{"id":845,"date":"2025-09-01T14:56:34","date_gmt":"2025-09-01T14:56:34","guid":{"rendered":"https:\/\/art100.in\/?p=845"},"modified":"2025-09-01T19:10:12","modified_gmt":"2025-09-01T19:10:12","slug":"ana-hupe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/art100.in\/pt-br\/ana-hupe\/","title":{"rendered":"Ana Hupe"},"content":{"rendered":"\n<p>Graduada em jornalismo e doutora em artes visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ana Hupe (Rio de Janeiro, 1983) \u00e9 uma artista multifacetada que trabalha com pesquisa art\u00edstica, contra-arquivos, instala\u00e7\u00f5es narrativas, gravuras, v\u00eddeo e outras m\u00eddias. Nesta entrevista, Hupe nos leva a encontros, eventos e hist\u00f3rias que moldaram sua jornada art\u00edstica e nos conta como se desdobra sua pesquisa at\u00e9 encontrar a materialidade dessas hist\u00f3rias. Confira:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1800\" height=\"1286\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/210430_AnaHupe_AlenaSchmick_0296_v1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-850\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/210430_AnaHupe_AlenaSchmick_0296_v1.jpg 1800w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/210430_AnaHupe_AlenaSchmick_0296_v1-300x214.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/210430_AnaHupe_AlenaSchmick_0296_v1-1024x732.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/210430_AnaHupe_AlenaSchmick_0296_v1-768x549.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/210430_AnaHupe_AlenaSchmick_0296_v1-1536x1097.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1800px) 100vw, 1800px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ana, obrigado por aceitar nosso convite. \u00c9 um prazer conversar com voc\u00ea. Gostaria que come\u00e7\u00e1ssemos com uma breve apresenta\u00e7\u00e3o sua, contando qualquer informa\u00e7\u00e3o que considere relevante para algu\u00e9m que ainda n\u00e3o conhece sua pr\u00e1tica e sua arte.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 come\u00e7a com um desafio (risos). Parece uma pergunta simples, mas \u00e9 dif\u00edcil de resumir a biografia. Para come\u00e7ar, eu n\u00e3o estudei arte, mas, sim, jornalismo. Eu queria trabalhar com texto desde que entrei na faculdade. No entanto, durante a faculdade, comecei a trabalhar com cinema para conseguir trabalhar e estudar ao mesmo tempo no Rio. Trabalhei como assistente de dire\u00e7\u00e3o e comecei a fazer roteiros institucionais e comerciais. Percebi que tudo era muito briefado<em> <\/em>e n\u00e3o havia muito espa\u00e7o para a elabora\u00e7\u00e3o criativa, que era o que eu realmente queria fazer ao escrever, apesar de gostar do jornalismo investigativo, que de certa forma ainda est\u00e1 presente no meu trabalho atualmente. Quando terminei a faculdade, no in\u00edcio dos anos 2000, tinha 22 anos e decidi tentar morar em Berlim. Eu j\u00e1 tinha morado na Alemanha aos 15 anos, quando fiz interc\u00e2mbio em uma cidadezinha perto de Stuttgart, e fiquei encantada pelo mist\u00e9rio daquilo que era t\u00e3o diferente para mim. Foi uma experi\u00eancia dolorosa para uma adolescente do Rio de Janeiro que estava descobrindo a vida de repente chegar a uma cidadezinha no inverno da Alemanha, onde a vida era totalmente outra. Foi uma diferen\u00e7a dura, mas fui eu que escolhi passar por isso e, depois de passada a experi\u00eancia, eu passei a gostar daquilo. Aprendemos com os sofrimentos tamb\u00e9m. Quando passei por Berlim pela primeira vez, pensei \u201caqui, acho que d\u00e1 para morar\u201d e fiquei com essa fagulha na mente. Quando terminei a faculdade, eu vim com uma das minhas irm\u00e3s,<strong> <\/strong>cinco anos mais nova do que eu, que tinha acabado a escola e queria estudar na Alemanha. Como ela n\u00e3o tinha dinheiro, aproveitamos que eu tinha e fomos juntas. Contando assim, sem os detalhes de toda essa trama, parece que foi tudo fluido. Deixo aqui s\u00f3 um resumo para n\u00e3o estender demais a hist\u00f3ria. Morei por um ano e meio, entre 2006 e 2007, em Berlim. Foi uma experi\u00eancia super dif\u00edcil. Apesar de j\u00e1 trabalhar com cinema, as pessoas me ofereciam somente est\u00e1gios n\u00e3o remunerados, eu era muito jovem para os padr\u00f5es locais de trabalho. Ent\u00e3o comecei a trabalhar em bares e fiz tantos <em>jobs<\/em> inimagin\u00e1veis\u2026 n\u00e3o estava feliz. As coisas estavam t\u00e3o visivelmente desencaminhadas que uma vez fui chamada para uma entrevista \u00e0 qual me candidatei atrav\u00e9s dos classificados do jornal para trabalhar com um diretor de cinema iraniano. Cheguei l\u00e1 super empolgada at\u00e9 descobrir que o diretor era cego. Hoje penso que poderia ter sido uma experi\u00eancia incr\u00edvel, mas, naquele momento, fiquei sem palavras. Queria continuar trabalhando com coisas de que eu gostasse. Morei com Alice Miceli, uma artista do Rio que morou em Berlim enquanto desenvolvia um projeto de pesquisa na \u00e1rea restrita de Chernobyl. Alice queria revelar a radioatividade do ar atrav\u00e9s da fotografia, ent\u00e3o ela desenvolveu uma c\u00e2mera de chumbo para conseguir fotografar esse invis\u00edvel. Eu fiquei acompanhando o processo dela, e para mim foi uma introdu\u00e7\u00e3o a essa gram\u00e1tica da arte contempor\u00e2nea, na qual cada artista encontra seu pr\u00f3prio vocabul\u00e1rio. Inspirada por Alice, voltei para o Rio e comecei a fazer o curso do educador Charles Watson. Foi uma boa introdu\u00e7\u00e3o imersiva, mas a pergunta sobre como ser artista sem ser herdeira tomava cada vez mais espa\u00e7o. Eu consegui um trabalho na Funda\u00e7\u00e3o Roberto Marinho por um tempo, enquanto estudava para entrar no mestrado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1001\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/leiturasparamoverocentro-anahupe-MarioGrisolli_3239-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-874\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/leiturasparamoverocentro-anahupe-MarioGrisolli_3239-3.jpg 1500w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/leiturasparamoverocentro-anahupe-MarioGrisolli_3239-3-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/leiturasparamoverocentro-anahupe-MarioGrisolli_3239-3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/leiturasparamoverocentro-anahupe-MarioGrisolli_3239-3-768x513.