{"id":3736,"date":"2026-08-14T08:00:00","date_gmt":"2026-08-14T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/art100.in\/?p=3736"},"modified":"2026-08-13T12:40:50","modified_gmt":"2026-08-13T12:40:50","slug":"osgemeos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/osgemeos\/","title":{"rendered":"OSGEMEOS"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesta conversa, OSGEMEOS revelam como dois irm\u00e3os g\u00eameos (Gustavo e Otavio Pandolfo) de S\u00e3o Paulo constru\u00edram um universo paralelo, um mundo que eles acessam &#8220;24 horas por dia&#8221; e que transforma paredes brancas em portais, pr\u00e9dios de 60 andares em janelas para outras dimens\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da rua como universidade ao reconhecimento em museus por todo o mundo, os irm\u00e3os falam sobre resist\u00eancia, sobre manter portas abertas para novas gera\u00e7\u00f5es e sobre o poder da arte de derrubar muros. Como eles dizem: &#8220;A arte \u00e9 mais forte que isso.&#8221; Al\u00e9m de sua pr\u00e1tica como artistas, podemos tamb\u00e9m discutir suas a\u00e7\u00f5es com m\u00fasica e seu trabalho com curadoria \u2013 de si mesmos e de outros artistas \u2013, em que tudo converge para um imagin\u00e1rio realmente \u00fanico e coletivo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1564\" height=\"2346\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/OSGEMEOS_foto-Filipe-Berndt.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3737\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/OSGEMEOS_foto-Filipe-Berndt.jpg 1564w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/OSGEMEOS_foto-Filipe-Berndt-200x300.jpg 200w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/OSGEMEOS_foto-Filipe-Berndt-683x1024.jpg 683w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/OSGEMEOS_foto-Filipe-Berndt-768x1152.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/OSGEMEOS_foto-Filipe-Berndt-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/OSGEMEOS_foto-Filipe-Berndt-1365x2048.jpg 1365w\" sizes=\"(max-width: 1564px) 100vw, 1564px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Obrigado, OSGEMEOS, por aceitarem estar aqui com a gente hoje. \u00c9 um grande prazer conversar com voc\u00eas. Eu queria come\u00e7ar pedindo para voc\u00eas dividirem com a gente um pouco sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o das suas obras. Como&nbsp; esse processo come\u00e7a? E como \u00e9 a decis\u00e3o de qual suporte vai receber cada obra?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gustavo: Uma coisa que acontece na nossa vida desde muito pequeno \u00e9 que, em vez de cada um ter um papel para desenhar, a gente escolhe desenhar no mesmo papel \u2013 ou, se fosse transformar um brinquedo numa escultura, como a gente fazia, faz\u00edamos com o mesmo brinquedo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse processo criativo acontece muito cedo na nossa vida, de uma forma muito natural, com essa necessidade que a gente sempre teve de materializar esses sonhos, essas ideias que a gente tinha juntos. Era um complementando o outro para poder materializar, com a mais pura ess\u00eancia, aquele desenho que a gente fazia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Otavio: A gente descobriu esse universo em que a gente desenha junto. E, quando achamos a chave e abrimos essa porta, a gente mergulhou junto dentro desse universo. Ent\u00e3o, tudo isso que a gente desenha e pinta vem desse lugar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pensando na invers\u00e3o das obras, das instala\u00e7\u00f5es que voc\u00eas criam, como \u00e9 essa transforma\u00e7\u00e3o?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Otavio: A maneira como a gente brincava na casa dos nossos pais j\u00e1 tinha esse aspecto de instala\u00e7\u00e3o, de transformar o ambiente, de fazer com que a gente se sentisse bem dentro do nosso quarto, da maneira como enxerg\u00e1vamos esse universo que a gente desenhava. Sempre gostamos muito de desafios, de pegar um ambiente, uma sala branca, e a gente n\u00e3o a enxergava branca, enxerg\u00e1vamos da maneira que a gente enxerga o nosso universo. Tamb\u00e9m \u00e9 uma oportunidade de trazer as pessoas para dentro desse mundo. Por isso que exploramos outras t\u00e9cnicas, n\u00e3o s\u00f3 pintura, mas escultura, instala\u00e7\u00e3o, videoarte, m\u00fasica. Acho que tudo isso para ajudar tamb\u00e9m a ilustrar cada vez mais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gustavo: Acho que tamb\u00e9m partia muito daquela coisa de voc\u00ea fazer arte sem saber que voc\u00ea estava fazendo arte. Depois outras pessoas falam \u201cEles s\u00e3o artistas, eles gostam de desenhar, eles gostam de pintar\u201d, mas para n\u00f3s era um caminho que a gente encontrou de se sentir bem, de estar confort\u00e1vel com aquilo e de se comunicar entre n\u00f3s, entre as pessoas, entre a fam\u00edlia, entre os amigos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1707\" height=\"2560\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2023_CCBB-BH-expo-Nossos-Segredos_foto-Filipe-Berndt-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3749\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2023_CCBB-BH-expo-Nossos-Segredos_foto-Filipe-Berndt-scaled.jpg 1707w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2023_CCBB-BH-expo-Nossos-Segredos_foto-Filipe-Berndt-200x300.jpg 200w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2023_CCBB-BH-expo-Nossos-Segredos_foto-Filipe-Berndt-683x1024.jpg 683w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2023_CCBB-BH-expo-Nossos-Segredos_foto-Filipe-Berndt-768x1152.