{"id":4102,"date":"2026-09-15T08:00:00","date_gmt":"2026-09-15T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/art100.in\/?p=4102"},"modified":"2026-08-20T20:59:50","modified_gmt":"2026-08-20T20:59:50","slug":"lucas-dupin","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/lucas-dupin\/","title":{"rendered":"Lucas Dupin"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pr\u00e1tica art\u00edstica de Lucas Dupin (Belo Horizonte, 1985), embora diversa em m\u00eddia e estilo, \u00e9 unificada por uma investiga\u00e7\u00e3o cont\u00ednua sobre o tempo, a mem\u00f3ria e a transforma\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria. Dupin seleciona objetos e lugares que carregam as marcas do tempo, seja pelo desgaste f\u00edsico ou pela carga simb\u00f3lica acumulada ao longo de sua exist\u00eancia. Atrav\u00e9s de processos minuciosos e muitas vezes constru\u00eddos em longa dura\u00e7\u00e3o, Dupin incorpora a pr\u00f3pria dura\u00e7\u00e3o como elemento significativo da obra, transformando objetos comuns em reflex\u00f5es po\u00e9ticas sobre a exist\u00eancia. Na entrevista, Lucas compartilha sua pr\u00e1tica art\u00edstica, caracterizada por uma profunda investiga\u00e7\u00e3o do tempo e da materialidade. Confira:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"2400\" height=\"1607\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/perfil_lucasdupin_dez-2023_credito_lucasdupin_lowres-1-de-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4104\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/perfil_lucasdupin_dez-2023_credito_lucasdupin_lowres-1-de-1.jpg 2400w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/perfil_lucasdupin_dez-2023_credito_lucasdupin_lowres-1-de-1-300x201.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/perfil_lucasdupin_dez-2023_credito_lucasdupin_lowres-1-de-1-1024x686.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/perfil_lucasdupin_dez-2023_credito_lucasdupin_lowres-1-de-1-768x514.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/perfil_lucasdupin_dez-2023_credito_lucasdupin_lowres-1-de-1-1536x1028.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/perfil_lucasdupin_dez-2023_credito_lucasdupin_lowres-1-de-1-2048x1371.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2400px) 100vw, 2400px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lucas, obrigado por conversar com a gente hoje. Eu gostaria de come\u00e7ar pedindo&nbsp; para voc\u00ea se apresentar, pensando num p\u00fablico que talvez ainda n\u00e3o conhe\u00e7a voc\u00ea e a sua pr\u00e1tica art\u00edstica, com qualquer informa\u00e7\u00e3o que voc\u00ea ache relevante.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sou Lucas Dupin, me formei e fiz mestrado na Escola de Belas Artes da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), aqui em Belo Horizonte, Minas Gerais, de onde eu estou falando. Sou natural daqui e atualmente vivo entre BH e S\u00e3o Paulo. Minha vida profissional est\u00e1 muito mais em S\u00e3o Paulo hoje em dia do que aqui, j\u00e1 h\u00e1 alguns anos, mas eu mantive meu ateli\u00ea em Belo Horizonte. E acho que, desde o in\u00edcio, desde a gradua\u00e7\u00e3o mesmo, eu busquei de alguma forma experi\u00eancias que extrapolassem o universo da academia, da universidade. Isso, para mim, \u00e9 uma coisa talvez das mais importantes; at\u00e9 mais importante do que a forma\u00e7\u00e3o propriamente acad\u00eamica, para mim, foram fundamentais as experi\u00eancias extracurriculares. Ent\u00e3o, desde o in\u00edcio, eu j\u00e1 estava envolvido com coletivos, como o Kaza Vazia, que \u00e9 muito importante aqui na cena belorizontina, naqueles anos 2000, quando tinha uma profus\u00e3o de coletivos. A gente trabalhava com a ocupa\u00e7\u00e3o, ativa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os que estavam abandonados, ou lugares p\u00fablicos, ent\u00e3o era sempre lidando com materiais que a gente tinha \u00e0 m\u00e3o. Eu acho que isso \u00e9 um ponto que me forma, no sentido de dar forma ao que me interessa, \u00e0 minha produ\u00e7\u00e3o, que \u00e9 lidar com o contexto no qual eu estou trabalhando. Desde 2008, eu venho em um fluxo de editais, sal\u00f5es, resid\u00eancias\u2026 Esse fluxo foi interrompido pela pandemia, porque at\u00e9 2019 era o ritmo de uma resid\u00eancia por ano: Bolsa Pampulha, Piv\u00f4, Fundaj, FAAP, lugares para mim de uma ativa\u00e7\u00e3o de pesquisa muito grande, s\u00e3o per\u00edodos em que eu me permito estar imerso dentro de um universo de produ\u00e7\u00e3o e pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2010, eu ganhei o segundo pr\u00eamio do Energia da Arte, do Instituto Tomie Ohtake. Todos os trabalhos que estavam ali lidavam com esse contexto de produ\u00e7\u00e3o no Kaza Vazia. Como parte da premia\u00e7\u00e3o, eu recebi uma viagem para o Canad\u00e1, para o Banff Centre, que \u00e9 um lugar de excel\u00eancia no contexto da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica global, um lugar de ponta. Foi a primeira vez que eu tive um ateli\u00ea com parede branca. At\u00e9 ent\u00e3o, eu trabalhava com a rua, uma casa abandonada, lugares, pessoas, sobretudo elaborando projetos que lidavam com o contexto, com as circunst\u00e2ncias, mas nunca com o cubo branco.