{"id":3548,"date":"2026-08-25T08:00:00","date_gmt":"2026-08-25T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/art100.in\/?p=3548"},"modified":"2026-08-17T19:24:32","modified_gmt":"2026-08-17T19:24:32","slug":"lucas-simoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/lucas-simoes\/","title":{"rendered":"Lucas Sim\u00f5es\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lucas Sim\u00f5es (Catanduva, 1980) desenvolve um processo criativo altamente experimental e investigativo. Em sua pr\u00e1tica, materialidade e conceitos de arquitetura s\u00e3o aplicados na cria\u00e7\u00e3o de instala\u00e7\u00f5es e esculturas que lidam de forma particular com o espa\u00e7o e invocam diferentes pontos de refer\u00eancia em seu imagin\u00e1rio. Na entrevista, Sim\u00f5es nos conta sobre o processo de concep\u00e7\u00e3o de suas obras, que comumente come\u00e7a com desenhos \u00e0 m\u00e3o e evolui atrav\u00e9s de uma intensa fase de experimenta\u00e7\u00e3o com diferentes materiais, como concreto, a\u00e7o e papel. Ele investiga a rela\u00e7\u00e3o entre arte e arquitetura, propondo reflex\u00f5es cr\u00edticas sobre constru\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o, equil\u00edbrio e fragilidade, mem\u00f3ria e tempo. Confira a entrevista:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1590\" height=\"2118\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/portrait-01_v1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3553\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/portrait-01_v1.jpg 1590w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/portrait-01_v1-225x300.jpg 225w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/portrait-01_v1-769x1024.jpg 769w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/portrait-01_v1-768x1023.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/portrait-01_v1-1153x1536.jpg 1153w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/portrait-01_v1-1537x2048.jpg 1537w\" sizes=\"(max-width: 1590px) 100vw, 1590px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lucas, muito obrigado por nos receber aqui no seu est\u00fadio. Gostaria de come\u00e7ar pedindo para voc\u00ea se apresentar, pensando no p\u00fablico que talvez ainda n\u00e3o conhe\u00e7a suas obras e sua pr\u00e1tica art\u00edstica.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bem, meu nome \u00e9 Lucas Sim\u00f5es. Sou formado em Arquitetura e Urbanismo pela PUC-Campinas[Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Campinas] e passei um ano no Polit\u00e9cnico de Mil\u00e3o. Eu j\u00e1 tinha interesse em arte antes da faculdade de arquitetura, mas acho que foi esse tempo na It\u00e1lia que me deu um clique sobre a liga\u00e7\u00e3o entre arte e arquitetura. E, quando voltei, terminei a faculdade e comecei a buscar coisas que unissem as duas \u00e1reas. Numa \u00e9poca em que houve um boom de galerias em S\u00e3o Paulo, entrei em contato com uma delas. N\u00f3s nos demos bem e comecei a expor com eles. Foi uma \u00e9poca em que tudo aconteceu ao mesmo tempo. Eu trabalhava como arquiteto e tamb\u00e9m tinha essa representa\u00e7\u00e3o. Em determinado momento, acabei deixando a arquitetura e continuei apenas com o trabalho de artista. No fim, ainda continuo com o racioc\u00ednio da arquitetura. \u00c9 algo que me interessa, talvez n\u00e3o como uma pr\u00e1tica di\u00e1ria, mas como assunto. Ent\u00e3o, a quest\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o, da cidade, sempre aparece no trabalho. Eu fa\u00e7o<s>&nbsp; <\/s>arquitetura fora do lugar comum e vou misturando-a com outros assuntos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pensando nos materiais, o que \u00e9 poss\u00edvel fazer aqui no est\u00fadio e o que precisa ser feito em outro lugar? Como esse processo funciona?