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2023_CCBB-BH-expo-Nossos-Segredos_foto-Filipe-Berndt-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2023_CCBB-BH-expo-Nossos-Segredos_foto-Filipe-Berndt-1365x2048.jpg 1365w\" sizes=\"(max-width: 1707px) 100vw, 1707px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">CCBB BH &#8211; Vista da exposi\u00e7\u00e3o Nossos Segredos, Belo Horizonte, 2023 | Foto: Filipe Berndt<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como \u00e9 o processo de ter esse encontro \u2013 pensando na exposi\u00e7\u00e3o institucional, mas tamb\u00e9m aqui na feira \u2013, como \u00e9 esse encontro com essa parede branca e come\u00e7ar a pensar na exposi\u00e7\u00e3o?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Otavio: Cada lugar \u00e9 um lugar. E tamb\u00e9m vai muito daquilo que a gente quer falar naquele momento. A gente enxerga o mundo dessa maneira. A gente n\u00e3o enxerga uma \u00e1rvore, talvez, do jeito que se enxerga. A gente enxerga a nossa \u00e1rvore l\u00fadica, diferente. Tudo tentamos transformar para o nosso universo. \u00c9 essa necessidade que a gente sempre teve de materializar isso que a gente est\u00e1 vivendo junto, em sonho, em imagina\u00e7\u00e3o, a gente vive isso 24 horas por dia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gustavo: \u00c9 como abrir janelas. Quando voc\u00ea est\u00e1 pintando uma tela, um quadro, ou voc\u00ea est\u00e1 pintando uma lateral de um pr\u00e9dio de 60 andares, a gente enxerga como um portal mesmo. Voc\u00ea abre um portal para uma outra dimens\u00e3o. \u00c9 uma dimens\u00e3o com que convivemos h\u00e1 muitos anos. E, como a gente acessou isso muito cedo, a nossa maior vontade era mostrar isso para as pessoas. Como se voc\u00ea visse uma coisa t\u00e3o especial que voc\u00ea n\u00e3o pode guardar aquilo para voc\u00ea. Voc\u00ea tem que dividir. E isso vai trabalhando o imagin\u00e1rio da gente, e vamos encontrando novos caminhos, novas t\u00e9cnicas, novas linguagens para o trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Otavio: E \u00e9 sobre acreditar e gostar do que voc\u00ea faz. A gente come\u00e7ou a desenhar no final dos anos 70, 80, desde os tr\u00eas, quatro anos de idade. Ent\u00e3o, desde essa \u00e9poca, a gente j\u00e1 sabia o que quer\u00edamos fazer, que era desenhar junto. Independente se um dia a gente fosse ser artista ou dar certo. A gente nunca pensou nisso, na real.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O mundo que voc\u00eas dois criaram e que depois tiveram que ampliar tem pessoas com quem voc\u00eas trabalharam para realizar esses trabalhos. Como foi dividir esse sonho?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gustavo: Na d\u00e9cada de 80, d\u00e9cada de 90, era tudo muito n\u00f3s. A gente sempre colocou muito a m\u00e3o na massa. E a gente foi entendendo que, a partir do convite de fazer uma exposi\u00e7\u00e3o num museu, era poss\u00edvel transformar aquele espa\u00e7o num universo imersivo para as pessoas. Pod\u00edamos usar luz, som, criar quartos novos, transformar realmente o espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Otavio: Eu acho que, antes disso, tamb\u00e9m teve um momento de a gente entender que precis\u00e1vamos ampliar esse nosso universo. E a maneira com que fizemos isso foi indo para a rua, pintando na rua. A gente dividia o mesmo quarto, que se transformou em ateli\u00ea. Come\u00e7amos a estudar desenho no quarto, a pintar o quintal de casa, s\u00f3 que entendemos que era muito pequeno ali. A gente precisava ampliar isso e tamb\u00e9m aprimorar o estilo, estudar desenho, estudar pintura.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fomos aprender isso tudo na rua, usando a rua como suporte. N\u00f3s crescemos&nbsp; no bairro do Cambuci, na regi\u00e3o central de S\u00e3o Paulo. Come\u00e7amos a fazer muita coisa na rua para primeiro entender as t\u00e9cnicas, desenvolver o nosso estilo de desenho. Perante v\u00e1rios outros artistas que j\u00e1 estavam fazendo coisas, a gente quis focar em estudar um&nbsp; estilo. Preferimos n\u00e3o fazer faculdade na \u00e9poca, foi melhor se trancar em um quarto, ficar quatro anos estudando.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gustavo: \u00c9 louco pensar que, naquela \u00e9poca, a gente n\u00e3o tinha uma vis\u00e3o ampla da cena de arte contempor\u00e2nea. Para n\u00f3s, era um universo paralelo e distante. E outra que, na real, n\u00e3o tinha porta aberta para artistas que vinham da rua. Era um neg\u00f3cio fechado mesmo. Por isso que a gente usou muito a rua como forma de expans\u00e3o do ateli\u00ea.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00f3s descobrimos S\u00e3o Paulo atrav\u00e9s do graffiti e quer\u00edamos pintar o m\u00e1ximo que a gente pudesse. E foi \u2013 e ainda \u00e9 \u2013 um aprendizado. Todo grafiteiro ou grafiteira sabe que a rua \u00e9 uma universidade: \u00e9 um lugar onde voc\u00ea n\u00e3o pode vacilar, onde precisa ter respeito pelos outros artistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Otavio: E \u00e9 uma das melhores galerias que existem, porque \u00e9 p\u00fablica, \u00e9 de gra\u00e7a. Voc\u00ea acaba levando o trabalho para pessoas que, de repente, moram na rua \u2013 isso aqui \u00e9 a casa de muita gente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gustavo: Quando voc\u00ea tem toda essa forma\u00e7\u00e3o art\u00edstica, a gente n\u00e3o fazia ideia de como levar o nosso trabalho para uma galeria ou para um museu \u2013 nem passava pela nossa cabe\u00e7a que isso fosse poss\u00edvel. Esse reconhecimento foi acontecendo muito naturalmente na nossa vida. Dependeu muito do nosso esfor\u00e7o. N\u00f3s somos muito dedicados naquilo que fazemos, principalmente em termos de estudo. Mas as coisas acontecem dentro do tempo \u2013 e o tempo \u00e9 muito importante para a forma\u00e7\u00e3o de um artista. A gente entendeu muito cedo que o que a gente queria era estar junto, desenhando, independentemente de onde isso fosse chegar. A gente estava feliz ali, desenhando num papel, na rua, num trem, numa parede de pr\u00e9dio. E isso foi tomando outros caminhos. Foi muito bacana, porque foi algo que a gente n\u00e3o esperava.