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro ponto importante em termos de forma\u00e7\u00e3o \u00e9 que eu sempre me interessei muito por uma artesania das coisas, pelo tempo do fazer das coisas. E o universo do livro, que \u00e9 algo muito presente nos meus trabalhos atuais, vem por uma forma\u00e7\u00e3o autodidata em encaderna\u00e7\u00e3o. Tudo o que eu uso hoje vem do universo da encaderna\u00e7\u00e3o, que \u00e9 um universo super meticuloso. Eu me graduei na gravura, ent\u00e3o, eu brinco, todos os meus trabalhos s\u00e3o trabalhosos demais para fazer. <\/p>\n\n\n<div class=\"wonderpluginaudio\" id=\"wonderpluginaudio-95\" data-audioplayerid=\"95\" data-width=\"24\" data-height=\"600\" data-skin=\"button24\" data-progressinbar=\"true\" data-showinfo=\"false\" data-showimage=\"false\" data-autoplay=\"false\" data-random=\"false\" data-autoresize=\"false\" data-responsive=\"false\" data-showtracklist=\"false\" data-tracklistscroll=\"true\" data-showprogress=\"false\" data-showprevnext=\"false\" data-showloop=\"false\" data-stopotherplayers=\"true\" data-preloadaudio=\"true\" data-noncontinous=\"false\" data-showtracklistsearch=\"false\" data-saveposincookie=\"false\" data-wptracklist=\"false\" data-removeinlinecss=\"true\" data-enabletabindex=\"false\" data-showtime=\"false\" data-showvolume=\"false\" data-showvolumebar=\"true\" data-showliveplayedlist=\"false\" data-stoponpausebutton=\"false\" data-reloadstream=\"false\" data-playpausefontcircle=\"true\" data-prevnextfontcircle=\"true\" data-showtitleinbar=\"false\" data-showloading=\"false\" data-enablega=\"false\" data-titleinbarscroll=\"true\" data-donotinit=\"false\" data-addinitscript=\"false\" data-imagewidth=\"100\" data-imageheight=\"100\" data-loop=\"1\" data-tracklistitem=\"10\" data-titleinbarwidth=\"80\" data-gatrackingid=\"\" data-ga4account=\"\" data-playbackrate=\"1\" data-playpauseimage=\"playpause-24-24-2.png\" data-playpauseimagewidth=\"24\" data-playpauseimageheight=\"24\" data-cookiehours=\"240\" data-prevnextimage=\"prevnext-24-24-0.png\" data-prevnextimagewidth=\"24\" data-prevnextimageheight=\"24\" data-volumeimage=\"volume-24-24-0.png\" data-volumeimagewidth=\"24\" data-volumeimageheight=\"24\" data-liveupdateinterval=\"10000\" data-maxplayedlist=\"8\" data-playedlisttitle=\"Last Tracks Played\" data-loopimage=\"loop-24-24-0.png\" data-loopimagewidth=\"24\" data-loopimageheight=\"24\" data-playpausefontwidth=\"32\" data-playpausefontheight=\"32\" data-playpausefontsize=\"12\" data-playpausefontradius=\"0\" data-playpausefontcolor=\"#fff\" data-playpausefontbgcolor=\"#333\" data-playpausefonthovercolor=\"#fff\" data-playpausefonthoverbgcolor=\"#555\" data-prevnextfontwidth=\"32\" data-prevnextfontheight=\"32\" data-prevnextfontsize=\"12\" data-prevnextfontradius=\"0\" data-prevnextfontcolor=\"#fff\" data-prevnextfontbgcolor=\"#333\" data-prevnextfonthovercolor=\"#fff\" data-prevnextfonthoverbgcolor=\"#555\" data-infoformat=\"&lt;div class=&quot;amazingaudioplayer-info-title&quot;&gt;%ARTIST% %ALBUM%&lt;\/div&gt;\n&lt;div class=&quot;amazingaudioplayer-info-description&quot;&gt;%INFO%&lt;\/div&gt;\" data-tracklistscroll=\"false\" data-jsfolder=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/plugins\/wonderplugin-audio\/engine\/\" style=\"display:block;position:relative;margin:0 auto;width:24px;height:auto;\"><ul class=\"amazingaudioplayer-audios\" style=\"display:none;\"><li data-artist=\"\" data-title=\"Audio1.LucasDupin-esv1-25p\" data-album=\"\" data-info=\"&quot;Audio1.LucasDupin-esv1-25p&quot;.\" data-image=\"https:\/\/art100.in\/wp-includes\/images\/media\/audio.svg\" data-duration=\"22\"><div class=\"amazingaudioplayer-source\" data-src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Audio1.LucasDupin-esv1-25p.wav\" data-type=\"audio\/mpeg\" ><\/div><\/li><\/ul><\/div><script>function wonderaudio_95_appendcss(csscode) {var head=document.head || document.getElementsByTagName(\"head\")[0];var style=document.createElement(\"style\");head.appendChild(style);style.type=\"text\/css\";if (style.styleSheet){style.styleSheet.cssText=csscode;} else {style.appendChild(document.createTextNode(csscode));}};wonderaudio_95_appendcss(\"#wonderpluginaudio-95 { \tbox-sizing: content-box; 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Acho que \u00e9 um caminho mais para um lugar do obtuso, mas sem nunca perder, sem nunca abrir m\u00e3o de uma dimens\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e9tica da coisa, da conforma\u00e7\u00e3o das coisas.<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Em muitas partes da sua resposta, eu consigo observar, por exemplo, o contraste entre uma obra como a <\/strong><strong><em>Deserto<\/em><\/strong><strong>, de 2010, e a <\/strong><strong><em>Estalinhos<\/em><\/strong><strong>, de 2018.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Deserto<\/em> \u00e9 um trabalho muito importante. Essa s\u00e9rie <em>Livro paisagem<\/em>, inclusive, acabou virando o in\u00edcio do meu mestrado. O t\u00edtulo da minha disserta\u00e7\u00e3o de mestrado \u00e9 <em>Paisagem p\u00e1gina<\/em>. A interven\u00e7\u00e3o realmente aconteceu e existiu durante um tempo. <\/p>\n\n\n<div class=\"wonderpluginaudio\" id=\"wonderpluginaudio-96\" data-audioplayerid=\"96\" data-width=\"24\" data-height=\"600\" data-skin=\"button24\" data-progressinbar=\"true\" data-showinfo=\"false\" data-showimage=\"false\" data-autoplay=\"false\" data-random=\"false\" data-autoresize=\"false\" data-responsive=\"false\" data-showtracklist=\"false\" data-tracklistscroll=\"true\" data-showprogress=\"false\" data-showprevnext=\"false\" data-showloop=\"false\" data-stopotherplayers=\"true\" data-preloadaudio=\"true\" data-noncontinous=\"false\" data-showtracklistsearch=\"false\" data-saveposincookie=\"false\" data-wptracklist=\"false\" data-removeinlinecss=\"true\" data-enabletabindex=\"false\" data-showtime=\"false\" data-showvolume=\"false\" data-showvolumebar=\"true\" data-showliveplayedlist=\"false\" data-stoponpausebutton=\"false\" data-reloadstream=\"false\" data-playpausefontcircle=\"true\" data-prevnextfontcircle=\"true\" data-showtitleinbar=\"false\" data-showloading=\"false\" data-enablega=\"false\" data-titleinbarscroll=\"true\" data-donotinit=\"false\" data-addinitscript=\"false\" data-imagewidth=\"100\" data-imageheight=\"100\" data-loop=\"1\" data-tracklistitem=\"10\" data-titleinbarwidth=\"80\" data-gatrackingid=\"\" data-ga4account=\"\" data-playbackrate=\"1\" data-playpauseimage=\"playpause-24-24-2.png\" data-playpauseimagewidth=\"24\" data-playpauseimageheight=\"24\" data-cookiehours=\"240\" data-prevnextimage=\"prevnext-24-24-0.png\" data-prevnextimagewidth=\"24\" data-prevnextimageheight=\"24\" data-volumeimage=\"volume-24-24-0.png\" data-volumeimagewidth=\"24\" data-volumeimageheight=\"24\" data-liveupdateinterval=\"10000\" data-maxplayedlist=\"8\" data-playedlisttitle=\"Last