{"id":3473,"date":"2026-03-10T08:00:00","date_gmt":"2026-03-10T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/art100.in\/?p=3473"},"modified":"2026-05-29T16:54:17","modified_gmt":"2026-05-29T16:54:17","slug":"rosangela-renno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/rosangela-renno\/","title":{"rendered":"Rosangela Renno"},"content":{"rendered":"\n<p>Ros\u00e2ngela Renn\u00f3 (Belo Horizonte, 1962) v\u00ea na fotografia anal\u00f3gica uma forma de resist\u00eancia, um meio de manter viva a conex\u00e3o f\u00edsica e sensorial com a imagem. Sua obra questiona o papel da fotografia na constru\u00e7\u00e3o e no apagamento da mem\u00f3ria, especialmente no contexto brasileiro, em que a hist\u00f3ria \u00e9 marcada por lacunas e esquecimentos institucionais. Na entrevista, Ros\u00e2ngela compartilha como sua pr\u00e1tica explora a iconografia da pr\u00f3pria c\u00e2mera fotogr\u00e1fica, refletindo sobre como o ato de fotografar e os dispositivos que o viabilizam se tornaram imagens recorrentes e, paradoxalmente, talvez obsoletas na era dos <em>smartphones<\/em>. Confira:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1160\" height=\"1623\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1_Arles_2023_Marie_Rouge_V.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3475\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1_Arles_2023_Marie_Rouge_V.jpg 1160w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1_Arles_2023_Marie_Rouge_V-214x300.jpg 214w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1_Arles_2023_Marie_Rouge_V-732x1024.jpg 732w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1_Arles_2023_Marie_Rouge_V-768x1075.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1_Arles_2023_Marie_Rouge_V-1098x1536.jpg 1098w\" sizes=\"(max-width: 1160px) 100vw, 1160px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Marie Rouge<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ros\u00e2ngela, eu queria come\u00e7ar pedindo para voc\u00ea se apresentar, com qualquer informa\u00e7\u00e3o que voc\u00ea ache relevante, pensando num p\u00fablico que talvez ainda n\u00e3o conhe\u00e7a a sua pr\u00e1tica art\u00edstica.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Meu nome \u00e9 Ros\u00e2ngela Renn\u00f3, eu sou de Belo Horizonte, Minas Gerais, e sou formada em arquitetura pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e em Artes Pl\u00e1sticas pela Escola Guignard, quando ela ainda n\u00e3o era uma escola reconhecida pelo MEC (Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o). Atualmente, ela \u00e9 a Escola de Artes Pl\u00e1sticas da Universidade Estadual de Minas Gerais. Tamb\u00e9m fiz doutorado em Artes na ECA (Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da Universidade de S\u00e3o Paulo). Eu brincava que era uma completa irresponsabilidade da ECA me dar um doutorado, porque, no fundo, eu me sinto ainda muito verde. De uma forma geral, o meu trabalho se vale de estrat\u00e9gias de pesquisa, mas eu n\u00e3o me considero uma pesquisadora de fato, porque me faltam muitas ferramentas. Eu invento um modo de pesquisar que se adequa \u00e0s minhas necessidades como artista, \u00e0s minhas ang\u00fastias e aos meus desejos. Eu me interesso pela fotografia h\u00e1 muitos anos, algo que come\u00e7ou com a pr\u00f3pria discuss\u00e3o sobre o que \u00e9 usar a fotografia n\u00e3o apenas como linguagem, mas como ideia; quer dizer, o que ela significa em termos de conex\u00e3o com a realidade? Ela \u00e9 capaz de traduzi-la? Ela \u00e9 um espelho, \u00e9 uma janela do real? Toda essa discuss\u00e3o vem, para mim, desde os anos 1980. E, a partir do finalzinho dessa d\u00e9cada, comecei a trabalhar com apropria\u00e7\u00e3o de imagem e, da\u00ed por diante, praticamente abandonei o ato de fotografar. A partir da\u00ed, eu considero que a minha discuss\u00e3o ficou muito mais ampla, porque eu comecei a entender que, inclusive no Brasil, e principalmente no Brasil, a fotografia pode estar vinculada muito mais \u00e0 amn\u00e9sia do que \u00e0 mem\u00f3ria, em fun\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de fatores: a nossa aus\u00eancia de uma narrativa da hist\u00f3ria e como a hist\u00f3ria do Brasil se valeu quase sempre mais de <em>gaps<\/em> do que de um cont\u00ednuo. No fundo, para mim, fotografia sempre foi um pretexto para eu discutir coisas mais amplas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando cheguei no Rio de Janeiro, em 1990, eu percebi que podia trabalhar de uma maneira diferente, utilizando a fotografia como uma ferramenta de compreens\u00e3o da realidade do pa\u00eds. Antes, meu trabalho estava muito mais conectado com a pr\u00f3pria ontologia da imagem fotogr\u00e1fica, com os usos da linguagem, das ferramentas e da pr\u00f3pria g\u00eanese da imagem. Eu estava muito mais conectada, no in\u00edcio, com a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de constru\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica. Por isso que eu digo que o trabalho envolve pretextos e estrat\u00e9gias.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como a s\u00e9rie <em>Imemorial<\/em> (1994), por exemplo, em que voc\u00ea usa uma pel\u00edcula ortocrom\u00e1tica junto com fotografias, conecta-se a essa ideia de pretextos e estrat\u00e9gias?