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Essa energia que voc\u00eas desenvolveram e criaram em todos esses anos de experi\u00eancia, ela est\u00e1 muito presente nas exibi\u00e7\u00f5es. Acho que isso \u00e9 muito potente. Talvez at\u00e9 esse tempo que levou ajude a manter essa energia, e n\u00e3o totalmente mudar o estilo ou se adequar \u00e0s expectativas que, talvez, uma institui\u00e7\u00e3o tenha.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Otavio: Primeiro partiu essa vontade de ter um estilo aut\u00eantico, algo que, ao olhar, as pessoas pudessem reconhecer como um trabalho nosso. Isso vem da rua, vem do graffiti, dessa exig\u00eancia de quem pinta graffiti: quando voc\u00ea passa por um muro, voc\u00ea sabe de quem \u00e9 aquele desenho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A gente fazia in\u00fameros trabalhos para poder tentar ganhar uma grana, mas viver do noss o trabalho na d\u00e9cada de 80, 90 era dif\u00edcil, porque n\u00e3o tinha muita porta aberta. Essas portas foram abrindo pouco a pouco. Tanto que a gente come\u00e7ou a trabalhar fora do Brasil, depois veio para c\u00e1.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1920\" height=\"2560\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Graffiti-1_foto-OSGEMEOS-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3758\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Graffiti-1_foto-OSGEMEOS-scaled.jpg 1920w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Graffiti-1_foto-OSGEMEOS-225x300.jpg 225w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Graffiti-1_foto-OSGEMEOS-768x1024.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Graffiti-1_foto-OSGEMEOS-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Graffiti-1_foto-OSGEMEOS-1536x2048.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Graffiti | Foto: OSGEMEOS<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como foi compartilhar esse mundo pessoal, que tem muita coisa popular dentro do imagin\u00e1rio brasileiro, como foi dividir isso com p\u00fablicos internacionais e ganhar esse reconhecimento?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Otavio: Tudo come\u00e7ou por causa da quantidade de coisas que a gente estava fazendo nas ruas nos anos 90. Artistas de fora j\u00e1 estavam percebendo o que acontecia aqui. Depois que uma revista de Miami publicou uma mat\u00e9ria sobre o nosso trabalho, isso despertou a curiosidade de um artista de S\u00e3o Francisco chamado Barry McGee \u2013 tamb\u00e9m vindo do universo do graffiti, com v\u00e1rias exposi\u00e7\u00f5es em museus e muito reconhecido no campo da arte contempor\u00e2nea.&nbsp; Ele veio a S\u00e3o Paulo em 1994 e viu o nosso trabalho. A partir dali, come\u00e7ou a chamar aten\u00e7\u00e3o para o que faz\u00edamos fora do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gustavo: Quando a gente conheceu o Barry, ele contou que vinha de S\u00e3o Francisco para fazer uma exposi\u00e7\u00e3o e viver de arte. E n\u00f3s, na \u00e9poca, trabalh\u00e1vamos em banco \u2013 nada a ver com arte. T\u00ednhamos que trabalhar para ajudar em casa. Pensamos: \u201cOlha s\u00f3, o cara vem pra c\u00e1 pra fazer uma exposi\u00e7\u00e3o\u2026 que incr\u00edvel! Ele vive do trabalho dele.\u201d Mas um dos primeiros artistas que realmente nos despertou para essa possibilidade foi o Speto, de S\u00e3o Paulo \u2013 uma figura important\u00edssima na nossa forma\u00e7\u00e3o. Ele sempre viveu da pr\u00f3pria arte, e nos dava muitos conselhos. Ele vivia de desenho, fazia ilustra\u00e7\u00f5es para jornais e revistas, e acabou abrindo muitas portas para a gente \u2013 deu oportunidades para fazermos um trabalho aqui, outro ali, sempre com desenho. Isso nos mostrou que talvez um dia a gente pudesse deixar o emprego e viver do que realmente amava. Quando vimos o Barry McGee, se n\u00e3o me engano em uma exposi\u00e7\u00e3o no Museu Lasar Segall, entendemos algo essencial: \u00e9 poss\u00edvel pegar um espa\u00e7o \u2013 um cubo fechado, uma sala \u2013 e transform\u00e1-lo completamente. Essa ideia da transforma\u00e7\u00e3o que fez a gente ficar ligado nisso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Otavio: A gente j\u00e1 estava fazendo isso sem saber. E o Barry trabalhava com o Jeffrey Deitch em Nova York. Ent\u00e3o, quando ele voltou pra l\u00e1, acabou comentando sobre o nosso trabalho com o Jeffrey \u2013 e foi a\u00ed que surgiu tamb\u00e9m a curiosidade dele em nos conhecer. Naquela \u00e9poca, a gente nunca tinha sa\u00eddo do Brasil. Em 2005, fizemos nossa primeira exposi\u00e7\u00e3o em Nova York. E, em 2006, fizemos aqui com a Fortes. Voc\u00ea v\u00ea quanto tempo leva? A primeira exposi\u00e7\u00e3o fora foi em 2005, e a gente j\u00e1 tinha feito muita coisa em S\u00e3o Paulo antes disso. Depois disso, n\u00e3o paramos mais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1715\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2017-NY-Mural-Rock-on-the-Break-of-a-Dawn_photo-Martha-Cooper-1-scaled.