Tracks Played\" data-loopimage=\"loop-24-24-0.png\" data-loopimagewidth=\"24\" data-loopimageheight=\"24\" data-playpausefontwidth=\"32\" data-playpausefontheight=\"32\" data-playpausefontsize=\"12\" data-playpausefontradius=\"0\" data-playpausefontcolor=\"#fff\" data-playpausefontbgcolor=\"#333\" data-playpausefonthovercolor=\"#fff\" data-playpausefonthoverbgcolor=\"#555\" data-prevnextfontwidth=\"32\" data-prevnextfontheight=\"32\" data-prevnextfontsize=\"12\" data-prevnextfontradius=\"0\" data-prevnextfontcolor=\"#fff\" data-prevnextfontbgcolor=\"#333\" data-prevnextfonthovercolor=\"#fff\" data-prevnextfonthoverbgcolor=\"#555\" data-infoformat=\"&lt;div class=&quot;amazingaudioplayer-info-title&quot;&gt;%ARTIST% %ALBUM%&lt;\/div&gt;\n&lt;div class=&quot;amazingaudioplayer-info-description&quot;&gt;%INFO%&lt;\/div&gt;\" data-tracklistscroll=\"false\" data-jsfolder=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/plugins\/wonderplugin-audio\/engine\/\" style=\"display:block;position:relative;margin:0 auto;width:24px;height:auto;\"><ul class=\"amazingaudioplayer-audios\" style=\"display:none;\"><li data-artist=\"\" data-title=\"Audio2atual.LucasDupin-esv1-39p\" data-album=\"\" data-info=\"&quot;Audio2atual.LucasDupin-esv1-39p&quot;.\" data-image=\"https:\/\/art100.in\/wp-includes\/images\/media\/audio.svg\" data-duration=\"17\"><div class=\"amazingaudioplayer-source\" data-src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Audio2atual.LucasDupin-esv1-39p.wav\" data-type=\"audio\/mpeg\" ><\/div><\/li><\/ul><\/div><script>function wonderaudio_96_appendcss(csscode) {var head=document.head || document.getElementsByTagName(\"head\")[0];var style=document.createElement(\"style\");head.appendChild(style);style.type=\"text\/css\";if (style.styleSheet){style.styleSheet.cssText=csscode;} else {style.appendChild(document.createTextNode(csscode));}};wonderaudio_96_appendcss(\"#wonderpluginaudio-96 { \tbox-sizing: content-box; 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Eu acho que uma performance \u00e9 imagem, uma interven\u00e7\u00e3o \u00e9&nbsp; imagem, as coisas existem enquanto imagem, \u00e9 um modo de pensar. <\/strong>E isso, por exemplo, vai num trabalho de curadoria que fa\u00e7o, do F\u00f3rum de Fotoperformance, que s\u00e3o modos de pensar; por exemplo, a performance de quem \u00e9 ligado ao teatro est\u00e1 no campo da experi\u00eancia, a performance de quem vem do campo das artes visuais est\u00e1 muito ligada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de imagem. Isso \u00e9 not\u00f3rio, quando a gente pega e estuda esse universo. E o meu campo \u00e9 da produ\u00e7\u00e3o de imagem, por certo. Tanto \u00e9 que eu desenho as minhas performances. Eu sei por onde e como eu quero que elas sejam registradas. Eu chego a desenhar, enquadrar isso antes. Ent\u00e3o, tem v\u00e1rios outros artistas que, na hist\u00f3ria da arte, tamb\u00e9m pensaram friamente como seria o registro e o que \u00e9 divulgado. Joseph Beuys \u00e9 um desses exemplos: a gente tem acesso a algumas imagens, mas meticulosamente pensadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse trabalho <em>Deserto<\/em> aconteceu, mas o v\u00eddeo \u00e9 o que eu exponho. Porque tem uma dimens\u00e3o da dura\u00e7\u00e3o neste trabalho, para mim; primeiro, ele aparece como uma poesia, tem uma ordem de colocar as letras, que \u00e9 \u201cE\u201d, \u201cSE\u201d, \u201cSER\u201d, \u201cSERTO\u201d, \u201cESERTO\u201d, \u201cDESERTO\u201d. Essa ordem, a configura\u00e7\u00e3o dela, e essa coisa da l\u00edngua portuguesa, da palavra \u201cdeserto\u201d ter no seu cerne o verbo <em>ser<\/em> \u00e9, para mim, o ponto de interesse. Ent\u00e3o, quando eu coloco esses tijolos de adobe, que \u00e9 um tijolo cru, dentro de uma configura\u00e7\u00e3o de um rio \u2013 naquele contexto, era um lugar muito particular, porque \u00e9 uma parte do rio que s\u00f3 tinha areia, \u00e1gua cristalina \u2013, inevitavelmente, eles v\u00e3o come\u00e7ar a se desfazer. A gente est\u00e1 falando de \u00e1gua, de terra, esse jogo dos elementos, ele s\u00f3 seria poss\u00edvel tamb\u00e9m dentro da narrativa do v\u00eddeo. Porque l\u00e1 a gente n\u00e3o tem como perceber essa transi\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria <em>in loco,<\/em> porque a nossa experi\u00eancia, a nossa condi\u00e7\u00e3o humana de perceber essas transi\u00e7\u00f5es \u00e9 muito limitada. O v\u00eddeo ajuda, a gente consegue acelerar, ralentar o tempo, fazer cortes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-video\"><video height=\"720\" style=\"aspect-ratio: 1280 \/ 720;\" width=\"1280\" controls src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/deserto_LucasDupin_2010_h.264.mp4\"><\/video><figcaption class=\"wp-element-caption\">deSERto, 2010 | Video 3\u201922\u2019\u2019<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na \u00e9poca, por exemplo, era um desejo deixar uma c\u00e2mera est\u00e1tica l\u00e1 na floresta registrando o desfazer da palavra. Mas, 14 anos atr\u00e1s, n\u00e3o tinha equipamento para isso, n\u00e3o tinha dinheiro, n\u00e3o tinha recursos. Ent\u00e3o, o trabalho tamb\u00e9m \u00e9 uma resposta do contexto e dos recursos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E \u00e9 engra\u00e7ado voc\u00ea comentar desse trabalho <em>Estalinho<\/em>, porque ele \u00e9 um trabalho em aquarela, \u00e9 uma aquarela super meticulosa, de grandes dimens\u00f5es, que est\u00e1 intimamente ligada a um trabalho do mesmo