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Pel\u00edcula ortocrom\u00e1tica \u00e9 s\u00f3 o nome correto de algo que a gente chamava de <em>Kodalith<\/em>, que era o filme usado nas gr\u00e1ficas para fazer os fotolitos. Se chamava Kodalith porque a Kodak era a principal fabricante. Eu sou dos \u201ctempos anal\u00f3gicos\u201d, quando se aprendia a fotografar e trabalhar em laborat\u00f3rio fotogr\u00e1fico, para revelar filmes e fazer amplia\u00e7\u00f5es em papel. E eu sempre trabalhei no laborat\u00f3rio preto e branco. Essa disciplina foi muito importante para que eu entendesse o que \u00e9 a \u201cc\u00e2mera obscura\u201d e os princ\u00edpios \u00f3ptico e qu\u00edmico que ela envolve. O princ\u00edpio \u00f3ptico faz a conex\u00e3o entre o real e uma esp\u00e9cie de duplo dele, que fica impregnado quimicamente sobre uma superf\u00edcie emulsionada \u00e0 base de sais de prata. Eu sempre gostei dessa dimens\u00e3o m\u00e1gica que a fotografia tem. Na minha opini\u00e3o, hoje, a produ\u00e7\u00e3o de imagens n\u00e3o \u00e9 mais fotografia, porque essa dimens\u00e3o da conex\u00e3o f\u00edsica entre caixa preta (ou a c\u00e2mera obscura&#8230;) e o real acabou. Hoje voc\u00ea tem uma simula\u00e7\u00e3o disso atrav\u00e9s de \u201czeros\u201d e \u201cuns\u201d. A imagem digital \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o que emula o que acontecia dentro da caixa preta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Se, antes, com a caixa preta, j\u00e1 era muito dif\u00edcil dominar alguma coisa nessa constru\u00e7\u00e3o, como apontava Vil\u00e9m Flusser, agora, somos todos completamente dominados pela tecnologia dos <em>smartphones<\/em>, por esse dispositivo sem espessura e que transformou radicalmente a din\u00e2mica de produ\u00e7\u00e3o de imagens, inclusive o conceito de armazenamento de imagem. Antigamente, as imagens eram armazenadas; hoje, as imagens s\u00e3o colocadas para circular. Arquivamento \u00e9 algo do passado. Se voc\u00ea acha que est\u00e1 arquivando imagem na nuvem, coitadinho de voc\u00ea, porque se, um belo dia, algu\u00e9m decidir que voc\u00ea n\u00e3o tem mais o direito de acessar esse arquivo, ou se acabar a energia, ou se explodir essa nuvem, acabou. Estou falando tudo isso porque, na verdade, eu ainda tenho apre\u00e7o pela no\u00e7\u00e3o da imagem como documento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Acho que eu mesma n\u00e3o entendia por que era t\u00e3o sedutor, para mim, na \u00e9poca em que eu fiz o <em>Imemorial<\/em>, por exemplo, criar um trabalho a partir de pel\u00edcula gr\u00e1fica. O que eu descobri com esse trabalho foi que, se um <em>slide<\/em> positivo \u00e9 ampliado e colocado no projetor, \u00e9 poss\u00edvel fazer um negativo ampliado dessa imagem no papel fotogr\u00e1fico, na pel\u00edcula gr\u00e1fica. Depois, ao pint\u00e1-la de preto por tr\u00e1s, \u00e9 poss\u00edvel gerar uma imagem positiva, que \u00e9 composta por tons de prata e preto. Esse resultado s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com esse material. Ent\u00e3o, o <em>Imemorial<\/em> est\u00e1 conectado \u00e0 condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica de um material; se n\u00e3o for ele, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer o trabalho de outra maneira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea vai me perguntar se eu pensava nisso naquela \u00e9poca. N\u00e3o, na \u00e9poca eu pensei em fazer retratos espectrais fabulosos das pessoas que morreram durante a constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia. Hoje eu entendo que o <em>Imemorial<\/em> \u00e9 um trabalho que tem a ver com o tempo passado, com a constru\u00e7\u00e3o da capital, o que essa situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica representava para n\u00f3s e, curiosamente, n\u00e3o d\u00e1 para reproduzir esse trabalho digitalmente: ele \u00e9 um trabalho anal\u00f3gico, dos tempos anal\u00f3gicos, que fala sobre futuro idealizado sob bases anal\u00f3gicas. Quando eu fui \u00e0 Bras\u00edlia para participar de uma exposi\u00e7\u00e3o produzida pelo Alfons Hug, eu fiquei muito emocionada com um projeto de hist\u00f3ria oral organizado pelo Arquivo P\u00fablico do Distrito Federal e resolvi fazer um trabalho meio maluco, que era abrir as caixas contendo as fichas dos funcion\u00e1rios da Novacap (Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil) e procurar pelas fichas daqueles comprovadamente mortos durante a constru\u00e7\u00e3o da cidade. Esse foi o meu primeiro contato com a rotina de um arquivista ou de um pesquisador: abrir as caixas e tentar encontrar os retratos contidos nas fichas funcionais, porque esse era o \u00fanico material dispon\u00edvel para fazer esse tipo de pesquisa. Consegui, \u00e0quela altura, reunir uns 55 retratos; acabei escolhendo 40, e inclu\u00ed fotos de crian\u00e7as, a partir de 9 anos de idade, que tinham sido fichadas como funcion\u00e1rias, em diferentes fun\u00e7\u00f5es. Os retratos das crian\u00e7as est\u00e3o na parede, porque n\u00e3o havia registro de que elas tivessem falecido durante o per\u00edodo de constru\u00e7\u00e3o da capital. Os 40 retratos que est\u00e3o no ch\u00e3o, em bandejas, ganharam um aspecto um pouco \u201cl\u00edquido\u201d, por causa do brilho da pel\u00edcula, e espectral, pelo efeito da prata sobre o preto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Existia um procedimento, no s\u00e9culo XIX, em fotografia, que era uma impress\u00e3o feita sobre vidro e pintada por tr\u00e1s, que se chama ambr\u00f3tipo. O que eu fiz, em <em>Imemorial,<\/em> foi uma s\u00e9rie de \u201cambr\u00f3tipos gigantes\u201d, em pel\u00edcula ortocrom\u00e1tica. \u00c0quela altura, eu nem sabia que era praticamente o mesmo processo feito no s\u00e9culo XIX. Eu s\u00f3 sabia que daria certo porque os negativos fotogr\u00e1ficos, \u00e0s vezes, t\u00eam um brilho que torna poss\u00edvel enxergar a imagem positiva, dependendo da incid\u00eancia da luz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/3_Imemorial_1994_vista_MAMAM\u00a9Flavio_Lamenha_2006-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3485\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/3_Imemorial_1994_vista_MAMAM\u00a9Flavio_Lamenha_2006-scaled.jpg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/3_Imemorial_1994_vista_MAMAM\u00a9Flavio_Lamenha_2006-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/3_Imemorial_1994_vista_MAMAM\u00a9Flavio_Lamenha_2006-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/3_Imemorial_1994_vista_MAMAM\u00a9Flavio_Lamenha_2006-768x512.