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Come\u00e7a com o desenho \u00e0 m\u00e3o, e depois tem uma fase de experimenta\u00e7\u00e3o com bastante material. Eu desenho tudo no <em>AutoCAD,<\/em> envio o desenho para corte e dobra, e a\u00ed recebo a chapa crua. Sobre essa chapa, eu construo tudo que \u00e9 de concreto em cima. Algumas etapas s\u00e3o feitas aqui no est\u00fadio, outras n\u00e3o. Por exemplo, tem alguns trabalhos com banho de oxida\u00e7\u00e3o que fazemos aqui com um oxidante. E, nesse caso, a constru\u00e7\u00e3o dos volumes vem depois da chapa feita. Nessa parte de constru\u00e7\u00e3o, tem muito concreto e a\u00e7o, mas j\u00e1 trabalhei muito com papel, que talvez tenha sido um material que eu realmente explorei mais vezes em todas as s\u00e9ries. No geral, as pessoas conhecem mais as obras de papel e concreto, como os <em>White Lies<\/em>, com os pilares. Ou a s\u00e9rie <em>Abismos<\/em>, com as estruturas de concreto apoiadas na resma de papel.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1708\" height=\"2560\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/WHITE-LIES-4-2-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3556\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/WHITE-LIES-4-2-scaled.jpg 1708w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/WHITE-LIES-4-2-200x300.jpg 200w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/WHITE-LIES-4-2-683x1024.jpg 683w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/WHITE-LIES-4-2-768x1151.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/WHITE-LIES-4-2-1025x1536.jpg 1025w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/WHITE-LIES-4-2-1367x2048.jpg 1367w\" sizes=\"(max-width: 1708px) 100vw, 1708px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">White Lies 4, 2017<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Os trabalhos t\u00eam realmente uma forte influ\u00eancia arquitet\u00f4nica. At\u00e9 a quest\u00e3o do equil\u00edbrio demanda um pouco de c\u00e1lculo e experimenta\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim. Tem uma constru\u00e7\u00e3o grande que n\u00e3o se v\u00ea ao fazer as pe\u00e7as e entender a estrutura, como as ferragens que ficam por dentro para garantir que ela n\u00e3o quebre. Os assistentes que trabalham comigo sempre dizem: \u201cAh, que pena, a estrutura \u00e9 t\u00e3o bonita\u201d. Mas ela acaba desaparecendo porque fica dentro do concreto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Algumas pe\u00e7as tem um aspecto bastante abstrato. De onde veio essa inspira\u00e7\u00e3o? \u00c9 influenciada por uma arquitetura espec\u00edfica ou \u00e9 uma inspira\u00e7\u00e3o mais geral?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depende muito da s\u00e9rie, ela tem uma investiga\u00e7\u00e3o diferente. Por exemplo,&nbsp; <em>Abismos<\/em> vem de uma pesquisa que fiz em uma resid\u00eancia em Londres sobre a arquitetura brutalista. Essa arquitetura teve origem na Inglaterra como um movimento p\u00f3s-guerra, numa tentativa de criar uma imagem moderna do pa\u00eds, uma linguagem de arquitetura que fosse originalmente inglesa. Muitos edif\u00edcios residenciais e experimentais foram constru\u00eddos. Os arquitetos sempre acharam esses edif\u00edcios incr\u00edveis, mas, 50 anos depois, esse movimento se tornou o mais odiado da Inglaterra pela popula\u00e7\u00e3o, e esses pr\u00e9dios estavam todos sendo demolidos por causa dos altos custos de manuten\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m por press\u00e3o da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria. Ent\u00e3o, o resultado dessa resid\u00eancia foi uma instala\u00e7\u00e3o e uma s\u00e9rie de obras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A instala\u00e7\u00e3o foi a <em>Recalque diferencial<\/em>, na qual eu refiz o piso da galeria em cima de uma camada de espuma e, conforme as pessoas entravam no espa\u00e7o, o peso delas ia quebrando o concreto aos poucos. A