per\u00edodo, que s\u00e3o as bitucas de cigarro. H\u00e1 14 anos que eu estou pintando bitucas de cigarro. \u00c9 uma cole\u00e7\u00e3o infinita, como se fosse um desenho, um lugar de representa\u00e7\u00e3o de um esp\u00e9cime. A aquarela tem essa liga\u00e7\u00e3o, essa intimidade com o lugar da representa\u00e7\u00e3o do mundo. Por exemplo, as aquarelas bot\u00e2nicas dos viajantes, que representavam tamb\u00e9m a fauna e a flora. A aquarela guarda esse lugar de um certo imediatismo e tamb\u00e9m de uma coisa caracter\u00edstica da t\u00e9cnica que \u00e9 conseguir ser port\u00e1til.A aquarela, diferente da acr\u00edlica e do \u00f3leo, n\u00e3o volta, n\u00e3o tem como limpar, porque s\u00e3o sobreposi\u00e7\u00f5es de camadas transparentes de tinta. Essa peculiaridade \u00e9 tanto a sua beleza quanto uma dificuldade. Ent\u00e3o, o interesse \u00e9 usar essa t\u00e9cnica para representar algo t\u00e3o infame como uma bituca de cigarro. Eu comecei a fazer isso em 2010, dentro de uma proposta de uma outra artista, chamada Irene Kopelman. Na \u00e9poca, ela veio ao Brasil para dar uma oficina, e ela queria que a gente pintasse pedras, coisas mais \u00e0 m\u00e3o, que estivessem mais no plano pr\u00f3ximo. A\u00ed eu saio do pr\u00e9dio, onde a gente estava, olho para o ch\u00e3o e falo: \u201c\u00c9 isso, bituca\u201d. E eu come\u00e7o a coletar as bitucas e entender at\u00e9 mesmo a cartografia do lugar, porque esse lugar, que era o CentroeQuatro, fica ao lado de uma rua que \u00e9 conhecida como a rua dos prost\u00edbulos aqui em Belo Horizonte, a Rua Guaicurus. Ent\u00e3o, era muito comum, por exemplo, achar cigarros borrados com batom. Numa outra regi\u00e3o da cidade, eram os cigarros mais caros. Ent\u00e3o voc\u00ea come\u00e7a a entender, pelo pr\u00f3prio cigarro, uma certa cartografia do espa\u00e7o. Esse trabalho acabou entrando nesse lugar de uma cole\u00e7\u00e3o infinita, porque eu pinto uma vez s\u00f3 essa bituca em tamanho natural e, como s\u00e3o representa\u00e7\u00f5es bem fidedignas, quando as pessoas chegam na pintura, elas falam \u201cAh, que bonitinho\u201d e tal, mas \u00e9 uma bituca de cigarro, uma das coisas mais odiosas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu tamb\u00e9m n\u00e3o pegava qualquer bituca. Pegava, digamos assim, aquela que estava ali h\u00e1 mais tempo, ou com uma marca particular. Mas o ponto \u00e9: cada uma \u00e9 \u00fanica. Voc\u00ea pode pegar a mesma marca, no mesmo lugar, cada uma sempre vai ser \u00fanica. Ent\u00e3o, \u00e9 esse pegar algo t\u00e3o banal, e mesmo nesse algo t\u00e3o banal tem esse lugar de ser \u00fanico.<\/p>\n\n\n<div class=\"wonderpluginaudio\" id=\"wonderpluginaudio-97\" data-audioplayerid=\"97\" data-width=\"24\" data-height=\"600\" data-skin=\"button24\" data-progressinbar=\"true\" data-showinfo=\"false\" data-showimage=\"false\" data-autoplay=\"false\" data-random=\"false\" data-autoresize=\"false\" data-responsive=\"false\" data-showtracklist=\"false\" data-tracklistscroll=\"true\" data-showprogress=\"false\" data-showprevnext=\"false\" data-showloop=\"false\" data-stopotherplayers=\"true\" data-preloadaudio=\"true\" data-noncontinous=\"false\" data-showtracklistsearch=\"false\" data-saveposincookie=\"false\" data-wptracklist=\"false\" data-removeinlinecss=\"true\" data-enabletabindex=\"false\" data-showtime=\"false\" data-showvolume=\"false\" data-showvolumebar=\"true\" data-showliveplayedlist=\"false\" data-stoponpausebutton=\"false\" data-reloadstream=\"false\" data-playpausefontcircle=\"true\" data-prevnextfontcircle=\"true\" data-showtitleinbar=\"false\" data-showloading=\"false\" data-enablega=\"false\" data-titleinbarscroll=\"true\" data-donotinit=\"false\" data-addinitscript=\"false\" data-imagewidth=\"100\" data-imageheight=\"100\" data-loop=\"1\" data-tracklistitem=\"10\" data-titleinbarwidth=\"80\" data-gatrackingid=\"\" data-ga4account=\"\" data-playbackrate=\"1\" data-playpauseimage=\"playpause-24-24-2.png\" data-playpauseimagewidth=\"24\" data-playpauseimageheight=\"24\" data-cookiehours=\"240\" data-prevnextimage=\"prevnext-24-24-0.png\" data-prevnextimagewidth=\"24\" data-prevnextimageheight=\"24\" data-volumeimage=\"volume-24-24-0.png\" data-volumeimagewidth=\"24\" data-volumeimageheight=\"24\" data-liveupdateinterval=\"10000\" data-maxplayedlist=\"8\" data-playedlisttitle=\"Last Tracks Played\" data-loopimage=\"loop-24-24-0.png\" data-loopimagewidth=\"24\" data-loopimageheight=\"24\" data-playpausefontwidth=\"32\" data-playpausefontheight=\"32\" data-playpausefontsize=\"12\" data-playpausefontradius=\"0\" data-playpausefontcolor=\"#fff\" data-playpausefontbgcolor=\"#333\" data-playpausefonthovercolor=\"#fff\" data-playpausefonthoverbgcolor=\"#555\" data-prevnextfontwidth=\"32\" data-prevnextfontheight=\"32\" data-prevnextfontsize=\"12\" data-prevnextfontradius=\"0\" data-prevnextfontcolor=\"#fff\" data-prevnextfontbgcolor=\"#333\" data-prevnextfonthovercolor=\"#fff\" data-prevnextfonthoverbgcolor=\"#555\" data-infoformat=\"&lt;div class=&quot;amazingaudioplayer-info-title&quot;&gt;%ARTIST% %ALBUM%&lt;\/div&gt;\n&lt;div class=&quot;amazingaudioplayer-info-description&quot;&gt;%INFO%&lt;\/div&gt;\" data-tracklistscroll=\"false\" data-jsfolder=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/plugins\/wonderplugin-audio\/engine\/\" style=\"display:block;position:relative;margin:0 auto;width:24px;height:auto;\"><ul class=\"amazingaudioplayer-audios\" style=\"display:none;\"><li data-artist=\"\" data-title=\"Audio3.LucasDupin-esv1-41p\" data-album=\"\" data-info=\"&quot;Audio3.LucasDupin-esv1-41p&quot;.