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/3_Imemorial_1994_vista_MAMAM\u00a9Flavio_Lamenha_2006-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/3_Imemorial_1994_vista_MAMAM\u00a9Flavio_Lamenha_2006-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imemorial, 1994 | Foto: Fl\u00e1vio Lamenha<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Essa obra nasce em 1994. Ela foi apresentada de novo recentemente?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Alguns trabalhos meus s\u00e3o mostrados muitas vezes, imagino, por v\u00e1rias raz\u00f5es. Ele [<em>Imemorial<\/em>]<em> <\/em>tem esse car\u00e1ter espectral, que eu acho que \u00e9 muito atraente e enigm\u00e1tico, pois n\u00e3o h\u00e1 nenhum texto al\u00e9m do t\u00edtulo sobre a parede. E, de tempos em tempos, curadores pedem para mostrar esse trabalho. Acho que o Brasil vive uns <em>loops<\/em>, a hist\u00f3ria vai e volta. Ele foi mostrado numa exposi\u00e7\u00e3o sobre Bras\u00edlia, na FGV (Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas), com curadoria do Paulo Herkenhoff [\u201cBras\u00edlia: a arte da democracia\u201d, de 13 de abril a 14 de julho de 2024]. Me deu a maior dor de cabe\u00e7a, porque o diretor da FGV \u2013 que, de alguma maneira, controla, inclusive, o que \u00e9 mostrado na Galeria da Funda\u00e7\u00e3o, no Rio de Janeiro \u2013 exigiu que fosse colocada uma plaquinha explicando que o trabalho era \u201cuma homenagem\u201d aos oper\u00e1rios mortos durante a constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia. O texto explicativo agregado ao trabalho vai na contram\u00e3o da proposta da obra. Voc\u00ea deveria olhar para ela e poder intuir o que voc\u00ea quisesse. Se fosse para ser um \u201cmemorial\u201d, uma obra em homenagem, eu n\u00e3o a chamaria de \u201cimemorial\u201d. O curador aceitou que houvesse uma placa dizendo que era uma homenagem aos mortos durante a constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia porque o diretor da FGV cismou que poderia gerar um mal-entendido: algu\u00e9m poderia achar que eu tinha feito um trabalho sobre mortos pela ditadura. Essa foi a alega\u00e7\u00e3o para que f\u00f4ssemos obrigados a incluir um texto explicativo. Algu\u00e9m achou que esse texto era necess\u00e1rio para evitar uma associa\u00e7\u00e3o indevida com outro momento hist\u00f3rico, que tamb\u00e9m carece de reconhecimento e de imagem. S\u00e3o muitas faltas: de informa\u00e7\u00e3o, de narrativa hist\u00f3rica e tantas outras faltas com as quais convivemos no Brasil. Na verdade, tudo que eu queria \u00e9 que os mal-entendidos surgissem de um \u201cimemorial\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pensando nesse movimento hist\u00f3rico da s\u00e9rie <em>Imemorial<\/em>, de 1994 at\u00e9 hoje, existe um deslocamento n\u00e3o s\u00f3 pol\u00edtico e conceitual, mas tamb\u00e9m mat\u00e9rico, porque eu imagino que, naquela \u00e9poca, algumas pessoas que viam o trabalho talvez conhecessem o material e, agora, um p\u00fablico mais jovem talvez n\u00e3o consiga reconhecer essas t\u00e9cnicas, esses materiais, porque eles n\u00e3o t\u00eam mais contato com o anal\u00f3gico. E eu acho que essa reflex\u00e3o sobre o reconhecimento do material, da hist\u00f3ria, da fisicalidade da fotografia \u00e9 bem latente em <em>Imagem persistente<\/em>, de 2019 tamb\u00e9m.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, esse trabalho come\u00e7ou como uma brincadeira. Uma coisa que eu tinha percebido \u00e9 que todo fot\u00f3grafo tem pelo menos um objeto que tem a forma da c\u00e2mera fotogr\u00e1fica em miniatura. Eu tinha v\u00e1rios desses, porque achava simp\u00e1ticos. Tamb\u00e9m percebi como a c\u00e2mera se tornou uma imagem recorrente em camisetas, canecas e outros objetos. Pelo menos para mim, parecia uma esp\u00e9cie de alerta: \u201cOlha, essa imagem n\u00e3o pode ser esquecida, essa imagem vai te conectar com a origem de qualquer imagem t\u00e9cnica, no momento em que as novas imagens t\u00e9cnicas estiverem finalmente e completamente desconectadas do paradigma anal\u00f3gico, o tradicional\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 mera quest\u00e3o tecnol\u00f3gica. Quer dizer, fala-se muito hoje, por exemplo, sobre a banaliza\u00e7\u00e3o e a prolifera\u00e7\u00e3o das imagens, e todo mundo hoje se comunica por imagens. O movimento de populariza\u00e7\u00e3o da imagem, inventado pela ind\u00fastria, pela Kodak, por exemplo, j\u00e1 era uma quest\u00e3o, quando nem havia surgido o meio digital. O digital s\u00f3 ampliou exponencialmente algo que j\u00e1 era ditado pela ind\u00fastria. A minha preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que ningu\u00e9m reflita mais sobre esses assuntos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Se ningu\u00e9m explicar para um artista ou fot\u00f3grafo