{"id":4349,"date":"2026-10-20T08:00:00","date_gmt":"2026-10-20T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/art100.in\/?p=4349"},"modified":"2026-10-21T12:43:06","modified_gmt":"2026-10-21T12:43:06","slug":"bernardo-glogowski","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/bernardo-glogowski\/","title":{"rendered":"Bernardo Glogowski"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artista pl\u00e1stico Bernardo Glogowski (S\u00e3o Paulo, 1984) se dedica \u00e0 pintura e incorpora fotografia e pesquisa jornal\u00edstica nos processos de constru\u00e7\u00e3o de suas obras. Sua investiga\u00e7\u00e3o se concentra nas fronteiras da mem\u00f3ria, do esquecimento e do trauma, explorando os significados conhecidos e desconhecidos em uma imagem, como ao utilizar imagens de jornais como ponto de partida, em que o conhecimento do observador em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 not\u00edcia se torna relevante. Na entrevista, Glogowski discute seu fasc\u00ednio por imagens que carregam hist\u00f3rias traum\u00e1ticas e amb\u00edguas, como acidentes, guerras e massacres, e como ele trabalha essas imagens atrav\u00e9s da pintura para explorar a ambiguidade e a efemeridade da mem\u00f3ria. Confira a entrevista com o artista:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"513\" height=\"699\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Bernardo-Glogowski-Retrato.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4376\" style=\"width:1100px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Bernardo-Glogowski-Retrato.jpg 513w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Bernardo-Glogowski-Retrato-220x300.jpg 220w\" sizes=\"(max-width: 513px) 100vw, 513px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Bernardo, obrigado pelo seu tempo e por estar aqui conosco. Eu gostaria de come\u00e7ar pedindo que voc\u00ea se apresente com qualquer informa\u00e7\u00e3o que voc\u00ea considere relevante para um p\u00fablico que n\u00e3o conhece ainda a sua pr\u00e1tica art\u00edstica.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sou Bernardo Glogowski, sou artista pl\u00e1stico e trabalho principalmente com pintura desde 2007. Meu trabalho gira em torno de imagens apropriadas, muitas vezes extra\u00eddas de jornais. Tenho uma forte influ\u00eancia do jornalismo e do arquivo. Sou muito atra\u00eddo por temas de mem\u00f3rias dif\u00edceis e traum\u00e1ticas, como acidentes, guerras e massacres. Contudo, na minha pintura, procuro explorar a ambiguidade das imagens, que, \u00e0s vezes, podem representar algo terr\u00edvel, mas, em outras ocasi\u00f5es, algo trivial. De alguma forma, no mundo do jornal impresso e agora na internet, as imagens \u00e0s vezes t\u00eam o mesmo peso e s\u00e3o facilmente esquecidas e descartadas. A pintura, como um meio que historicamente busca preservar a imagem, mesmo que eu questione isso, tamb\u00e9m faz coment\u00e1rios sobre a pr\u00f3pria pintura. Por isso, gosto de trazer imagens que foram um pouco esquecidas, obscuras ou at\u00e9 amb\u00edguas. Eu criei uma s\u00e9rie de pinturas de fuma\u00e7a que tinha muito a ver com isso. Muitas vezes, quando vemos fuma\u00e7a, n\u00e3o sabemos a origem \u2013 pode ser de uma ind\u00fastria, o que \u00e9 problem\u00e1tico, devido \u00e0s quest\u00f5es clim\u00e1ticas atuais, ou pode ser uma bomba, ou um inc\u00eandio. Gosto da ideia de que quem v\u00ea a imagem possa refletir e criar a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Isso acontece muito, principalmente quando trabalho em s\u00e9ries, pois muitos espectadores acabam inventando uma hist\u00f3ria para preencher as lacunas. Isso \u00e9 muito interessante para mim, porque \u00e0s vezes diz mais sobre quem est\u00e1 vendo do que sobre a obra em si. Al\u00e9m de trazer temas sobre viol\u00eancia, eu tamb\u00e9m inclu\u00ed algumas imagens com um toque mais publicit\u00e1rio. Fiz uma s\u00e9rie sobre sapatos femininos, um objeto que me fascina muito. Eles t\u00eam um qu\u00ea de er\u00f3tico, mas tamb\u00e9m lembram sapatos de v\u00edtimas, como os vistos em desastres a\u00e9reos ou no Holocausto. Por vezes, dependendo do que coloco ao lado; a interpreta\u00e7\u00e3o pode variar. Pode ser apenas uma antiga imagem publicit\u00e1ria que n\u00e3o significa muito, al\u00e9m de fazer refletir sobre o consumo em si. Tamb\u00e9m pode remeter a um universo fetichista, seja no sentido de fetiche da mercadoria, ou do fetichismo sexual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nessa apropria\u00e7\u00e3o da imagem, quando voc\u00ea a recontextualiza, pretende levar consigo a hist\u00f3ria por tr\u00e1s dela? Ou essa recontextualiza\u00e7\u00e3o altera n\u00e3o s\u00f3 a imagem, mas tamb\u00e9m o significado do tema?