\" data-image=\"https:\/\/art100.in\/wp-includes\/images\/media\/audio.svg\" data-duration=\"26\"><div class=\"amazingaudioplayer-source\" data-src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Audio3.LucasDupin-esv1-41p.wav\" data-type=\"audio\/mpeg\" ><\/div><\/li><\/ul><\/div><script>function wonderaudio_97_appendcss(csscode) {var head=document.head || document.getElementsByTagName(\"head\")[0];var style=document.createElement(\"style\");head.appendChild(style);style.type=\"text\/css\";if (style.styleSheet){style.styleSheet.cssText=csscode;} else {style.appendChild(document.createTextNode(csscode));}};wonderaudio_97_appendcss(\"#wonderpluginaudio-97 { \tbox-sizing: content-box; 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Isso me interessa bastante enquanto artista, trabalhar a partir de algo que nos \u00e9 muito familiar, mas que, de alguma forma, seja pelo modo de trabalho, seja pelo deslocamento que \u00e9 feito, isso possa ser visto e nos levar a outras poss\u00edveis leituras.<\/strong> O estalinho \u00e9 uma bombinha estourada no ch\u00e3o, um papelzinho que todo mundo conhece, mas eu gasto semanas para pintar uma aquarela de grandes dimens\u00f5es de uma coisa desse tamaninho. No caso do estalinho, o gesto de ampliar \u00e9 justamente tirar, fazer uma cis\u00e3o entre a coisa representada e a pintura em si, apesar de ela ser uma correspond\u00eancia imediata. Mas o objeto \u00e9 t\u00e3o absurdo, \u00e9 t\u00e3o pouco visto nessa escala que voc\u00ea perde o referencial. Ent\u00e3o, as pessoas veem p\u00e9talas, pedras, mas nunca o estalinho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"667\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/DUPIN-17-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4120\" style=\"width:1100px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/DUPIN-17-1.jpg 1000w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/DUPIN-17-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/DUPIN-17-1-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">S\/t\u00edtulo (Estalinho #024), 2020<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como voc\u00ea d\u00e1 o nome para as bitucas? Quais s\u00e3o os t\u00edtulos?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu tenho chamado de s\u00e9rie <em>Bitucas<\/em> mesmo. Eu acho que todos os meus trabalhos s\u00e3o s\u00e9ries meio infinitas. O caso \u00e9 que, at\u00e9 hoje, eu sempre as expus como uma grande linha. E elas s\u00e3o expostas dentro de um saquinho <em>Ziploc<\/em>. O saquinho \u00e9 parte do trabalho tamb\u00e9m. O saquinho existe porque tem esse universo, essa ideia da cole\u00e7\u00e3o, essa coisa de ir guardando dentro do saquinho, de identifica\u00e7\u00e3o. Eu expus esse trabalho de novo no ano passado, numa grande rotunda dentro da exposi\u00e7\u00e3o. E eu estou hoje com cem pinturas acumuladas que eu quero ver como elas funcionam dentro de uma outra configura\u00e7\u00e3o. \u00c9 um trabalho simples, mas que eu acho muito significativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, quando eu come\u00e7o a fazer esse trabalho, inclusive, \u00e9 muito engra\u00e7ado. Tudo o que eu estava fazendo \u2013 o pr\u00eamio do Tomie Ohtake, as outras exposi\u00e7\u00f5es \u2013 estava muito ligado a interven\u00e7\u00f5es, na natureza, no espa\u00e7o urbano. Quando eu estava pintando essas bitucas, que s\u00e3o super-realistas, algu\u00e9m virou e perguntou espantado se eu pintava. Eu falei: \u201cPor que n\u00e3o?\u201d Eu n\u00e3o fa\u00e7o interven\u00e7\u00e3o porque eu n\u00e3o sei pintar, mas porque o trabalho pede que ele seja feito dessa forma. Esse trabalho, no caso, pede que ele seja uma aquarela, a meu ver. Ele pede que ele seja nessa dimens\u00e3o. O trabalho pede a t\u00e9cnica, e n\u00e3o o contr\u00e1rio. Hoje eu tenho pintado bastante, mas, se voc\u00ea pegar o meu livro<em> A parte pelo todo<\/em>, voc\u00ea vai ver: tem escultura, tem interven\u00e7\u00e3o, tem performance, tem videoperformance, fotoperformance, tem pintura, tem de tudo, todas as linguagens.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"2039\" height=\"1234\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/MOSAICO-bitucas_lucasdupin_2018_baixa.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4124\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/MOSAICO-bitucas_lucasdupin_2018_baixa.png 2039w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/MOSAICO-bitucas_lucasdupin_2018_baixa-300x182.png 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/MOSAICO-bitucas_lucasdupin_2018_baixa-1024x620.png 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/MOSAICO-bitucas_lucasdupin_2018_baixa-768x465.png 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/MOSAICO-bitucas_lucasdupin_2018_baixa-1536x930.png 1536w\" sizes=\"(max-width: 2039px) 100vw, 2039px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">S\/t\u00edtulo (Bitucas), 2011<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E voc\u00ea acha que essas classifica\u00e7\u00f5es (pintor, escultor) ainda s\u00e3o bastante usadas ou isso tem mudado?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse lugar de uma defini\u00e7\u00e3o pela linguagem hoje \u00e9 muito mais brando. Mas, ainda assim, eu acho que ele existe, sobretudo quando a gente fala de mercado. E, hoje, o mercado est\u00e1 intimamente ligado ao institucional. Porque o mercado trabalha com previsibilidade, n\u00e3o com inven\u00e7\u00e3o. O mercado espera que voc\u00ea continue de algum modo dentro de uma mesma linha. Ent\u00e3o acho que todo artista que foge um pouco disso tem uma dificuldade um pouco maior. E a proemin\u00eancia do mercado ainda \u00e9 a pintura.