{"id":3415,"date":"2026-02-24T08:00:00","date_gmt":"2026-02-24T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/art100.in\/?p=3415"},"modified":"2026-05-29T16:52:17","modified_gmt":"2026-05-29T16:52:17","slug":"felippe-moraes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/felippe-moraes\/","title":{"rendered":"Felippe Moraes"},"content":{"rendered":"\n<p>Atrav\u00e9s de seu trabalho com escultura, curadoria e cenografia, Felippe Moraes (Rio de Janeiro, 1988) investiga o sublime atrav\u00e9s de um processo de &#8220;destilamento conceitual&#8221;, transformando dados cient\u00edficos sobre tempo, espa\u00e7o e escala em experi\u00eancias po\u00e9ticas. Definindo-se como &#8220;artista-pensador&#8221;, Moraes utiliza a arte contempor\u00e2nea como m\u00e9todo de investiga\u00e7\u00e3o do mundo, criando pontes entre o pensamento art\u00edstico e a experi\u00eancia cotidiana, buscando revelar aquilo que compartilhamos como humanidade em tempos de divis\u00e3o. Confira a entrevista com o artista:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"2048\" height=\"2560\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Felippe-Moraes-2025-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3416\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Felippe-Moraes-2025-scaled.jpg 2048w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Felippe-Moraes-2025-240x300.jpg 240w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Felippe-Moraes-2025-819x1024.jpg 819w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Felippe-Moraes-2025-768x960.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Felippe-Moraes-2025-1229x1536.jpg 1229w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Felippe-Moraes-2025-1638x2048.jpg 1638w\" sizes=\"(max-width: 2048px) 100vw, 2048px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felippe, eu queria come\u00e7ar pedindo para voc\u00ea se apresentar, com qualquer informa\u00e7\u00e3o que voc\u00ea ache relevante, pensando num p\u00fablico que ainda n\u00e3o conhece a sua pr\u00e1tica art\u00edstica.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Eu sou o Felippe Moraes, sou um artista carioca, do sub\u00farbio do Rio de Janeiro, especificamente do M\u00e9ier, e acho que boa parte da forma como eu penso e como eu ajo no mundo vem de l\u00e1. Eu trabalho como artista visual, como curador e cen\u00f3grafo, e me sinto muito interessado em trabalhar pelas vertentes das artes visuais de diferentes maneiras e de formas que est\u00e3o sempre me surpreendendo sobre o que \u00e9 ser artista, sobre o que \u00e9 fazer artes visuais, o que \u00e9 lidar com cultura contempor\u00e2nea. Ent\u00e3o, o lugar de onde eu venho \u00e9 muito pertinente e, principalmente, a forma como eu me entendo enquanto artista. Eu me entendo, principalmente, como um artista-pensador. Eu n\u00e3o me defino pelas t\u00e9cnicas, pelas formas do fazer, mas pela arte como forma de pensar, como faculdade mental, pela arte contempor\u00e2nea \u2013 e eu digo arte contempor\u00e2nea como uma conquista do s\u00e9culo XX, principalmente \u2013, como uma nova forma de pensar no mundo, que, assim como a filosofia, a teologia, a matem\u00e1tica, a ci\u00eancia, tem seus m\u00e9todos pr\u00f3prios e vai encontrar suas pr\u00f3prias respostas para suas pr\u00f3prias perguntas. Ent\u00e3o, eu me entendo como um investigador do pensamento a partir da arte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea pode contar um pouco sobre a obra <\/strong><strong><em>Escala humana,<\/em><\/strong><strong> de 2016?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Escala humana<\/em> \u00e9 um desses trabalhos interessantes, em que eu estabele\u00e7o uma rela\u00e7\u00e3o com o fen\u00f4meno, conforme ele ocorre na exist\u00eancia, e me detenho em como a ci\u00eancia repara nele e o mensura. Esse trabalho \u00e9 um c\u00edrculo de 12 metros de di\u00e2metro feito de a\u00e7o corten de dois cent\u00edmetros de largura, e que \u00e9 colocado direto sobre um ch\u00e3o de areia. S\u00f3 que h\u00e1 nessa circunfer\u00eancia uma se\u00e7\u00e3o de&nbsp; 3,3 cent\u00edmetros de lat\u00e3o polido, dourado, que fica quase escondida na beiradinha desse trabalho. Essa escultura foi pensada para uma exposi\u00e7\u00e3o que se chamava <em>Esculturas monumentais<\/em> [mostra realizada na Pra\u00e7a Paris, no Rio de Janeiro, de 14 de agosto a 02 de outubro de 2016]. Ent\u00e3o, quando voc\u00ea chegava no espa\u00e7o, voc\u00ea n\u00e3o achava o trabalho, porque voc\u00ea estava procurando uma escultura, olhando para cima ou olhando para frente, e, quando voc\u00ea via, a escultura estava, na verdade, no ch\u00e3o, voc\u00ea estava pisando nela, voc\u00ea podia trope\u00e7ar nesse c\u00edrculo, inclusive. A\u00ed voc\u00ea ia andando ao redor desse c\u00edrculo, que era muito grande, e, de repente, voc\u00ea achava esse quadradinho, que, na verdade, \u00e9 a propor\u00e7\u00e3o do tempo da exist\u00eancia humana no planeta Terra. O c\u00edrculo inteiro representava o tempo de exist\u00eancia do planeta Terra, e esse quadradinho de 3,3 cent\u00edmetros seria o equivalente \u00e0 exist\u00eancia humana. Ent\u00e3o, \u00e9 um trabalho que fala sobre a pequenez da nossa exist\u00eancia frente \u00e0 complexidade, o tamanho, o espa\u00e7o e o tempo do universo, do planeta Terra, do cosmos como um todo, mas, ao mesmo tempo, sobre como somos figuras t\u00e3o grandiosas e capazes de fazer coisas t\u00e3o intrigantes, t\u00e3o complexas, t\u00e3o violentas e t\u00e3o belas nesse pequeno espa\u00e7o de tempo, perdidos nesse planetinha no canto da Via L\u00e1ctea. Por mais que esse trabalho parta de no\u00e7\u00f5es muito cient\u00edficas, ele, na verdade, est\u00e1 interessado em mostrar, a partir dessa experi\u00eancia da grandiosidade, uma compreens\u00e3o talvez at\u00e9 espiritual da nossa exist\u00eancia. O trabalho se chama <em>Escala humana<\/em> justamente porque ele fala da escala humana como medida, como tempo, mas tamb\u00e9m como possibilidade, como for\u00e7a de transforma\u00e7\u00e3o do mundo ao redor, for\u00e7a de pensamento. Como esses grandes primatas com polegar opositor foram capazes, em algum momento, de fazer pedras lascadas e, agora, estamos acelerando part\u00edculas subat\u00f4micas, colidindo-as pouco abaixo da velocidade da luz? Como tudo isso est\u00e1 contido nesse pequeno peda\u00e7o de lat\u00e3o que representa a fra\u00e7\u00e3o desse todo da exist\u00eancia do planeta Terra? Acho que esse trabalho \u00e9 um bom exemplo de como eu penso. Eu coleto dados interessantes do mundo, informa\u00e7\u00f5es que me emocionam, e tento transformar essa emo\u00e7\u00e3o de alguma maneira, para que outras pessoas possam ter essa mesma experi\u00eancia de encantamento e arrebatamento que eu tenho. \u00c9 sobre compartilhar o sublime.