5es de desenhos, que t\u00eam uma abordagem mais abstrata, sobre um interesse por geometrias sagradas e formas que aparecem no mundo natural, pela biomim\u00e9tica ou a presen\u00e7a do caos nisso, que seria o n\u00e1ufrago nupcial. O monge Pierrot \u00e9 essa figura estudante, sisuda, mas que, dentro do seu h\u00e1bito, tem uma fantasia de carnaval. E o n\u00e1ufrago est\u00e1 completamente desesperado, est\u00e1 perdido nas suas certezas.&nbsp; Eles coadunam para a cria\u00e7\u00e3o de superf\u00edcies, j\u00e1 que um trabalha com o rigor e precis\u00e3o e o outro trabalha com a t\u00e9cnica da marmoriza\u00e7\u00e3o, que \u00e9 totalmente fluida, totalmente imprevis\u00edvel, mas que em algum lugar tamb\u00e9m s\u00e3o labirintos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sim, at\u00e9 porque a t\u00e9cnica de marmoriza\u00e7\u00e3o, esses processos da natureza, por mais que pare\u00e7am ser ao acaso, s\u00e3o muito sistem\u00e1ticos.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0s vezes, a gente toma o sintoma como causa. Na verdade, toda montanha vai voltar a ser ilha em algum momento. A gente \u00e9 que n\u00e3o vai estar aqui para ver a replica\u00e7\u00e3o desses padr\u00f5es e a forma sist\u00eamica como essas coisas acontecem, de maneira \u00e0s vezes violenta, por\u00e9m perfeita. Mas \u00e9 uma outra escala de tempo. E a gente, \u00e0s vezes, quando n\u00e3o percebe a possibilidade de o ciclo acontecer novamente \u2013 quando os extremos v\u00e3o se encontrar e dar in\u00edcio novamente ao processo \u2013, acha que aquilo \u00e9 confuso. A superf\u00edcie das pedras que se associam com o nome de marmoriza\u00e7\u00e3o nada mais \u00e9 do que tomar aqueles desenhos \u00e0 la teste de Rorschach como coisas que n\u00e3o fazem sentido. Mas, depois que voc\u00ea entende como as coisas s\u00e3o feitas, elas t\u00eam uma l\u00f3gica admir\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"976\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/OMPNN-X-1024x976.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3245\" style=\"width:1099px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/OMPNN-X-1024x976.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/OMPNN-X-300x286.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/OMPNN-X-768x732.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/OMPNN-X-1536x1464.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/OMPNN-X-2048x1952.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O monge Pierrot e o n\u00e1ufrago nupcial (2020-21)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como \u00e9 o seu processo criativo enquanto um artista multidisciplinar?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wonderpluginaudio\" id=\"wonderpluginaudio-73\" data-audioplayerid=\"73\" data-width=\"24\" data-height=\"600\" data-skin=\"button24\" data-progressinbar=\"true\" data-showinfo=\"false\" data-showimage=\"false\" data-autoplay=\"false\" data-random=\"false\" data-autoresize=\"false\" data-responsive=\"false\" data-showtracklist=\"false\" data-tracklistscroll=\"true\" data-showprogress=\"false\" data-showprevnext=\"false\" data-showloop=\"false\" data-stopotherplayers=\"true\" data-preloadaudio=\"true\" data-noncontinous=\"false\" data-showtracklistsearch=\"false\" data-saveposincookie=\"false\" data-wptracklist=\"false\" data-removeinlinecss=\"true\" data-enabletabindex=\"false\" data-showtime=\"false\" data-showvolume=\"false\" data-showvolumebar=\"true\" data-showliveplayedlist=\"false\" data-stoponpausebutton=\"false\" data-reloadstream=\"false\" data-playpausefontcircle=\"true\" data-prevnextfontcircle=\"true\" data-showtitleinbar=\"false\" data-showloading=\"false\" data-enablega=\"false\" data-titleinbarscroll=\"true\" data-donotinit=\"false\" data-addinitscript=\"false\" data-imagewidth=\"100\" data-imageheight=\"100\" data-loop=\"1\" data-tracklistitem=\"10\" data-titleinbarwidth=\"80\" data-gatrackingid=\"\" data-ga4account=\"\" data-playbackrate=\"1\" data-playpauseimage=\"playpause-24-24-2.png\" data-playpauseimagewidth=\"24\" data-playpauseimageheight=\"24\" data-cookiehours=\"240\" data-prevnextimage=\"prevnext-24-24-0.png\" data-prevnextimagewidth=\"24\" data-prevnextimageheight=\"24\" data-volumeimage=\"volume-24-24-0.png\" data-volumeimagewidth=\"24\" data-volumeimageheight=\"24\" data-liveupdateinterval=\"10000\" data-maxplayedlist=\"8\" data-playedlisttitle=\"Last