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meus pais s\u00e3o jornalistas. Minha m\u00e3e trabalhava como editora e meu pai como fotojornalista. Ent\u00e3o, essas imagens de trag\u00e9dias, acidentes ou at\u00e9 de colunas sociais faziam parte do meu universo na inf\u00e2ncia. Muitas dessas imagens v\u00eam de mem\u00f3rias antigas ou de coisas a que eu assisti na televis\u00e3o, por exemplo, o caso do <em>Heaven&#8217;s Gate<\/em>, em 97 pelo qual eu fiquei totalmente obcecado. Eu penso muito sobre traumas, n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que estou estudando Kiefer e Boltanski. Isso n\u00e3o \u00e9 parte do meu trabalho art\u00edstico, \u00e9 te\u00f3rico, mas acredito que se relaciona com o meu trabalho. O trauma, ao mesmo tempo que aprisiona, tamb\u00e9m liberta e, atrav\u00e9s da arte, pode ser reinventado. De certa forma, Kiefer est\u00e1 preso \u00e0 sua mem\u00f3ria traum\u00e1tica, que \u00e9 at\u00e9 mesmo herdada, pois ele n\u00e3o vivenciou a guerra. No entanto, ele est\u00e1 sempre reconstruindo ru\u00ednas e, ao mesmo tempo, construindo algo novo. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua pergunta, \u00e9 algo que reflito bastante a respeito da hist\u00f3ria. Muitas vezes, evito inserir uma hist\u00f3ria, pois gosto dessa ambiguidade, mas, em muitas ocasi\u00f5es, incluo no t\u00edtulo. De um jeito geral, nos textos de exposi\u00e7\u00e3o, eu tento colocar. Ou quando algu\u00e9m escreve, eu converso sobre incluir essa origem, que normalmente carrega um universo de eventos traum\u00e1ticos, violentos ou tr\u00e1gicos de alguma forma. Eu fiz uma s\u00e9rie em que tinham v\u00e1rios tipos de v\u00edtimas, desde as de guerras at\u00e9 as da epidemia de Aids; \u00e9 um tema que realmente me fascina. Todas s\u00e3o v\u00edtimas de alguma forma. Pintei o Amarildo tamb\u00e9m, numa \u00e9poca em que ele parecia ser quase um m\u00e1rtir. Usei madeira, com um toque de pintura medieval. A ideia de um m\u00e1rtir na hist\u00f3ria da arte sempre me chamou aten\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes eu dou nome \u00e0s v\u00edtimas, mas nem sempre. Muitas vezes, as pinturas s\u00e3o sem t\u00edtulo, o que deixa tudo ainda mais amb\u00edguo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Considerando essa rela\u00e7\u00e3o com o trauma e os eventos noticiados no jornal e na TV, parece que h\u00e1 tamb\u00e9m um interesse no trauma compartilhado, na dor social. Deve ser interessante observar pessoas de diferentes idades, algumas possivelmente se identificando, pois tamb\u00e9m viram no jornal na \u00e9poca que foi not\u00edcia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso acontece muito. Eu fiz algumas pinturas de m\u00e3os machucadas ou doentes, e uma delas era sobre o incidente do c\u00e9sio-137 em Goi\u00e2nia. Fiquei em d\u00favida se deveria dar um nome a ela. O curador, que \u00e9 mais jovem, n\u00e3o conhecia a hist\u00f3ria. Mas uma outra curadora, mais velha, se lembrou do incidente, pois leu sobre isso no jornal quando era crian\u00e7a. \u00c0s vezes, as imagens permanecem um mist\u00e9rio. Algumas imagens, por\u00e9m, s\u00e3o bastante triviais e n\u00e3o t\u00eam nenhum trauma associado, mas mesmo assim as pessoas ainda sentem uma certa atmosfera tr\u00e1gica. Gosto desse espa\u00e7o. Acredito que isso acontece devido a traumas compartilhados, sejam eles hist\u00f3ricos, comemorados ou herdados. Mesmo que a pessoa n\u00e3o tenha vivido o trauma, ela se lembra de um trauma coletivo ou herdado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1968\" height=\"2560\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2023-cesio-137-27x35cm-oiloncanvas-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4384\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2023-cesio-137-27x35cm-oiloncanvas-scaled.jpg 1968w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2023-cesio-137-27x35cm-oiloncanvas-231x300.jpg 231w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2023-cesio-137-27x35cm-oiloncanvas-768x999.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2023-cesio-137-27x35cm-oiloncanvas-787x1024.jpg 787w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2023-cesio-137-27x35cm-oiloncanvas-1574x2048.jpg 1574w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2023-cesio-137-27x35cm-oiloncanvas-1181x1536.jpg 1181w\" sizes=\"(max-width: 1968px) 100vw, 1968px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">C\u00e9sio 137, 2023<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Antigamente, a dissemina\u00e7\u00e3o de imagens, de maneira geral, acontecia de forma mais pontual. T\u00ednhamos um grupo de jornalistas que ia ao local, tirava as fotos que eram usadas \u00e0 exaust\u00e3o por v\u00e1rios ve\u00edculos. Por exemplo, o 11 de Setembro, do qual todos n\u00f3s temos um mesmo conjunto de imagens em mente, repetidas em todo o mundo. Hoje em dia, isso ocorre menos. Pegando o conflito de Gaza como exemplo, existem tantas imagens\u2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim, \u00e0s vezes a imagem \u00e9 de 2014 ou de 2009, durante outro conflito em Gaza. Os temas muito recentes, que ainda est\u00e3o ocorrendo, como o caso Amarildo, que me afetou profundamente, s\u00e3o dif\u00edceis para eu trabalhar. Sinto que eles ainda est\u00e3o muito presentes, ent\u00e3o eu observo mais o passado no meu trabalho. Se eu fizesse uma pintura de Gaza, seria uma hist\u00f3ria diferente. Acho que a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o do trauma, a princ\u00edpio, \u00e9 meio silenciosa, dif\u00edcil de expressar, e depois, aos poucos, vai se revelando de alguma forma.