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"681\" data-id=\"3427\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DSC_0064-1-1024x681.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3427\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DSC_0064-1-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DSC_0064-1-300x199.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DSC_0064-1-768x511.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DSC_0064-1-1536x1021.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DSC_0064-1-2048x1362.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"681\" data-id=\"3420\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DSC_0019-close-up-1024x681.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3420\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DSC_0019-close-up-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DSC_0019-close-up-300x199.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DSC_0019-close-up-768x511.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DSC_0019-close-up-1536x1021.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DSC_0019-close-up-2048x1362.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\">Escala humana, 2016<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>E voc\u00ea comentou sobre essa intera\u00e7\u00e3o do observador para conseguir achar a obra. Isso \u00e9 uma parte relevante da obra, para voc\u00ea?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Ela \u00e9 importante quando ela \u00e9 importante, quando o trabalho pede isso. Num trabalho em que eu falo de coisas que s\u00e3o gigantescas, monumentais, que s\u00e3o dif\u00edceis de mensurar, tem algo de interessante e at\u00e9 uma certa malandragem em esconder uma coisa que \u00e9 t\u00e3o grande. E foi curioso que eu quis fazer a maior escultura da exposi\u00e7\u00e3o, mas era a mais dif\u00edcil de ser encontrada. Ent\u00e3o, nesse sentido, eu gostei dessa brincadeira de, como se diz em ingl\u00eas, \u201c<em>hidden in plain sight<\/em>\u201d [escondido a olhos vistos, em tradu\u00e7\u00e3o livre]. Ela est\u00e1 ali, para todo mundo ver, mas ela est\u00e1 escondida. \u00c9 para quem quiser ver, para quem estiver disposto a procurar e observar. Mas, em outros trabalhos, eu falo muito mais sobre presen\u00e7a, sobre estar l\u00e1, sobre a convic\u00e7\u00e3o da obra de arte existir com dignidade. Ent\u00e3o, para mim, o trabalho de arte pode tentar se esconder, como o <em>Escala humana<\/em> faz, ou ele pode querer se apresentar de uma maneira t\u00e3o poderosa que ele quer competir com a paisagem, por exemplo. Existem essas duas tens\u00f5es. Ent\u00e3o, por exemplo, o trabalho <em>Monumento ao horizonte<\/em> \u00e9 exatamente o oposto do <em>Escala Humana<\/em>,<em> <\/em>nesse sentido, e s\u00e3o dois trabalhos do mesmo ano. No <em>Monumento ao horizonte,<\/em> eu coloco, em frente \u00e0 Ba\u00eda de Guanabara, uma torre de a\u00e7o corten de 4,8 metros de altura e de uma tonelada. Nesse trabalho, eu me coloco o desafio de criar um di\u00e1logo com uma paisagem t\u00e3o magn\u00e2nima. Como o trabalho se apresenta ao mundo com dignidade, for\u00e7a e presen\u00e7a frente a uma paisagem t\u00e3o poderosa? Eu j\u00e1 trabalhei com o MAC Niter\u00f3i (Museu de Arte Contempor\u00e2nea de Niter\u00f3i) muitas vezes e eu digo que \u00e9 um museu muito dif\u00edcil de se trabalhar, porque voc\u00ea est\u00e1 sempre em competi\u00e7\u00e3o com a paisagem. Voc\u00ea j\u00e1 come\u00e7a a trabalhar perdendo para a paisagem, voc\u00ea j\u00e1 tem que levar isso em considera\u00e7\u00e3o, porque a imagem do Rio de Janeiro \u00e9 muito poderosa. Ent\u00e3o, nesse sentido, quando eu fa\u00e7o o <em>Monumento ao horizonte,<\/em> eu o coloco com essa presen\u00e7a, essa for\u00e7a do estar nessa paisagem, de tal maneira que ele n\u00e3o seja oprimido por ela, mas que ele convide o p\u00fablico a estar nela. Eu n\u00e3o entendo esse objeto, para come\u00e7o de conversa, s\u00f3 como uma escultura, eu o entendo como um observat\u00f3rio, um objeto de design, um objeto criado com um objetivo espec\u00edfico de observar o horizonte e que se desdobra em uma experi\u00eancia po\u00e9tica, mas, a princ\u00edpio, ele \u00e9 uma m\u00e1quina para observar horizontes. Eu coloco essa estrutura de a\u00e7o corten em um p\u00eder de concreto no Caminho Niemeyer, j\u00e1 dentro da Ba\u00eda de Guanabara, e o p\u00fablico chega nela, sobe os nove degraus dentro dessa estrutura e coloca os olhos num recorte de dois mil\u00edmetros de 180 graus nesse a\u00e7o corten. E, ali, a gente tem uma experi\u00eancia muito curiosa, em que a paisagem ao redor \u00e9 recortada, \u00e9 retirada da vis\u00e3o, e sobra apenas esse trecho muito pequenininho do horizonte. E tem uma experi\u00eancia ac\u00fastica tamb\u00e9m, de voc\u00ea ouvir o sil\u00eancio que a obra prop\u00f5e nesse recorte do horizonte. Os dois trabalhos falam sobre escalas, sobre medidas, sobre paisagem, mas um quer desaparecer, o outro quer se colocar diante dele. \u00c9 curioso falar de coisas muito grandes de maneira muito pequena, como no <em>Escala humana<\/em>, ou falar de coisas muito pequenas e sutis como o horizonte de uma maneira t\u00e3o poderosa, pesada, magn\u00e2nima, presente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"681\" data-id=\"3429\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Felippe-Moraes-Monumento-ao-Horizonte-2016-foto-Felippe-Moraes-5-1024x681.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3429\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Felippe-Moraes-Monumento-ao-Horizonte-2016-foto-Felippe-Moraes-5-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Felippe-Moraes-Monumento-ao-Horizonte-2016-foto-Felippe-Moraes-5-300x199.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Felippe-Moraes-Monumento-ao-Horizonte-2016-foto-Felippe-Moraes-5-768x511.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Felippe-Moraes-Monumento-ao-Horizonte-2016-foto-Felippe-Moraes-5-1536x1021.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Felippe-Moraes-Monumento-ao-Horizonte-2016-foto-Felippe-Moraes-5-2048x1362.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"681\" data-id=\"3431\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Felippe-Moraes-Monumento-ao-Horizonte-2016-foto-Felippe-Moraes-7-1024x681.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3431\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Felippe-Moraes-Monumento-ao-Horizonte-2016-foto-Felippe-Moraes-7-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Felippe-Moraes-Monumento-ao-Horizonte-2016-foto-Felippe-Moraes-7-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Felippe-Moraes-Monumento-ao-Horizonte-2016-foto-Felippe-Moraes-7-768x511.