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Leituras para mover o centro, 2016<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>E me parece que, quando decidiu fazer esse curso, voc\u00ea j\u00e1 tinha decidido se tornar artista ou estava experimentando e querendo ver o que acontecia?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Eu estava experimentando. Comecei a experimentar primeiro com v\u00eddeo, j\u00e1 que eu tinha um pequeno conhecimento do cinema e da TV. Eu n\u00e3o sabia qual seria a minha linguagem, mas sabia que eu gostava de escrever e estava entre cinema e escrita. No Brasil, eu comecei a estudar muito para esse mestrado, pois reconheci que seria uma chance de fazer o que eu gosto. Me dediquei tanto que passei em primeiro lugar no mestrado da Uerj. E, na \u00e9poca, o primeiro lugar era o \u00fanico com bolsa garantida pela Faperj \u2013 as outras bolsas eram da Capes. Fiz o mestrado com o poeta Roberto Correia dos Santos, que me reconectava com o texto. Comecei ent\u00e3o a desenvolver meus primeiros trabalhos, que continuam comigo at\u00e9 hoje, por exemplo, o trabalho que fiz no final do mestrado, de uma tatuagem nas minhas costas.  <\/p>\n\n\n<div class=\"wonderpluginaudio\" id=\"wonderpluginaudio-7\" data-audioplayerid=\"7\" data-width=\"24\" data-height=\"600\" data-skin=\"button24\" data-progressinbar=\"false\" data-showinfo=\"false\" data-showimage=\"false\" data-autoplay=\"false\" data-random=\"false\" data-autoresize=\"false\" data-responsive=\"false\" data-showtracklist=\"false\" data-tracklistscroll=\"true\" data-showprogress=\"false\" data-showprevnext=\"false\" data-showloop=\"false\" data-stopotherplayers=\"true\" data-preloadaudio=\"true\" data-showtracklistsearch=\"false\" data-saveposincookie=\"false\" data-wptracklist=\"false\" data-removeinlinecss=\"true\" data-showtime=\"false\" data-showvolume=\"false\" data-showvolumebar=\"false\" data-showliveplayedlist=\"false\" data-showtitleinbar=\"false\" data-showloading=\"false\" data-enablega=\"false\" data-titleinbarscroll=\"true\" data-donotinit=\"false\" data-addinitscript=\"false\" data-imagewidth=\"100\" data-imageheight=\"100\" data-loop=\"0\" data-tracklistitem=\"10\" data-titleinbarwidth=\"80\" data-gatrackingid=\"\" data-ga4account=\"\" data-playbackrate=\"1\" data-playpauseimage=\"playpause-24-24-2.png\" data-playpauseimagewidth=\"24\" data-playpauseimageheight=\"24\" data-cookiehours=\"240\" data-prevnextimage=\"prevnext-24-24-0.png\" data-prevnextimagewidth=\"24\" data-prevnextimageheight=\"24\" data-volumeimage=\"volume-24-24-2.png\" data-volumeimagewidth=\"24\" data-volumeimageheight=\"24\" data-liveupdateinterval=\"10000\" data-maxplayedlist=\"8\" data-playedlisttitle=\"Last Tracks Played\" data-loopimage=\"loop-24-24-2.png\" data-loopimagewidth=\"24\" data-loopimageheight=\"24\" data-infoformat=\"\" data-tracklistscroll=\"false\" data-jsfolder=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/plugins\/wonderplugin-audio\/engine\/\" style=\"display:block;position:relative;margin:0 auto;width:24px;height:auto;\"><ul class=\"amazingaudioplayer-audios\" style=\"display:none;\"><li data-artist=\"\" data-title=\"Audio 1 - Ana Hupe (enhanced)\" data-album=\"\" data-info=\"&quot;Audio 1 - Ana Hupe (enhanced)&quot;.\" data-image=\"https:\/\/01g.44f.myftpupload.com\/wp-includes\/images\/media\/audio.png\" data-duration=\"17\"><div class=\"amazingaudioplayer-source\" data-src=\"https:\/\/01g.44f.myftpupload.com\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Audio-1-Ana-Hupe-enhanced-1.wav\" data-type=\"audio\/mpeg\" ><\/div><\/li><\/ul><\/div><script>function wonderaudio_7_appendcss(csscode) {var head=document.head || document.getElementsByTagName(\"head\")[0];var style=document.createElement(\"style\");head.appendChild(style);style.type=\"text\/css\";if (style.styleSheet){style.styleSheet.cssText=csscode;} else {style.appendChild(document.createTextNode(csscode));}};wonderaudio_7_appendcss(\"#wonderpluginaudio-7 { \tbox-sizing: content-box; 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E resolvi fazer a tatuagem simbolizando um casamento que eu fazia com as artes, um compromisso comigo mesma. <\/em><\/strong>A partir desse momento, comecei a experimentar trabalhar com o alfabeto da cidade, de escrever sem palavras, sempre tentando trazer o texto para o espa\u00e7o. Foi durante o mestrado que consegui formatar essas ideias, e naquele momento estava muito influenciada por Sophie Calle, em realizar a\u00e7\u00f5es e depois escrever sobre elas. Foi quando visitei diversas pessoas desconhecidas em suas casas e fotografava seus porta-retratos. Depois, eu fiz um di\u00e1rio, uma instala\u00e7\u00e3o. Eram trabalhos bem experimentais de escrita \u2013 performance.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1707\" height=\"2560\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/SuasNotas_30x45print-1-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-878\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/SuasNotas_30x45print-1-scaled.jpg 1707w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/SuasNotas_30x45print-1-200x300.jpg 200w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/SuasNotas_30x45print-1-683x1024.jpg 683w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/SuasNotas_30x45print-1-768x1152.