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2022, participei da Bienal do Mercosul, quando eu mostrei uma instala\u00e7\u00e3o gigante, de 7 metros de altura, uma videoinstala\u00e7\u00e3o [<em>Da mem\u00f3ria vegetal<\/em>, 13\u00aa Bienal do Mercosul, 2022]. Tendo a oportunidade de fazer um trabalho dessa natureza, o projeto n\u00e3o falta. A quest\u00e3o \u00e9 que a gente sabe que isso depende de um convite institucional, de um espa\u00e7o de recursos. Eu acho que o trabalho vai respondendo, de algum modo, \u00e0s circunst\u00e2ncias, tamb\u00e9m. Eu nunca busquei responder a uma pauta do dia. Eu tenho minha pesquisa, ela est\u00e1 sendo feita j\u00e1 h\u00e1 mais de 15 anos, e eu confio que ela est\u00e1 respondendo tamb\u00e9m \u00e0s quest\u00f5es desse tempo. S\u00f3 que eu n\u00e3o vou buscar moldar o meu trabalho \u00e0 necessidade do mercado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observando as suas obras, a m\u00eddia varia bastante, mas existem esses pontos em comum que eu acho que \u00e9 sempre interessante observar. Gostaria de falar sobre a s\u00e9rie<\/strong><strong><em> Tempo-rev\u00e9s<\/em><\/strong><strong> (2013).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A s\u00e9rie <em>Tempo-rev\u00e9s<\/em> come\u00e7a em 2013. Eu expus as caixas pela primeira vez em 2015, mas \u00e9 um trabalho que eu iniciei em 2013, quando eu estava morando na Inglaterra. Uma coisa que me impressionou bastante l\u00e1 na Inglaterra \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o deles com os calend\u00e1rios. Eu nunca tinha visto um lugar que tinha tanto quiosque com calend\u00e1rio. Era calend\u00e1rio para tudo quanto \u00e9 lugar, quase um kit b\u00e1sico de qualquer lugar. Ent\u00e3o, l\u00e1 era muito comum no final do ano voc\u00ea receber calend\u00e1rios de presente dos lugares. Eu achei aquilo interessante, num momento em que eu estava muito recluso, tamb\u00e9m. A opera\u00e7\u00e3o do <em>Tempo-rev\u00e9s<\/em> \u00e9 muito simples. \u00c9 retirar toda e qualquer refer\u00eancia ao tempo dos calend\u00e1rios: dias, meses, anos, luas. E o que sobrou foi essa renda. E eu achei aquilo uma coisa interessant\u00edssima. Ainda era um per\u00edodo em que eu estava muito ligado \u00e0 minha pesquisa de mestrado, com Maurice Blanchot, Georges Didi-Huberman, com a coisa desse tempo fora do tempo, que \u00e9 o tempo da escrita, o tempo da cria\u00e7\u00e3o. Quando a gente faz isso no calend\u00e1rio, a gente se d\u00e1 conta do qu\u00e3o arbitr\u00e1rio \u00e9 esse nosso modo de pensar, dividir e organizar o tempo. Porque o calend\u00e1rio \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o, uma inven\u00e7\u00e3o datada, inclusive. A palavra calend\u00e1rio vem do latim, do livro de registro de coleta de impostos no Imp\u00e9rio Romano. E surgiu, na verdade, por uma necessidade de se lembrar o momento de cobrar os impostos das pessoas. O calend\u00e1rio que a gente usa \u00e9 o calend\u00e1rio gregoriano, que foi sendo aprimorado ao longo dos s\u00e9culos, mas cada sociedade inventou um calend\u00e1rio, como os maias tinham o seu calend\u00e1rio, os incas tinham um outro. Cada povo, cada civiliza\u00e7\u00e3o de algum modo buscou e busca at\u00e9 hoje organizar o tempo de uma forma diferente. Uma vez retiradas essas refer\u00eancias, o que sobra? Sobra um esqueleto do nosso modo de pensar e organizar as coisas, que responde muito ao nosso modo ocidental de pensar, em caixas, e de dar contorno \u00e0s coisas. E isso se conecta com o livro, que tamb\u00e9m se conecta aos trabalhos recentes, que, por uma opera\u00e7\u00e3o de corte, pegam um objeto conhecido, mas ao mesmo tempo completamente desfuncionalizado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Tempo-rev\u00e9s <\/em>\u00e9 uma s\u00e9rie que abrange diversas m\u00eddias.<em> <\/em>Tem as caixas, que s\u00e3o justamente um calend\u00e1rio de 12 p\u00e1ginas, em geral, uma para cada m\u00eas. A gente v\u00ea o calend\u00e1rio inteiro, mas todos os n\u00fameros ca\u00eddos. A instala\u00e7\u00e3o, que \u00e9 de onde o trabalho todo parte, faz parte desse gesto de esvaziar, e est\u00e1 associada \u00e0 minha idade. \u00c9 uma instala\u00e7\u00e3o <em>in progress. <\/em>Porque, a cada vez que eu a mostro, eu tenho que cortar mais calend\u00e1rios. Ent\u00e3o, todo ano eu adiciono um calend\u00e1rio. Em 2023, eu a expus na Casa Firjan, no Rio, pela primeira vez com uma configura\u00e7\u00e3o diferente. \u00c9 um trabalho que tem tr\u00eas metros de altura, ele precisa de realmente um galp\u00e3o enorme, apesar de caber numa caixinha, porque \u00e9 tudo papel pendurado. Eram mais de 400 folhas penduradas, e o espa\u00e7o era completamente diferente, baixo, mas muito comprido. E eu fiz essa instala\u00e7\u00e3o imersiva, dentro da qual as pessoas caminhavam, o que ficou incr\u00edvel, e uma instala\u00e7\u00e3o sonora. Convidei um parceiro, Davi Fuzari, para fazer uma pe\u00e7a sonora espec\u00edfica para essa instala\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, era uma outra obra, a partir da mesma obra. Eu lembro quando eu a expus no Tomie Ohtake, tinha gente que chorava. Esse trabalho era uma coisa impressionante, porque ele tem uma coisa imponente quando \u00e9 exposto de outra forma. E tem a dimens\u00e3o do trabalho, voc\u00ea pensar que cada quadradinho daquilo foi cortado \u00e0 m\u00e3o. \u00c9 um trabalho massivo, gigante. N\u00e3o tem como voc\u00ea n\u00e3o pensar no tempo de vida, nesse tempo que n\u00e3o volta, nesse tempo que j\u00e1 caiu.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E tamb\u00e9m tem a performance, que nada mais \u00e9 do que levar para o espa\u00e7o p\u00fablico a a\u00e7\u00e3o de cortar o calend\u00e1rio. A primeira vez em que eu fiz a filmagem com a equipe de cinema foi num lugar muito simb\u00f3lico, que \u00e9 no cruzamento da [Rua] Bela Cintra com a [Avenida] Paulista. Um cruzamento bem emblem\u00e1tico, porque a Paulista mergulha por baixo para acessar a [Avenida] Rebou\u00e7as. Ent\u00e3o tem aquela configura\u00e7\u00e3o, eu estou numa ilhotinha, no meio de um tr\u00e2nsito enorme, sendo filmado de longe, e a\u00ed voc\u00ea tem a cidade mergulhando, saindo, aquela loucura.