Tracks Played\" data-loopimage=\"loop-24-24-0.png\" data-loopimagewidth=\"24\" data-loopimageheight=\"24\" data-playpausefontwidth=\"32\" data-playpausefontheight=\"32\" data-playpausefontsize=\"12\" data-playpausefontradius=\"0\" data-playpausefontcolor=\"#fff\" data-playpausefontbgcolor=\"#333\" data-playpausefonthovercolor=\"#fff\" data-playpausefonthoverbgcolor=\"#555\" data-prevnextfontwidth=\"32\" data-prevnextfontheight=\"32\" data-prevnextfontsize=\"12\" data-prevnextfontradius=\"0\" data-prevnextfontcolor=\"#fff\" data-prevnextfontbgcolor=\"#333\" data-prevnextfonthovercolor=\"#fff\" data-prevnextfonthoverbgcolor=\"#555\" data-infoformat=\"&lt;div class=&#039;amazingaudioplayer-info-title&#039;&gt;%ARTIST% %ALBUM%&lt;\/div&gt;\n&lt;div class=&#039;amazingaudioplayer-info-description&#039;&gt;%INFO%&lt;\/div&gt;\" data-tracklistscroll=\"false\" data-jsfolder=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/plugins\/wonderplugin-audio\/engine\/\" style=\"display:block;position:relative;margin:0 auto;width:24px;height:auto;\"><ul class=\"amazingaudioplayer-audios\" style=\"display:none;\"><li data-artist=\"\" data-title=\"Cadu_Audio 1 site-esv1-77p\" data-album=\"\" data-info=\"&quot;Cadu_Audio 1 site-esv1-77p&quot;.\" data-image=\"https:\/\/art100.in\/wp-includes\/images\/media\/audio.svg\" data-duration=\"45\"><div class=\"amazingaudioplayer-source\" data-src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Cadu_Audio-1-site-esv1-77p.wav\" data-type=\"audio\/mpeg\" ><\/div><\/li><\/ul><\/div><script>function wonderaudio_73_appendcss(csscode) {var head=document.head || document.getElementsByTagName(\"head\")[0];var style=document.createElement(\"style\");head.appendChild(style);style.type=\"text\/css\";if (style.styleSheet){style.styleSheet.cssText=csscode;} else {style.appendChild(document.createTextNode(csscode));}};wonderaudio_73_appendcss(\"#wonderpluginaudio-73 { \tbox-sizing: content-box; 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Fazer, pensar criativamente, n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 uma atividade, para mim, profissional, mas existencial. Olhar a realidade diretamente \u00e9 muito dif\u00edcil. \u00c9 preciso inventar escudos, prote\u00e7\u00f5es l\u00fadicas para nos proteger da aridez do real. A\u00ed entra um diagrama pessoal, que estabele\u00e7o como a rela\u00e7\u00e3o entre a medusa e o narciso. Se voc\u00ea olhar diretamente para a G\u00f3rgona, virar\u00e1s pedra, porque a verdade \u00e9 dura. Ent\u00e3o, voc\u00ea faz um escudo de Perseu, faz uma cambalhota l\u00fadica para indiretamente poder tocar em quest\u00f5es que s\u00e3o muito inc\u00f4modas para voc\u00ea. Mas, se voc\u00ea se encantar demais com o seu pr\u00f3prio reflexo, com suas cria\u00e7\u00f5es, pula no lago da vaidade e se afoga.<\/em><\/strong> Ent\u00e3o, mais uma vez, aquela superf\u00edcie c\u00f4ncava do escudo pode te ajudar a n\u00e3o afundar, a boiar um pouquinho. O meu cotidiano acaba sendo a administra\u00e7\u00e3o de diversas naturezas de projetos. Como professor, afirmo que meu c\u00e9rebro funciona quase que em <em>torrent<\/em> hoje em dia. N\u00e3o consigo processar um arquivo de uma vez s\u00f3, ent\u00e3o eu o fragmento, vou pensando junto com aqueles que est\u00e3o sob minha orienta\u00e7\u00e3o e tenho a sorte de fazer uma outra coisa que n\u00e3o \u00e9 nem aquilo que eu queria nem aquilo que o sujeito imaginou. \u00c9 um terceiro indiv\u00edduo que nasce e faz a tarefa. E na arte, \u00e0s vezes, \u00e9 uma maneira at\u00e9 de eu reagir a isso: se estou trabalhando demais, se estou investindo muito em um lado muito racional, preciso trabalhar com algo mais ca\u00f3tico, que seja individual, que s\u00f3 dependa de mim. A\u00ed entra desenho, entra pintura. Por outro lado, estou num departamento que \u00e9 muito simp\u00e1tico \u00e0s novas tecnologias, o que me d\u00e1 a oportunidade de trabalhar com muita gente interessante e muitos processos t\u00e9cnicos novos. Os trabalhos, \u00e0s vezes, v\u00e3o ter contornos, como pe\u00e7as de teatro, filmes, musicais, quadros, fotografias, instala\u00e7\u00f5es, performances, que s\u00e3o tanto gestos meus quanto gestos feitos em colabora\u00e7\u00e3o. Mas, no final das contas, se eu tiver que te dar um lugar onde tudo come\u00e7a e termina, talvez seja no desenho. Tudo vem