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/SuasNotas_30x45print-1-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/SuasNotas_30x45print-1-1365x2048.jpg 1365w\" sizes=\"(max-width: 1707px) 100vw, 1707px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Suas notas, 2011<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Durante sua pesquisa e vida como artista, quais foram os principais desafios que vivenciou ao longo da sua carreira e que gostaria de compartilhar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Nada foi f\u00e1cil. Eu j\u00e1 pensei em desistir muitas vezes, mas agora a maturidade traz um pouco mais de entendimento dos limites, de onde posso investir minha energia. J\u00e1 fui muito al\u00e9m do meu limite por conta da arte. Grandes projetos, como &#8220;Leituras para mover o centro (2016)\u201d no CCBB e &#8220;Mulheres do quarto mundo&#8221;, que eu fiz em Berlim e no Pa\u00e7o das Artes (MIS), em S\u00e3o Paulo, eram exposi\u00e7\u00f5es grandes, com muita visibilidade, mas com poucos recursos financeiros e que requeriam muitas viagens. Foram momentos do imposs\u00edvel, conceber o projeto sem nenhuma estrutura financeira. Eu n\u00e3o tinha nem casa nessa \u00e9poca, pulava \u201cn\u00f4made\u201d de galho em galho, era entrega total. A exposi\u00e7\u00e3o intitulada &#8220;Muito futuro por uma s\u00f3 mem\u00f3ria&#8221;, em 2017, na Funda\u00e7\u00e3o Joaquim Nabuco, acho que foi meu maior desafio, no somat\u00f3rio daquele momento. Fui ao sert\u00e3o do Brasil em busca da hist\u00f3ria de uma mulher chamada D\u00e9<strong> <\/strong>(Maria Francisca da Concei\u00e7\u00e3o), que criou minha m\u00e3e, mas que n\u00e3o possu\u00eda nenhum documento ou registro civil. Sua identidade foi feita depois que ela j\u00e1 trabalhava para minha bisav\u00f3; n\u00e3o se sabia exatamente de onde ela vinha, apenas das coisas que ela contava. Eu recapitulei toda a hist\u00f3ria com minha tia-av\u00f3 que mora em Recife e que agora vai completar 100 anos. Na \u00e9poca da entrevista, ela tinha 94. Fui para o sert\u00e3o para tentar entender de onde veio Maria Francisca da Concei\u00e7\u00e3o, onde ela nasceu e qual teria sido a hist\u00f3ria dela at\u00e9 chegar \u00e0 casa da minha bisav\u00f3 \u2014 que morava na Zona da Mata \u2014 pedindo trabalho. E ela, enfim, virou parte da fam\u00edlia. Essa coisa amb\u00edgua, bem colonial brasileira, especialmente no Nordeste, de ser parte da fam\u00edlia, mas na verdade n\u00e3o ser. Todo mundo conta como se ela fosse, claro que era, por\u00e9m morava no quarto de empregada. Ela nunca teve uma vida pr\u00f3pria, nunca teve um namorado, uma fam\u00edlia ou contou sobre seu passado. Essas hist\u00f3rias fazem parte da inf\u00e2ncia da minha m\u00e3e, que sempre a menciona. Fiquei intrigada, pensando sobre os traumas que essa mulher deve ter sofrido. E isso foi um disparate para fazer o projeto, que na verdade n\u00e3o \u00e9 somente sobre a hist\u00f3ria dela, \u00e9 a hist\u00f3ria de tantas Marias. Visitei a cidade onde ela nasceu, S\u00e3o Jos\u00e9 do Belmonte, que antes era formada por duas grandes fazendas. Na primeira fazenda, Malhada Grande, todos os trabalhadores eram chamados de &#8220;Concei\u00e7\u00e3o&#8221;, em refer\u00eancia ao nome do dono da fazenda, o que \u00e9 um vest\u00edgio da escravid\u00e3o. \u00c9 poss\u00edvel que ela tenha fugido dessa fazenda. Conversei com as pessoas negras mais velhas da cidade \u2013 a senhora mais velha que encontrei, coincid\u00eancia ou n\u00e3o, se chamava Margarida Maria da Concei\u00e7\u00e3o. Visitei tamb\u00e9m os quilombos pr\u00f3ximos dali. Descobri um quilombo chamado Concei\u00e7\u00e3o das Criolas, criado no s\u00e9culo XIX por sete mulheres que, assim como Maria Francisca, se chamavam Da Concei\u00e7\u00e3o. Fui destrinchando poss\u00edveis hist\u00f3ria do passado de Maria Francisca, preenchendo algumas lacunas na sua hist\u00f3ria com evid\u00eancias. Foi uma pesquisa com muitas camadas, e tive que montar uma grande exposi\u00e7\u00e3o com poucos recursos e pouco tempo, o que tornou tudo muito desafiador, sem falar da corda bamba que \u00e9 apontar e confrontar o <em>apartheid<\/em> brasileiro a partir da hist\u00f3ria da pr\u00f3pria fam\u00edlia. Eu lembro que um dia antes da exposi\u00e7\u00e3o tudo ainda estava em obras, havia fuma\u00e7a no espa\u00e7o expositivo, escadas no meio da sala, um verdadeiro caos um dia antes da abertura. Eu tive que sair correndo para comprar uma l\u00e2mpada no centro e me lembro que comecei a ter uma dor de cabe\u00e7a, tipo uma enxaqueca, pela primeira vez, e sempre que eu estou estressada a dor volta no mesmo lugar. Foi naquele momento que algum parafuso soltou e que nasceu uma esp\u00e9cie de antena chamada <em>burnout<\/em>. \u00c9 muita entrega nessas exposi\u00e7\u00f5es grandes, e na hora me questionei se recebo de volta o que eu estou colocando de energia. Eu n\u00e3o quero ter que me rasgar em cinco para conseguir abrir uma exposi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o faz sentido. Desde ent\u00e3o, penso todo dia em formas de trabalhar de maneira mais saud\u00e1vel. Escrever me traz um pouco dessa possibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ana, conta para a gente sobre as suas t\u00e9cnicas e os materiais que utiliza. Como funciona, no seu caso, essa coleta de material e como isso se transforma no seu trabalho?