&nbsp; Na performance, eu fico durante oito horas, ininterruptas, sem me levantar para nada, sem comer, eu s\u00f3 tomo um golinho ou outro de \u00e1gua, em sil\u00eancio absoluto, cortando, esvaziando esses calend\u00e1rios, o que remete \u00e0 jornada do tempo de trabalho, vestido com uma roupa meio de trabalhador. Eu estou sentado, e l\u00e1 est\u00e3o passando pessoas vestidas de um jeito parecido: camisa social, gravatinha. Ent\u00e3o, \u00e9 um trabalho que acontece num aspecto da dura\u00e7\u00e3o porque, quando a pessoa chega para trabalhar, eu estou ali; quando ela vai almo\u00e7ar, eu estou ali; quando ela vai embora, eu estou ali. \u00c9 um trabalho que tamb\u00e9m tem uma s\u00e9rie de fotografias, que \u00e9 uma outra s\u00e9rie de objetos. Tem as caixas, tem as fotografias, tem a plataforma, tem o v\u00eddeo. S\u00e3o trabalhos que continuam.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1920\" height=\"1280\" data-id=\"4128\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/serie-tempo-reves_lucasdupin_2017-11-de-27.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4128\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/serie-tempo-reves_lucasdupin_2017-11-de-27.jpg 1920w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/serie-tempo-reves_lucasdupin_2017-11-de-27-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/serie-tempo-reves_lucasdupin_2017-11-de-27-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/serie-tempo-reves_lucasdupin_2017-11-de-27-768x512.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/serie-tempo-reves_lucasdupin_2017-11-de-27-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1920\" height=\"1080\" data-id=\"4126\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/serie-tempo-reves_lucasdupin_2017-14-de-27.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4126\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/serie-tempo-reves_lucasdupin_2017-14-de-27.jpg 1920w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/serie-tempo-reves_lucasdupin_2017-14-de-27-300x169.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/serie-tempo-reves_lucasdupin_2017-14-de-27-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/serie-tempo-reves_lucasdupin_2017-14-de-27-768x432.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/serie-tempo-reves_lucasdupin_2017-14-de-27-1536x864.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\"><br>Tempo-rev\u00e9s, 2013<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E voc\u00ea comentou que a ideia inicial do trabalho veio quando voc\u00ea estava fazendo uma resid\u00eancia na Inglaterra. Essa universalidade do conceito e da obra foi proposital?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o, aconteceu a partir do pr\u00f3prio objeto. \u00c9 uma coisa at\u00e9 meio banal, \u00e9 o objeto que eu tinha \u00e0 m\u00e3o, que estava me interessando naquele momento. Eu estava isolado com esse objeto no ateli\u00ea, e eu entendi que isso, para mim, me motivava. Inclusive, eu fiz um chamado aberto no jornal da cidade e comecei a receber doa\u00e7\u00f5es de calend\u00e1rio da cidade. Era a coisa mais engra\u00e7ada, receber caixas de calend\u00e1rio, foi muito bom. Justamente porque \u00e9 algo muito comum do lugar. Algumas pessoas ainda se lembram desse trabalho que eu junto, assim como eu junto livros. Tem um trabalho de coleta de material. Atualmente, os \u00fanicos materiais de arte que eu compro s\u00e3o pincel e aquarela, o resto \u00e9 mais material de constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para a gente fechar, eu queria pedir para voc\u00ea compartilhar algum desafio que voc\u00ea passou ou passa na sua carreira.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu acho que o desafio de qualquer artista \u00e9 n\u00e3o parar, porque a gente vai muito numa m\u00e3o contr\u00e1ria do que o mundo, do que o tempo do trabalho, do dinheiro diz. E isso eu estou falando sobre qualquer artista que est\u00e1 comprometido com uma pesquisa art\u00edstica. Eu acho que, dentro desse nicho, ainda tem v\u00e1rios modos de ser artista. Mas eu diria que \u00e9 n\u00e3o parar, porque \u00e9 justamente um trabalho que se d\u00e1 muito num p\u00e9 nas duas canoas. Uma coisa \u00e9 voc\u00ea manter uma pesquisa, um lugar de puls\u00e3o, de entendimento, de interesse, de encantamento pelo mundo, outra \u00e9 fazer essa costura justamente no lugar em que a gente ainda est\u00e1 lidando com a produ\u00e7\u00e3o de objetos, produ\u00e7\u00e3o de imagem, produ\u00e7\u00e3o de sentido, em um mundo que se v\u00ea sobrecarregado desses mesmos elementos, que sempre vai desvalorizar esse fazer. Ou, quando voc\u00ea atinge um certo lugar de interesse do mercado, o artista, ele vai ser objetificado, e a\u00ed passa para um outro patamar, talvez de uma mais-valia, que foge tamb\u00e9m completamente do mundo e vai para um lugar astron\u00f4mico. Ent\u00e3o, um dos gestos mais dif\u00edceis para o artista talvez seja se manter na const\u00e2ncia da produ\u00e7\u00e3o sem que ele perca f\u00f4lego, sem que ele perca esse encantamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu acho que tem pessoas que j\u00e1 v\u00eam de uma fam\u00edlia mais abastada que t\u00eam possibilidade de n\u00e3o sofrer tanto com essa variabilidade, mas qualquer artista que est\u00e1 trabalhando fora desses lugares vai se ver sempre frente a uma dificuldade de fazer coincidir seja uma disponibilidade de tempo, seja uma disponibilidade de recurso, uma disponibilidade financeira. Porque, \u00e0s vezes, a pesquisa, o encantamento, n\u00e3o basta. E a gente sabe que, morando no Brasil, a gente est\u00e1 num pa\u00eds que n\u00e3o gosta tanto de pol\u00edticas p\u00fablicas no campo da cultura, quase sempre muito concentradas em poucos lugares e em poucos campos tamb\u00e9m. Infelizmente, as artes visuais n\u00e3o s\u00e3o um deles, apesar de movimentar uma economia gigantesca. A gente sabe que a maior parte dos artistas vive e produz de modo prec\u00e1rio, sem uma seguran\u00e7a