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"1080\" height=\"787\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2021-last-daysultimos-dias-20x42cm-aquarelawatercolor.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4387\" style=\"aspect-ratio:1.372305043627969;width:1099px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2021-last-daysultimos-dias-20x42cm-aquarelawatercolor.jpg 1080w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2021-last-daysultimos-dias-20x42cm-aquarelawatercolor-300x219.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2021-last-daysultimos-dias-20x42cm-aquarelawatercolor-767x559.jpg 767w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2021-last-daysultimos-dias-20x42cm-aquarelawatercolor-1024x746.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Last Days ( \u00faltimos dias ), 2021<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Me parece que a sua sele\u00e7\u00e3o de imagens e temas acontece a partir de uma inspira\u00e7\u00e3o, por um relacionamento quase pessoal entre voc\u00ea e o jornalismo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No in\u00edcio, sim, mas \u00e9 muita pesquisa. Trata-se de algum tipo de imagem que, creio eu, tem algum aspecto, pois tamb\u00e9m n\u00e3o gosto de me deparar com uma imagem que seja violenta e gr\u00e1fica. Acho que ela se encaixa melhor nessa coisa um pouco indicial. Por exemplo, pintei v\u00e1rios sapatos que eram de um acidente a\u00e9reo. \u00c9 uma pintura que, ao olhar, voc\u00ea n\u00e3o identifica de imediato seu aspecto terr\u00edvel, mas pode suspeitar. Acabei por nomear essa obra com o nome do voo, de forma um pouco discreta. Eu n\u00e3o me dedicaria a pintar cenas explicitamente terr\u00edveis, como uma decapita\u00e7\u00e3o. Isso n\u00e3o \u00e9 o meu interesse. De fato, muitas de minhas imagens s\u00e3o originadas de lembran\u00e7as da inf\u00e2ncia e hist\u00f3rias contadas pelos meus pais. Meu pai chegou a tirar uma foto no Carandiru, algo que talvez possa inspirar um trabalho futuro. S\u00e3o eventos que aconteceram antes do meu nascimento. Minha m\u00e3e me contou sobre o inc\u00eandio no edif\u00edcio Joelma, um epis\u00f3dio que tamb\u00e9m retratei em pintura. Portanto, h\u00e1 um mix de acontecimentos marcantes e muita pesquisa. De vez em quando, ao explorar arquivos, encontro algo que me atrai para retratar. No entanto, a escolha dos temas \u00e9 complexa, pois parte da for\u00e7a do trabalho reside na sutileza ou na ambiguidade. J\u00e1 me falaram que minha pintura \u00e9 pesada e macabra. <\/p>\n\n\n<div class=\"wonderpluginaudio\" id=\"wonderpluginaudio-102\" data-audioplayerid=\"102\" data-width=\"24\" data-height=\"600\" data-skin=\"button24\" data-progressinbar=\"true\" data-showinfo=\"false\" data-showimage=\"false\" data-autoplay=\"false\" data-random=\"false\" data-autoresize=\"false\" data-responsive=\"false\" data-showtracklist=\"false\" data-tracklistscroll=\"true\" data-showprogress=\"false\" data-showprevnext=\"false\" data-showloop=\"false\" data-stopotherplayers=\"true\" data-preloadaudio=\"true\" data-noncontinous=\"false\" data-showtracklistsearch=\"false\" data-saveposincookie=\"false\" data-wptracklist=\"false\" data-removeinlinecss=\"true\" data-enabletabindex=\"false\" data-showtime=\"false\" data-showvolume=\"false\" data-showvolumebar=\"true\" data-showliveplayedlist=\"false\" data-stoponpausebutton=\"false\" data-reloadstream=\"false\" data-playpausefontcircle=\"true\" data-prevnextfontcircle=\"true\" data-showtitleinbar=\"false\" data-showloading=\"false\" data-enablega=\"false\" data-titleinbarscroll=\"true\" data-donotinit=\"false\" data-addinitscript=\"false\" data-imagewidth=\"100\" data-imageheight=\"100\" data-loop=\"1\" data-tracklistitem=\"10\" data-titleinbarwidth=\"80\" data-gatrackingid=\"\" data-ga4account=\"\" data-playbackrate=\"1\" data-playpauseimage=\"playpause-24-24-2.png\" data-playpauseimagewidth=\"24\" data-playpauseimageheight=\"24\" data-cookiehours=\"240\" data-prevnextimage=\"prevnext-24-24-0.png\" data-prevnextimagewidth=\"24\" data-prevnextimageheight=\"24\" data-volumeimage=\"volume-24-24-0.png\" data-volumeimagewidth=\"24\" data-volumeimageheight=\"24\" data-liveupdateinterval=\"10000\" data-maxplayedlist=\"8\" data-playedlisttitle=\"Last Tracks