ideia era mostrar como a arquitetura se destr\u00f3i pelo uso ou pela hist\u00f3ria. Al\u00e9m de S\u00e3o Paulo, fiz essa instala\u00e7\u00e3o em outras cidades, como Londres, M\u00e9xico e Paris. Nesse caso espec\u00edfico, o trabalho vem desse movimento da arquitetura e um pouco desse racioc\u00ednio sobre a arquitetura no tempo como fun\u00e7\u00e3o. No final, o piso realmente quebrou bastante, mas ficou com uma sensa\u00e7\u00e3o muito boa. Como era de espuma, ele amassava, mas voltava ao n\u00edvel. Ent\u00e3o, dava para continuar pisando mesmo depois de quebrado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A s\u00e9rie <em>Abismos<\/em> tamb\u00e9m \u00e9 outra forma de entender essa hist\u00f3ria. S\u00e3o duas pe\u00e7as de concreto muito s\u00f3lidas que t\u00eam o equil\u00edbrio no papel, que \u00e9 a mat\u00e9ria mais fr\u00e1gil dessa composi\u00e7\u00e3o. Se o papel n\u00e3o estiver ali, a estrutura n\u00e3o funciona mais.<\/p>\n\n\n<div class=\"wonderpluginaudio\" id=\"wonderpluginaudio-83\" data-audioplayerid=\"83\" data-width=\"24\" data-height=\"600\" data-skin=\"button24\" data-progressinbar=\"true\" data-showinfo=\"false\" data-showimage=\"false\" data-autoplay=\"false\" data-random=\"false\" data-autoresize=\"false\" data-responsive=\"false\" data-showtracklist=\"false\" data-tracklistscroll=\"true\" data-showprogress=\"false\" data-showprevnext=\"false\" data-showloop=\"false\" data-stopotherplayers=\"true\" data-preloadaudio=\"true\" data-noncontinous=\"false\" data-showtracklistsearch=\"false\" data-saveposincookie=\"false\" data-wptracklist=\"false\" data-removeinlinecss=\"true\" data-enabletabindex=\"false\" data-showtime=\"false\" data-showvolume=\"false\" data-showvolumebar=\"true\" data-showliveplayedlist=\"false\" data-stoponpausebutton=\"false\" data-reloadstream=\"false\" data-playpausefontcircle=\"true\" data-prevnextfontcircle=\"true\" data-showtitleinbar=\"false\" data-showloading=\"false\" data-enablega=\"false\" data-titleinbarscroll=\"true\" data-donotinit=\"false\" data-addinitscript=\"false\" data-imagewidth=\"100\" data-imageheight=\"100\" data-loop=\"1\" data-tracklistitem=\"10\" data-titleinbarwidth=\"80\" data-gatrackingid=\"\" data-ga4account=\"\" data-playbackrate=\"1\" data-playpauseimage=\"playpause-24-24-2.png\" data-playpauseimagewidth=\"24\" data-playpauseimageheight=\"24\" data-cookiehours=\"240\" data-prevnextimage=\"prevnext-24-24-0.png\" data-prevnextimagewidth=\"24\" data-prevnextimageheight=\"24\" data-volumeimage=\"volume-24-24-0.png\" data-volumeimagewidth=\"24\" data-volumeimageheight=\"24\" data-liveupdateinterval=\"10000\" data-maxplayedlist=\"8\" data-playedlisttitle=\"Last Tracks Played\" data-loopimage=\"loop-24-24-0.png\" data-loopimagewidth=\"24\" data-loopimageheight=\"24\" data-playpausefontwidth=\"32\" data-playpausefontheight=\"32\" data-playpausefontsize=\"12\" data-playpausefontradius=\"0\" data-playpausefontcolor=\"#fff\" data-playpausefontbgcolor=\"#333\" data-playpausefonthovercolor=\"#fff\" data-playpausefonthoverbgcolor=\"#555\" data-prevnextfontwidth=\"32\" data-prevnextfontheight=\"32\" data-prevnextfontsize=\"12\" data-prevnextfontradius=\"0\" data-prevnextfontcolor=\"#fff\" data-prevnextfontbgcolor=\"#333\" data-prevnextfonthovercolor=\"#fff\" data-prevnextfonthoverbgcolor=\"#555\" data-infoformat=\"&lt;div class=&quot;amazingaudioplayer-info-title&quot;&gt;%ARTIST% %ALBUM%&lt;\/div&gt;\n&lt;div class=&quot;amazingaudioplayer-info-description&quot;&gt;%INFO%&lt;\/div&gt;\" data-tracklistscroll=\"false\" data-jsfolder=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/plugins\/wonderplugin-audio\/engine\/\" style=\"display:block;position:relative;margin:0 auto;width:24px;height:auto;\"><ul class=\"amazingaudioplayer-audios\" style=\"display:none;\"><li data-artist=\"\" data-title=\"Audio 1_Lucas Sim\u00f5es-esv1-50p\" data-album=\"\" data-info=\"&quot;Audio 1_Lucas Sim\u00f5es-esv1-50p&quot;.