jovem, que come\u00e7a a trabalhar j\u00e1 mergulhado no dispositivo digital, como era o territ\u00f3rio anal\u00f3gico, ele n\u00e3o vai compreender tudo o que envolve esse universo de produ\u00e7\u00e3o de imagem. <\/p>\n\n\n<div class=\"wonderpluginaudio\" id=\"wonderpluginaudio-81\" data-audioplayerid=\"81\" data-width=\"24\" data-height=\"600\" data-skin=\"button24\" data-progressinbar=\"true\" data-showinfo=\"false\" data-showimage=\"false\" data-autoplay=\"false\" data-random=\"false\" data-autoresize=\"false\" data-responsive=\"false\" data-showtracklist=\"false\" data-tracklistscroll=\"true\" data-showprogress=\"false\" data-showprevnext=\"false\" data-showloop=\"false\" data-stopotherplayers=\"true\" data-preloadaudio=\"true\" data-noncontinous=\"false\" data-showtracklistsearch=\"false\" data-saveposincookie=\"false\" data-wptracklist=\"false\" data-removeinlinecss=\"true\" data-enabletabindex=\"false\" data-showtime=\"false\" data-showvolume=\"false\" data-showvolumebar=\"true\" data-showliveplayedlist=\"false\" data-stoponpausebutton=\"false\" data-reloadstream=\"false\" data-playpausefontcircle=\"true\" data-prevnextfontcircle=\"true\" data-showtitleinbar=\"false\" data-showloading=\"false\" data-enablega=\"false\" data-titleinbarscroll=\"true\" data-donotinit=\"false\" data-addinitscript=\"false\" data-imagewidth=\"100\" data-imageheight=\"100\" data-loop=\"1\" data-tracklistitem=\"10\" data-titleinbarwidth=\"80\" data-gatrackingid=\"\" data-ga4account=\"\" data-playbackrate=\"1\" data-playpauseimage=\"playpause-24-24-2.png\" data-playpauseimagewidth=\"24\" data-playpauseimageheight=\"24\" data-cookiehours=\"240\" data-prevnextimage=\"prevnext-24-24-0.png\" data-prevnextimagewidth=\"24\" data-prevnextimageheight=\"24\" data-volumeimage=\"volume-24-24-0.png\" data-volumeimagewidth=\"24\" data-volumeimageheight=\"24\" data-liveupdateinterval=\"10000\" data-maxplayedlist=\"8\" data-playedlisttitle=\"Last Tracks Played\" data-loopimage=\"loop-24-24-0.png\" data-loopimagewidth=\"24\" data-loopimageheight=\"24\" data-playpausefontwidth=\"32\" data-playpausefontheight=\"32\" data-playpausefontsize=\"12\" data-playpausefontradius=\"0\" data-playpausefontcolor=\"#fff\" data-playpausefontbgcolor=\"#333\" data-playpausefonthovercolor=\"#fff\" data-playpausefonthoverbgcolor=\"#555\" data-prevnextfontwidth=\"32\" data-prevnextfontheight=\"32\" data-prevnextfontsize=\"12\" data-prevnextfontradius=\"0\" data-prevnextfontcolor=\"#fff\" data-prevnextfontbgcolor=\"#333\" data-prevnextfonthovercolor=\"#fff\" data-prevnextfonthoverbgcolor=\"#555\" data-infoformat=\"&lt;div class=&#039;amazingaudioplayer-info-title&#039;&gt;%ARTIST% %ALBUM%&lt;\/div&gt;\n&lt;div class=&#039;amazingaudioplayer-info-description&#039;&gt;%INFO%&lt;\/div&gt;\" data-tracklistscroll=\"false\" data-jsfolder=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/plugins\/wonderplugin-audio\/engine\/\" style=\"display:block;position:relative;margin:0 auto;width:24px;height:auto;\"><ul class=\"amazingaudioplayer-audios\" style=\"display:none;\"><li data-artist=\"\" data-title=\"Rosangela renno_audio 1-esv1-40p\" data-album=\"\" data-info=\"&quot;Rosangela renno_audio 1-esv1-40p&quot;.\" data-image=\"https:\/\/art100.in\/wp-includes\/images\/media\/audio.svg\" data-duration=\"32\"><div class=\"amazingaudioplayer-source\" data-src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Rosangela-renno_audio-1-esv1-40p.mp3\" data-type=\"audio\/mpeg\" ><\/div><\/li><\/ul><\/div><script>function wonderaudio_81_appendcss(csscode) {var head=document.head || document.getElementsByTagName(\"head\")[0];var style=document.createElement(\"style\");head.appendChild(style);style.type=\"text\/css\";if (style.styleSheet){style.styleSheet.cssText=csscode;} else {style.appendChild(document.createTextNode(csscode));}};wonderaudio_81_appendcss(\"#wonderpluginaudio-81 { \tbox-sizing: content-box; 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Mas houve um tempo em que as imagens n\u00e3o eram feitas para circular de uma maneira quase instant\u00e2nea. Elas n\u00e3o eram ferramentas de comunica\u00e7\u00e3o, mas, sim, ferramentas de documenta\u00e7\u00e3o. Durante muitos anos, nem mesmo os historiadores tradicionais tinham muito respeito pela imagem fotogr\u00e1fica. Hoje, muitas pessoas se dedicam a analisar fotografias como ferramenta de pesquisa e ensino da hist\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, o trabalho <em>Imagem persistente<\/em> \u00e9 sobre isso. Ressaltar como existe um desejo pela persist\u00eancia (ou insist\u00eancia, tamb\u00e9m&#8230;) de uma imagem, a do dispositivo anal\u00f3gico, associada ao documental, a partir de objetos inocentes: prato, copo, talher, camiseta, apontador de l\u00e1pis, <em>pen drive<\/em>, etc&#8230;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea acha que esse retorno ao anal\u00f3gico \u00e9 um interesse mais amplo em sempre se reportar \u00e0 origem ou uma curiosidade dessa nova gera\u00e7\u00e3o?