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Felippe-Moraes-Monumento-ao-Horizonte-2016-foto-Felippe-Moraes-7-1536x1022.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Felippe-Moraes-Monumento-ao-Horizonte-2016-foto-Felippe-Moraes-7-2048x1362.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\">Monumento ao horizonte, 2016<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pensando nesse grupo de trabalhos, a gente pode falar da obra <\/strong><strong><em>Progress\u00e3o<\/em><\/strong><strong>, de 2016? Porque eu acho que ela tamb\u00e9m adiciona um car\u00e1ter pol\u00edtico a esse pensamento.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Curioso isso. Eu acho que todos os trabalhos s\u00e3o muito pol\u00edticos. E, com o passar dos anos, trabalhos que eu achava que eram simplesmente po\u00e9ticos se tornaram cada vez mais reflexivos. Acho importante falar que a ideia de horizonte s\u00f3 existe porque a Terra \u00e9 uma esfera. Em um tempo em que as pessoas ainda acreditam que a Terra \u00e9 plana, falar de horizonte \u00e9 um dado pol\u00edtico, \u00e9 uma discuss\u00e3o sobre civiliza\u00e7\u00e3o, sobre o que n\u00f3s acreditamos que \u00e9 uma civiliza\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 estar em comunidade e quais s\u00e3o as premissas em que a gente acredita. Uma delas \u00e9 de que o mundo \u00e9 esf\u00e9rico. E falar de horizonte, portanto, torna-se um assunto pol\u00edtico, inclusive de combate, de enfrentamento ao obscurantismo, \u00e0 ignor\u00e2ncia. Ent\u00e3o, \u00e9 um trabalho que fala sobre paisagem, mas \u00e9 um trabalho que fala tamb\u00e9m sobre conhecimento.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Progress\u00e3o<\/em> foi o primeiro trabalho que eu fiz no MAC Niter\u00f3i, que \u00e9 um museu que atravessa muito a minha vida, ent\u00e3o eu j\u00e1 tinha uma fascina\u00e7\u00e3o por ele, justamente pelo fato de as pessoas o entenderem mais como um mirante do que como um museu. \u00c9 um ambiente com ventos n\u00e1uticos poderos\u00edssimos, que \u00e0s vezes arrancam at\u00e9 as placas de acetato do museu. Ent\u00e3o, eu pensei em fazer bandeiras, e era justamente a \u00e9poca das Olimp\u00edadas no Rio. A tocha ol\u00edmpica estava passando pelo Brasil. Ent\u00e3o, pensar em bandeiras nesse momento tamb\u00e9m \u00e9 um dado muito pol\u00edtico. Eu coloquei essas 26 bandeiras na rampa do MAC Niter\u00f3i, e essa fila come\u00e7ava do 100% preto at\u00e9 o 0% preto. Ela ia de preto a branco, cada bandeira 4% mais clara do que a outra. A porcentagem de preto em cada bandeira vinha escrita em branco. Ent\u00e3o, quando voc\u00ea estava no meio da transi\u00e7\u00e3o, por volta dos 48% ou 52%, voc\u00ea quase n\u00e3o via o n\u00famero impresso, que se confundia com o fundo. \u00c9 um trabalho, ent\u00e3o, que tamb\u00e9m fala sobre as diferen\u00e7as entre um extremo e outro, as possibilidades de grada\u00e7\u00e3o crom\u00e1tica, pol\u00edtica, social, intelectual que podem existir de um extremo ao outro, entre alfa e \u00f4mega. Esse trabalho, por mais que fale dessa rigidez, desse gradiente, dessa transi\u00e7\u00e3o de tons de preto para branco, ele tamb\u00e9m est\u00e1 em constante rela\u00e7\u00e3o com esse tecido que \u00e9 mole, que est\u00e1 sendo atravessado pelo vento, descosturado pelo vento, torrado pelo sol. Foi muito interessante como, ao final de dois meses de exposi\u00e7\u00e3o, o preto das bandeiras estava marrom, o branco estava sujo, o cinza estava esverdeado. Ent\u00e3o, \u00e9 um trabalho que parte dessa no\u00e7\u00e3o muito controlada da ci\u00eancia, da matem\u00e1tica, do design e da formata\u00e7\u00e3o industrial, da conforma\u00e7\u00e3o industrial, j\u00e1 que esse trabalho s\u00f3 pode de ser feito a partir de uma t\u00e9cnica de impress\u00e3o digital, por meio da qual eu tenho total controle sobre a cor, mas que \u00e9 colocado em contato direto com a entropia, com a no\u00e7\u00e3o de que tudo est\u00e1 inserido em um sistema complexo. E, como em qualquer sistema complexo, h\u00e1 caos. Esse trabalho, que se presume muito conceitual, r\u00edgido, duro, \u00e9 confrontado com o tempo, com a intemp\u00e9rie, ele vai estar em constante combate com a sensualidade da paisagem do Rio de Janeiro. Naquele momento de Olimp\u00edadas, eu cheguei a ouvir pessoas passando pelo MAC e falando que tinha bandeiras de tantos pa\u00edses, mas nenhuma do Brasil. E eu fiquei pensando como o simples fato de ser uma bandeira j\u00e1 traz uma carga simb\u00f3lica de teor pol\u00edtico e uma presun\u00e7\u00e3o de que se fala sobre territ\u00f3rio. E a minha ideia nunca foi falar sobre territ\u00f3rio, mas esses coment\u00e1rios me fizeram pensar: \u201cBom, talvez eu esteja falando sobre territ\u00f3rio\u201d \u2013 a rela\u00e7\u00e3o de um territ\u00f3rio que, por um lado, \u00e9 conceitual, \u00e9 duro, \u00e9 industrial, frente a outro que \u00e9 um territ\u00f3rio geogr\u00e1fico, pol\u00edtico, sensual, sinuoso e absolutamente arrebatador em sua beleza.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"681\" data-id=\"3438\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DSC_0193-1024x681.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3438\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DSC_0193-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DSC_0193-300x199.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DSC_0193-768x511.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DSC_0193-1536x1021.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DSC_0193-2048x1362.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"681\" data-id=\"3436\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DSC_0307-1024x681.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3436\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DSC_0307-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DSC_0307-300x199.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DSC_0307-768x511.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DSC_0307-1536x1021.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DSC_0307-2048x1362.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\">Progress\u00e3o, 2016<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>E voc\u00ea considera esse trabalho como <\/strong><strong><em>site-specific<\/em><\/strong><strong>? Porque, conceitualmente, ele pode ser adaptado, pode se apresentar em outras formata\u00e7\u00f5es, em outros espa\u00e7os. Mas, escutando voc\u00ea falar sobre o museu, sobre a rampa, tamb\u00e9m tem um elemento de <\/strong><strong><em>site-specific<\/em><\/strong><strong>&nbsp; nessa obra.