de uma ideia que, em algum momento, esteve no papel graficamente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E a\u00ed, para responder, o ateli\u00ea se desdobra em muitas dimens\u00f5es. Tem, obviamente, o ateli\u00ea, que \u00e9 um lugar de oficina, que existe. Tem o ateli\u00ea acad\u00eamico, onde a escrita e outras realiza\u00e7\u00f5es acontecem nas depend\u00eancias da universidade. E tem o meu di\u00e1rio l\u00fadico, onde est\u00e1 tudo sempre notado, que s\u00e3o cadernos. Dizem que, quando botaram fogo na casa de Lampi\u00e3o, ele falou algo como: \u201cminha casa \u00e9 meu chap\u00e9u\u201d. Meu ateli\u00ea \u00e9 meu chap\u00e9u. Onde estou, estou em ateli\u00ea. Por isso que essa pergunta \u00e9 t\u00e3o instigante e ao mesmo tempo t\u00e3o dif\u00edcil de responder. Porque o que eu como, o que eu falo, como eu me relaciono com as pessoas, o que eu professo, a minha rela\u00e7\u00e3o com o mundo, nas inst\u00e2ncias da raz\u00e3o, da pol\u00edtica, do sagrado, s\u00e3o uma coisa s\u00f3.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea comentou sobre a tecnologia e alguns acessos garantidos por voc\u00ea estar dentro da universidade. Conta um pouco mais sobre isso.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Acho que s\u00e3o exerc\u00edcios de linguagem. A gente agora est\u00e1 tendo muito contato com intelig\u00eancias artificiais, com processos aditivos de impress\u00e3o 3D, com modelagens virtuais, uma inclina\u00e7\u00e3o para os metaversos, movimentos irrevers\u00edveis numa economia em rede, de capitalismo tardio, de vigil\u00e2ncia. Ent\u00e3o, no Departamento de Artes e Design, acabo tendo contato com materiais, profissionais e pensadores que lidam com isso de maneira virtuosa. Vou te dar um exemplo. Fa\u00e7o parte de uma pesquisa sobre mobilidade urbana no Rio de Janeiro patrocinada pela FAPERJ (Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas Filho de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro). Tem uma parte muito sisuda, mas, ao mesmo tempo, tem uma parte em que a gente precisa coletar dados de viagens que v\u00e3o acontecer com usu\u00e1rios \u2013 temperatura, ru\u00eddo, batimento card\u00edaco, press\u00e3o atmosf\u00e9rica \u2013 que, uma vez captados por sensores, v\u00e3o receber uma sa\u00edda mais objetivada, para atender \u00e0s necessidades de mobilidade do cidad\u00e3o. Mas tamb\u00e9m posso fazer, junto com colegas, um monte de outras coisas com esses dados para a constru\u00e7\u00e3o de obras de arte. O sentido de cartografia, o sentido de deslocamento, o sentido da rela\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo com a paisagem, s\u00e3o coisas mantidas, j\u00e1 exploradas, mas que ganhar\u00e3o novos contornos pela natureza desse material. Outro exemplo, colaboro com pesquisadores que, durante muito tempo, foram respons\u00e1veis pela digitaliza\u00e7\u00e3o do acervo do Museu Nacional, que pegou fogo em 2018. S\u00e9rgio Azevedo, Jorge Lopes e Cl\u00e1udio Magalh\u00e3es (sendo o primeiro da UFRJ, e os outros dois, da PUC) passaram 20 anos escaneando as cole\u00e7\u00f5es. Infelizmente, agora s\u00f3 existem os dados, muitos dos objetos se perderam. Ent\u00e3o, ap\u00f3s o luto, iniciamos uma pesquisa que nos permitiu sair de um lugar de car\u00eancia para um lugar de pot\u00eancia, criando obras de arte com os destro\u00e7os do pr\u00f3prio inc\u00eandio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Estacoes-1-1-1024x768.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3280\" style=\"width:1100px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Estacoes-1-1-1024x768.png 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Estacoes-1-1-300x225.png 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Estacoes-1-1-768x576.png 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Estacoes-1-1-1536x1152.png 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Estacoes-1-1.png 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Maquete \u2013 quatro esta\u00e7\u00f5es, 2013<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A pesquisa educativa, a pesquisa universit\u00e1ria e a pesquisa art\u00edstica s\u00e3o abordadas de forma muito mais separada do que a gente imagina que deveria ser. Eu n\u00e3o sei se voc\u00ea concorda.