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Talvez tenha um pouco de tudo. Eu n\u00e3o ousaria cravar uma resposta, mas percebo v\u00e1rias coisas. Primeiro, moda \u2013 \u00e9 \u00f3bvio, n\u00e9? Se algu\u00e9m posta, faz uma publicidade da Lomo no Instagram, as pessoas v\u00e3o comprar \u2013 at\u00e9 enjoar desse processo, porque voc\u00ea tem que fazer o filme, depois voc\u00ea tem que revelar o filme, escolher as fotos, etc&#8230; A\u00ed, a ind\u00fastria vai se encarregar de facilitar para quem quiser trabalhar de forma <em>vintage<\/em>: fotografar com negativos ou <em>slides<\/em>, pass\u00e1-los para o celular e converter essa produ\u00e7\u00e3o em algo digital, para poder circular. J\u00e1 existe tudo isso. Mas, na verdade, as pessoas est\u00e3o todas pensando na ponta final, que \u00e9 a circula\u00e7\u00e3o de imagens. Eu, na verdade, estou o tempo todo pensando no in\u00edcio, no lado de c\u00e1. Eu n\u00e3o estou interessada num resultado, simplesmente. \u00c9 \u00f3bvio que o resultado me interessa, mas o que me interessa \u00e9 enfrentar o meio tradicional e ter uma experi\u00eancia, porque eu j\u00e1 fiz isso v\u00e1rias vezes. Eu estou fotografando, por exemplo, com uma c\u00e2mera 6 x 9 que eu comprei na cidade do Porto, em Portugal, baratinha, que faz uma documenta\u00e7\u00e3o m\u00ednima do que eu preciso, com resolu\u00e7\u00e3o m\u00ednima, mas que d\u00e1 um negativo grande. O meu interesse n\u00e3o \u00e9 na sa\u00edda ou no <em>output<\/em>, ou no que eu vou fazer com ela, pois ela poder\u00e1 ter v\u00e1rios formatos. Me interessa muito mais o ato de documentar e reunir essa documenta\u00e7\u00e3o. Talvez seja a opera\u00e7\u00e3o mais nova para mim, que muitas vezes optei por n\u00e3o documentar e usar apenas o que j\u00e1 foi documentado. Um outro exemplo \u00e9 a obra <em>Lanterna m\u00e1gica <\/em>(2012)<em>,<\/em> na qualme propus a criar \u201cburacos negros\u201d dentro da imagem \u2013 um trabalho de laborat\u00f3rio fotogr\u00e1fico, de destrui\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o contida em uma imagem que eu acabei de colocar no ampliador. Depois da exposi\u00e7\u00e3o no ampliador fotogr\u00e1fico, antes de revelar o papel, eu projeto a luz de uma lanterna sobre o papel e destruo a imagem pretendida, antes de ela ser processada. Algu\u00e9m pode virar para mim e falar que \u00e9 poss\u00edvel fazer uma foto incorreta, destru\u00edda por meio de uma mancha negra, usando o <em>Photoshop<\/em>. Entretanto, no <em>Photoshop<\/em> voc\u00ea vai fazer uma simula\u00e7\u00e3o de destrui\u00e7\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o vai passar pela experi\u00eancia de destrui\u00e7\u00e3o da imagem dentro do laborat\u00f3rio, a partir do pr\u00f3prio mecanismo de produ\u00e7\u00e3o de imagem. Quer dizer, o mesmo princ\u00edpio luminoso que produz uma imagem \u00e9 usado para destruir uma imagem. A luz \u00e9 a mesma. \u00c9 quase aquilo que a sabedoria antiga diz: qualquer subst\u00e2ncia ingerida numa dose inadequada pode se tornar um veneno. A luz produz imagem na quantidade correta e a luz destr\u00f3i a mesma imagem numa quantidade inadequada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Isso talvez me afaste da fotografia como mera ponta da sa\u00edda, aquilo que eu vou mostrar para o espectador, e me aproxime mais das disciplinas, dos fazeres art\u00edsticos. Talvez, finalmente, a fotografia anal\u00f3gica v\u00e1 entrar no rol dos fazeres art\u00edsticos. Depois de muita luta, depois de 150 anos, ela vai ter o direito de entrar tranquilamente na categoria das artes visuais. \u00c9 como se toda a discuss\u00e3o do s\u00e9culo XIX sobre a fotografia ser ci\u00eancia ou arte n\u00e3o servisse para nada. Todo mundo produziu imagem a vida inteira, como documento. Mas, quem sabe agora, dar\u00e3o um sossego para a fotografia, pelo menos a anal\u00f3gica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/4_LM_2012_OiFuturo\u00a9GabiCarrera_2016_5-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3497\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/4_LM_2012_OiFuturo\u00a9GabiCarrera_2016_5-scaled.jpg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/4_LM_2012_OiFuturo\u00a9GabiCarrera_2016_5-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/4_LM_2012_OiFuturo\u00a9GabiCarrera_2016_5-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/4_LM_2012_OiFuturo\u00a9GabiCarrera_2016_5-768x512.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/4_LM_2012_OiFuturo\u00a9GabiCarrera_2016_5-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/4_LM_2012_OiFuturo\u00a9GabiCarrera_2016_5-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Lanterna m\u00e1gica, 2012-2016 | Foto: Gabriela Carrera<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na minha opini\u00e3o, acho que nunca v\u00e3o dar sossego, porque ainda hoje v\u00e1rios artistas contempor\u00e2neos, curadores e museus mant\u00eam essa discuss\u00e3o, sobre se uma obra \u00e9 fotografia ou&nbsp; arte conceitual, instala\u00e7\u00e3o e, na verdade, \u00e9 tudo ao mesmo tempo.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Eu n\u00e3o entendo como essa discuss\u00e3o ainda n\u00e3o est\u00e1 resolvida. A gente j\u00e1 tem imagem digital, pensando em NFT (que, para mim, \u00e9 o sexo dos anjos), e ainda h\u00e1 essa necessidade de compartimentar, classificar, colocar as coisas em caixinhas, quando, na verdade, para mim, essas discuss\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o nem muito s\u00e9rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, pensando do ponto de vista da conserva\u00e7\u00e3o, dentro de um museu, se o trabalho for caracterizado como multim\u00eddia, \u00e9 poss\u00edvel conectar com a expertise de v\u00e1rios setores que antes atuavam separados. Qualquer projeto que dependa de imagem em movimento, ou mesmo da imagem fixa, envolve uma s\u00e9rie de quest\u00f5es que hoje t\u00eam que ser enfrentadas. Por exemplo, <em>slides<\/em>. Ainda \u00e9 poss\u00edvel reproduzir <em>slides<\/em>, e espero que as empresas continuem fornecendo meios para substituir pe\u00e7as que se danificam com o tempo. O Jeff Wall tem