Played\" data-loopimage=\"loop-24-24-0.png\" data-loopimagewidth=\"24\" data-loopimageheight=\"24\" data-playpausefontwidth=\"32\" data-playpausefontheight=\"32\" data-playpausefontsize=\"12\" data-playpausefontradius=\"0\" data-playpausefontcolor=\"#fff\" data-playpausefontbgcolor=\"#333\" data-playpausefonthovercolor=\"#fff\" data-playpausefonthoverbgcolor=\"#555\" data-prevnextfontwidth=\"32\" data-prevnextfontheight=\"32\" data-prevnextfontsize=\"12\" data-prevnextfontradius=\"0\" data-prevnextfontcolor=\"#fff\" data-prevnextfontbgcolor=\"#333\" data-prevnextfonthovercolor=\"#fff\" data-prevnextfonthoverbgcolor=\"#555\" data-infoformat=\"&lt;div class=&quot;amazingaudioplayer-info-title&quot;&gt;%ARTIST% %ALBUM%&lt;\/div&gt;\n&lt;div class=&quot;amazingaudioplayer-info-description&quot;&gt;%INFO%&lt;\/div&gt;\" data-tracklistscroll=\"false\" data-jsfolder=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/plugins\/wonderplugin-audio\/engine\/\" style=\"display:block;position:relative;margin:0 auto;width:24px;height:auto;\"><ul class=\"amazingaudioplayer-audios\" style=\"display:none;\"><li data-artist=\"\" data-title=\"Audio1.Bernardo-esv1-31p\" data-album=\"\" data-info=\"&quot;Audio1.Bernardo-esv1-31p&quot;.\" data-image=\"https:\/\/art100.in\/wp-includes\/images\/media\/audio.svg\" data-duration=\"33\"><div class=\"amazingaudioplayer-source\" data-src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Audio1.Bernardo-esv1-31p.wav\" data-type=\"audio\/mpeg\" ><\/div><\/li><\/ul><\/div><script>function wonderaudio_102_appendcss(csscode) {var head=document.head || document.getElementsByTagName(\"head\")[0];var style=document.createElement(\"style\");head.appendChild(style);style.type=\"text\/css\";if (style.styleSheet){style.styleSheet.cssText=csscode;} else {style.appendChild(document.createTextNode(csscode));}};wonderaudio_102_appendcss(\"#wonderpluginaudio-102 { \tbox-sizing: content-box; 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Minha pintura tem isso de ser muito turva, muito borrada. Al\u00e9m de uma influ\u00eancia \u00f3bvia de Gerhard Richter, pintor alem\u00e3o que eu amo (risos), tem a ver um pouco com essa quest\u00e3o da mem\u00f3ria e do esquecimento, daquilo que j\u00e1 est\u00e1 sendo esquecido ou que \u00e9 dif\u00edcil de lembrar, enxergar, ou de lidar diretamente.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ao observar suas obras, h\u00e1 uma est\u00e9tica que identifica voc\u00ea como artista. No entanto, em algumas delas, a t\u00e9cnica e a escolha das cores mudam sutilmente. Quando voc\u00ea escolhe uma imagem ou tema, como isso impacta a paleta de cores e a t\u00e9cnica de pintura?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0s vezes, muda at\u00e9 uma explora\u00e7\u00e3o dos materiais. Teve um per\u00edodo em que trabalhei muito com natureza morta, mas se tratava de cenas que tinham uma origem, como uma cena de crime, por exemplo. Mas isso \u00e9 um segredo que n\u00e3o revelo para ningu\u00e9m (risos). Embora venha da mesma origem, \u00e9 uma natureza morta, algo aparentemente inocente. Optei por um estilo de pintura mais cl\u00e1ssico, menos nebuloso. O objeto em si me pediu uma t\u00e9cnica diferente. A escolha das cores envolve muito preto e branco, j\u00e1 que muitas imagens s\u00e3o em preto e branco, o que eu gosto bastante. No entanto, mesmo no preto e branco, gosto de aplicar um toque de cor, trabalhando com tons suaves. Ao observar de perto, \u00e9 poss\u00edvel notar alguns verdes e amarelos, resultando em uma suavidade crom\u00e1tica. Em algumas situa\u00e7\u00f5es, opto por pintar de maneira colorida para real\u00e7ar uma imagem j\u00e1 colorida. O arquivo, por vezes, traz sua pr\u00f3pria est\u00e9tica \u2013 talvez um VHS, cuja textura pode ser levemente percebida, ou uma foto que tende para o magenta e s\u00f3 se revela um pouco. A televis\u00e3o tem uma cor espec\u00edfica, que acaba transparecendo de certa forma. Por\u00e9m, muitas vezes, a decis\u00e3o sobre como a imagem funcionar\u00e1 melhor \u00e9 inteiramente minha. Quanto \u00e0 varia\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnica, eu me canso de sempre fazer o mesmo e estou constantemente buscando coisas novas. At\u00e9 mesmo na pintura, que tem sido o meu suporte favorito, comecei a experimentar com outros suportes. Embora eu seja pintor, n\u00e3o quero me limitar a isso. Me vejo como um artista contempor\u00e2neo que \u00e0s vezes necessita de outros suportes. A pintura \u00e9, sim, 90% da minha produ\u00e7\u00e3o, porque \u00e9 um suporte que eu amo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1916\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2020-dead_mans_shoes-40x30cm-oiloncanvas-1-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4391\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2020-dead_mans_shoes-40x30cm-oiloncanvas-1-scaled.jpg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2020-dead_mans_shoes-40x30cm-oiloncanvas-1-300x224.