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Eu acho que todo trabalho \u00e9 <em>site-specific,<\/em> porque todo trabalho vai ser transformado pelo ambiente em que ele \u00e9 inserido. Mesmo a diferen\u00e7a entre os cubos brancos vai alterar o trabalho que est\u00e1 sendo mostrado. Mas, essencialmente, ele foi pensado como um trabalho<em> site-specific<\/em> bem <em>stricto sensu<\/em> mesmo. Eu o pensei para aquela situa\u00e7\u00e3o, para aquela ventania, para aquele sol, para aquela arquitetura e para aquela paisagem. Mas foi um trabalho que deu muita repercuss\u00e3o. Eu acabei mostrando-o em diversas outras situa\u00e7\u00f5es. Em determinado momento, eu o mostrei na Bienal de Cerveira, em Portugal, em um pr\u00e9dio hist\u00f3rico. Depois, eu fiz uma individual, em 2018, que se chamava <em>Proporci\u00f3n<\/em> (2018), no EAC [Espacio de Arte Contempor\u00e1neo], em Montevid\u00e9u, Uruguai, que era uma antiga pris\u00e3o. Ent\u00e3o, ter essas bandeiras no muro de uma pris\u00e3o o torna <em>site-specific<\/em> tamb\u00e9m, mas pela rela\u00e7\u00e3o que ele criou com aquele espa\u00e7o espec\u00edfico. Bandeiras que v\u00e3o do preto para o branco em uma paisagem arrebatadora e sublime, como a da Ba\u00eda de Guanabara, na arquitetura do Niemeyer, \u00e9 uma coisa; bandeiras que v\u00e3o do preto para o branco no muro de uma antiga penitenci\u00e1ria \u00e9 outra coisa completamente diferente. N\u00e3o tem como voc\u00ea n\u00e3o falar, nesses dois contextos, sobre a hist\u00f3ria da democracia na Am\u00e9rica Latina, por exemplo, sobre como todos esses pa\u00edses latino-americanos foram atravessados por ditaduras muito violentas. Ent\u00e3o, esse trabalho, transposto do Estado do Rio de Janeiro para Montevid\u00e9u, fala tamb\u00e9m sobre essa hist\u00f3ria da democracia, de alguma maneira. Essas bandeiras que todos n\u00f3s portamos, que s\u00e3o um \u00edndice quase universal da representa\u00e7\u00e3o de na\u00e7\u00e3o e de coeficientes pol\u00edticos, v\u00e3o ter um significado completamente diferente dependendo de onde elas est\u00e3o. E, a partir do momento em que a obra acontece em uma penitenci\u00e1ria, a nova no\u00e7\u00e3o desse trabalho tamb\u00e9m contamina a anterior, tamb\u00e9m contamina a imagem dessas bandeiras no MAC Niter\u00f3i. Elas ganham outra camada de leitura, porque o trabalho est\u00e1 vivo enquanto est\u00e1 acontecendo no mundo. E me interessa muito pensar naquele aforismo iorub\u00e1 que diz que \u201cExu matou um p\u00e1ssaro ontem com a pedra que ele s\u00f3 jogou hoje\u201d. O trabalho est\u00e1 sempre se transformando, se modificando e, a cada vez que ele aparece, ele \u00e9 um trabalho novo. Portanto, ele \u00e9 sempre um <em>site-specific.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>E, pensando no <\/strong><strong><em>Progress\u00e3o e no<\/em><\/strong><strong> <\/strong><strong><em>Escala humana<\/em><\/strong><strong>, esses trabalhos podem ser observados por pessoas de diversas l\u00ednguas, como voc\u00ea mesmo explicou, em diversas situa\u00e7\u00f5es e contextos pol\u00edticos e hist\u00f3ricos, o que, com certeza, acaba trazendo uma forma diferente de lidar, falar e pensar o trabalho. Essa universalidade \u00e9 um objetivo ou \u00e9 uma coisa que acontece naturalmente na sua pr\u00e1tica art\u00edstica?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 sempre um assunto para mim. O universalismo pode me dar uma pernada de vez em quando, pode ser um beco sem sa\u00edda, porque nada \u00e9 universal. J\u00e1 tem essa premissa. <\/p>\n\n\n<div class=\"wonderpluginaudio\" id=\"wonderpluginaudio-79\" data-audioplayerid=\"79\" data-width=\"24\" data-height=\"600\" data-skin=\"button24\" data-progressinbar=\"true\" data-showinfo=\"false\" data-showimage=\"false\" data-autoplay=\"false\" data-random=\"false\" data-autoresize=\"false\" data-responsive=\"false\" data-showtracklist=\"false\" data-tracklistscroll=\"true\" data-showprogress=\"false\" data-showprevnext=\"false\" data-showloop=\"false\" data-stopotherplayers=\"true\" data-preloadaudio=\"true\" data-noncontinous=\"false\" data-showtracklistsearch=\"false\" data-saveposincookie=\"false\" data-wptracklist=\"false\" data-removeinlinecss=\"true\" data-enabletabindex=\"false\" data-showtime=\"false\" data-showvolume=\"false\" data-showvolumebar=\"true\" data-showliveplayedlist=\"false\" data-stoponpausebutton=\"false\" data-reloadstream=\"false\" data-playpausefontcircle=\"true\" data-prevnextfontcircle=\"true\" data-showtitleinbar=\"false\" data-showloading=\"false\" data-enablega=\"false\" data-titleinbarscroll=\"true\" data-donotinit=\"false\" data-addinitscript=\"false\" data-imagewidth=\"100\" data-imageheight=\"100\" data-loop=\"1\" data-tracklistitem=\"10\" data-titleinbarwidth=\"80\" data-gatrackingid=\"\" data-ga4account=\"\" data-playbackrate=\"1\" data-playpauseimage=\"playpause-24-24-2.png\" data-playpauseimagewidth=\"24\" data-playpauseimageheight=\"24\" data-cookiehours=\"240\" data-prevnextimage=\"prevnext-24-24-0.png\" data-prevnextimagewidth=\"24\" data-prevnextimageheight=\"24\" data-volumeimage=\"volume-24-24-0.png\" data-volumeimagewidth=\"24\" data-volumeimageheight=\"24\" data-liveupdateinterval=\"10000\" data-maxplayedlist=\"8\" data-playedlisttitle=\"Last Tracks Played\" data-loopimage=\"loop-24-24-0.png\" data-loopimagewidth=\"24\" data-loopimageheight=\"24\" data-playpausefontwidth=\"32\" data-playpausefontheight=\"32\" data-playpausefontsize=\"12\" data-playpausefontradius=\"0\" data-playpausefontcolor=\"#fff\" data-playpausefontbgcolor=\"#333\" data-playpausefonthovercolor=\"#fff\" data-playpausefonthoverbgcolor=\"#555\" data-prevnextfontwidth=\"32\" data-prevnextfontheight=\"32\" data-prevnextfontsize=\"12\" data-prevnextfontradius=\"0\" data-prevnextfontcolor=\"#fff\" data-prevnextfontbgcolor=\"#333\" data-prevnextfonthovercolor=\"#fff\" data-prevnextfonthoverbgcolor=\"#555\" data-infoformat=\"&lt;div class=&#039;amazingaudioplayer-info-title&#039;&gt;%ARTIST% %ALBUM%&lt;\/div&gt;\n&lt;div class=&#039;amazingaudioplayer-info-description&#039;&gt;%INFO%&lt;\/div&gt;\" data-tracklistscroll=\"false\" data-jsfolder=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/plugins\/wonderplugin-audio\/engine\/\" style=\"display:block;position:relative;margin:0 auto;width:24px;height:auto;\"><ul class=\"amazingaudioplayer-audios\" style=\"display:none;\"><li data-artist=\"\" data-title=\"Felippe moraes_audio 1-esv1-44p\" data-album=\"\" data-info=\"&quot;Felippe moraes_audio 1-esv1-44p&quot;.