seu pr\u00f3prio laborat\u00f3rio no ateli\u00ea, para produzir seus <em>lightboxes<\/em>, aquelas transpar\u00eancias gigantescas que acho que ningu\u00e9m mais faz. Porque, se ele n\u00e3o consegue ningu\u00e9m que trabalhe nesse formato, o est\u00fadio dele pode fornecer meios para que os museus possam sempre atualizar os trabalhos depois de mostr\u00e1-los. Porque \u00e9 \u00f3bvio que a imagem de uma <em>lightbox<\/em> do Jeff Wall vai sofrer com&nbsp; exposi\u00e7\u00f5es prolongadas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tamb\u00e9m \u00e9 interessante observar processos que acabam se tornando extremamente dif\u00edceis de reproduzir, de manter. Por exemplo, o Dan Flavin utilizava luzes que ele comprava em lojas que n\u00e3o existem mais. Atualmente, se um colecionador quebrar a l\u00e2mpada de uma de suas instala\u00e7\u00f5es, ele tem que entrar em contato com o instituto do artista, que refaz a pe\u00e7a manualmente. A l\u00e2mpada, agora, tornou-se uma escultura. E eu adoro imaginar o Dan Flavin bravo, porque n\u00e3o era isso que ele queria.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Mas, a\u00ed, eu j\u00e1 rebato a resposta dele. Me parece \u00f3bvio que ele queria que seu trabalho fosse visto como uma escultura. No momento em que ele leva tubos fluorescentes que ele comprou na loja de l\u00e2mpadas para dentro do espa\u00e7o institucionalizado da arte, esse objeto j\u00e1 foi transformado. Marcel Duchamp inaugurou isso. Ent\u00e3o, no fundo, ele tem que aceitar o problema da tecnologia e fornecer as solu\u00e7\u00f5es para que seu trabalho continue vivo no museu. Talvez o pr\u00f3prio Dan Flavin, se estivesse vivo, falaria para trocar as l\u00e2mpadas antigas pelas de LED,para parar com esse neg\u00f3cio de mandar soprar vidro e fazer l\u00e2mpada fluorescente, que n\u00e3o \u00e9 nem <em>high-tech<\/em> mais, \u00e9 at\u00e9 o contr\u00e1rio, \u00e9 <em>low-tech<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu tenho um trabalho, o <em>Atentado ao poder <\/em>(1992)<em>,<\/em> que tem as fotos inclinadinhas e duas l\u00e2mpadas tubulares fluorescentes verdes de 1,20 m cada. E a luz era at\u00e9 mais bonita, porque ela era mais clara do que a de LED hoje. Antigamente, o verde n\u00e3o era um verde de pigmento, era um verde de uma fluoresc\u00eancia qu\u00edmica, era mais luminoso, mais claro. Agora, a l\u00e2mpada de LED verde \u00e9 um verd\u00e3o, mas eu falei: \u201c\u00c9 o que temos\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2_1992_atentado_poder_Expografia_Delirio-tropical_Marilia-Camelo_2025-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3495\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2_1992_atentado_poder_Expografia_Delirio-tropical_Marilia-Camelo_2025-scaled.jpg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2_1992_atentado_poder_Expografia_Delirio-tropical_Marilia-Camelo_2025-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2_1992_atentado_poder_Expografia_Delirio-tropical_Marilia-Camelo_2025-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2_1992_atentado_poder_Expografia_Delirio-tropical_Marilia-Camelo_2025-768x512.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2_1992_atentado_poder_Expografia_Delirio-tropical_Marilia-Camelo_2025-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2_1992_atentado_poder_Expografia_Delirio-tropical_Marilia-Camelo_2025-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Atentado ao poder, 1992 | Foto: Mar\u00edlia Camelo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ainda sobre o processo de conserva\u00e7\u00e3o do seu trabalho, que \u00e9 bastante material, voc\u00ea poderia falar um pouco sobre o <em>Wedding Landscape<\/em> (1996)?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Eu tenho v\u00e1rios trabalhos que s\u00e3o feitos com materiais, propriamente. Eu sempre gostei muito de experimentar com a materialidade do meio fotogr\u00e1fico. Eu enfrento v\u00e1rios problemas por causa disso, tenho que lidar o tempo todo com essa quest\u00e3o da conserva\u00e7\u00e3o. Sobre o <em>Wedding Landscape<\/em>, desde o in\u00edcio as pessoas se perguntam, intrigadas, porque eu o chamo de paisagem. Nele, eu recorri a um princ\u00edpio, que usei mais tarde novamente, de fazer uma imagem quase opaca, a partir da sobreposi\u00e7\u00e3o de transpar\u00eancias. \u00c0 dist\u00e2ncia, ela \u00e9 um borr\u00e3o preto, mas, ao se aproximar, voc\u00ea v\u00ea que aquele borr\u00e3o \u00e9 feito de in\u00fameras unidades. Voc\u00ea tem que procurar as coisas dentro da imagem para compreend\u00ea-la. No <em>Wedding Landscape<\/em>, a discuss\u00e3o era sobre foco: quando voc\u00ea olha para a paisagem, onde voc\u00ea p\u00f5e o foco? A paisagem \u00e9 o que o olho alcan\u00e7a, mas o seu olho pode flutuar de uma coisa para outra, e [\u00e9] voc\u00ea que tem que estabelecer onde coloca o foco. V\u00e1rios artistas pl\u00e1sticos fizeram e fazem isso. Por exemplo, essa era uma discuss\u00e3o do Impressionismo, poder simplesmente focar na luz. E \u00e9 uma discuss\u00e3o que quase ningu\u00e9m leva para o territ\u00f3rio da fotografia, mas alguns artistas fazem isso. O Andreas Gursky lida com a paisagem urbana, principalmente, de forma magistral. Diante de uma foto dele, tudo depende do ponto para onde voc\u00ea direciona o seu olhar e o que voc\u00ea quer ver. A gente se esquece de que a fotografia tem tudo isso por tr\u00e1s, e n\u00e3o \u00e9 necessariamente uma mera fun\u00e7\u00e3o comunicativa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Eu usei esse mesmo princ\u00edpio, da imagem como um grande borr\u00e3o preto, como no <em>Wedding Landscape<\/em>, que \u00e9 at\u00e9 uma brincadeira com a ideia de opacidade da imagem fotogr\u00e1fica, no trabalho <em>Mat\u00e9ria de poesia <\/em>(2008), s\u00f3 que de outra maneira. Nesse caso, eu empilhei <em>slides<\/em> para obter uma imagem comp\u00f3sita, mas depois os passei para o meio digital e imprimi todas as imagens numa s\u00f3, como se eu tivesse colapsado cinco a sete <em>slides<\/em>, gerando uma imagem \u00fanica que resulta numa fotografia quase negra. E \u00e9 essa imagem que vai para a parede.