\" data-image=\"https:\/\/art100.in\/wp-includes\/images\/media\/audio.svg\" data-duration=\"12\"><div class=\"amazingaudioplayer-source\" data-src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Audio-1_Lucas-Simoes-esv1-50p.wav\" data-type=\"audio\/mpeg\" ><\/div><\/li><\/ul><\/div><script>function wonderaudio_83_appendcss(csscode) {var head=document.head || document.getElementsByTagName(\"head\")[0];var style=document.createElement(\"style\");head.appendChild(style);style.type=\"text\/css\";if (style.styleSheet){style.styleSheet.cssText=csscode;} else {style.appendChild(document.createTextNode(csscode));}};wonderaudio_83_appendcss(\"#wonderpluginaudio-83 { \tbox-sizing: content-box; 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Para mim, o abismo tem esse equil\u00edbrio que pode ser cont\u00ednuo, mas \u00e9 fr\u00e1gil. Tem que estar sempre prestando aten\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1442\" height=\"2360\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/abismo-45_2021_03.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3561\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/abismo-45_2021_03.jpg 1442w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/abismo-45_2021_03-183x300.jpg 183w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/abismo-45_2021_03-626x1024.jpg 626w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/abismo-45_2021_03-768x1257.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/abismo-45_2021_03-939x1536.jpg 939w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/abismo-45_2021_03-1251x2048.jpg 1251w\" sizes=\"(max-width: 1442px) 100vw, 1442px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Abismo n.45, 2021<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O Barbican, como exemplo da arquitetura brutalista, \u00e9 super celebrado e \u00e9 um espa\u00e7o incr\u00edvel, mas as resid\u00eancias foram quase todas destru\u00eddas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 at\u00e9 curioso, porque o pr\u00e9dio do Barbican n\u00e3o era para ser brutalista. A ideia era que os edif\u00edcios fossem revestidos de m\u00e1rmore. Como n\u00e3o tinham dinheiro para usar m\u00e1rmore, os trabalhadores foram colocados para quebrar o concreto daquele jeito. Se n\u00e3o me engano, eram sete pedreiros que tiveram que fazer isso, e os sete morreram por respirar o concreto. \u00c9 um projeto lindo, mas com uma hist\u00f3ria pesada. Foi projetado para ser um pr\u00e9dio de luxo, por\u00e9m assumiu-se o brutalismo no meio do projeto por quest\u00e3o de or\u00e7amento, e isso enlouqueceu muita gente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Recalque Diferencial \/ Perpetual Instability, 2015\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/413597019?dnt=1&amp;app_id=122963\" width=\"1300\" height=\"731\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write; encrypted-media; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\"><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\">Recalque diferencial, 2015 | Video, 2\u201910\u201d<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lucas, conta pra gente um pouco sobre a obra <\/strong><strong><em>Ressaca<\/em><\/strong><strong>?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa obra fez parte da minha exposi\u00e7\u00e3o na Casa Tri\u00e2ngulo com o mesmo nome [exposi\u00e7\u00e3o <em>Ressaca<\/em> apresentada na Casa Tri\u00e2ngulo, em S\u00e3o Paulo, de 11 de agosto a 15 de setembro de 2018]. A pesquisa dessa obra envolveu um pouco o projeto da galeria e o lugar onde ela se encontra. Acho que esse \u00e9 um racioc\u00ednio t\u00edpico de arquiteto: olhar e estudar a hist\u00f3ria do local e entender o contexto espacial antes, e essa ideia me pegou. A Tri\u00e2ngulo \u00e9 uma galeria que fica em uma esquina, e \u00e9 o \u00fanico lote do