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3770\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2017-NY-Mural-Rock-on-the-Break-of-a-Dawn_photo-Martha-Cooper-1-scaled.png 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2017-NY-Mural-Rock-on-the-Break-of-a-Dawn_photo-Martha-Cooper-1-300x201.png 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2017-NY-Mural-Rock-on-the-Break-of-a-Dawn_photo-Martha-Cooper-1-1024x686.png 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2017-NY-Mural-Rock-on-the-Break-of-a-Dawn_photo-Martha-Cooper-1-768x514.png 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2017-NY-Mural-Rock-on-the-Break-of-a-Dawn_photo-Martha-Cooper-1-1536x1029.png 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2017-NY-Mural-Rock-on-the-Break-of-a-Dawn_photo-Martha-Cooper-1-2048x1372.png 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">NY Mural Rock on the Break of a Dawn, 2017 | Photo: Martha Cooper<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Voc\u00eas j\u00e1 encontraram algum tipo de resist\u00eancia? Voc\u00eas j\u00e1 pensaram <\/strong>\u201c<strong>Quero fazer algo que eu n\u00e3o posso\u201d?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Otavio:\u00c9 louco, porque at\u00e9 hoje existe resist\u00eancia. E acho que essa resist\u00eancia precisa ser quebrada. Sempre acreditamos no talento das pessoas, no talento que cada um tem, independente de forma\u00e7\u00e3o. Acredito que a gente tem uma certa responsabilidade nisso: o fato de ter conseguido entrar nesse universo significa tamb\u00e9m deixar a porta aberta para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es. A gente sempre acreditou que o reconhecimento de um artista \u00e9 uma porta aberta para outro. E \u00e9 importante mant\u00ea-la assim. A resist\u00eancia faz parte. A gente encontrou resist\u00eancia em tudo. S\u00f3 que a arte \u00e9 mais forte que isso. <\/p>\n\n\n<div class=\"wonderpluginaudio\" id=\"wonderpluginaudio-82\" data-audioplayerid=\"82\" data-width=\"24\" data-height=\"600\" data-skin=\"button24\" data-progressinbar=\"true\" data-showinfo=\"false\" data-showimage=\"false\" data-autoplay=\"false\" data-random=\"false\" data-autoresize=\"false\" data-responsive=\"false\" data-showtracklist=\"false\" data-tracklistscroll=\"true\" data-showprogress=\"false\" data-showprevnext=\"false\" data-showloop=\"false\" data-stopotherplayers=\"true\" data-preloadaudio=\"true\" data-noncontinous=\"false\" data-showtracklistsearch=\"false\" data-saveposincookie=\"false\" data-wptracklist=\"false\" data-removeinlinecss=\"true\" data-enabletabindex=\"false\" data-showtime=\"false\" data-showvolume=\"false\" data-showvolumebar=\"true\" data-showliveplayedlist=\"false\" data-stoponpausebutton=\"false\" data-reloadstream=\"false\" data-playpausefontcircle=\"true\" data-prevnextfontcircle=\"true\" data-showtitleinbar=\"false\" data-showloading=\"false\" data-enablega=\"false\" data-titleinbarscroll=\"true\" data-donotinit=\"false\" data-addinitscript=\"false\" data-imagewidth=\"100\" data-imageheight=\"100\" data-loop=\"1\" data-tracklistitem=\"10\" data-titleinbarwidth=\"80\" data-gatrackingid=\"\" data-ga4account=\"\" data-playbackrate=\"1\" data-playpauseimage=\"playpause-24-24-2.png\" data-playpauseimagewidth=\"24\" data-playpauseimageheight=\"24\" data-cookiehours=\"240\" data-prevnextimage=\"prevnext-24-24-0.png\" data-prevnextimagewidth=\"24\" data-prevnextimageheight=\"24\" data-volumeimage=\"volume-24-24-0.png\" data-volumeimagewidth=\"24\" data-volumeimageheight=\"24\" data-liveupdateinterval=\"10000\" data-maxplayedlist=\"8\" data-playedlisttitle=\"Last Tracks Played\" data-loopimage=\"loop-24-24-0.png\" data-loopimagewidth=\"24\" data-loopimageheight=\"24\" data-playpausefontwidth=\"32\" data-playpausefontheight=\"32\" data-playpausefontsize=\"12\" data-playpausefontradius=\"0\" data-playpausefontcolor=\"#fff\" data-playpausefontbgcolor=\"#333\" data-playpausefonthovercolor=\"#fff\" data-playpausefonthoverbgcolor=\"#555\" data-prevnextfontwidth=\"32\" data-prevnextfontheight=\"32\" data-prevnextfontsize=\"12\" data-prevnextfontradius=\"0\" data-prevnextfontcolor=\"#fff\" data-prevnextfontbgcolor=\"#333\" data-prevnextfonthovercolor=\"#fff\" data-prevnextfonthoverbgcolor=\"#555\" data-infoformat=\"&lt;div class=&quot;amazingaudioplayer-info-title&quot;&gt;%ARTIST% %ALBUM%&lt;\/div&gt;\n&lt;div class=&quot;amazingaudioplayer-info-description&quot;&gt;%INFO%&lt;\/div&gt;\" data-tracklistscroll=\"false\" data-jsfolder=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/plugins\/wonderplugin-audio\/engine\/\" style=\"display:block;position:relative;margin:0 auto;width:24px;height:auto;\"><ul class=\"amazingaudioplayer-audios\" style=\"display:none;\"><li data-artist=\"\" data-title=\"Audio 1_Site_OSGEMEOS-esv1-70p\" data-album=\"\" data-info=\"&quot;Audio 1_Site_OSGEMEOS-esv1-70p&quot;.\" data-image=\"https:\/\/art100.in\/wp-includes\/images\/media\/audio.svg\" data-duration=\"31\"><div class=\"amazingaudioplayer-source\" data-src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Audio-1_Site_OSGEMEOS-esv1-70p.wav\" data-type=\"audio\/mpeg\" ><\/div><\/li><\/ul><\/div><script>function wonderaudio_82_appendcss(csscode) {var head=document.head || document.getElementsByTagName(\"head\")[0];var style=document.createElement(\"style\");head.appendChild(style);style.type=\"text\/css\";if (style.styleSheet){style.styleSheet.cssText=csscode;} else {style.appendChild(document.createTextNode(csscode));}};wonderaudio_82_appendcss(\"#wonderpluginaudio-82 { \tbox-sizing: content-box; 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Essas portas acabam abrindo e as chaves se perdem, elas ficam abertas, porque acessam outro paralelo nas pessoas. A arte tem esse poder de acessar isso.