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 o desafio, na verdade, conseguir fazer um trabalho que levante met\u00e1foras de relev\u00e2ncia, no campo art\u00edstico, e que possa ser integrado \u00e0 pr\u00e1tica pedag\u00f3gica na universidade. E essa \u00e9 a postura do design que se produz dentro da PUC, chamado de design em parceria, onde sinto que h\u00e1 bases humanistas e \u00e9ticas para seguir projetos. Mas, vamos combinar, n\u00e3o \u00e9 nada de novo, esse era o projeto na Bauhaus, na Alemanha, antes da guerra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como voc\u00ea v\u00ea a rela\u00e7\u00e3o entre o p\u00fablico e o trabalho, pensando no p\u00fablico em geral, que talvez n\u00e3o tenha acesso a toda essa informa\u00e7\u00e3o ou que acaba se relacionando com a obra de uma forma apenas visual.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 bem delicado, porque a gente vive uma crise maior, que \u00e9 a crise da imagem. Produzimos uma quantidade de conte\u00fado que nunca se viu antes na hist\u00f3ria. Ent\u00e3o, chegar na informa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma travessia por uma camada enorme de ru\u00eddo, em que imagens altamente espetaculares e apelativas competem e cujo apetite de consumo s\u00f3 \u00e9 comparado ao desgaste e descarte dessas imagens. Quanto mais tenho, mais quero. E a\u00ed, por exemplo, utilizando uma plataforma como o Instagram, \u00e0s vezes voc\u00ea vai ter que competir com resultados visuais que podem ter demorado tr\u00eas anos para existir ou com outras coisas que foram feitas em tr\u00eas minutos. H\u00e1 um desafio, uma peruca dif\u00edcil de pentear.<strong> <\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wonderpluginaudio\" id=\"wonderpluginaudio-74\" data-audioplayerid=\"74\" data-width=\"24\" data-height=\"600\" data-skin=\"button24\" data-progressinbar=\"true\" data-showinfo=\"false\" data-showimage=\"false\" data-autoplay=\"false\" data-random=\"false\" data-autoresize=\"false\" data-responsive=\"false\" data-showtracklist=\"false\" data-tracklistscroll=\"true\" data-showprogress=\"false\" data-showprevnext=\"false\" data-showloop=\"false\" data-stopotherplayers=\"true\" data-preloadaudio=\"true\" data-noncontinous=\"false\" data-showtracklistsearch=\"false\" data-saveposincookie=\"false\" data-wptracklist=\"false\" data-removeinlinecss=\"true\" data-enabletabindex=\"false\" data-showtime=\"false\" data-showvolume=\"false\" data-showvolumebar=\"true\" data-showliveplayedlist=\"false\" data-stoponpausebutton=\"false\" data-reloadstream=\"false\" data-playpausefontcircle=\"true\" data-prevnextfontcircle=\"true\" data-showtitleinbar=\"false\" data-showloading=\"false\" data-enablega=\"false\" data-titleinbarscroll=\"true\" data-donotinit=\"false\" data-addinitscript=\"false\" data-imagewidth=\"100\" data-imageheight=\"100\" data-loop=\"1\" data-tracklistitem=\"10\" data-titleinbarwidth=\"80\" data-gatrackingid=\"\" data-ga4account=\"\" data-playbackrate=\"1\" data-playpauseimage=\"playpause-24-24-2.png\" data-playpauseimagewidth=\"24\" data-playpauseimageheight=\"24\" data-cookiehours=\"240\" data-prevnextimage=\"prevnext-24-24-0.png\" data-prevnextimagewidth=\"24\" data-prevnextimageheight=\"24\" data-volumeimage=\"volume-24-24-0.png\" data-volumeimagewidth=\"24\" data-volumeimageheight=\"24\" data-liveupdateinterval=\"10000\" data-maxplayedlist=\"8\" data-playedlisttitle=\"Last Tracks Played\" data-loopimage=\"loop-24-24-0.png\" data-loopimagewidth=\"24\" data-loopimageheight=\"24\" data-playpausefontwidth=\"32\" data-playpausefontheight=\"32\" data-playpausefontsize=\"12\" data-playpausefontradius=\"0\" data-playpausefontcolor=\"#fff\" data-playpausefontbgcolor=\"#333\" data-playpausefonthovercolor=\"#fff\" data-playpausefonthoverbgcolor=\"#555\" data-prevnextfontwidth=\"32\" data-prevnextfontheight=\"32\" data-prevnextfontsize=\"12\" data-prevnextfontradius=\"0\" data-prevnextfontcolor=\"#fff\" data-prevnextfontbgcolor=\"#333\" data-prevnextfonthovercolor=\"#fff\" data-prevnextfonthoverbgcolor=\"#555\" data-infoformat=\"&lt;div class=&#039;amazingaudioplayer-info-title&#039;&gt;%ARTIST% %ALBUM%&lt;\/div&gt;\n&lt;div class=&#039;amazingaudioplayer-info-description&#039;&gt;%INFO%&lt;\/div&gt;\" data-tracklistscroll=\"false\" data-jsfolder=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/plugins\/wonderplugin-audio\/engine\/\" style=\"display:block;position:relative;margin:0 auto;width:24px;height:auto;\"><ul class=\"amazingaudioplayer-audios\" style=\"display:none;\"><li data-artist=\"\" data-title=\"Cadu_Audio 2 site-esv1-77p\" data-album=\"\" data-info=\"&quot;Cadu_Audio 2 site-esv1-77p&quot;.