\" data-image=\"https:\/\/art100.in\/wp-includes\/images\/media\/audio.svg\" data-duration=\"35\"><div class=\"amazingaudioplayer-source\" data-src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Felippe-moraes_audio-1-esv1-44p.wav\" data-type=\"audio\/mpeg\" ><\/div><\/li><\/ul><\/div><script>function wonderaudio_79_appendcss(csscode) {var head=document.head || document.getElementsByTagName(\"head\")[0];var style=document.createElement(\"style\");head.appendChild(style);style.type=\"text\/css\";if (style.styleSheet){style.styleSheet.cssText=csscode;} else {style.appendChild(document.createTextNode(csscode));}};wonderaudio_79_appendcss(\"#wonderpluginaudio-79 { \tbox-sizing: content-box; 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N\u00e3o necessariamente universal, porque nada \u00e9 universal, todas as experi\u00eancias s\u00e3o muito \u00fanicas, cada pessoa vai ter uma experi\u00eancia muito pr\u00f3pria de cada trabalho. E, sem a minha presen\u00e7a, sem a minha fala, sem o meu legado conceitual sobre aquele trabalho, a leitura tamb\u00e9m vai ser diferente. Ent\u00e3o, eu entendo que o universalismo \u00e9 uma tentativa falha por excel\u00eancia, mas ainda assim eu tento.<\/strong> <strong>Me interessa pensar essa ideia de que aquilo poderia ter sido feito por um artista de qualquer civiliza\u00e7\u00e3o. <\/strong>Ent\u00e3o, o pr\u00f3prio <em>Monumento ao horizonte<\/em> tem uma forma muito simples. Ele \u00e9 como se fosse um livro de p\u00e9. S\u00e3o duas paralelas que se encontram numa curva e voc\u00ea entra nesses nove degraus. Os eg\u00edpcios poderiam ter feito isso, os incas poderiam ter feito isso, os sax\u00f5es poderiam ter feito isso, os mexicas poderiam ter feito isso, mas foi feito no Brasil de 2016. Apesar de poder ter sido feito em qualquer civiliza\u00e7\u00e3o, a pergunta \u00e9: \u201cPor que isso aconteceu nesse momento?\u201d Ent\u00e3o, eu procuro chegar a uma forma que seja n\u00e3o apreendida por todas, mas que seja o mais desprovida de excesso poss\u00edvel. \u00c9 quase um processo de destilamento conceitual. O que \u00e9 o essencial do <em>Monumento ao horizonte<\/em>? \u00c9 o rasgo no metal para voc\u00ea olhar o horizonte. Ent\u00e3o, nesse sentido, essa solu\u00e7\u00e3o muito simples poderia ter sido feita por qualquer civiliza\u00e7\u00e3o. Eu acho que, mais do que universais, s\u00e3o perguntas ancestrais. S\u00e3o perguntas que sempre estiveram, perguntas que sempre v\u00e3o estar. Porque o meu trabalho, essencialmente, fala sobre o sublime, sobre o desconhecido, sobre aquelas situa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o t\u00e3o magn\u00e2nimas, t\u00e3o grandiosas, que nos falta um vocabul\u00e1rio verbal, emocional, intelectual, para lidar com elas. Em qualquer civiliza\u00e7\u00e3o, o horizonte \u00e9 algo da ordem do sublime. A escala dos seres humanos, a escala do tempo \u00e9 da ordem do sublime. Nesse sentido, n\u00e3o me interessa colocar muitos dados da minha civiliza\u00e7\u00e3o ali, inscrever ornamentos. Eu quero chegar ao absoluto m\u00ednimo poss\u00edvel para que isso possa ser lido em muitos contextos diferentes, para que esse trabalho da escala humana possa ter a for\u00e7a \u2013 discursiva e espacial \u2013 que ele teve no Rio de Janeiro em qualquer outro lugar, em qualquer outro tempo.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Eu queria trazer para a nossa conversa o <\/strong><strong><em>Samba exalta\u00e7\u00e3o <\/em><\/strong><strong>(2021), porque eu acho que ele tem uma coisa extremamente introspectiva, extremamente privada, porque foi feito no seu apartamento. Ele toca no sublime, porque tamb\u00e9m tem essa interfer\u00eancia no horizonte, mas de um ponto bastante diverso do que a gente tem falado at\u00e9 agora.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Samba exalta\u00e7\u00e3o<\/em><strong><em> <\/em><\/strong>\u00e9 um trabalho sobre o qual&nbsp; me emociona muito falar, porque ele \u00e9 muito pessoal. Mas \u00e9 um trabalho muito pessoal justamente tentando falar sobre a universalidade da dor que a gente estava vivendo naquele momento. A dor da morte, do atravessamento do luto, a dor da peste\u2026 Mas tamb\u00e9m a resist\u00eancia, a sobreviv\u00eancia, a experi\u00eancia de passar por cima disso e ver que somos maiores do que aquilo que nos reduz. E eu entendo que aquilo que a gente passou, a pandemia de Covid-19, vai ser algo que vai repercutir na nossa civiliza\u00e7\u00e3o por muito tempo ainda. Ent\u00e3o, eu entendo que, em todos esses trabalhos, inclusive no <em>Samba exalta\u00e7\u00e3o<\/em>, eu uso a minha principal mat\u00e9ria de trabalho, que \u00e9 o pensamento, e a t\u00e9cnica \u00e9 a arte contempor\u00e2nea.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ele come\u00e7a na sexta-feira de Carnaval de 2021, o Carnaval que n\u00e3o aconteceu, no momento em que a gente estaria comemorando o arrebatamento dos corpos na rua, e acaba no domingo de P\u00e1scoa, depois da quaresma. No total, s\u00e3o 52 dias de trabalho e, a cada 13 dias, eu mudava o n\u00e9on que ficava na janela do lugar onde eu estava passando a quarentena, na \u00e9poca da segunda onda da pandemia, que foi horr\u00edvel, um momento de grande luto global. Naquele momento, quando eu coloquei o n\u00e9on na janela, eu achava que era um trabalho sobre n\u00e9ons falando sobre samba na escala urbana. Mas, depois, eu entendi que, na verdade, era tamb\u00e9m um trabalho de performance, era um trabalho de arte e vida. Ent\u00e3o, eu me sentia num aqu\u00e1rio, olhando para a cidade, falando para a cidade aquelas frases que eram t\u00e3o poderosas, que estavam ecoando&nbsp; dentro de mim, colocando-as para fora, ao mesmo tempo em que eu convidava essa mesma cidade, cada um desses transeuntes, cada um desses cidad\u00e3os e cidad\u00e3s, para olharem para dentro da minha janela, para dentro da minha intimidade, da minha psique. As letras das m\u00fasicas que estavam escritas naqueles n\u00e9ons eram das m\u00fasicas que eu estava ouvindo dentro da minha casa. Em um momento em que a gente estava t\u00e3o separado, t\u00e3o distante, eu criava uma ponte, pela m\u00fasica e pela luz, com as pessoas que estavam passando ali embaixo, no viaduto Santa Ifig\u00eania. Eu estava tentando falar com toda a cidade, com todo o pa\u00eds, com todo o planeta, de certa maneira, falar com todas as pessoas, mas a partir da individualidade, da minha dor e da minha sobreviv\u00eancia. Como essa individualidade, essa coisa que \u00e9 t\u00e3o sens\u00edvel e t\u00e3o \u00edntima, \u00e9 tamb\u00e9m universal? Quando certas m\u00fasicas \u2013 como <em>Baianidade nag\u00f4, <\/em>por exemplo \u2013 tocam, como tantas pessoas cantam, tantas pessoas s\u00e3o tocadas por aquilo? H\u00e1 uma certa universalidade nisso. Trata-se de tentar encontrar, na p\u00f3lis, um espa\u00e7o intelectual comum em que a gente possa se encontrar. Ent\u00e3o, em um momento hist\u00f3rico em que a gente est\u00e1 t\u00e3o dividido, eu entendo o trabalho de arte como um coeficiente agregador, que mostra para a gente coisas que todos n\u00f3s temos, coisas que nos unem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped has-lightbox wp-block-gallery-4 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" data-id=\"3446\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/felippe-moraes-agoniza-mas-nao-morre-2021-3-web_2000-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3446\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/felippe-moraes-agoniza-mas-nao-morre-2021-3-web_2000-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/felippe-moraes-agoniza-mas-nao-morre-2021-3-web_2000-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/felippe-moraes-agoniza-mas-nao-morre-2021-3-web_2000-768x511.