m\u00ednima. Ent\u00e3o, acho que o maior desafio para um artista \u00e9 n\u00e3o parar, n\u00e3o submeter a sua pesquisa ao edital. A cultura do edital \u00e9 boa, no sentido de democratizar o modo de acessar recursos, mas a gente sabe que os recursos s\u00e3o muito limitados e a gente cai numa outra seara que \u00e9 tamb\u00e9m muito distante da pr\u00e1tica e da pesquisa art\u00edstica em si. Ent\u00e3o, o qu\u00e3o resiliente voc\u00ea \u00e9 envolve administrar tantas negativas. \u00c9 n\u00e3o parar e seguir produzindo aquilo que voc\u00ea acredita que merece o seu tempo, sua aten\u00e7\u00e3o, seu recurso, essa contribui\u00e7\u00e3o que vai ser \u00fanica. Algumas vezes a gente \u00e9 mais feliz nessa coincid\u00eancia com o tempo, com o momento, mas em outras realmente \u00e9 uma luta, porque isso \u00e9 c\u00edclico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu considero 2007 o ano em que eu comecei a mostrar o meu trabalho, que eu entendo como o in\u00edcio de uma pesquisa art\u00edstica, que difere e que se mant\u00e9m at\u00e9 hoje. Ent\u00e3o, a gente est\u00e1 falando de 16, quase 17 anos de uma produ\u00e7\u00e3o ininterrupta. Eu acho que isso \u00e9 um diferencial. O desafio \u00e9 sempre como a gente mant\u00e9m esse lugar de uma pesquisa que se transforma tamb\u00e9m com o tempo e que n\u00e3o vai ser uma imagem est\u00e1tica parada no tempo para o mercado poder consumir. E eu fiquei muito feliz que voc\u00ea trouxe os trabalhos anteriores, porque quem, por exemplo, est\u00e1 vendo os trabalhos mais atuais, tamb\u00e9m vai ver que o trabalho que eu estou fazendo agora est\u00e1 intimamente ligado aos que eu fazia em 2008 e 2009, que \u00e9 quando come\u00e7am as s\u00e9ries.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2048\" height=\"1367\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/481011018_1052909113524208_8283184160426950758_n.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4131\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/481011018_1052909113524208_8283184160426950758_n.jpg 2048w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/481011018_1052909113524208_8283184160426950758_n-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/481011018_1052909113524208_8283184160426950758_n-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/481011018_1052909113524208_8283184160426950758_n-768x513.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/481011018_1052909113524208_8283184160426950758_n-1536x1025.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 2048px) 100vw, 2048px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Biblioteca por vir, 2020<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o, eu falo que os trabalhos da s\u00e9rie<em> Biblioteca por vir <\/em>(2019), que s\u00e3o as pinturas nos livros, por exemplo, fazem parte de uma grande biblioteca que eu estou pintando h\u00e1 alguns anos. E o meu desafio, por exemplo, neste ano, \u00e9 justamente conseguir abrir um espa\u00e7o na agenda para fazer essa instala\u00e7\u00e3o dentro de uma biblioteca, ocupar uma biblioteca inteira, para que esse trabalho possa ser visto no lugar em que ele foi pensado. No caso da instala\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie <em>Tempo-rev\u00e9s<\/em>, por exemplo, era um gesto t\u00e3o megaloman\u00edaco que eu demorei quatro anos para conseguir mostrar a instala\u00e7\u00e3o. Em 2013, ela j\u00e1 estava pronta e pensada, e eu demorei quatro anos porque eu precisava de um galp\u00e3o, eu precisava de dinheiro, eu precisava de pessoas para poder montar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para mim, o trabalho que foi feito 10 anos atr\u00e1s, \u00e0s vezes, ele est\u00e1 mais vivo do que o que eu fiz no ano passado, porque o tempo da produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 linear, o tempo da pesquisa n\u00e3o \u00e9 linear, ele est\u00e1 muito mais pr\u00f3ximo de uma espiral que volta e passa no mesmo lugar, mas, ao mesmo tempo, \u00e9 um outro lugar. O que muda com o tempo \u00e9 que a gente vai entendendo que tem trabalhos que demoram anos para serem feitos, costurados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entrevista realizada em 15 de julho de 2024 remotamente via Zoom.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped has-lightbox wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1920\" height=\"1282\" data-id=\"4142\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/047b5d4b-ca4b-490d-8fd8-2e9263976727_1920x1282.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4142\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/047b5d4b-ca4b-490d-8fd8-2e9263976727_1920x1282.jpeg 1920w, 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src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Captura-de-tela-2026-08-20-165346.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4148\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Captura-de-tela-2026-08-20-165346.png 1884w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Captura-de-tela-2026-08-20-165346-300x143.png 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Captura-de-tela-2026-08-20-165346-1024x487.png 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Captura-de-tela-2026-08-20-165346-768x365.png 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Captura-de-tela-2026-08-20-165346-1536x730.png 1536w\" sizes=\"(max-width: 1884px) 100vw, 1884px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">deSERto<br>Frame<br>2010<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lucas Dupin reflete sobre sua pr\u00e1tica art\u00edstica por meio de uma investiga\u00e7\u00e3o cont\u00ednua sobre o tempo, a mem\u00f3ria e a materialidade, transformando objetos e lugares cotidianos em reflex\u00f5es po\u00e9ticas sobre transforma\u00e7\u00e3o e 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