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2020-dead_mans_shoes-40x30cm-oiloncanvas-1-767x574.jpg 767w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2020-dead_mans_shoes-40x30cm-oiloncanvas-1-1024x766.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2020-dead_mans_shoes-40x30cm-oiloncanvas-1-1536x1150.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2020-dead_mans_shoes-40x30cm-oiloncanvas-1-2048x1533.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Dead man&#8217;s shoes, 2020<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>As pinturas s\u00e3o sempre em tela ou tamb\u00e9m em um outro suporte?<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quase sempre meu trabalho \u00e9 em tela. Recentemente, tenho trabalhado bastante com \u00f3leo sobre papel, um tipo de cart\u00e3o mais grosso, e tamb\u00e9m com aquarela. Durante a pandemia, usei bastante guache. \u00c0s vezes, s\u00e3o apenas estudos, mas, em outras, s\u00e3o obras completas. Mas \u00e9 primordialmente \u00f3leo sobre tela. \u00c9 o que eu gosto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Voc\u00ea mencionou s\u00e9ries de pinturas. De onde vem o interesse por esse formato?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso \u00e9 um pouco ca\u00f3tico. Durante a faculdade, eu fiz bastantes experimenta\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o considero como trabalhos conclu\u00eddos. A minha primeira obra mais &#8220;consistente&#8221; foi para o meu TCC. Realizei uma s\u00e9rie baseada em um v\u00eddeo, que continha diversos <em>frames<\/em> desse conte\u00fado. Era um pouco complicado captar o que estava acontecendo, pois havia uma esp\u00e9cie de persegui\u00e7\u00e3o. Foi justamente quando isso aconteceu que eu percebi que eram 14 pinturas. Tamb\u00e9m foi por volta dessa \u00e9poca que as pessoas come\u00e7aram a enxergar aquilo como um filme. Achei interessante que a lacuna, \u00e0s vezes, era ainda mais intrigante que a pintura. De alguma forma, isso me pareceu participativo ou pelo menos instigante. Desde ent\u00e3o, eu n\u00e3o trabalho mais da mesma maneira, com s\u00e9ries que v\u00eam do mesmo lugar. Prefiro chamar de obsess\u00f5es recorrentes (risos). Por exemplo, as pinturas de sapatos que fiz. Uma, duas, tr\u00eas, quatro pinturas, al\u00e9m de v\u00e1rios retratos que acabaram se tornando uma s\u00e9rie. Assim, \u00e0s vezes, a s\u00e9rie vai se formando, mesmo com meses ou anos de intervalo. \u00c9 como um tema recorrente, quase uma obsess\u00e3o de artista com um objeto. Parece que voc\u00ea sempre quer voltar, explorar mais. Ent\u00e3o, isso acaba parecendo uma s\u00e9rie. De tempos em tempos, surgem elementos que n\u00e3o se encaixam perfeitamente e, quem sabe, talvez apare\u00e7am mais no futuro, ou n\u00e3o. Assim, as s\u00e9ries se formam quase involuntariamente, mas eu aprecio a repeti\u00e7\u00e3o de um objeto, tema ou assunto. Ent\u00e3o, elas acabam surgindo, inesperadas. Quando se trata de exposi\u00e7\u00e3o, por exemplo, o galerista com quem trabalho quis reunir uma s\u00e9rie de pinturas que fiz de navios. Estas n\u00e3o tinham nada de particularmente tr\u00e1gico, eu estava mais interessado no efeito \u00f3ptico do Fata Morgana, em que o navio parece estar flutuando. Eu n\u00e3o via esses trabalhos inicialmente como uma s\u00e9rie, mas ele gostou da ideia e isso acabou se transformando em uma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"799\" height=\"599\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2022-Fata-morgana-30x40-cm-oleosobretela-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4372\" style=\"width:1100px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2022-Fata-morgana-30x40-cm-oleosobretela-1.jpg 799w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2022-Fata-morgana-30x40-cm-oleosobretela-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2022-Fata-morgana-30x40-cm-oleosobretela-1-767x575.jpg 767w\" sizes=\"(max-width: 799px) 100vw, 799px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fata Morgana, 2022<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pensando nessas lacunas, esses vazios abertos para interpreta\u00e7\u00e3o. Isso se reflete n\u00e3o s\u00f3 na imagem, que pode ser um pouco incerta e nada \u00f3bvia, mas tamb\u00e9m na rela\u00e7\u00e3o entre o observador e a obra.<\/strong> <strong>O interessante, por exemplo, na s\u00e9rie com acidentes de carro \u00e9 que, inicialmente, a partir do t\u00edtulo e da imagem, conseguimos identificar partes de um carro. Mas, depois de um tempo, a imagem come\u00e7a a ficar abstrata e um pouco desfocada. \u00c0 medida que o tempo passa, outras formas come\u00e7am a aparecer e, no final, temos essa vis\u00e3o particular da pintura.