bairro sem grades na cal\u00e7ada. Peguei ent\u00e3o a extens\u00e3o do terreno todo da galeria e criei uma grade que, quando aberta, poderia fechar o terreno da galeria novamente. Por\u00e9m, coloquei essa grade dentro da galeria, para que o espa\u00e7o fosse reformulado e recriado com o movimento desses pain\u00e9is. Eu usei materiais de fechamento, principalmente grades e port\u00f5es urbanos. Assim, todos podiam se mexer e se transformar no que quisessem. Tamb\u00e9m havia a quest\u00e3o de como desviar de limites e recriar esses limites quando a barreira estava imposta. Poeticamente, era um pouco isso, mas tem tamb\u00e9m a ideia de que o p\u00fablico pudesse entender o espa\u00e7o e recriar, de repente, salas. Poucas pessoas realmente conseguiram criar espa\u00e7os, mas foi interessante ver todo o movimento durante a exposi\u00e7\u00e3o. De vez em quando, eu voltava l\u00e1 e retornava as placas ao ponto inicial, e as pessoas podiam come\u00e7ar a jogar de novo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2172\" height=\"1448\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/RESSACA.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3559\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/RESSACA.jpg 2172w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/RESSACA-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/RESSACA-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/RESSACA-768x512.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/RESSACA-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/RESSACA-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2172px) 100vw, 2172px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ressaca, 2018<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E como foi a escolha dessas divis\u00f3rias? E, nesse caso, voc\u00ea considera essa obra uma escultura ou um <\/strong><strong><em>site-specific<\/em><\/strong><strong>?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Algumas eram telas de tecido, outras telas de grade \u2013 algumas mais abertas, outras mais fechadas. Tamb\u00e9m usamos madeira e a\u00e7o inox. Algumas divis\u00f3rias eram o desenho do pr\u00f3prio perfil repetido no painel. Ent\u00e3o, tinha uma grande variedade de materiais, incluindo algumas divis\u00f3rias que pareciam port\u00f5es. A escolha desses materiais foi feita observando os fechamentos no bairro e replicando-os nesses pain\u00e9is, quase como um cat\u00e1logo ou amostra desses materiais. \u00c9 uma escultura vari\u00e1vel, a ideia \u00e9 que tenha essa intera\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico. Ela teve esse ponto de partida sobre o tamanho do per\u00edmetro da cal\u00e7ada da Tri\u00e2ngulo, mas pode acontecer em outro lugar. A pot\u00eancia dela est\u00e1 na ideia; se o lugar onde ela for exposta tem mais ou menos metros de per\u00edmetro, n\u00e3o faz muita diferen\u00e7a \u2013 a experi\u00eancia \u00e9 a mesma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como voc\u00ea enxerga a intera\u00e7\u00e3o das esculturas com o espa\u00e7o? Voc\u00ea prefere decidir a disposi\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as conforme o ambiente da galeria, ou deixa essa escolha mais flex\u00edvel, permitindo que o colecionador, o curador ou o galerista determinem a melhor forma de exibi\u00e7\u00e3o \u2013 por exemplo, na s\u00e9rie <em>Dormentes<\/em>?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Geralmente, quando \u00e9 uma exposi\u00e7\u00e3o, eu decido o lugar das coisas. Essas esculturas t\u00eam um coment\u00e1rio sobre a forma e a estrutura do concreto. Curiosamente, isso surgiu como um conceito durante a cria\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as. Na exposi\u00e7\u00e3o que fiz chamada <em>OTIUMmuitoOTIUM<\/em> [exibida na Casa Tri\u00e2ngulo entre 02 de abril e 04 de junho de 2022], apresentei uma pesquisa que iniciei durante uma resid\u00eancia na It\u00e1lia, no fim da pandemia. Por meses, o ateli\u00ea ficou parado. Imagine estruturas de concreto encostadas na parede e placas de papel que, com o tempo e a gravidade, come\u00e7aram a se curvar. Uma hora, pensei: &#8220;Nossa, o tempo n\u00e3o passa; logo at\u00e9 o concreto vai come\u00e7ar a entortar.