\" data-image=\"https:\/\/art100.in\/wp-includes\/images\/media\/audio.svg\" data-duration=\"20\"><div class=\"amazingaudioplayer-source\" data-src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Cadu_Audio-2-site-esv1-77p.wav\" data-type=\"audio\/mpeg\" ><\/div><\/li><\/ul><\/div><script>function wonderaudio_74_appendcss(csscode) {var head=document.head || document.getElementsByTagName(\"head\")[0];var style=document.createElement(\"style\");head.appendChild(style);style.type=\"text\/css\";if (style.styleSheet){style.styleSheet.cssText=csscode;} else {style.appendChild(document.createTextNode(csscode));}};wonderaudio_74_appendcss(\"#wonderpluginaudio-74 { \tbox-sizing: content-box; 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Porque a arte prop\u00f5e uma desacelera\u00e7\u00e3o, prop\u00f5e uma suspens\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o de finalidade, da rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito, das posturas de desempenho e produ\u00e7\u00e3o, enquanto seu campo est\u00e1 contaminado pelas rela\u00e7\u00f5es velozes, pelo descarte e pela pirotecnia.<\/em> <\/strong>H\u00e1 muito consumo disfar\u00e7ado de informa\u00e7\u00e3o e, por isso, muita arte que acaba sendo n\u00e3o vista, n\u00e3o percebida. Como artista e educador, o trabalho acaba sendo simplesmente mostrar que existem brechas, e que \u00e9 poss\u00edvel, mas que elas v\u00e3o pedir uma natureza de escuta, sil\u00eancio e ambiguidade para a qual as pessoas, em geral, pela resposta que se pede de inser\u00e7\u00e3o pragm\u00e1tica na realidade econ\u00f4mica do dia a dia, n\u00e3o t\u00eam tempo, ou \u00e0 qual est\u00e3o impedidas de ter acesso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como voc\u00ea v\u00ea essa rela\u00e7\u00e3o entre institui\u00e7\u00e3o e obra, institui\u00e7\u00e3o e exibi\u00e7\u00e3o? Eu sinto que o Brasil tem uma car\u00eancia de variedade nos objetivos e formatos das institui\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o sempre rela\u00e7\u00f5es de atrito, n\u00e3o existem alian\u00e7as perfeitas, n\u00e3o existem aliados perfeitos. Sou funcion\u00e1rio de uma universidade cat\u00f3lica, se eu for ficar muito preocupado com tudo que j\u00e1 aconteceu em nome de Jesus, pulo da janela, n\u00e3o vou trabalhar l\u00e1. Mas, sabendo que a institui\u00e7\u00e3o \u00e9 feita de pessoas, que ela n\u00e3o \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o abstrato, uma forma \u00e9 atuar micropoliticamente para amolecer o n\u00facleo duro de uma estrutura, que tende a aceitar mudan\u00e7as lentamente. E acho que o mesmo acontece com outros lugares. A gente n\u00e3o pode deixar de perceber que, nos \u00faltimos dez anos, o Brasil passou por processos muito complexos, que est\u00e3o afetando muito a maneira de se atuar nesses lugares e de aceitar, ao mesmo tempo, certas novas pr\u00e1ticas. Demos uns passos para tr\u00e1s. Existe uma popula\u00e7\u00e3o bastante volumosa no pa\u00eds que \u00e9 extremamente conservadora, e as institui\u00e7\u00f5es t\u00eam que tentar trabalhar para dar discurso a todos, desde que um n\u00e3o seja nocivo ao outro. A diversidade \u00e9 superimportante. N\u00e3o posso viver mais numa fantasia id\u00edlica, que \u00e9 apaixonante para mim, do tropicalismo dos anos 1970, ver isso como uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura, e n\u00e3o querer compor com o Brasil que hoje \u00e9 extremamente preconceituoso, cheio de contradi\u00e7\u00f5es, libertino e religioso, corrupto e pot\u00eancia econ\u00f4mica, muito retr\u00f3grado numa pauta de moral e costumes, oprimindo certas classes que est\u00e3o gritando e fazendo aparecer coisas important\u00edssimas, com novos modos de viver. O papel das institui\u00e7\u00f5es \u00e9 muito maior, porque tem que compor com isso tudo, \u00e9 um grande desafio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tomando essa parte mais pol\u00edtica, eu queria que voc\u00ea falasse a obra <em>Clotho<\/em> (2015 \/ 2019).