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu tenho um interesse particular nos limites da vis\u00e3o e da percep\u00e7\u00e3o dentro da pr\u00f3pria pintura. Por exemplo, na pintura sobre o acidente, eu usei mais detalhes e um modelo de carro muito espec\u00edfico, o que talvez tenha facilitado seu reconhecimento. Frequentemente, meu trabalho envolve a constru\u00e7\u00e3o e a desconstru\u00e7\u00e3o da imagem. \u00c0s vezes, eu tenho que perguntar para algu\u00e9m &#8220;algu\u00e9m mais est\u00e1 vendo o que eu vejo aqui?&#8221;. Porque eu definitivamente vejo. Percebi tamb\u00e9m que \u00e9 poss\u00edvel ser mais abstrato em retratos, j\u00e1 que rostos s\u00e3o mais f\u00e1ceis de reconhecer. No entanto, queria que essas v\u00edtimas parecessem an\u00f4nimas ou fossem dif\u00edceis de identificar. Essa pintura do acidente de carro, chama-se <em>Crash!<\/em>, e n\u00e3o especifica o tipo de acidente. Normalmente, eu prefiro deixar um pouco \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>H\u00e1 uma alus\u00e3o ao evento, mas n\u00e3o uma liga\u00e7\u00e3o direta. Isso pode ser intrigante, pois cria o espa\u00e7o onde quem v\u00ea a obra pode pensar em qualquer tipo de acidente. Talvez algu\u00e9m veja e se lembre de um acidente que presenciou na rua, ou que viveu.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 algo ligado \u00e0 mem\u00f3ria, a uma esp\u00e9cie de apagamento. Isso tamb\u00e9m me faz pensar na din\u00e2mica de circula\u00e7\u00e3o das imagens de jornal. Por exemplo, um acidente que choca a todos no dia e, no dia seguinte, como meus pais costumavam dizer, o mesmo jornal \u00e9 usado para embrulhar peixe. O que aconteceu com toda aquela dor? Ela passa, \u00e9 esquecida. <\/p>\n\n\n<div class=\"wonderpluginaudio\" id=\"wonderpluginaudio-103\" data-audioplayerid=\"103\" data-width=\"24\" data-height=\"600\" data-skin=\"button24\" data-progressinbar=\"true\" data-showinfo=\"false\" data-showimage=\"false\" data-autoplay=\"false\" data-random=\"false\" data-autoresize=\"false\" data-responsive=\"false\" data-showtracklist=\"false\" data-tracklistscroll=\"true\" data-showprogress=\"false\" data-showprevnext=\"false\" data-showloop=\"false\" data-stopotherplayers=\"true\" data-preloadaudio=\"true\" data-noncontinous=\"false\" data-showtracklistsearch=\"false\" data-saveposincookie=\"false\" data-wptracklist=\"false\" data-removeinlinecss=\"true\" data-enabletabindex=\"false\" data-showtime=\"false\" data-showvolume=\"false\" data-showvolumebar=\"true\" data-showliveplayedlist=\"false\" data-stoponpausebutton=\"false\" data-reloadstream=\"false\" data-playpausefontcircle=\"true\" data-prevnextfontcircle=\"true\" data-showtitleinbar=\"false\" data-showloading=\"false\" data-enablega=\"false\" data-titleinbarscroll=\"true\" data-donotinit=\"false\" data-addinitscript=\"false\" data-imagewidth=\"100\" data-imageheight=\"100\" data-loop=\"1\" data-tracklistitem=\"10\" data-titleinbarwidth=\"80\" data-gatrackingid=\"\" data-ga4account=\"\" data-playbackrate=\"1\" data-playpauseimage=\"playpause-24-24-2.png\" data-playpauseimagewidth=\"24\" data-playpauseimageheight=\"24\" data-cookiehours=\"240\" data-prevnextimage=\"prevnext-24-24-0.png\" data-prevnextimagewidth=\"24\" data-prevnextimageheight=\"24\" data-volumeimage=\"volume-24-24-0.png\" data-volumeimagewidth=\"24\" data-volumeimageheight=\"24\" data-liveupdateinterval=\"10000\" data-maxplayedlist=\"8\" data-playedlisttitle=\"Last Tracks Played\" data-loopimage=\"loop-24-24-0.png\" data-loopimagewidth=\"24\" data-loopimageheight=\"24\" data-playpausefontwidth=\"32\" data-playpausefontheight=\"32\" data-playpausefontsize=\"12\" data-playpausefontradius=\"0\" data-playpausefontcolor=\"#fff\" data-playpausefontbgcolor=\"#333\" data-playpausefonthovercolor=\"#fff\" data-playpausefonthoverbgcolor=\"#555\" data-prevnextfontwidth=\"32\" data-prevnextfontheight=\"32\" data-prevnextfontsize=\"12\" data-prevnextfontradius=\"0\" data-prevnextfontcolor=\"#fff\" data-prevnextfontbgcolor=\"#333\" data-prevnextfonthovercolor=\"#fff\" data-prevnextfonthoverbgcolor=\"#555\" data-infoformat=\"&lt;div class=&quot;amazingaudioplayer-info-title&quot;&gt;%ARTIST% %ALBUM%&lt;\/div&gt;\n&lt;div class=&quot;amazingaudioplayer-info-description&quot;&gt;%INFO%&lt;\/div&gt;\" data-tracklistscroll=\"false\" data-jsfolder=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/plugins\/wonderplugin-audio\/engine\/\" style=\"display:block;position:relative;margin:0 auto;width:24px;height:auto;\"><ul class=\"amazingaudioplayer-audios\" style=\"display:none;\"><li data-artist=\"\" data-title=\"Audio2Atual.Bernardo-esv1-39p\" data-album=\"\" data-info=\"&quot;Audio2Atual.Bernardo-esv1-39p&quot;.