&#8221; E, nesse per\u00edodo, meu ateli\u00ea ficava no espa\u00e7o da Piv\u00f4, que fica no edif\u00edcio Copan, que \u00e9 esse pr\u00e9dio cheio de curvas, de [Oscar] Niemeyer. Foi quando comecei a desenhar as primeiras estruturas de concreto curvas. Sempre foram muito geom\u00e9tricas, representando mais a arquitetura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando fui para Roma, comecei a pesquisar sobre a rela\u00e7\u00e3o entre descanso e vig\u00edlia. Nesse contexto hist\u00f3rico italiano, h\u00e1 um milh\u00e3o de textos sobre isso. Descobri que existe, no sul da It\u00e1lia, nos arredores de Pompeia, constru\u00e7\u00f5es chamadas <em>casas de \u00f3cio<\/em>. O \u00f3cio romano n\u00e3o era o mesmo que o nosso lazer hoje. O \u00f3cio era um momento em que voc\u00ea se retirava da sociedade para pensar, ler, escrever e observar a natureza. Era uma hora de repousar, para poder voltar \u00e0 sociedade com novas ideias e propor novas pol\u00edticas. As casas de \u00f3cio eram da elite, pois existir politicamente na Rep\u00fablica Romana significava propor novas pol\u00edticas. Portanto, precisava ter uma vida intelectual ativa nesse momento. E as casas de \u00f3cio eram os lugares onde voc\u00ea se retirava da cidade para praticar o <em>otium<\/em>, e tive a oportunidade de visitar algumas delas. Essas casas tamb\u00e9m foram soterradas na erup\u00e7\u00e3o do Ves\u00favio, mas foram escavadas recentemente, acho que nos anos 1950 ou 1930. Por este fato, elas est\u00e3o todas bastante conservadas. Nelas, voc\u00ea pode ver os lugares que eram bibliotecas e salas de jantar, com piscinas gigantes. Eram locais muito luxuosos, dedicados ao \u00f3cio, algo que hoje, com o celular, esse desligar da sociedade \u00e9 um pouco mais dif\u00edcil de fazer. Ent\u00e3o, o que mais me tocou foi isso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu j\u00e1 vinha pensando nos <em>Dormentes<\/em> e, visitando isso, percebi que as duas ideias se encontram um pouco. Arist\u00f3teles mesmo tem um grande estudo sobre o sono e a vig\u00edlia. Ele at\u00e9 menciona que algu\u00e9m que sabe muito bem o que pode e o que consegue fazer mostra sua maior pot\u00eancia quando decide n\u00e3o executar essa possibilidade. Isso me tocou na quest\u00e3o dos <em>Dormentes<\/em>, porque eram pe\u00e7as muito trabalhosas de fazer. Tem a forma, a estrutura interna e tudo o mais, e era muito esfor\u00e7o para fazer algo sobre n\u00e3o fazer. Ent\u00e3o, nas \u00faltimas obras dessa mesma s\u00e9rie, esses trabalhos s\u00e3o f\u00f4rmas da escultura que n\u00e3o foram preenchidas, constru\u00eddas. Ent\u00e3o, elas t\u00eam a mesma ideia de uma estrutura de arquitetura que dorme, como vigas ou esses c\u00edrculos de concreto. No caso dessa obra, \u00e9 como se estivesse amarrado e guardado, mas fica a imagina\u00e7\u00e3o do que poderia ser a escultura. O molde em si j\u00e1 \u00e9 escult\u00f3rico, \u00e9 necess\u00e1rio muito desenho para resolver essas chapas e esses encaixes todos, mas, para mim, o trabalho s\u00e3o esses moldes e esculturas que n\u00e3o v\u00e3o ser constru\u00eddos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1620\" height=\"2430\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Dormente-N10-01-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3566\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Dormente-N10-01-1.jpg 1620w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Dormente-N10-01-1-200x300.jpg 200w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Dormente-N10-01-1-683x1024.jpg 683w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Dormente-N10-01-1-768x1152.