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O <em>Wedding Landscape <\/em>tamb\u00e9m tem um movimento entre o privado e o comercial, j\u00e1 que a fonte das imagens era um est\u00fadio de fotografia, certo?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel tra\u00e7ar v\u00e1rios arcos nesse trabalho. Primeiro, a quest\u00e3o do foco, que vai do pr\u00f3ximo ao distante. E tem o arco entre o p\u00fablico e o privado, entre aquilo que voc\u00ea consegue ver, do preto ao branco, mas sempre de forma invertida, ou negativa. A gente pode levantar v\u00e1rias quest\u00f5es por tr\u00e1s da imagem fotogr\u00e1fica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1957\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/5_wedding_landscape_1996-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3493\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/5_wedding_landscape_1996-scaled.jpg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/5_wedding_landscape_1996-300x229.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/5_wedding_landscape_1996-1024x783.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/5_wedding_landscape_1996-768x587.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/5_wedding_landscape_1996-1536x1174.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/5_wedding_landscape_1996-2048x1565.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Wedding&nbsp; Landscape, 1996<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Existe uma nega\u00e7\u00e3o do l\u00fadico na fotografia, de forma geral, porque existe a expectativa do real, do tang\u00edvel.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, e, na verdade, sempre achei isso muito limitador. Eu sou daquela gera\u00e7\u00e3o \u2013 da qual tamb\u00e9m fazem parte a Rochelle Costi, a Paula Trope \u2013 que trabalhava com muita liberdade com o meio fotogr\u00e1fico. \u00c9ramos experimentalistas e gost\u00e1vamos da linguagem, dessa brincadeira de construir o real e se afastar dele, imaginando outras realidades ou simplesmente uma representa\u00e7\u00e3o infiel e distorcida dela. Por isso que eu tenho muito fasc\u00ednio por lanternas m\u00e1gicas, por projetores de <em>slide<\/em>, pelo que foi abandonado na hist\u00f3ria da fotografia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As lanternas m\u00e1gicas s\u00e3o anteriores \u00e0 inven\u00e7\u00e3o da fotografia e respondiam ao gosto pelas fantasmagorias e pelo sobrenatural, mas elas se adequaram muito bem ao invento do s\u00e9culo 19, que tinha sua pr\u00f3pria magia. Quando a fotografia nasceu, havia uma discuss\u00e3o sobre qual era a melhor maneira de ver uma imagem fotogr\u00e1fica, se seria uma imagem impressa ou uma imagem projetada na parede, e decidiu-se, ao longo do tempo, que era mais f\u00e1cil ter imagens impressas. E a ind\u00fastria se comprometeu com isso e deixou de produzir lanternas m\u00e1gicas e projetores quando descobriu que a tecnologia da impress\u00e3o sobre papel era mais rent\u00e1vel, mais interessante e menos complexa. Aprendi isso muito recentemente, ali\u00e1s, porque eu sempre gostei muito de proje\u00e7\u00f5es e, em 2027, vou fazer um trabalho para o Victoria and Albert Museum (V&amp;A), em Londres, que tem uma cole\u00e7\u00e3o gigantesca de <em>slides<\/em> para lanternas m\u00e1gicas. \u00c9 um ramo do dispositivo fotogr\u00e1fico da virada do s\u00e9culo 19 para o 20 que foi descontinuado. Inclusive, museus como o V&amp;A, que t\u00eam acervos do s\u00e9culo 19, t\u00eam uma montanha de imagens sobre vidro que n\u00e3o s\u00e3o vistas, n\u00e3o servem para nada, porque, para isso, voc\u00ea teria que remontar uma lanterna m\u00e1gica \u2013 ou, pelo menos, criar um dispositivo de proje\u00e7\u00e3o dentro do espa\u00e7o expositivo. Esse \u00e9 um dos meus projetos para o V&amp;A: ressuscitar uma lanterna tripla linda que eles t\u00eam e que n\u00e3o \u00e9 usada h\u00e1 mais de 100 anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 bom conversar sobre essas velharias tamb\u00e9m. Eu acho que a gente tem que falar sobre o anal\u00f3gico, isso n\u00e3o pode sair do nosso radar. Eu gosto de falar sobre esse assunto porque eu acho que a gente est\u00e1 perdendo o contato com algumas quest\u00f5es muito importantes. A gente tem que segurar isso, para a nossa sanidade visual.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Entrevista realizada em 27 de Novembro de 2024 remotamente via Zoom.