\" data-image=\"https:\/\/art100.in\/wp-includes\/images\/media\/audio.svg\" data-duration=\"21\"><div class=\"amazingaudioplayer-source\" data-src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Audio2Atual.Bernardo-esv1-39p.wav\" data-type=\"audio\/mpeg\" ><\/div><\/li><\/ul><\/div><script>function wonderaudio_103_appendcss(csscode) {var head=document.head || document.getElementsByTagName(\"head\")[0];var style=document.createElement(\"style\");head.appendChild(style);style.type=\"text\/css\";if (style.styleSheet){style.styleSheet.cssText=csscode;} else {style.appendChild(document.createTextNode(csscode));}};wonderaudio_103_appendcss(\"#wonderpluginaudio-103 { \tbox-sizing: content-box; 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Ent\u00e3o, para mim, \u00e9 um pouco de colocar no suporte e de falar sobre essas coisas que est\u00e3o pairando, e sobre esse passado que pode ser dif\u00edcil ou trivial, mas que est\u00e1 ali um pouco desfocado.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Acredito que tamb\u00e9m tenha algo relacionado ao nosso fasc\u00ednio por acidentes. Quando penso em acidentes a\u00e9reos, por exemplo, me lembro dos Mamonas Assassinas. H\u00e1 uma curiosidade intensa em torno desses eventos. A pintura, por outro lado, \u00e9 quase o oposto. Ela envolve uma beleza na constru\u00e7\u00e3o e tem o papel de eternizar esses fasc\u00ednios. Geralmente, a pintura \u00e9 algo aberto, exposto. Ent\u00e3o, esse contraste com o jornal, com seu consumo r\u00e1pido e ef\u00eamero, \u00e9 bastante interessante.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim, esse fasc\u00ednio faz parte do jornalismo, n\u00e3o se trata apenas de noticiar, mas de um fasc\u00ednio moment\u00e2neo. \u00c0s vezes, evito, por exemplo, o acidente dos Mamonas, que \u00e9 algo muito \u00f3bvio, muito impactante. H\u00e1 um limite ali que n\u00e3o desperta meu interesse, sendo muito &#8220;mundo c\u00e3o&#8221;, muito <em>Not\u00edcias Populares<\/em>. Contudo, por exemplo, h\u00e1 esse voo que me fascina: era um avi\u00e3o coreano que foi abatido porque os sovi\u00e9ticos pensaram que era um avi\u00e3o militar. N\u00e3o foi exatamente um acidente, mas foi derrubado, uma situa\u00e7\u00e3o um tanto surreal em meio ao terror, \u00e0 guerra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Voc\u00ea mencionou que seus pais eram jornalistas. Essa fonte de imagens vem de um arquivo pessoal seu ou da sua fam\u00edlia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim, mas tem algumas imagens que ainda n\u00e3o usei. Por exemplo, o maior trauma do meu pai foi entrar no Carandiru ap\u00f3s o massacre dos presos. Ele tirou uma foto ap\u00f3s a remo\u00e7\u00e3o dos corpos, e o ch\u00e3o ainda estava coberto de sangue. Ele me disse que ficou sem dormir por tr\u00eas dias ap\u00f3s o evento. Normalmente, um fotojornalista desenvolve uma certa resist\u00eancia a essas situa\u00e7\u00f5es, e a c\u00e2mera oferece uma certa prote\u00e7\u00e3o, pois ele se concentra na sua fun\u00e7\u00e3o de fotografar. Mas a viol\u00eancia grotesca desse evento o traumatizou. No entanto, essa foto \u00e9 provavelmente a mais importante da carreira dele, j\u00e1 que poucas pessoas conseguiram entrar no local e ele foi um dos primeiros. Existem pouqu\u00edssimos registros desse evento. E \u00e9 essa coisa do registro que denuncia a viol\u00eancia. Ent\u00e3o, essa \u00e9 uma imagem, por exemplo, do arquivo dele, que eu tenho certeza de que um dia eu vou fazer, mas ainda n\u00e3o estou pronto. Ela \u00e9 t\u00e3o desafiadora que eu ainda n\u00e3o consegui determinar como ela vai aparecer. \u00c9 um trauma ainda, para ele, e talvez para mim. Estou num processo de organizar o arquivo do meu pai, um projeto que estamos fazendo juntos. Ent\u00e3o, tem algumas coisas que me chamaram a aten\u00e7\u00e3o, mas s\u00e3o menos violentas. Mas um dia ainda quero pintar essa imagem do Carandiru.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Considerando a imagem como um todo, o espa\u00e7o, a pris\u00e3o, o crime, n\u00e3o existe nenhuma margem para isso n\u00e3o ser visto como n\u00e3o violento. N\u00e3o h\u00e1 ambiguidade, como em fotos de campos de concentra\u00e7\u00e3o, por exemplo. Os sinais de viol\u00eancia s\u00e3o permanentes nesses espa\u00e7os.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu tenho uma pintura chamada <em>Fuma\u00e7a<\/em>, que representa um campo de concentra\u00e7\u00e3o, mas de uma forma mais sutil e distante. Nela, voc\u00ea apenas v\u00ea a fuma\u00e7a. A obra tem o nome \u05e8\u05d5\u05d9\u05da <em>(roykh)<\/em>, que significa \u201cfuma\u00e7a\u201d em i\u00eddiche, ent\u00e3o o significado est\u00e1 um pouco oculto, mas as pessoas entendem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1799\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2021-Roykh-fumaca-oleosobretela-27x19cm-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4378\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2021-Roykh-fumaca-oleosobretela-27x19cm-scaled.jpg 2560w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2021-Roykh-fumaca-oleosobretela-27x19cm-300x211.