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wonderpluginaudio\" id=\"wonderpluginaudio-9\" data-audioplayerid=\"9\" data-width=\"24\" data-height=\"600\" data-skin=\"button24\" data-progressinbar=\"false\" data-showinfo=\"false\" data-showimage=\"false\" data-autoplay=\"false\" data-random=\"false\" data-autoresize=\"false\" data-responsive=\"false\" data-showtracklist=\"false\" data-tracklistscroll=\"true\" data-showprogress=\"false\" data-showprevnext=\"false\" data-showloop=\"false\" data-stopotherplayers=\"true\" data-preloadaudio=\"true\" data-showtracklistsearch=\"false\" data-saveposincookie=\"false\" data-wptracklist=\"false\" data-removeinlinecss=\"true\" data-showtime=\"false\" data-showvolume=\"false\" data-showvolumebar=\"false\" data-showliveplayedlist=\"false\" data-showtitleinbar=\"false\" data-showloading=\"false\" data-enablega=\"false\" data-titleinbarscroll=\"true\" data-donotinit=\"false\" data-addinitscript=\"false\" data-imagewidth=\"100\" data-imageheight=\"100\" data-loop=\"0\" data-tracklistitem=\"10\" data-titleinbarwidth=\"80\" data-gatrackingid=\"\" data-ga4account=\"\" data-playbackrate=\"1\" data-playpauseimage=\"playpause-24-24-2.png\" data-playpauseimagewidth=\"24\" data-playpauseimageheight=\"24\" data-cookiehours=\"240\" data-prevnextimage=\"prevnext-24-24-0.png\" data-prevnextimagewidth=\"24\" data-prevnextimageheight=\"24\" data-volumeimage=\"volume-24-24-2.png\" data-volumeimagewidth=\"24\" data-volumeimageheight=\"24\" data-liveupdateinterval=\"10000\" data-maxplayedlist=\"8\" data-playedlisttitle=\"Last Tracks Played\" data-loopimage=\"loop-24-24-2.png\" data-loopimagewidth=\"24\" data-loopimageheight=\"24\" data-infoformat=\"\" data-tracklistscroll=\"false\" data-jsfolder=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/plugins\/wonderplugin-audio\/engine\/\" style=\"display:block;position:relative;margin:0 auto;width:24px;height:auto;\"><ul class=\"amazingaudioplayer-audios\" style=\"display:none;\"><li data-artist=\"\" data-title=\"Audio 2 - Ana Hupe (enhanced)\" data-album=\"\" data-info=\"&quot;Audio 2 - Ana Hupe (enhanced)&quot;.\" data-image=\"https:\/\/01g.44f.myftpupload.com\/wp-includes\/images\/media\/audio.png\" data-duration=\"20\"><div class=\"amazingaudioplayer-source\" data-src=\"https:\/\/01g.44f.myftpupload.com\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Audio-2-Ana-Hupe-enhanced-1.wav\" data-type=\"audio\/mpeg\" ><\/div><\/li><\/ul><\/div><script>function wonderaudio_9_appendcss(csscode) {var head=document.head || document.getElementsByTagName(\"head\")[0];var style=document.createElement(\"style\");head.appendChild(style);style.type=\"text\/css\";if (style.styleSheet){style.styleSheet.cssText=csscode;} else {style.appendChild(document.createTextNode(csscode));}};wonderaudio_9_appendcss(\"#wonderpluginaudio-9 { \tbox-sizing: content-box; 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Em cada trabalho, eu penso em como formatar de um jeito que eu fale a mesma coisa atrav\u00e9s da mat\u00e9ria, no espa\u00e7o. Como que eu conto essa hist\u00f3ria sem contar.<\/strong> <strong>Esse que \u00e9 o desafio sempre.<\/strong> <\/em>O OPAVIVAR\u00c1, um coletivo de arte do Rio em que fiquei cinco anos e que foi a minha maior escola de arte, me ensinou sobre a pot\u00eancia dos encontros. A ideia da arte relacional consiste totalmente em conversar e colocar pessoas que n\u00e3o se encontrariam em contato, como a secret\u00e1ria de cultura da cidade sentada na mesa com um morador de rua. Aconteceu em uma das interven\u00e7\u00f5es que faz\u00edamos em espa\u00e7o p\u00fablico. Fizemos uma cozinha na Pra\u00e7a Tiradentes (RJ), que os moradores de rua acabaram ocupando, ao lado das pessoas das artes. Foi a primeira vez que conversei com moradores de rua, numa certa horizontalidade tempor\u00e1ria, cortando cebola, olhando e ouvindo as hist\u00f3rias. Isso foi o que ficou para mim do coletivo, al\u00e9m das amizades que viraram fam\u00edlia. Em um certo ponto, tudo se tornou muito intenso, festivo demais, \u00e9 tanto trabalho f\u00edsico para cada produ\u00e7\u00e3o!<strong> <\/strong>Em 2013, eu decidi que era o momento de sair e voltar para mim, me concentrar. Quando eu me mudei pra Alemanha em 2014, foi um <em>turning point<\/em>, pois mudei de pa\u00eds, de continente e tamb\u00e9m de foco no trabalho. Eu vim para fazer um ano de doutorado sandu\u00edche e as desigualdades geopol\u00edticas come\u00e7aram a gritar para mim. Fiz essa mudan\u00e7a aos 31 anos, j\u00e1 tinha certa experi\u00eancia de vida e de arte no Brasil e um entendimento sobre constitui\u00e7\u00e3o social, cultural. Quando chego aqui, percebo que as pessoas me leem como latino-americana, eu n\u00e3o pensava muito sobre a minha origem. A ideia de fronteira geopol\u00edtica passou a ser uma quest\u00e3o direta na minha vida. Em 2014 e 2015, foi o momento da crise dos refugiados, que chegaram pelo Mediterr\u00e2neo em Lampedusa.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para voc\u00ea, qual foi a principal diferen\u00e7a entre Rio e Berlim?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>No Rio, o trabalho do OPAVIVAR\u00c1 sempre foi muito pol\u00edtico. Sempre fomos muito atentos \u00e0s quest\u00f5es de desigualdade, sobre onde est\u00e1vamos circulando e colocando nosso trabalho, como o format\u00e1vamos para um espa\u00e7o de arte institucional comercial e para um espa\u00e7o p\u00fablico e como lidar com essas pessoas que faziam parte do trabalho e estavam em situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade. E quando cheguei aqui, sozinha, foi um confronto direto com esses n\u00fameros imensos de refugiados no jornal, chegando. Em 2013, tinha uma ocupa\u00e7\u00e3o na Oranienplatz, em Kreuzberg, e eu morava do lado. Eu era muito rec\u00e9m-chegada, e n\u00e3o entendia na pr\u00e1tica essa crise pol\u00edtica direito. Mas esses n\u00fameros imensos no jornal me levaram \u00e0 ilha de Lampedusa, ver o que estava acontecendo. \u00c9 uma ilha m\u00ednima, tur\u00edstica, que fica mais perto da \u00c1frica do que da Europa. Eu cheguei em fevereiro e fiquei por duas semanas. Foi muito louco, pois durante esse tempo chegaram 1.200 imigrantes de barco que entraram pelo porto, e eu n\u00e3o vi nenhum. Eu estava na padaria, que era do lado do porto onde chegam os barcos. Tinha uma televis\u00e3o ligada e passou no jornal que haviam chegado essas pessoas na noite anterior, ali do meu lado, e eu n\u00e3o vi nada. Essas pessoas v\u00e3o direto para um campo de refugiados, onde ficam praticamente escondidas. \u00c9 uma ilha que vive de turismo e pescaria, ent\u00e3o ningu\u00e9m queria falar sobre isso. Eu perguntava para as pessoas: \u201cOnde \u00e9 o campo? Onde ficam as pessoas que chegam de barco?