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pensando na quebra dessas paredes, a obra de voc\u00eas tem um reconhecimento global e acho que v\u00e1rios p\u00fablicos respondem de forma muito similar. Voc\u00eas acreditam que essa resposta do p\u00fablico \u00e9 realmente uma aproxima\u00e7\u00e3o&nbsp; ao mundo de voc\u00eas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Otavio: Acho que todo mundo tem um lado l\u00fadico, um universo dentro de si. Cabe a cada um acessar isso \u2013 ou n\u00e3o. E acho que \u00e9 isso que a gente proporciona.&nbsp; A gente vive dentro desse nosso universo 24 horas por dia \u2013 e pinta esse universo. Muita gente se identifica, \u00e0s vezes, s\u00f3 de olhar um trabalho nosso e dizer: \u201cIsso tem a ver comigo. N\u00e3o sei exatamente o que \u00e9, mas tem a ver.\u201c<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gustavo: \u00c9 tamb\u00e9m uma coisa de energia, de sentir. A gente j\u00e1 passou por v\u00e1rias experi\u00eancias em que as pessoas se identificam com o trabalho, sem saber explicar, e se emocionam. O que a gente faz \u00e9 muito puro, muito transparente. Quando a gente pinta, estamos muito entregues ao trabalho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acho que, quando voc\u00ea coloca algo de forma pura, as pessoas sentem. \u00c9 uma troca \u2013 de alguma forma, voc\u00ea est\u00e1 compartilhando isso com elas. \u00c9 100% amor ali. E acho que a forma mais pura de representar o que \u00e9 o amor, para n\u00f3s, \u00e9 pintando.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>As esculturas flutuantes, muitas vezes, criam um encontro inusitado. A pessoa foi l\u00e1 para ver uma outra exposi\u00e7\u00e3o, ter uma outra experi\u00eancia, mas, de repente, ela tem esse encontro com a escultura. Como voc\u00eas veem esses encontros inesperados, como \u00e9 criar essas esculturas flutuantes?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Otavio: Quando a gente est\u00e1 montando uma exposi\u00e7\u00e3o ou est\u00e1 colocando as instala\u00e7\u00f5es, inflando o gigante, a gente est\u00e1 t\u00e3o ali dentro que acabamos nem parando para enxergar esse outro lado. A gente s\u00f3 quer entregar aquilo que a gente quer materializar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gustavo: A gente enxerga nossos personagens assim, em 3D. Eles t\u00eam vida pr\u00f3pria, falam, andam, dan\u00e7am. S\u00e3o tridimensionais na nossa cabe\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1955\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2020-Expo-Segredos-Pinacoteca-SP_foto-Filipe-Berndt-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3754\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2020-Expo-Segredos-Pinacoteca-SP_foto-Filipe-Berndt-scaled.jpg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2020-Expo-Segredos-Pinacoteca-SP_foto-Filipe-Berndt-300x229.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2020-Expo-Segredos-Pinacoteca-SP_foto-Filipe-Berndt-1024x782.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2020-Expo-Segredos-Pinacoteca-SP_foto-Filipe-Berndt-768x587.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2020-Expo-Segredos-Pinacoteca-SP_foto-Filipe-Berndt-1536x1173.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2020-Expo-Segredos-Pinacoteca-SP_foto-Filipe-Berndt-2048x1564.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Vista da exposi\u00e7\u00e3o Segredos, Pinacoteca, S\u00e3o Paulo, 2020 | Foto:Filipe Berndt<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E isso conecta com todos os&nbsp; suportes poss\u00edveis que voc\u00eas usam. Fala um pouco para a gente da obra <\/strong><strong><em>Zoetrope<\/em><\/strong><strong>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Otavio: Esse trabalho foi desafiador, porque a gente tinha essa ideia de construir algo que remetesse um pouco ao in\u00edcio do processo da anima\u00e7\u00e3o. Um <em>zoetrope<\/em> \u00e9 um disco que, antigamente, se fazia pequeno, com esculturinhas, e quando voc\u00ea gira e coloca uma luz, piscando no mesmo BPM do disco, ele anima aquelas imagens. S\u00f3 que a gente nunca tinha feito um neg\u00f3cio desse.<strong> <\/strong>E resolvemos fazer, s\u00f3 que em tamanho fam\u00edlia. Ent\u00e3o, precisava de alguns espa\u00e7os para poder fazer isso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gustavo: A gente tinha ido para o <em>Burning Man<\/em>, um festival que tem no deserto de Nevada, e a gente viu uma coisa parecida. E foi um quebra-cabe\u00e7a no ateli\u00ea, junto com o Arnaldo, com o Coi\u00f3, com o Isaac, todo mundo junto tentando resolver o trabalho. Como alinhar o movimento, a velocidade do disco com a piscada da luz do estrobosc\u00f3pio para poder animar? A gente chegou a fazer uma maquete pequena \u2013 e ela deu certo. Ent\u00e3o pensamos: se deu certo na maquete, no grande tamb\u00e9m vai funcionar. Fomos testar tudo um dia antes da abertura da exposi\u00e7\u00e3o. Montamos toda a mostra, com a escultura pronta, sem saber ao certo se aquilo realmente iria funcionar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gustavo: Todas as