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/felippe-moraes-agoniza-mas-nao-morre-2021-3-web_2000-1536x1023.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/felippe-moraes-agoniza-mas-nao-morre-2021-3-web_2000.jpg 2000w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" data-id=\"3444\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/felippe-moraes-agoniza-mas-nao-morre-2021-2-web_2000-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3444\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/felippe-moraes-agoniza-mas-nao-morre-2021-2-web_2000-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/felippe-moraes-agoniza-mas-nao-morre-2021-2-web_2000-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/felippe-moraes-agoniza-mas-nao-morre-2021-2-web_2000-768x512.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/felippe-moraes-agoniza-mas-nao-morre-2021-2-web_2000-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/felippe-moraes-agoniza-mas-nao-morre-2021-2-web_2000.jpg 2000w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"750\" data-id=\"3442\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/felippe-moraes-agoniza-mas-nao-morre-2021-1-template-web_1000.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3442\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/felippe-moraes-agoniza-mas-nao-morre-2021-1-template-web_1000.jpg 1000w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/felippe-moraes-agoniza-mas-nao-morre-2021-1-template-web_1000-300x225.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/felippe-moraes-agoniza-mas-nao-morre-2021-1-template-web_1000-768x576.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\">Agoniza mas n\u00e3o morre, 2021<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quando a gente pensa nessa intera\u00e7\u00e3o entre a obra de arte e o p\u00fablico, ela tem uma resposta, tem algum tipo de intera\u00e7\u00e3o que voc\u00ea, como artista, consegue perceber, consegue tocar. Mas, no caso de <\/strong><strong><em>Samba exalta\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><strong>, existe muita intera\u00e7\u00e3o que voc\u00ea n\u00e3o consegue observar. Como foi, para voc\u00ea, executar esse trabalho sozinho?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, uma vez que a gente coloca o trabalho no mundo, a gente tem pouca intera\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico. De fato, em uma exposi\u00e7\u00e3o em um grande museu, voc\u00ea vai conversar com uma fra\u00e7\u00e3o min\u00fascula de pessoas que vai ver esse trabalho. E eu entendo que eu, enquanto pessoa f\u00edsica, enquanto consci\u00eancia, n\u00e3o preciso estar l\u00e1 para ter esse di\u00e1logo com as pessoas. <\/p>\n\n\n<div class=\"wonderpluginaudio\" id=\"wonderpluginaudio-80\" data-audioplayerid=\"80\" data-width=\"24\" data-height=\"600\" data-skin=\"button24\" data-progressinbar=\"true\" data-showinfo=\"false\" data-showimage=\"false\" data-autoplay=\"false\" data-random=\"false\" data-autoresize=\"false\" data-responsive=\"false\" data-showtracklist=\"false\" data-tracklistscroll=\"true\" data-showprogress=\"false\" data-showprevnext=\"false\" data-showloop=\"false\" data-stopotherplayers=\"true\" data-preloadaudio=\"true\" data-noncontinous=\"false\" data-showtracklistsearch=\"false\" data-saveposincookie=\"false\" data-wptracklist=\"false\" data-removeinlinecss=\"true\" data-enabletabindex=\"false\" data-showtime=\"false\" data-showvolume=\"false\" data-showvolumebar=\"true\" data-showliveplayedlist=\"false\" data-stoponpausebutton=\"false\" data-reloadstream=\"false\" data-playpausefontcircle=\"true\" data-prevnextfontcircle=\"true\" data-showtitleinbar=\"false\" data-showloading=\"false\" data-enablega=\"false\" data-titleinbarscroll=\"true\" data-donotinit=\"false\" data-addinitscript=\"false\" data-imagewidth=\"100\" data-imageheight=\"100\" data-loop=\"1\" data-tracklistitem=\"10\" data-titleinbarwidth=\"80\" data-gatrackingid=\"\" data-ga4account=\"\" data-playbackrate=\"1\" data-playpauseimage=\"playpause-24-24-2.png\" data-playpauseimagewidth=\"24\" data-playpauseimageheight=\"24\" data-cookiehours=\"240\" data-prevnextimage=\"prevnext-24-24-0.png\" data-prevnextimagewidth=\"24\" data-prevnextimageheight=\"24\" data-volumeimage=\"volume-24-24-0.png\" data-volumeimagewidth=\"24\" data-volumeimageheight=\"24\" data-liveupdateinterval=\"10000\" data-maxplayedlist=\"8\" data-playedlisttitle=\"Last Tracks Played\" data-loopimage=\"loop-24-24-0.png\" data-loopimagewidth=\"24\" data-loopimageheight=\"24\" data-playpausefontwidth=\"32\" data-playpausefontheight=\"32\" data-playpausefontsize=\"12\" data-playpausefontradius=\"0\" data-playpausefontcolor=\"#fff\" data-playpausefontbgcolor=\"#333\" data-playpausefonthovercolor=\"#fff\" data-playpausefonthoverbgcolor=\"#555\" data-prevnextfontwidth=\"32\" data-prevnextfontheight=\"32\" data-prevnextfontsize=\"12\" data-prevnextfontradius=\"0\" data-prevnextfontcolor=\"#fff\" data-prevnextfontbgcolor=\"#333\" data-prevnextfonthovercolor=\"#fff\" data-prevnextfonthoverbgcolor=\"#555\" data-infoformat=\"&lt;div class=&#039;amazingaudioplayer-info-title&#039;&gt;%ARTIST% %ALBUM%&lt;\/div&gt;\n&lt;div class=&#039;amazingaudioplayer-info-description&#039;&gt;%INFO%&lt;\/div&gt;\" data-tracklistscroll=\"false\" data-jsfolder=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/plugins\/wonderplugin-audio\/engine\/\" style=\"display:block;position:relative;margin:0 auto;width:24px;height:auto;\"><ul class=\"amazingaudioplayer-audios\" style=\"display:none;\"><li data-artist=\"\" data-title=\"Felippe moraes_audio 2-esv1-49p\" data-album=\"\" data-info=\"&quot;Felippe moraes_audio 2-esv1-49p&quot;.