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Dormente-N10-01-1-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Dormente-N10-01-1-1365x2048.jpg 1365w\" sizes=\"(max-width: 1620px) 100vw, 1620px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Dormente n\u00ba 10, 2022<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ainda pensando no caso do \u00f3cio, nessa ideia de algo que n\u00e3o vai ser realizado, me faz pensar sobre a arquitetura especulativa. S\u00e3o esses pr\u00e9dios, al\u00e9m de ut\u00f3picos, que nunca v\u00e3o ser constru\u00eddos. Por\u00e9m, mesmo assim, existem arquitetos que se dedicam a desenh\u00e1-los e projet\u00e1-los.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A arquitetura envolve muito do que n\u00e3o vai ser feito, de propor coisas imposs\u00edveis. Acho que isso tamb\u00e9m faz parte do racioc\u00ednio arquitet\u00f4nico. No caso desses trabalhos, h\u00e1 uma tens\u00e3o que \u00e9 um pouco desenhada, mas o que segura isso na parede s\u00e3o essas fitas. Se eu soltar, ela realmente cai. \u201cDormentes\u201d \u00e9 o nome dessa estrutura que est\u00e1 no ch\u00e3o, geralmente vigas,&nbsp; que tamb\u00e9m s\u00e3o usadas em trilhos de trem. Ent\u00e3o, peguei emprestado o nome dessa estrutura que j\u00e1 tinha esse nome e coloquei nos trabalhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como \u00e9 para voc\u00ea a parte de pesquisar, negociar esses diferentes materiais e coloc\u00e1-los juntos? Por exemplo, concreto com papel, e tamb\u00e9m metal com concreto.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acho que vem do interesse pessoal mesmo. Gosto de coisas n\u00e3o diretas, de material que pode parecer muitas coisas, mas n\u00e3o tem um sentido muito claro. Adoro trabalhar com mat\u00e9ria, ent\u00e3o fa\u00e7o muitos testes e vou manipulando as coisas que encontro. At\u00e9 gostaria de fazer trabalhos mais et\u00e9reos, mas n\u00e3o consigo [risos]. \u00c9 sempre um pouco pensado com mat\u00e9ria mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>No est\u00fadio, voc\u00ea trabalha com v\u00e1rios t\u00e9cnicos diferentes, dependendo do material? Ou voc\u00ea experimenta primeiro e depois escolhe, dependendo do projeto?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tenho dois assistentes que v\u00eam em dias diferentes da semana e a gente faz testes juntos. Quando \u00e9 algo t\u00e9cnico, eu vou atr\u00e1s de quem possa resolver fora do ateli\u00ea. Isso vem da vontade de entender como as coisas podem ser feitas. Mas a gente testa muita coisa aqui mesmo; raramente algo \u00e9 feito fora. S\u00f3 mando para fora se for uma m\u00e1quina que eu n\u00e3o consiga usar ou n\u00e3o tenha aqui. Isso tamb\u00e9m depende da vontade e de entender como as coisas podem ser feitas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Considerando o aspecto arquitet\u00f4nico e abstrato das suas obras, ao exibi-las em diferentes lugares ao redor do mundo, voc\u00ea nota alguma diferen\u00e7a na forma como as pessoas interagem ou comentam sobre o seu trabalho, dependendo da regi\u00e3o de onde v\u00eam? Ou voc\u00ea acredita que h\u00e1 uma universalidade de acesso?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o, \u00e9 bem diferente. Acho que \u00e9 justamente isso que torna interessante exibir o trabalho em outros lugares. Por exemplo, na exposi\u00e7\u00e3o que fiz em Chicago (EUA) em 2023 [exposi\u00e7\u00e3o<em>LuscoFusco<\/em>, exibida na galeria Patron de 03 de junho a 19 de agosto de 2023], foquei mais na quest\u00e3o dos c\u00f3digos da arquitetura e em como esses c\u00f3digos se transformam ao longo do tempo. Uma das obras, por exemplo, representa a silhueta do Pal\u00e1cio da Alvorada, mas os espa\u00e7os vazios est\u00e3o preenchidos, como se fossem