exposi\u00e7\u00f5es que a gente faz, a gente faz uma maquete antes. Para poder entender o espa\u00e7o, de que forma dividir as coisas, de que forma a gente pode criar, at\u00e9 que ponto d\u00e1 para transformar o lugar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Otavio: Mas tudo parte do desenho. A primeira ideia \u00e9 o desenho, \u00e9 rabiscar no papel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1417\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2024_Hirshhorn-Museum_EndlessStory_Zoetrope_photo-Rick-Coulby-1-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3756\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2024_Hirshhorn-Museum_EndlessStory_Zoetrope_photo-Rick-Coulby-1-scaled.jpg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2024_Hirshhorn-Museum_EndlessStory_Zoetrope_photo-Rick-Coulby-1-300x166.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2024_Hirshhorn-Museum_EndlessStory_Zoetrope_photo-Rick-Coulby-1-1024x567.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2024_Hirshhorn-Museum_EndlessStory_Zoetrope_photo-Rick-Coulby-1-768x425.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2024_Hirshhorn-Museum_EndlessStory_Zoetrope_photo-Rick-Coulby-1-1536x850.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2024_Hirshhorn-Museum_EndlessStory_Zoetrope_photo-Rick-Coulby-1-2048x1133.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Hirshhorn Museum \u2013 Endless Story Zoetrope, 2024 | Photo: Rick Coulby<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Uma curiosidade: voc\u00eas mant\u00eam as maquetes?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gustavo: Sim, a gente tem as maquetes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E, pensando na exibi\u00e7\u00e3o, eu queria que voc\u00eas falassem um pouco para a gente sobre o papel de voc\u00eas como curadores do pr\u00f3prio trabalho de voc\u00eas.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gustavo: A gente sempre foi curador do nosso trabalho, desde pequeno.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Otavio: Curador e cr\u00edtico. Eu, dele e ele, de mim. Mas acho que, depois que a gente fez a retrospectiva do nosso trabalho na Pinacoteca, que o Jochen era o curador, acho que ele passou essa responsabilidade para a gente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gustavo: E ele falou: \u201cNingu\u00e9m melhor do que voc\u00eas mesmos para fazer essa curadoria. Voc\u00eas conhecem essa exposi\u00e7\u00e3o muito bem, os itens todos, a itiner\u00e2ncia, voc\u00eas v\u00e3o fazer\u201d. A gente falou: \u201cT\u00e1 bom, vamos fazer\u201d. A\u00ed come\u00e7ou esse gosto tamb\u00e9m pela curadoria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Otavio: A exposi\u00e7\u00e3o da Pinacoteca com o Jochen foi muito importante, porque ele fez a gente parar e ver o que a gente estava fazendo, e ver o que a gente j\u00e1 tinha feito at\u00e9 ent\u00e3o. Eu lembro de ele ir no est\u00fadio e falar: \u201cCara, voc\u00eas j\u00e1 voltaram para tr\u00e1s e abriram os ba\u00fas dos desenhos? Vamos ver isso, vamos ver o que voc\u00eas t\u00eam a\u00ed.\u201d E a gente come\u00e7ou a abrir coisas de 82, 83.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gustavo:<strong> <\/strong>E a gente n\u00e3o tinha essa preocupa\u00e7\u00e3o de parar e voltar para os anos 80. A gente quer fazer o pr\u00f3ximo desenho, o pr\u00f3ximo mural, o pr\u00f3ximo projeto, a pr\u00f3xima exposi\u00e7\u00e3o. Isso foi bom, parar e at\u00e9 falar para a gente o que \u00e9 importante mostrar em uma exposi\u00e7\u00e3o, nesse car\u00e1ter retrospectivo, o que n\u00e3o \u00e9 importante, quais s\u00e3o os segredos que s\u00e3o legais revelar. Para chegar a um estilo desse a gente passou por mais de 20 estilos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E, tamb\u00e9m, parece que foi uma escola. O processo de pesquisa, de redescobrir o trabalho.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Otavio: E acumular, \u00e9 importante voc\u00ea guardar o trabalho. A nossa fam\u00edlia guardou algumas coisas. Minha m\u00e3e, meu pai, minha irm\u00e3. O Arnaldo, tio, tia, av\u00f3. Ent\u00e3o, a gente teve que ir buscar essas coisas nas casas das pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gustavo: Nossa m\u00e3e guardava muita coisa \u2013 ela tamb\u00e9m foi muito respons\u00e1vel por tudo isso, por a gente estar aqui hoje. Ela, nosso pai, nossa irm\u00e3 Adriana e o Arnaldo. Estar pr\u00f3ximo, entender o que a gente queria desde cedo e nos dar liberdade para produzir e criar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pensando na ideia de voc\u00eas como curadores, eu queria perguntar como foi o processo de curar a mostra <\/strong><strong><em>HIP-HOP 80\u2019sp \u2013 S\u00e3o Paulo na Onda do Break <\/em><\/strong><strong>com outros curadores tamb\u00e9m.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gustavo: Na d\u00e9cada de 1980, a gente conheceu a cultura hip-hop muito cedo. Fizemos parte de toda a cultura \u2013 dan\u00e7ando break, pintando graffiti. E, quando fizemos a exposi\u00e7\u00e3o na Pinacoteca, tinha uma parede dedicada justamente a contar a nossa transi\u00e7\u00e3o pela cultura hip-hop, com elementos da cultura hip-hop, com fotografias, desenhos, roupas pintadas \u00e0 m\u00e3o. Ali come\u00e7amos a pensar e a desenhar esse projeto, e perceber que precis\u00e1vamos fazer uma exposi\u00e7\u00e3o que contasse o que foi viver a cultura hip-hop na d\u00e9cada de 1980, em S\u00e3o Paulo \u2013 e como ela chegou at\u00e9 aqui. Ent\u00e3o, come\u00e7amos a estudar, a rabiscar a ideia: \u201cPrimeiro, vamos contar como tudo come\u00e7ou em Nova York, e depois como isso chegou ao Brasil nos anos 1980 \u2013 uma \u00e9poca dif\u00edcil, de ditadura militar \u2013 e como a gente absorveu tudo isso.