\u201d. E ningu\u00e9m queria me falar. Um falava: \u201cAh, no topo da montanha\u201d. Outro falava: \u201cAh, \u00e9 ali no vale\u201d. A ilha \u00e9 muito pequena, eu dava a volta nela de bicicleta em um dia, e n\u00e3o conseguia descobrir onde era esse campo. Foi quando comecei a pensar nessas invisibilidades e em como format\u00e1-las. N\u00e3o era s\u00f3 a invisibilidade dessas pessoas, mas tamb\u00e9m de v\u00e1rias coisas que estavam acontecendo naquele espa\u00e7o de terra onde viviam cinco mil habitantes. Havia um eletromagnetismo no ar super forte, devido aos radares de uma base militar americana, que depois passou a ser uma base militar da It\u00e1lia, em 94. Eu comecei a pensar sobre todas essas invisibilidades nesse momento, e o trabalho feito em Lampedusa \u2014 que chama <em>Blurred Borders<\/em> (Bordas Borradas) \u2014 foi sobre isso. Enviei 55 cart\u00f5es-postais an\u00f4nimos com fotos da ilha para a ilha de volta, para todos os lugares: hot\u00e9is, supermercados, a casa onde eu tinha ficado hospedada. Mandei tamb\u00e9m mensagens po\u00e9tico-pol\u00edticas em garrafas sobre a imigra\u00e7\u00e3o ilegal das fronteiras e sobre quest\u00f5es que estavam presentes naquele momento, para mim, rec\u00e9m-chegada \u00e0 Europa. Esse foi o primeiro trabalho que eu fiz depois de chegar a Berlim. Eu estava na classe da Hito Steyerl, na qual se discutia muito internet, controles invis\u00edveis, e fiquei pensando sobre essas fibras \u00f3pticas no fundo do mar, conectando mundos, atravessando as fronteiras t\u00e3o bem cartografadas, mas invis\u00edveis na paisagem. A internet n\u00e3o \u00e9 imaterial, temos essas fibras \u00f3pticas passando embaixo do oceano, e isso tamb\u00e9m \u00e9 algo em disputa. Logo, n\u00e3o foram s\u00f3 essas invisibilidades dos corpos, mas tantas invisibilidades que aparentam ser imateriais e controlam nossos corpos. Em cada trabalho eu decido que material usar e qual a melhor forma de traduzir. Apesar de trabalhar com <em>artistic research<\/em>, acho muito chatas essas exposi\u00e7\u00f5es super acad\u00eamicas, \u00e0s quais voc\u00ea vai e tem uma mesa com v\u00e1rios arquivos, documentos e um v\u00eddeo super documental explicando. \u00c9 quase uma abertura de processo de investiga\u00e7\u00e3o do artista. Eu trabalho pesquisando muito em arquivos, documentos, lendo e lecionando tamb\u00e9m, mas, ao formatar o trabalho para o espa\u00e7o, gosto de um formato minimamente aberto para outros significados. <\/p>\n\n\n<div class=\"wonderpluginaudio\" id=\"wonderpluginaudio-11\" data-audioplayerid=\"11\" data-width=\"24\" data-height=\"600\" data-skin=\"button24\" data-progressinbar=\"false\" data-showinfo=\"false\" data-showimage=\"false\" data-autoplay=\"false\" data-random=\"false\" data-autoresize=\"false\" data-responsive=\"false\" data-showtracklist=\"false\" data-tracklistscroll=\"true\" data-showprogress=\"false\" data-showprevnext=\"false\" data-showloop=\"false\" data-stopotherplayers=\"true\" data-preloadaudio=\"true\" data-showtracklistsearch=\"false\" data-saveposincookie=\"false\" data-wptracklist=\"false\" data-removeinlinecss=\"true\" data-showtime=\"false\" data-showvolume=\"false\" data-showvolumebar=\"false\" data-showliveplayedlist=\"false\" data-showtitleinbar=\"false\" data-showloading=\"false\" data-enablega=\"false\" data-titleinbarscroll=\"true\" data-donotinit=\"false\" data-addinitscript=\"false\" data-imagewidth=\"100\" data-imageheight=\"100\" data-loop=\"0\" data-tracklistitem=\"10\" data-titleinbarwidth=\"80\" data-gatrackingid=\"\" data-ga4account=\"\" data-playbackrate=\"1\" data-playpauseimage=\"playpause-24-24-2.png\" data-playpauseimagewidth=\"24\" data-playpauseimageheight=\"24\" data-cookiehours=\"240\" data-prevnextimage=\"prevnext-24-24-0.png\" data-prevnextimagewidth=\"24\" data-prevnextimageheight=\"24\" data-volumeimage=\"volume-24-24-2.png\" data-volumeimagewidth=\"24\" data-volumeimageheight=\"24\" data-liveupdateinterval=\"10000\" data-maxplayedlist=\"8\" data-playedlisttitle=\"Last Tracks Played\" data-loopimage=\"loop-24-24-2.png\" data-loopimagewidth=\"24\" data-loopimageheight=\"24\" data-infoformat=\"\" data-tracklistscroll=\"false\" data-jsfolder=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/plugins\/wonderplugin-audio\/engine\/\" style=\"display:block;position:relative;margin:0 auto;width:24px;height:auto;\"><ul class=\"amazingaudioplayer-audios\" style=\"display:none;\"><li data-artist=\"\" data-title=\"Audio 3 - Ana Hupe (enhanced)\" data-album=\"\" data-info=\"&quot;Audio 3 - Ana Hupe (enhanced)&quot;.\" data-image=\"https:\/\/01g.44f.myftpupload.com\/wp-includes\/images\/media\/audio.png\" data-duration=\"26\"><div class=\"amazingaudioplayer-source\" data-src=\"https:\/\/01g.44f.myftpupload.com\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Audio-3-Ana-Hupe-enhanced-1.wav\" data-type=\"audio\/mpeg\" ><\/div><\/li><\/ul><\/div><script>function wonderaudio_11_appendcss(csscode) {var head=document.head || document.getElementsByTagName(\"head\")[0];var style=document.createElement(\"style\");head.appendChild(style);style.type=\"text\/css\";if (style.styleSheet){style.styleSheet.cssText=csscode;} else {style.appendChild(document.createTextNode(csscode));}};wonderaudio_11_appendcss(\"#wonderpluginaudio-11 { \tbox-sizing: content-box; 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Ler isso no plano sens\u00edvel, n\u00e3o s\u00f3 do racional. Isso, para mim \u00e9 uma coisa importante, uma quest\u00e3o que est\u00e1 presente.