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Esse trabalho surgiu, em sua primeira vers\u00e3o, na Pol\u00f4nia, durante uma resid\u00eancia art\u00edstica, numa cidade do interior chamada Nowy S\u0105cz, que fica a duas horas da Crac\u00f3via, Eu fui estimulado a trabalhar dentro de um centro cultural que tinha sido reformado, ganhando bastante recursos da Uni\u00e3o Europeia, mas que, por isso mesmo, tinha se desvinculado um pouco da cidade, tinha perdido certas caracter\u00edsticas carism\u00e1ticas e que o p\u00fablico n\u00e3o frequentava mais. E n\u00e3o sei por que me chamaram para tentar criar maneiras de trazer pessoas para l\u00e1. A estrat\u00e9gia foi com m\u00e3es e filhos, propondo atividades relacionadas \u00e0 m\u00fasica, trabalhando tamb\u00e9m com os meus mecanismos de paisagem, montando maquininhas para pegar a luz do sol, e por a\u00ed vai.&nbsp; Uma das pr\u00e1ticas foi fazer instrumentos em oficinas com jovens. Mas essa regi\u00e3o tinha uma forte tradi\u00e7\u00e3o de artesanato em croch\u00ea e tric\u00f4, e me apresentaram uma grande artes\u00e3 l\u00e1, chamada Eva. Eu j\u00e1 achei isso incr\u00edvel, Eva, a primeira mulher. Ela, por acaso, conhecia bastante do artesanato nordestino e do sul do pa\u00eds, porque pelo Instagram conversava com pessoas do mundo inteiro que gostavam desse assunto. Depois daquele momento tur\u00edstico entre n\u00f3s, a gente come\u00e7ou a falar das quest\u00f5es da condi\u00e7\u00e3o humana e ela me disse que queria ensinar a filha dela a fazer tric\u00f4. Disse: \u201ceu queria que ela aprendesse, porque, quando comecei, era insone, muito ansiosa, e essa pr\u00e1tica foi me ajudando a me acalmar, e estou percebendo que ela tem certos sintomas parecidos\u201d. Achei isso uma excelente ideia para um trabalho. Juntos, a gente pensou em uma estrutura cil\u00edndrica do tamanho dela e cujo in\u00edcio e fim eram ligados a fios que corriam toda a galeria e que iam dar numa mesma estrutura g\u00eamea, que era do tamanho da filha. A filha dela ia aprender a fazer o tric\u00f4 ali, no espa\u00e7o expositivo. Durante algumas horas por semana, durante a exposi\u00e7\u00e3o, ficavam m\u00e3e e filha fazendo e tendo o seu tric\u00f4 desfeito, ou seja, numa conflu\u00eancia do vetor do roubo e da doa\u00e7\u00e3o. O t\u00edtulo veio das moiras; Clotho \u00e9 uma das pitonisas tecedoras do destino. O trabalho funcionou, e a filha dela aprendeu a tricotar.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante uma das feiras da SP-Arte, convidaram artistas para propor performances. Nessa \u00e9poca, tinha conversado com a minha galeria, a Vermelho, que queria montar o trabalho, mas que n\u00e3o sabia com quem fazer. A\u00ed, me apresentaram um cara muito bacana, chamado Gustavo Silvestre, que tem um projeto chamado Ponto Firme, que trabalha t\u00e9cnicas de tric\u00f4 e croch\u00ea dentro de alguns pres\u00eddios de S\u00e3o Paulo. O Gustavo topou e acrescentou mais uma camada. A feira durou cinco dias, durante esses cinco dias a gente cruzou pelos lados do galp\u00e3o da Bienal de S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m duas estruturas que estavam ligadas uma \u00e0 outra, s\u00f3 que, nesse caso, n\u00e3o precisavam ser cil\u00edndricas, era s\u00f3 um plano. O comprimento do fio era do tamanho do per\u00edmetro do pr\u00e9dio do Niemeyer. Ali trabalharam volunt\u00e1rios tanto do projeto, como pessoas que d\u00e3o as oficinas ou fazem as oficinas, quanto egressos de pres\u00eddio que estavam sendo ressocializados. Acabei, gra\u00e7as \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o, atingindo todas as camadas que estava tentando: tem um dado po\u00e9tico, tem um dado t\u00e9cnico, tem um dado da parceria e tem um dado que n\u00e3o \u00e9 do exotismo, mas, de certa forma, da inclus\u00e3o, da ressocializa\u00e7\u00e3o na sociedade. Mas essa parte dos ex-presidi\u00e1rios ningu\u00e9m sabia, estou falando pela primeira vez para voc\u00ea. Era uma coisa muito importante para mim, muito importante para o Gustavo, mas a gente n\u00e3o sentia necessidade de explorar isso publicamente, porque sabemos que isso poderia ser distorcido de uma maneira muito nociva e prejudicial \u00e0queles indiv\u00edduos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O desenho, o entalhe, cozinhar, caminhar, bordar, de certa maneira, s\u00e3o pr\u00e1ticas que est\u00e3o regressando ao corpo. S\u00e3o pr\u00e1ticas meditativas, que colaboram para a tranquilidade mental. O projeto do Gustavo, certamente, \u00e9 muito importante, n\u00e3o