\u201d \u00c9 engra\u00e7ado, porque a exposi\u00e7\u00e3o aconteceu no Sesc 24 de maio, que \u00e9 onde come\u00e7ou a cultura hip-hop em S\u00e3o Paulo, praticamente. Ent\u00e3o tem essa liga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A gente vem colecionando muitas coisas desde aquela \u00e9poca. Roupa, toda memorabilia ligada \u00e0 cultura hip-hop, muito jornal, revista, livros. E fui encontrando amigos que tamb\u00e9m tinham acervos em casa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Otavio: A gente sentiu a necessidade de fazer essa exposi\u00e7\u00e3o e juntou um time bacana de curadores, que t\u00eam tamb\u00e9m um acervo e viveram a hist\u00f3ria desde o comecinho. A ideia principal nasceu por n\u00f3s e pelo Rooney, que \u00e9 um artista tamb\u00e9m da \u00e9poca, que dan\u00e7ava <em>break<\/em>, \u00e9 DJ, <em>rapper<\/em> e grafiteiro. J\u00e1 a curadoria, n\u00f3s tr\u00eas come\u00e7amos, e depois entrou o ALAM Beat, que \u00e9 tamb\u00e9m um personagem da <em>old school<\/em> de S\u00e3o Paulo. A Rose MC, a Sharylaine, que s\u00e3o duas MCs. O KL Jay, do grupo Racionais, e o Tha\u00edde.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gustavo: E tem uma curiosidade: a mostra tem mais de 3 mil itens da \u00e9poca dos anos 80 relacionados \u00e0 cultura hip-hop. \u00c9 muito interessante de ver.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2025-Expo-Hip-Hop_SESC_foto-Filipe-Berndt-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3763\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2025-Expo-Hip-Hop_SESC_foto-Filipe-Berndt-scaled.jpg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2025-Expo-Hip-Hop_SESC_foto-Filipe-Berndt-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2025-Expo-Hip-Hop_SESC_foto-Filipe-Berndt-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2025-Expo-Hip-Hop_SESC_foto-Filipe-Berndt-768x512.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2025-Expo-Hip-Hop_SESC_foto-Filipe-Berndt-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2025-Expo-Hip-Hop_SESC_foto-Filipe-Berndt-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Vista da exposi\u00e7\u00e3o &#8220;HIP-HOP 80\u2019sp \u2013 S\u00e3o Paulo na Onda do Break&#8221; no Sesc 24 de Maio, em S\u00e3o Paulo, 2025 | Foto: Filipe Berndt<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 super envolvente, tem muita informa\u00e7\u00e3o que eu n\u00e3o imaginava, e tem novas conex\u00f5es. \u00c9 muito importante de se aprender.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Otavio: Principalmente para a gera\u00e7\u00e3o de hoje, que, \u00e0s vezes, n\u00e3o faz ideia de como eram os anos 80. Quem viveu os anos 80, como era fazer graffiti naquela \u00e9poca, como era p\u00f4r um papel\u00e3o de geladeira na rua e ligar o r\u00e1dio-gravador e dan\u00e7ar, como eram os primeiros <em>raps<\/em>, como foram feitos. Tem essa coisa de despertar esse lado l\u00fadico dessa \u00e9poca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E tamb\u00e9m o mix dessas culturas, porque, \u00e0s vezes, a gente pensa muito em cultura brasileira, cultura americana, mas, na verdade, principalmente depois da televis\u00e3o, tudo ficou muito misturado.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gustavo: A exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 focada em S\u00e3o Paulo, mas em uma parte a gente fala do Rio, de Curitiba, do Amazonas, que tinham tribos que dan\u00e7avam um <em>break<\/em> na \u00e9poca. E o interessante \u00e9 ver como a gente absorve essas informa\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o informa\u00e7\u00f5es norte-americanas, mas como a gente faz de uma forma abrasileirada, original nossa. Voc\u00ea v\u00ea Nelson Triunfo, que vem da cidade de Triunfo, que j\u00e1 tem no sangue o frevo ali, o maracatu, e o cara vem para c\u00e1 nos anos 70, misturou com <em>soul music<\/em>, misturou com <em>funk<\/em>, o <em>funk<\/em> antigo ali, e depois o <em>break<\/em>. Ent\u00e3o, o brasileiro tem esse talento de misturar as culturas e fazer de uma forma nossa, que acaba sendo valorizada no mundo inteiro depois. E quer\u00edamos mostrar isso tamb\u00e9m, como a gente absorve uma cultura que nasceu nos Estados Unidos, mas que a gente fez do nosso jeito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Otavio:<strong> <\/strong>\u00c9 um projeto de pesquisa de mais de 40 anos. Pesquisando, colhendo material, guardando coisas, e esses \u00faltimos tr\u00eas anos foi <em>full time<\/em> montar essa exposi\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A m\u00fasica tem um papel muito importante na vida de voc\u00eas. Fala um pouco para a gente sobre essa nova explora\u00e7\u00e3o de voc\u00eas no campo da m\u00fasica.