&nbsp;<\/em><\/strong>Esse labirinto funcionou para mim um pouco como um resumo do projeto <em>Footnotes to triangular cartographies<\/em>, quando eu fui \u00e0 Floresta Sagrada de Oxum-Oxob\u00f4, onde nasce o rio Oxum, em que esse orix\u00e1 \u2014 ou a orix\u00e1 \u2014 t\u00e3o popular no Brasil e na Nig\u00e9ria \u00e9 o pr\u00f3prio rio. Eu estava l\u00e1 e encontrei um livro num sebo em Ejigbo que ensinava iorub\u00e1 para as crian\u00e7as, mas n\u00e3o tinha nenhuma palavra. Fiquei analisando aqueles joguinhos de ensinar uma l\u00edngua, e tinha um labirinto com um pintinho e, no centro dele, um milho. Eu falei \u201c\u00e9 perfeito esse labirinto como met\u00e1fora para essa investiga\u00e7\u00e3o\u201d, e fiz o labirinto de cobre, que \u00e9 o elemento de Oxum, e coloquei a pedrinha do rio no meio. Est\u00e1 relacionado com essa busca pelas origens de tantas culturas africanas transportada pelo Atl\u00e2ntico for\u00e7osamente, que tanto influenciam a cultura brasileira, cubana, haitiana. Talvez esse seja um exemplo de como materializar as hist\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1886\" height=\"2560\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/StateofthelivingSpring1-2_page-0001-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-882\" style=\"width:1100px;height:1493px\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/StateofthelivingSpring1-2_page-0001-scaled.jpg 1886w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/StateofthelivingSpring1-2_page-0001-221x300.jpg 221w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/StateofthelivingSpring1-2_page-0001-755x1024.jpg 755w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/StateofthelivingSpring1-2_page-0001-768x1042.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/StateofthelivingSpring1-2_page-0001-1132x1536.jpg 1132w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/StateofthelivingSpring1-2_page-0001-1509x2048.jpg 1509w\" sizes=\"(max-width: 1886px) 100vw, 1886px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Estado da&nbsp;primavera&nbsp;constante, 2021<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Eu acho interessante essa pluralidade de t\u00e9cnicas e m\u00eddias que contam a mesma ou partes de uma hist\u00f3ria conjunta. Voc\u00ea toma essa liberdade de pegar hist\u00f3rias e traduzi-las de formas diferentes, ilustrando essas hist\u00f3rias n\u00e3o somente em uma obra \u00fanica, mas em um grupo de obras representadas de formas diferentes, como no <em>Footnotes<\/em>, mas tamb\u00e9m em pe\u00e7as individuais.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Eu trabalho de forma instalativa e fa\u00e7o uma instala\u00e7\u00e3o que, na verdade, para mim, s\u00e3o v\u00e1rias narrativas que formam uma narrativa. Eu sempre penso em <em>storytelling<\/em> e at\u00e9 costumo dizer que fa\u00e7o instala\u00e7\u00f5es narrativas, porque, para mim, eu estou contando uma hist\u00f3ria. Talvez a pessoa n\u00e3o leia a hist\u00f3ria que eu quero contar, leia outra, mas eu estou propondo uma narrativa atrav\u00e9s da mistura de objetos, tentativas de escultura, fotografia ou imagem, que v\u00eam do arquivo e n\u00e3o diretamente da fotografia que fa\u00e7o. Eu costumava ancorar-me no v\u00eddeo como contexto da instala\u00e7\u00e3o, que revela o que n\u00e3o estou revelando diretamente. Mas agora estou mais interessada em escrever. Eu adorei tanto fazer o livro <em>Notas de rodap\u00e9 para cartografias triangulares<\/em> (da s\u00e9rie \u201cProcessing Process\u201d, da K. Verlag, Berlim). A linguagem com que eu mais tenho intimidade \u00e9 a da escrita, \u00e9 onde eu fico mais satisfeita e que me d\u00e1 mais prazer. Eu fugi tanto das palavras por tanto tempo, tentando traduzir, traz\u00ea-las para o espa\u00e7o, e agora eu estou querendo voltar um pouco para a p\u00e1gina.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para voc\u00ea, como foi esse processo de transformar esse conjunto de trabalhos no livro?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Quando eu fiz a exposi\u00e7\u00e3o &#8220;Notas de rodap\u00e9 para cartografias triangulares&#8221;, eu notei que a instala\u00e7\u00e3o e os trabalhos estavam l\u00e1, mas cada vez que levava as pessoas eu gostava de contar as hist\u00f3rias, as notas de rodap\u00e9 de cada trabalho, que eu achava muito mais legais do que os trabalhos em si. Decidi ent\u00e3o que precisava fazer um livro, que conseguiria contar essas hist\u00f3rias muito melhor do que a exposi\u00e7\u00e3o sozinha. \u00c9 um livro de processos. Enquanto conta o processo de constru\u00e7\u00e3o do trabalho, mostra os detalhes, que d\u00e3o uma ideia do que \u00e9 o trabalho. Essa foi a ideia do livro: trazer essas hist\u00f3rias narradas que estavam por tr\u00e1s da pesquisa, mas que ao mesmo tempo s\u00e3o o trabalho em si.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como leitor, o livro permite um acesso \u00e0s obras com mais tranquilidade. Enquanto as exibi\u00e7\u00f5es muitas vezes t\u00eam um aspecto de imediatismo, o livro permite uma digest\u00e3o e um entendimento do trabalho por um per\u00edodo mais longo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><br>E, como tem muita hist\u00f3ria, \u00e9 dif\u00edcil voc\u00ea apreender tudo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wonderpluginaudio\" id=\"wonderpluginaudio-10\" data-audioplayerid=\"10\" data-width=\"24\" data-height=\"600\" data-skin=\"button24\" data-progressinbar=\"false\" data-showinfo=\"false\" data-showimage=\"false\" data-autoplay=\"false\" data-random=\"false\" data-autoresize=\"false\" data-responsive=\"false\" data-showtracklist=\"false\" data-tracklistscroll=\"true\" data-showprogress=\"false\" data-showprevnext=\"false\" data-showloop=\"false\" data-stopotherplayers=\"true\" data-preloadaudio=\"true\" data-showtracklistsearch=\"false\" data-saveposincookie=\"false\" data-wptracklist=\"false\" data-removeinlinecss=\"true\" data-showtime=\"false\" data-showvolume=\"false\" data-showvolumebar=\"false\" data-showliveplayedlist=\"false\" data-showtitleinbar=\"false\" data-showloading=\"false\" data-enablega=\"false\" data-titleinbarscroll=\"true\" data-donotinit=\"false\" data-addinitscript=\"false\" data-imagewidth=\"100\" data-imageheight=\"100\" data-loop=\"0\" data-tracklistitem=\"10\" data-titleinbarwidth=\"80\" data-gatrackingid=\"\" data-ga4account=\"\" data-playbackrate=\"1\" data-playpauseimage=\"playpause-24-24-2.png\" data-playpauseimagewidth=\"24\" data-playpauseimageheight=\"24\" data-cookiehours=\"240\" data-prevnextimage=\"prevnext-24-24-0.png\" data-prevnextimagewidth=\"24\" data-prevnextimageheight=\"24\" data-volumeimage=\"volume-24-24-2.png\" data-volumeimagewidth=\"24\" data-volumeimageheight=\"24\" data-liveupdateinterval=\"10000\" data-maxplayedlist=\"8\" data-playedlisttitle=\"Last