s\u00f3 para oferecer, talvez, um meio de vida, j\u00e1 que muitos tornam-se artes\u00e3os, mas sobretudo um lugar de recupera\u00e7\u00e3o de autoestima, de identidade e de pr\u00e1tica mental, s\u00e3 e sanit\u00e1ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" data-id=\"3274\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/clotho_63_Foto-Danilo-Santos-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3274\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/clotho_63_Foto-Danilo-Santos-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/clotho_63_Foto-Danilo-Santos-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/clotho_63_Foto-Danilo-Santos-768x512.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/clotho_63_Foto-Danilo-Santos-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/clotho_63_Foto-Danilo-Santos-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" data-id=\"3272\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/clotho_68-_-Foto-Danilo-Santos-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3272\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/clotho_68-_-Foto-Danilo-Santos-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/clotho_68-_-Foto-Danilo-Santos-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/clotho_68-_-Foto-Danilo-Santos-768x512.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/clotho_68-_-Foto-Danilo-Santos-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/clotho_68-_-Foto-Danilo-Santos-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\"><em>Clotho<\/em>, 2015 &#8211; 2019<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para fechar, eu queria pedir para voc\u00ea compartilhar um desafio ou uma dificuldade que voc\u00ea v\u00ea na sua carreira art\u00edstica.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Atuo na cultura e na educa\u00e7\u00e3o, duas \u00e1reas que, nos \u00faltimos dez anos, pelo menos, sofreram fortes violenta\u00e7\u00f5es, ao mesmo tempo que t\u00eam desenvolvido recursos curios\u00edssimos e muito interessantes para lidar com esses cen\u00e1rios. Ent\u00e3o, eu acho que o meu inc\u00f4modo atual vem de como conseguir criar um processo mais sustent\u00e1vel de vida para multiplicar esse lugar de constru\u00e7\u00e3o de subjetividade e imagina\u00e7\u00e3o, que, de alguma maneira, se integre ao cotidiano econ\u00f4mico. Essa resposta, n\u00e3o sei. Porque isso depende muito, no momento, de incentivos de institui\u00e7\u00f5es. Ao mesmo tempo que tamb\u00e9m n\u00e3o vou esper\u00e1-las para agir. Ent\u00e3o, hoje, minha maior dificuldade, apesar de viver uma vida muito privilegiada, \u00e9 poder manter os lugares onde esses encontros, essas rela\u00e7\u00f5es v\u00e3o poder existir. As faculdades, as universidades est\u00e3o sofrendo muito, independentemente se s\u00e3o lugares que parecem estar garantidos por serem de classe m\u00e9dia, classe m\u00e9dia alta. E meu maior medo \u00e9, em algum momento, a realidade se impor de uma forma que eu desista, porque isso aqui \u00e9 um trabalho atl\u00e9tico, n\u00e3o para corredor de 100 metros, \u00e9 para maratonista. Eu espero que, se a gente tiver uma conversa daqui a cinco anos, eu possa dar outra resposta, te dizendo que tudo passou, e que resistimos.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Entrevista realizada em 5 de junho de 2024 remotamente via Zoom.<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-coblocks-dynamic-separator is-style-fullwidth\" style=\"height:50px\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped has-lightbox wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2048\" height=\"1536\" data-id=\"3280\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Estacoes-1-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3280\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Estacoes-1-1.png 2048w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Estacoes-1-1-300x225.png 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Estacoes-1-1-1024x768.png 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Estacoes-1-1-768x576.png 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Estacoes-1-1-1536x1152.png 1536w\" sizes=\"(max-width: 2048px) 100vw, 2048px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Maquete \u2013 quatro esta\u00e7\u00f5es<br>caxeta, MDF, papel\u00e3o<br>50 x 70 x 40 cm<br>2013<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1706\" data-id=\"3274\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/clotho_63_Foto-Danilo-Santos-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3274\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/clotho_63_Foto-Danilo-Santos-scaled.jpg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/clotho_63_Foto-Danilo-Santos-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/clotho_63_Foto-Danilo-Santos-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/clotho_63_Foto-Danilo-Santos-768x512.