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Otavio: A gente sempre esteve muito conectado com m\u00fasica, sempre escutamos m\u00fasica para desenhar. De forma bem ecl\u00e9tica. Escutava \u00f3pera com o v\u00f4, <em>rock<\/em> progressivo com nosso irm\u00e3o, <em>new wave<\/em> com a irm\u00e3. Riscava todos os discos dela, pegava pra fazer <em>scratch<\/em>, estragava todos os discos. E hip<em>&#8211;<\/em>hop na rua. A gente sempre enxergou o nosso trabalho com um fundo musical tamb\u00e9m. A gente sempre enxergou tudo com m\u00fasica, e transform\u00e1vamos num videoclipe na nossa cabe\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A\u00ed vem o lance da produ\u00e7\u00e3o, de come\u00e7ar a produzir m\u00fasica. A gente tamb\u00e9m \u00e9 DJ, gosta de tocar. Tocamos juntos e produzimos m\u00fasica para poder tocar. A gente brincava no est\u00fadio, por divers\u00e3o. Come\u00e7amos tocando aqui e ali, e sempre teve essa liga\u00e7\u00e3o com a discotecagem. E agora estamos fazendo isso de forma mais constante \u2013 misturando som e imagem tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&nbsp;Entrevista realizada em 11 de setembro de 2025 durante o talk Mediando linguagens na ArtRio.<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-4 is-cropped has-lightbox wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1707\" height=\"2560\" data-id=\"3749\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2023_CCBB-BH-expo-Nossos-Segredos_foto-Filipe-Berndt-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3749\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2023_CCBB-BH-expo-Nossos-Segredos_foto-Filipe-Berndt-scaled.jpg 1707w, 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src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Graffiti-1_foto-OSGEMEOS-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3758\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Graffiti-1_foto-OSGEMEOS-scaled.jpg 1920w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Graffiti-1_foto-OSGEMEOS-225x300.jpg 225w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Graffiti-1_foto-OSGEMEOS-768x1024.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Graffiti-1_foto-OSGEMEOS-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Graffiti-1_foto-OSGEMEOS-1536x2048.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Graffiti<br> Foto: OSGEMEOS<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1715\" data-id=\"3770\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2017-NY-Mural-Rock-on-the-Break-of-a-Dawn_photo-Martha-Cooper-1-scaled.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3770\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2017-NY-Mural-Rock-on-the-Break-of-a-Dawn_photo-Martha-Cooper-1-scaled.png 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2017-NY-Mural-Rock-on-the-Break-of-a-Dawn_photo-Martha-Cooper-1-300x201.png 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2017-NY-Mural-Rock-on-the-Break-of-a-Dawn_photo-Martha-Cooper-1-1024x686.png 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2017-NY-Mural-Rock-on-the-Break-of-a-Dawn_photo-Martha-Cooper-1-768x514.png 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2017-NY-Mural-Rock-on-the-Break-of-a-Dawn_photo-Martha-Cooper-1-1536x1029.png 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2017-NY-Mural-Rock-on-the-Break-of-a-Dawn_photo-Martha-Cooper-1-2048x1372.png 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">NY Mural Rock on the Break of a Dawn<br> Photo: Martha Cooper<br>2017<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" data-id=\"3763\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2025-Expo-Hip-Hop_SESC_foto-Filipe-Berndt-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3763\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2025-Expo-Hip-Hop_SESC_foto-Filipe-Berndt-scaled.jpg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2025-Expo-Hip-Hop_SESC_foto-Filipe-Berndt-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2025-Expo-Hip-Hop_SESC_foto-Filipe-Berndt-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2025-Expo-Hip-Hop_SESC_foto-Filipe-Berndt-768x512.jpg 768w, 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src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2024_Hirshhorn-Museum_EndlessStory_Zoetrope_photo-Rick-Coulby-1-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3756\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2024_Hirshhorn-Museum_EndlessStory_Zoetrope_photo-Rick-Coulby-1-scaled.jpg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2024_Hirshhorn-Museum_EndlessStory_Zoetrope_photo-Rick-Coulby-1-300x166.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2024_Hirshhorn-Museum_EndlessStory_Zoetrope_photo-Rick-Coulby-1-1024x567.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2024_Hirshhorn-Museum_EndlessStory_Zoetrope_photo-Rick-Coulby-1-768x425.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2024_Hirshhorn-Museum_EndlessStory_Zoetrope_photo-Rick-Coulby-1-1536x850.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2024_Hirshhorn-Museum_EndlessStory_Zoetrope_photo-Rick-Coulby-1-2048x1133.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Hirshhorn Museum_EndlessStory_Zoetrope<br> Photo: Rick Coulby<br>2024<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1290\" height=\"792\" data-id=\"3747\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Graffiti-2_foto-OSGEMEOS-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3747\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Graffiti-2_foto-OSGEMEOS-1.jpg 1290w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Graffiti-2_foto-OSGEMEOS-1-300x184.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Graffiti-2_foto-OSGEMEOS-1-1024x629.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Graffiti-2_foto-OSGEMEOS-1-768x472.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1290px) 100vw, 1290px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Graffiti<br> Foto: OSGEMEOS<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p 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