Tracks Played\" data-loopimage=\"loop-24-24-2.png\" data-loopimagewidth=\"24\" data-loopimageheight=\"24\" data-infoformat=\"\" data-tracklistscroll=\"false\" data-jsfolder=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/plugins\/wonderplugin-audio\/engine\/\" style=\"display:block;position:relative;margin:0 auto;width:24px;height:auto;\"><ul class=\"amazingaudioplayer-audios\" style=\"display:none;\"><li data-artist=\"\" data-title=\"Audio 4 - Ana Hupe (enhanced)\" data-album=\"\" data-info=\"&quot;Audio 4 - Ana Hupe (enhanced)&quot;.\" data-image=\"https:\/\/01g.44f.myftpupload.com\/wp-includes\/images\/media\/audio.png\" data-duration=\"21\"><div class=\"amazingaudioplayer-source\" data-src=\"https:\/\/01g.44f.myftpupload.com\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Audio-4-Ana-Hupe-enhanced-1.wav\" data-type=\"audio\/mpeg\" ><\/div><\/li><\/ul><\/div><script>function wonderaudio_10_appendcss(csscode) {var head=document.head || document.getElementsByTagName(\"head\")[0];var style=document.createElement(\"style\");head.appendChild(style);style.type=\"text\/css\";if (style.styleSheet){style.styleSheet.cssText=csscode;} else {style.appendChild(document.createTextNode(csscode));}};wonderaudio_10_appendcss(\"#wonderpluginaudio-10 { \tbox-sizing: content-box; 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Mas, ao mesmo tempo, o livro circula, e pode vir a fazer sentido na vida de algu\u00e9m daqui a cinco anos, \u00e9 um objeto que fica.<\/em><\/strong> A exposi\u00e7\u00e3o tem curta durabilidade, e o livro voc\u00ea l\u00ea no seu pr\u00f3prio tempo, onde voc\u00ea quiser e em outros momentos da sua vida pode se confrontar de novo com aquilo.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1813\" height=\"2560\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/stateofthelivingspring2-2_page-0001-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-880\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/stateofthelivingspring2-2_page-0001-scaled.jpg 1813w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/stateofthelivingspring2-2_page-0001-212x300.jpg 212w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/stateofthelivingspring2-2_page-0001-725x1024.jpg 725w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/stateofthelivingspring2-2_page-0001-768x1084.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/stateofthelivingspring2-2_page-0001-1088x1536.jpg 1088w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/stateofthelivingspring2-2_page-0001-1450x2048.jpg 1450w\" sizes=\"(max-width: 1813px) 100vw, 1813px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>No <em>Footnotes<\/em> voc\u00ea mostra que encontros inusitados n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o surpreendentes quanto parecem. Como a conex\u00e3o entre a Iemanj\u00e1 do Brasil e a da \u00c1frica e sua rela\u00e7\u00e3o com a lua Europa. Conta para a gente um pouco sobre como voc\u00ea encontra essas conex\u00f5es?<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wonderpluginaudio\" id=\"wonderpluginaudio-12\" data-audioplayerid=\"12\" data-width=\"24\" data-height=\"600\" data-skin=\"button24\" data-progressinbar=\"false\" data-showinfo=\"false\" data-showimage=\"false\" data-autoplay=\"false\" data-random=\"false\" data-autoresize=\"false\" data-responsive=\"false\" data-showtracklist=\"false\" data-tracklistscroll=\"true\" data-showprogress=\"false\" data-showprevnext=\"false\" data-showloop=\"false\" data-stopotherplayers=\"true\" data-preloadaudio=\"true\" data-showtracklistsearch=\"false\" data-saveposincookie=\"false\" data-wptracklist=\"false\" data-removeinlinecss=\"true\" data-showtime=\"false\" data-showvolume=\"false\" data-showvolumebar=\"false\" data-showliveplayedlist=\"false\" data-showtitleinbar=\"false\" data-showloading=\"false\" data-enablega=\"false\" data-titleinbarscroll=\"true\" data-donotinit=\"false\" data-addinitscript=\"false\" data-imagewidth=\"100\" data-imageheight=\"100\" data-loop=\"0\" data-tracklistitem=\"10\" data-titleinbarwidth=\"80\" data-gatrackingid=\"\" data-ga4account=\"\" data-playbackrate=\"1\" data-playpauseimage=\"playpause-24-24-2.png\" data-playpauseimagewidth=\"24\" data-playpauseimageheight=\"24\" data-cookiehours=\"240\" data-prevnextimage=\"prevnext-24-24-0.png\" data-prevnextimagewidth=\"24\" data-prevnextimageheight=\"24\" data-volumeimage=\"volume-24-24-2.png\" data-volumeimagewidth=\"24\" data-volumeimageheight=\"24\" data-liveupdateinterval=\"10000\" data-maxplayedlist=\"8\" data-playedlisttitle=\"Last Tracks Played\" data-loopimage=\"loop-24-24-2.png\" data-loopimagewidth=\"24\" data-loopimageheight=\"24\" data-infoformat=\"\" data-tracklistscroll=\"false\" data-jsfolder=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/plugins\/wonderplugin-audio\/engine\/\" style=\"display:block;position:relative;margin:0 auto;width:24px;height:auto;\"><ul class=\"amazingaudioplayer-audios\" style=\"display:none;\"><li data-artist=\"\" data-title=\"Audio 5 - Ana Hupe (enhanced)\" data-album=\"\" data-info=\"&quot;Audio 5 - Ana Hupe (enhanced)&quot;.