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/clotho_63_Foto-Danilo-Santos-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/clotho_63_Foto-Danilo-Santos-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Clotho<br>Corda vermelha de algod\u00e3o de 6mm<br>roldanas e cadeiras<br>2015 &#8211; 2019<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1545\" data-id=\"3293\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/RZD6831-1-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3293\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/RZD6831-1-scaled.jpg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/RZD6831-1-300x181.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/RZD6831-1-1024x618.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/RZD6831-1-768x464.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/RZD6831-1-1536x927.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/RZD6831-1-2048x1236.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Peacockfight Fundraising IV<br>Colagem e \u00f3leo sobre papel |<br>152 x 300 cm<br>2024<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"2440\" data-id=\"3245\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/OMPNN-X-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3245\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/OMPNN-X-scaled.jpg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/OMPNN-X-300x286.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/OMPNN-X-1024x976.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/OMPNN-X-768x732.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/OMPNN-X-1536x1464.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/OMPNN-X-2048x1952.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O monge Pierrot e o n\u00e1ufrago nupcial<br>Marmoriza\u00e7\u00e3o, colagem e \u00f3leo sobre papel<br>| 142 x 142 cm<br>(2020-21)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1080\" height=\"1080\" data-id=\"3243\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/mg_0651_copy.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3243\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/mg_0651_copy.jpg 1080w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/mg_0651_copy-300x300.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/mg_0651_copy-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/mg_0651_copy-150x150.jpg 150w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/mg_0651_copy-768x768.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/mg_0651_copy-650x650.jpg 650w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Nadar nada mar<br>Grafite, \u00f3leo de linha\u00e7a e colagem sobre papel <br>| 157 x 152 cm<br>2022<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cadu investiga as converg\u00eancias entre conhecimento, experimenta\u00e7\u00e3o material e processos coletivos, criando obras moldadas pelo acaso, pela colabora\u00e7\u00e3o e pelas tens\u00f5es sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3283,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[380,34,68,50],"class_list":["post-3204","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","tag-cadu","tag-instalacao","tag-pintura","tag-sao-paulo-pt-br"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3204","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3204"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3204\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3849,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3204\/revisions\/3849"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3283"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3204"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3204"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3204"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}