\" data-image=\"https:\/\/art100.in\/wp-includes\/images\/media\/audio.svg\" data-duration=\"21\"><div class=\"amazingaudioplayer-source\" data-src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Felippe-moraes_audio-2-esv1-49p.wav\" data-type=\"audio\/mpeg\" ><\/div><\/li><\/ul><\/div><script>function wonderaudio_80_appendcss(csscode) {var head=document.head || document.getElementsByTagName(\"head\")[0];var style=document.createElement(\"style\");head.appendChild(style);style.type=\"text\/css\";if (style.styleSheet){style.styleSheet.cssText=csscode;} else {style.appendChild(document.createTextNode(csscode));}};wonderaudio_80_appendcss(\"#wonderpluginaudio-80 { \tbox-sizing: content-box; 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Ele vai at\u00e9 as pessoas, ele vai portar, de maneiras que at\u00e9 eu desconhe\u00e7o, camadas do meu pensamento que nem eu sabia que eu tinha e que v\u00e3o ser acessadas por outras pessoas. Ent\u00e3o, \u00e9 interessante pensar at\u00e9 como o inconsciente \u00e9 atravessado pelo outro, como ele se abre atrav\u00e9s do outro. <\/strong>Tem coisas desse trabalho, no\u00e7\u00f5es que est\u00e3o subjacentes ali que eu mesmo n\u00e3o consigo perceber. Ent\u00e3o, o di\u00e1logo se d\u00e1 mesmo sem eu estar presente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas tinha uma coisa curiosa durante o <em>Samba exalta\u00e7\u00e3o<\/em>, que foi que a gente viveu uma nova revolu\u00e7\u00e3o na internet durante a pandemia. Tinha o fen\u00f4meno das <em>lives<\/em>, teve essa explos\u00e3o de que tudo ia acontecer pelo Instagram, as rela\u00e7\u00f5es, a documenta\u00e7\u00e3o. Naquele momento, principalmente, eu entendia o Instagram como um suporte do trabalho de arte, tamb\u00e9m. Um suporte art\u00edstico, um meio de fazer arte. O trabalho j\u00e1 acontecia na janela, mas ele tamb\u00e9m acontecia no Instagram. Ele tamb\u00e9m aconteceu enquanto registro documental daquilo. E, para mim, desde o come\u00e7o da minha carreira, eu sempre entendi o registro do trabalho, a documenta\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica, videogr\u00e1fica, fonogr\u00e1fica de qualquer trabalho como parte essencial da obra, talvez uma das partes mais importantes da obra. Porque eu, enquanto artista latino-americano, estudei a hist\u00f3ria da arte por meio de imagens. \u00d3bvio que eu gostaria de ter visto o Mondrian em pessoa, durante a minha forma\u00e7\u00e3o, mas eu n\u00e3o vi. E tamb\u00e9m n\u00e3o acho que fez tanta diferen\u00e7a para a import\u00e2ncia do Mondrian na minha vida, porque eu sei que o registro daquele trabalho foi muito pertinente, e o trabalho chegou para mim atrav\u00e9s do registro. Ent\u00e3o, quando eu mostro o v\u00eddeo dos drones, dos n\u00e9ons, quando eu mostro as imagens da janela, para mim, aquilo \u00e9 tamb\u00e9m o trabalho. O trabalho n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o n\u00e9on, ele \u00e9 esse organismo, esse ecossistema de rela\u00e7\u00f5es. E ali, no Instagram, tinha essa rela\u00e7\u00e3o muito \u00edntima com as pessoas. Ent\u00e3o, muita gente passava no viaduto, via os n\u00e9ons, ia pesquisar e descobria o que era. Muita gente descobria atrav\u00e9s do Instagram. E esse trabalho foi capa da <em>Folha de S.Paulo<\/em> na ter\u00e7a-feira de carnaval, do carnaval que n\u00e3o aconteceu. Ent\u00e3o, tem uma marca\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica tamb\u00e9m. Como esse trabalho apareceu na capa da <em>Folha de S.Paulo,<\/em> tamb\u00e9m tem um dado sobre como esse trabalho entra no mundo como uma inser\u00e7\u00e3o em circuitos ideol\u00f3gicos, assim como o trabalho do Cildo Meireles. Ent\u00e3o, o trabalho n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o n\u00e9on na janela; ele \u00e9 o n\u00e9on na janela, \u00e9 a imagem do n\u00e9on na janela no Instagram, \u00e9 a imagem no jornal, \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o com as pessoas que se deu na internet, na documenta\u00e7\u00e3o, nas <em>lives<\/em>, nos encontros com as pessoas posteriormente. Nessa nossa conversa, o trabalho ainda continua acontecendo. Uma vez que ele est\u00e1 no mundo, eu n\u00e3o tenho mais controle sobre ele.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>De um ponto de vista de acesso, foi um trabalho que teve bastante repercuss\u00e3o para voc\u00ea como artista, que marcou bastante a sua carreira?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Sem d\u00favida. Porque eu acho que ali teve uma virada hist\u00f3rica tamb\u00e9m, uma coisa interessante de fazer a coisa certa na hora certa. Como a gente n\u00e3o tinha espa\u00e7os de exposi\u00e7\u00e3o, ningu\u00e9m podia sair de casa, n\u00e3o podia fazer exposi\u00e7\u00e3o, eu pensei: \u201cBom, eu preciso trabalhar, eu preciso pagar as minhas contas, como que eu vou ser artista?\u201d Al\u00e9m disso, al\u00e9m da quest\u00e3o prosaica de como sobreviver, \u00e9 um momento hist\u00f3rico muito importante que eu, enquanto artista, n\u00e3o posso deixar passar. Esse \u00e9 um dos grandes momentos da vida em que os artistas s\u00e3o conclamados a dar o seu parecer. Em grandes momentos de crise civilizat\u00f3ria, \u00e9 aos artistas que a gente tem que perguntar: \u201cPara onde a gente vai? O que \u00e9 isso? Como lidamos com isso?\u201d Entendendo a import\u00e2ncia e a urg\u00eancia do trabalho do artista, eu n\u00e3o podia me negar a falar, e com o maior n\u00famero poss\u00edvel de pessoas, sobre essas coisas t\u00e3o latentes que estavam acontecendo. Ent\u00e3o, j\u00e1 que eu n\u00e3o tinha sala de exposi\u00e7\u00e3o, ia ser a janela do meu apartamento e o Instagram. Um espa\u00e7o privado, de uma empresa privada, tornou-se um espa\u00e7o p\u00fablico. Pessoas que antes n\u00e3o tinham acesso ao meu trabalho conseguiram v\u00ea-lo. Pessoas que talvez n\u00e3o fossem a espa\u00e7os de arte contempor\u00e2nea, n\u00e3o fossem a museus, n\u00e3o fossem a espa\u00e7os independentes, mas estavam no Instagram. E esse trabalho as tocou. Ent\u00e3o, eu me perguntei: \u201cSer\u00e1 que esse n\u00e3o \u00e9 exatamente o lugar em que&nbsp; os artistas t\u00eam que estar nesse momento? Ser\u00e1 que esse n\u00e3o \u00e9 o ambiente que a gente tem que usar para expressar aquilo que \u00e9 urgente, aquilo que \u00e9 t\u00e3o importante nesse momento?