<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-2 is-cropped has-lightbox wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" data-id=\"3500\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/3_Imemorial_1994_vista_MAMAM\u00a9Flavio_Lamenha_2006-1-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3500\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/3_Imemorial_1994_vista_MAMAM\u00a9Flavio_Lamenha_2006-1-scaled.jpg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/3_Imemorial_1994_vista_MAMAM\u00a9Flavio_Lamenha_2006-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/3_Imemorial_1994_vista_MAMAM\u00a9Flavio_Lamenha_2006-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/3_Imemorial_1994_vista_MAMAM\u00a9Flavio_Lamenha_2006-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/3_Imemorial_1994_vista_MAMAM\u00a9Flavio_Lamenha_2006-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/3_Imemorial_1994_vista_MAMAM\u00a9Flavio_Lamenha_2006-1-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imemorial<br>40 retratos em pel\u00edcula ortocrom\u00e1tica pintada e 10 retratos em fotografia em cor em papel resinado sobre bandejas de ferro e parafusos. T\u00edtulo \u201cImemorial\u201d na parede em letras de metal pintado<br>| 60 x 40 x 2 cm cada placa<br> | Foto: Fl\u00e1vio Lamenha<br>1994<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" data-id=\"3506\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/4_LM_2012_OiFuturo\u00a9GabiCarrera_2016_5-1-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3506\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/4_LM_2012_OiFuturo\u00a9GabiCarrera_2016_5-1-scaled.jpg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/4_LM_2012_OiFuturo\u00a9GabiCarrera_2016_5-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/4_LM_2012_OiFuturo\u00a9GabiCarrera_2016_5-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/4_LM_2012_OiFuturo\u00a9GabiCarrera_2016_5-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/4_LM_2012_OiFuturo\u00a9GabiCarrera_2016_5-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/4_LM_2012_OiFuturo\u00a9GabiCarrera_2016_5-1-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Lanterna m\u00e1gica<br>Doze fotografias em papel de prata\/gelatina Ilford Multigrad IV, com viragem de sel\u00eanio 155 x 105 cm cada<br>oito lanternas m\u00e1gicas de v\u00e1rias marcas e idades, fabricadas entre os s\u00e9culos XIX e XX, mesas de ferro, temporizadores, diapositivos em pel\u00edcula Kodalith<br>| Dimens\u00f5es vari\u00e1veis<br>| Foto: Gabriela Carrera<br>2012-2016<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" data-id=\"3502\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2_1992_atentado_poder_Expografia_Delirio-tropical_Marilia-Camelo_2025-1-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3502\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2_1992_atentado_poder_Expografia_Delirio-tropical_Marilia-Camelo_2025-1-scaled.jpg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2_1992_atentado_poder_Expografia_Delirio-tropical_Marilia-Camelo_2025-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2_1992_atentado_poder_Expografia_Delirio-tropical_Marilia-Camelo_2025-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2_1992_atentado_poder_Expografia_Delirio-tropical_Marilia-Camelo_2025-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2_1992_atentado_poder_Expografia_Delirio-tropical_Marilia-Camelo_2025-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2_1992_atentado_poder_Expografia_Delirio-tropical_Marilia-Camelo_2025-1-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Atentado ao pode<br>15 fotografias p&amp;b em papel resinado (fotos apropriadas de jornais), acr\u00edlico, parafusos e 2 l\u00e2mpadas fluorescentes, texto em adesivo aplicado sobre parede (The Earth Summit)<br>| 320 x 25 x 25 cm<br>| Foto: Mar\u00edlia Camelo<br>1992<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1957\" data-id=\"3504\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/5_wedding_landscape_1996-1-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3504\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/5_wedding_landscape_1996-1-scaled.jpg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/5_wedding_landscape_1996-1-300x229.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/5_wedding_landscape_1996-1-1024x783.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/5_wedding_landscape_1996-1-768x587.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/5_wedding_landscape_1996-1-1536x1174.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/5_wedding_landscape_1996-1-2048x1565.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Wedding&nbsp; Landscape<br>Negativos preto e branco, chapas de acr\u00edlico e parafusos<br>| 114 x 149 x 1,5 cm<br>1996<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ros\u00e2ngela Renn\u00f3 investiga a fotografia como instrumento de mem\u00f3ria e resist\u00eancia, refletindo sobre a preserva\u00e7\u00e3o, a circula\u00e7\u00e3o e o desaparecimento das imagens na contemporaneidade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3504,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_coblocks_attr":"","_coblocks_dimensions":"","_coblocks_responsive_height":"","_coblocks_accordion_ie_support":"","inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[342,36,395],"class_list":["post-3473","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","tag-belo-horizonte","tag-fotografia","tag-rosangela-renno"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3473","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3473"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3473\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3798,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3473\/revisions\/3798"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3504"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3473"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3473"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3473"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}