duas barrigas. \u00c9 um s\u00edmbolo que foi idealizado como a imagem de um pa\u00eds moderno, mas que, com o passar do tempo, ganhou um novo significado, um novo peso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nessa exposi\u00e7\u00e3o, havia os <em>Dormentes<\/em> tamb\u00e9m, mas havia outras coisas que absorviam significados diferentes, como a obra <em>Linguaruda<\/em>, resultado de uma pesquisa minha sobre tradu\u00e7\u00e3o. Tem um autor, tradutor de hist\u00f3ria antiga, que afirma que, para ele, o processo de tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 quase cat\u00e1rtico. Ele escreveu um livro chamado <em>Tradu\u00e7\u00e3o-Exu<\/em>. No in\u00edcio do livro, ele menciona que uma das divindades de Exu \u00e9 essa boca que tudo devora e essa l\u00edngua que tudo fala. Ent\u00e3o, <em>Linguaruda<\/em> \u00e9 como se fossem v\u00e1rias l\u00ednguas em uma chapa. \u00c0s vezes \u00e9 dif\u00edcil explicar isso para um estrangeiro, mas todo mundo acaba entendendo \u00e0 sua maneira. Ou mesmo os trabalhos que v\u00eam de uma escultura que eu vim a conhecer no Museu Nacional de Napoli, a imagem da <em>Artemis Efesia<\/em>. Eu voltei com essa imagem na cabe\u00e7a, comecei a pesquisar sobre sua hist\u00f3ria e significados. Provavelmente, os primeiros \u00eddolos da deusa Artemis eram feitos de madeira, em que as pessoas penduravam oferendas. Essas oferendas provavelmente inclu\u00edam test\u00edculos de touro e de cabra, oferecidos \u00e0s deusas como s\u00edmbolo de fertilidade. Artemis era uma deusa tanto da agricultura quanto protetora das mulheres n\u00e3o dominadas pelos homens. Esse trabalho se chama <em>A Fenomenologia do redondo (para Artemide)<\/em>. \u201cFenomenologia do redondo\u201d \u00e9 o nome de um cap\u00edtulo de um texto de Gaston Bachelard, no livro <em>Po\u00e9tica do espa\u00e7o<\/em>, sobre arquitetura. Nesse cap\u00edtulo, ele fala sobre o redondo e essa coisa que se refere muito ao corpo. Quando a arquitetura tenta ser mais dedicada ao corpo, ela \u00e9 mais curva e redonda. \u00c9 uma quest\u00e3o mais psicol\u00f3gica, e achei que o texto tinha muito a ver com essa obra tamb\u00e9m. Ent\u00e3o, o t\u00edtulo oferece a oportunidade de explorar esse conceito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existem muitos outros s\u00edmbolos interessantes na hist\u00f3ria de Artemis que eu gosto muito. Por exemplo, apenas mulheres podiam entrar no seu templo \u2013 homens eram proibidos. Se houvesse um sacerdote homem, ele precisava ser desprovido de qualquer tra\u00e7o de masculinidade, sendo um homem muito feminino \u2013 e, mesmo assim, ele s\u00f3 cuidaria das quest\u00f5es financeiras, nunca de uma cerim\u00f4nia. Um dos sacerdotes, chamado Megabyxos, inspirou outra obra. H\u00e1 textos que descrevem Megabyxos como um homem muito rico e extremamente afeminado, que causava repulsa nos outros homens. No entanto, n\u00e3o existe nenhuma imagem ou escultura dele. Ent\u00e3o, acabei fazendo esse trabalho com o nome dele e que tem uma abstra\u00e7\u00e3o gigante. \u00c9 quase como se fosse uma pessoa com a pele azul. Ent\u00e3o, a minha pesquisa varia bastante, e depende muito do que estou vivendo no momento ou do que estou interessado em estudar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entrevista realizada em 12 de Mar\u00e7o de 2024 remotamente via Zoom.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-4 is-cropped has-lightbox wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1772\" height=\"1181\" data-id=\"3603\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/corpo-de-prova-37A-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3603\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/corpo-de-prova-37A-1.jpg 1772w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/corpo-de-prova-37A-1-300x200.jpg 300w, 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