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2021-Roykh-fumaca-oleosobretela-27x19cm-767x539.jpg 767w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2021-Roykh-fumaca-oleosobretela-27x19cm-1024x720.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2021-Roykh-fumaca-oleosobretela-27x19cm-1536x1079.jpg 1536w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2021-Roykh-fumaca-oleosobretela-27x19cm-2048x1439.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Roych ( smoke ), 2021<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sim, pois tanto no jornal quanto na fotografia, o foco \u00e9 sempre no que vem depois. Isso se liga tamb\u00e9m \u00e0 ideia das lacunas. Quando temos uma imagem no jornal, ela precisa complementar o texto e ilustrar tudo aquilo que est\u00e1 descrito. Se trouxermos isso para a arte e para a pintura, essas lacunas se reabrem.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Exatamente, as imagens conversam. H\u00e1 uma certa ambiguidade, como se duas pinturas estivessem se relacionando. Nunca gosto de mostrar uma pintura sozinha e, quando falo sobre s\u00e9ries, me refiro a ideia de apresentar as pinturas juntas. H\u00e1 algo sobre a conviv\u00eancia entre elas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ao pensar nos desafios de produzir o trabalho e de incorporar sua vis\u00e3o e interesses na obra, quais seriam os maiores desafios?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acredito que essa seja uma pergunta complexa. A quest\u00e3o de arquivo \u00e9 muito prazerosa para mim. \u00c9 um tipo desafiador de pesquisa, mas eu realmente aprecio. Para mim, o grande desafio foi me inserir no mercado e no circuito art\u00edstico. Foi uma experi\u00eancia diferente, pois n\u00e3o segui a rota tradicional de se formar e j\u00e1 come\u00e7ar a fazer exposi\u00e7\u00f5es. Morei em Berlim por um tempo, mas, como n\u00e3o conhecia ningu\u00e9m, por sorte, consegui uma galeria e as coisas come\u00e7aram a melhorar. Ainda assim, o desafio de me expor no mercado foi o mais significativo, pois demorei um pouco mais para entrar no circuito, o que, na minha opini\u00e3o, n\u00e3o foi necessariamente ruim. Mas, \u00e9 claro, houve momentos em que o desespero batia. Ent\u00e3o, o meu maior desafio foi realmente ser visto e entrar no circuito. Diria que minha personalidade influenciou um pouco, pois nunca busquei ser carreirista. Decidi me mudar para Berlim para viver coisas diferentes, mas percebi que era bastante dif\u00edcil. Depois de alguns anos, me disseram que era melhor primeiro construir um p\u00fablico em S\u00e3o Paulo e depois em Berlim. Afinal, se voc\u00ea n\u00e3o tem um p\u00fablico na sua cidade natal, fica mais complicado. De qualquer forma, nunca \u00e9 f\u00e1cil, mas no final deu tudo certo. Eu tamb\u00e9m sempre quis manter outras atividades al\u00e9m da pintura. Eu n\u00e3o sou capaz de parar de pintar, mas tamb\u00e9m gosto muito de estudar, tenho interesse na \u00e1rea acad\u00eamica, adoro fotografia e circular em outros universos te\u00f3ricos, at\u00e9 porque tudo isso conversa. N\u00e3o sou um daqueles artistas que se limitam a fazer apenas uma coisa. Inclusive, j\u00e1 me aventurei no jornalismo e escrevi algumas mat\u00e9rias. Portanto, um dos desafios \u00e9 conciliar todos os meus interesses, mas ainda assim continuar pintando bastante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Voc\u00ea acredita que esses interesses formam a sua pintura?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim, tudo isso se conecta muito. A pintura, por exemplo, me permite enxergar a teoria de uma forma diferente, tudo entra em di\u00e1logo. A teoria, a fotografia e a pintura s\u00e3o interconectadas. Eu crio muitas liga\u00e7\u00f5es, sejam criativas, te\u00f3ricas ou refer\u00eancias, o que ajuda bastante. Al\u00e9m disso, busco ser um artista que n\u00e3o se acomoda, que est\u00e1 sempre em busca de algo novo. N\u00e3o sou do tipo que muda a cada m\u00eas, existe uma linha que permeia tudo, mas sempre h\u00e1 uma busca dentro da minha obsess\u00e3o, me perguntando at\u00e9 onde posso ir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Entrevista realizada em 29 de novembro de 2023 remotamente via Zoom.<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped has-lightbox wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1080\" height=\"787\" data-id=\"4387\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2021-last-daysultimos-dias-20x42cm-aquarelawatercolor.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4387\" 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<br>2021<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bernardo Glogowski reflete sobre sua pr\u00e1tica art\u00edstica, explorando as rela\u00e7\u00f5es entre mem\u00f3ria, esquecimento e trauma, utilizando a pintura e imagens jornal\u00edsticas para investigar a ambiguidade das imagens e as hist\u00f3rias que elas 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