\u201d Ent\u00e3o, sem d\u00favida, aquele momento deu uma outra propor\u00e7\u00e3o para o alcance do meu trabalho. Como eu j\u00e1 tinha uma carreira longa (hoje em dia eu tenho 15 anos de carreira; naquela \u00e9poca, eu tinha 12 anos de carreira), isso tamb\u00e9m j\u00e1 me dava um lastro, me dava um certo reconhecimento e acesso a alguns ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esse trabalho tem a quest\u00e3o do universalismo das m\u00fasicas que eu escolhi, das situa\u00e7\u00f5es, dos recortes que eu escolhi. Eu nunca tive a pretens\u00e3o de que todo mundo conhecesse as frases, ou conhecesse as m\u00fasicas, ou que as frases encaminhassem as pessoas a entender as m\u00fasicas. Mas s\u00e3o todas m\u00fasicas muito conhecidas do repert\u00f3rio brasileiro. E muitas pessoas sabem de onde vem \u201cAgoniza, mas n\u00e3o morre\u201d, de onde v\u00eam determinadas frases. Ent\u00e3o, de certa maneira, o trabalho tinha essa voca\u00e7\u00e3o de acessar o inconsciente coletivo. Eu queria que, quando as pessoas lessem essas frases, elas ouvissem mentalmente a m\u00fasica tocando. Depois da janela do meu apartamento, que foi a primeira fase do <em>Samba exalta\u00e7\u00e3o<\/em>, ele se desdobrou em outras situa\u00e7\u00f5es. O trabalho aconteceu depois na Biblioteca M\u00e1rio de Andrade, na Esta\u00e7\u00e3o da Luz, no MAC Niter\u00f3i. E, por exemplo, na Esta\u00e7\u00e3o da Luz, eu coloquei a frase: \u201cN\u00e3o deixe o samba morrer\u201d. E, na obra, a \u00faltima palavra, \u201cmorrer\u201d, virava \u201cacabar\u201d. Ent\u00e3o, ficava alternando constantemente entre \u201cN\u00e3o deixe o samba morrer\u201d e \u201cN\u00e3o deixe o samba acabar\u201d. Era um espa\u00e7o frequentado por&nbsp; pessoas que estavam chegando para trabalhar, ou indo embora para casa, depois do trabalho. E, ali, a gente tamb\u00e9m via a fal\u00e1cia do isolamento social brasileiro: como as pessoas pobres, os trabalhadores, as trabalhadoras, tinham que viver suas vidas, encarando o trabalho e a exposi\u00e7\u00e3o ao v\u00edrus como se nada estivesse acontecendo. Embaixo do n\u00e9on, as plataformas de embarque da Esta\u00e7\u00e3o da Luz estavam todas lotadas de pessoas, a maior parte delas com m\u00e1scara, mas era uma situa\u00e7\u00e3o que escancarava o fato de n\u00e3o&nbsp; haver isolamento social. A maior parte das pessoas, quando l\u00ea a senten\u00e7a, j\u00e1 ouve a voz da Alcione cantando, no fundo da mem\u00f3ria. E, ali, \u00e9 um ambiente em que passam absolutamente todos os tipos de pessoas. Qual \u00e9 o p\u00fablico-alvo desse projeto? N\u00e3o tem. S\u00e3o todas as pessoas que est\u00e3o ali. N\u00e3o existe um recorte de classe, de g\u00eanero, de idade \u2013 absolutamente todo mundo. Ali, no caso, s\u00e3o todas as pessoas que sabem ler, talvez. Ent\u00e3o, existe tamb\u00e9m uma certa voca\u00e7\u00e3o universal, de tentar acessar, por meio de um dado cultural que compartilhamos, um sentimento muito espec\u00edfico que se alcan\u00e7a por aquela m\u00fasica e pela voz da Alcione.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando eu coloco esses sambas, a minha ideia \u00e9 justamente levar as pessoas para esse lugar de reconhecimento cultural que o samba brasileiro prop\u00f5e. O samba, para mim, \u00e9 mais do que um g\u00eanero musical que atravessa a cultura brasileira. Os diversos tipos de samba, assim como existem os diversos ber\u00e7os do samba, s\u00e3o tamb\u00e9m formas brasileiras de pensar, uma forma de fazer filosofia brasileira. Para a filosofia ocidental, muitos poemas s\u00e3o considerados filos\u00f3ficos. Por exemplo, o poema de Parm\u00eanides, que \u00e9 considerado um dos textos fundamentais da filosofia grega. Eu entendo o legado musical e po\u00e9tico da Esta\u00e7\u00e3o Primeira da Mangueira como uma escola filos\u00f3fica. Eu entendo o legado do Nelson Sargento como o de um fil\u00f3sofo. Eu entendo o Paulinho da Viola, e sua produ\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, como um fil\u00f3sofo vivo, trabalhando, escrevendo e deixando o seu legado de reflex\u00e3o, de pensamento. Ent\u00e3o, esses trabalhos s\u00e3o um portal de acesso emocional, mas eles tamb\u00e9m s\u00e3o pensamento. Eles s\u00e3o um convite a entender como n\u00f3s somos o que somos, enquanto brasileiros, a partir dessas m\u00fasicas, a partir dessa forma de pensar, que \u00e9 o pensar cantando e dan\u00e7ando.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"01 LUZ DIA\" width=\"1300\" height=\"731\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NrEBQ9VMRE4?start=18&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\">Samba da Luz, 2021<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Entrevista realizada em 10 de setembro de 2024 remotamente via Zoom.<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped has-lightbox wp-block-gallery-5 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"681\" data-id=\"3424\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DSC_0019-close-up-1-1024x681.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3424\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DSC_0019-close-up-1-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DSC_0019-close-up-1-300x199.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DSC_0019-close-up-1-768x511.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DSC_0019-close-up-1-1536x1021.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/DSC_0019-close-up-1-2048x1362.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Escala humana<br>A\u00e7o e Lat\u00e3o <br>1200 x 1200 x 2 cm<br>2016<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"681\" data-id=\"3431\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Felippe-Moraes-Monumento-ao-Horizonte-2016-foto-Felippe-Moraes-7-1024x681.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3431\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Felippe-Moraes-Monumento-ao-Horizonte-2016-foto-Felippe-Moraes-7-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Felippe-Moraes-Monumento-ao-Horizonte-2016-foto-Felippe-Moraes-7-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Felippe-Moraes-Monumento-ao-Horizonte-2016-foto-Felippe-Moraes-7-768x511.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Felippe-Moraes-Monumento-ao-Horizonte-2016-foto-Felippe-Moraes-7-1536x1022.jpg 1536w, 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sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Agoniza mas n\u00e3o morre<br>N\u00e9on<br>| Dimens\u00f5es vari\u00e1veis<br>2021<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"2048\" data-id=\"3448\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/NAO-DEIXE-O-SAMBA-MORRER-Felippe-Moraes-2021-2023-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3448\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/NAO-DEIXE-O-SAMBA-MORRER-Felippe-Moraes-2021-2023-scaled.jpg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/NAO-DEIXE-O-SAMBA-MORRER-Felippe-Moraes-2021-2023-300x240.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/NAO-DEIXE-O-SAMBA-MORRER-Felippe-Moraes-2021-2023-1024x819.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/NAO-DEIXE-O-SAMBA-MORRER-Felippe-Moraes-2021-2023-768x614.jpg 768w, 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