\" data-image=\"https:\/\/01g.44f.myftpupload.com\/wp-includes\/images\/media\/audio.png\" data-duration=\"23\"><div class=\"amazingaudioplayer-source\" data-src=\"https:\/\/01g.44f.myftpupload.com\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Audio-5-Ana-Hupe-enhanced-1.wav\" data-type=\"audio\/mpeg\" ><\/div><\/li><\/ul><\/div><script>function wonderaudio_12_appendcss(csscode) {var head=document.head || document.getElementsByTagName(\"head\")[0];var style=document.createElement(\"style\");head.appendChild(style);style.type=\"text\/css\";if (style.styleSheet){style.styleSheet.cssText=csscode;} else {style.appendChild(document.createTextNode(csscode));}};wonderaudio_12_appendcss(\"#wonderpluginaudio-12 { \tbox-sizing: content-box; 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Trata-se de uma aproxima\u00e7\u00e3o com a intui\u00e7\u00e3o. Estamos t\u00e3o pautados pelo racionalismo que \u00e9 um exerc\u00edcio contrassist\u00eamico nos aproximarmos da intui\u00e7\u00e3o. Enquanto eu escrevia, conversava com pessoas da Nig\u00e9ria, trabalhei durante dois anos fazendo videoconfer\u00eancias com a<strong> <\/strong>Jumoke Sanwo, que \u00e9 uma artista de Lagos. Eu mostrava para ela os textos que trabalhavam com a ideia da po\u00e9tica da sincronicidade. E compreendi que, na verdade, a sincronicidade \u00e9 parte da filosofia iorub\u00e1 e tamb\u00e9m do candombl\u00e9. Ficar procurando significados, ter um sonho revelador que vira um guia de caminhos, prestar aten\u00e7\u00e3o ao que fala o or\u00e1culo, a sequ\u00eancia de n\u00fameros, cores, pessoas, encontros. Em resumo, enxergar o sagrado ou a poesia da coisa. Isso que eu achava que era arte \u00e9, na verdade, o sagrado iorub\u00e1 tamb\u00e9m. Comecei a trabalhar de forma mais consciente com essa est\u00e9tica da sincronicidade, que \u00e9 o tema principal do livro e do projeto. O projeto come\u00e7ou a tomar forma quando encontrei o<strong> <\/strong>Bab\u00e1 Joaqu\u00edn, um sacerdote cubano de Oxum que mora em Berlim h\u00e1 quarenta anos. Nos conhecemos por acaso, em uma festa no terreiro em Berlim, onde ele estava vestido de amarelo, todo maravilhoso de Oxum. Quando em 2018 eu recebi um pr\u00eamio para fazer uma resid\u00eancia em Cuba, (da ArtRio), eu convidei o Bab\u00e1 Joaqu\u00edn a tomar um caf\u00e9 comigo. Nos encontramos e comecei a conversa falando sobre minha experi\u00eancia na resid\u00eancia na Bahia, onde morei por dois meses ao lado de uma princesa e sacerdotisa de Oxum, que veio da Nig\u00e9ria, de Osogbo. Ent\u00e3o, ele olhou para mim e perguntou: &#8220;Qual o nome dela?&#8221;. E eu respondi: &#8220;\u00c9 Adedoyin Olosun&#8221;. Ele ficou surpreso e disse &#8220;Ela me pediu em casamento em 89&#8243;. Eu estava em Berlim, encontrando um bab\u00e1 cubano, e descobrimos que t\u00ednhamos essa pessoa em comum na Nig\u00e9ria. Ele s\u00f3 tinha estado uma vez na vida na \u00c1frica, no festival de Oxum em 1989. Ambos tinham 20 e poucos anos e ela pediu para se casar com ele. Nesse momento, eu disse: \u201cIsso n\u00e3o \u00e9 uma coincid\u00eancia, n\u00e3o \u00e9 uma coisa trivial&#8221;. Para mim, foi uma confirma\u00e7\u00e3o de que eu tinha realmente que continuar esse projeto. Preciso contar essas hist\u00f3rias em minhas m\u00e3os. Fomos \u00e0 casa dele logo ap\u00f3s o caf\u00e9 para ver as fotos. H\u00e1 at\u00e9 uma foto no livro deles em 1989, no Festival de Oxum. Os dois juntos eu chamo de minhas estrelas-guias. Foram muitas magias no caminho. Eu estava num sebo em Salvador \u2014 \u00e9 como o livro termina \u2014 uma amiga que me levou; eu j\u00e1 estava terminando o livro nesse momento, em dezembro de 2021. O sebo se chamava \u201cO Xang\u00f4 de Xangai\u201d, num pr\u00e9dio comercial. Eu dedilhava os livros nas estantes quando peguei um livro do Abdias Nascimento, <em>Combate ao racismo<\/em>. Abri na primeira p\u00e1gina e vi uma dedicat\u00f3ria do pr\u00f3prio Abdias, de 1983 \u2014 o ano em que nasci \u2014 que dizia \u201cPara M\u00e3e Menininha, com Ax\u00e9 e B\u00ean\u00e7\u00e3o de Oxum\u201d. Essa b\u00ean\u00e7\u00e3o triangular atrav\u00e9s do livro do Abdias Nascimento, no final do livro, para continuar esses encontros potentes. Eu at\u00e9 escaneei a p\u00e1gina do livro, porque o livreiro mesmo nem sabia que tinha essa dedicat\u00f3ria. Ele falou: \u201cIsso aqui \u00e9 um tesouro!\u201d. Algumas vezes, nos deixamos levar por essa po\u00e9tica, vendo sinais em tudo. Mas alguns desses sinais s\u00e3o interessantes. Nesse projeto, eu deixo a minha perspectiva muito clara. Eu n\u00e3o era uma pessoa do Candombl\u00e9. Estou me referindo a uma cultura que n\u00e3o \u00e9 diretamente minha, embora seja uma cultura popular muito presente no Brasil.<strong> <\/strong>Eu sempre tive muito cuidado, especialmente no in\u00edcio da pesquisa, para descobrir como devo escrever isso como uma pessoa de fora. Testemunhei muitos encontros hist\u00f3ricos e pensei: &#8220;Preciso escrever sobre isso&#8221;. Conheci Adedoyin, a sacerdotisa descendente direta de Oxum no Brasil, na Bahia, e ela me levou para as casas mais tradicionais de Candombl\u00e9, para os terreiros mais antigos. Visitei a Casa Branca, o primeiro terreiro do Brasil com registro, de 1831, o Op\u00f4 Afonj\u00e1 e o Gantois, todos em encontros privados. Eu pude ver as fam\u00edlias de cada casa com ela. Era comum as pessoas perguntarem sobre e tentarem conectar com uma \u00c1frica contempor\u00e2nea, j\u00e1 que as rela\u00e7\u00f5es do Brasil com a costa africana t\u00eam 200 ou 150 anos. As pessoas tinham curiosidade de entender as diferen\u00e7as e as semelhan\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o ao presente, onde houve afastamento. A fonte \u00e9 a mesma, e eu testemunhava encontros que me faziam pensar: &#8220;Isso \u00e9 hist\u00f3ria. N\u00e3o \u00e9 um mero detalhe, mas, sim, um fato relevante que deve ser documentado e escrito&#8221;. Eu recebia essas confirma\u00e7\u00f5es o tempo todo. Eu sabia que precisava aceit\u00e1-las e mergulhar nessas hist\u00f3rias, porque tinha uma responsabilidade nas m\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Entrevista realizada em 13 de abril de 2023 remotamente via Zoom<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped has-lightbox wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1813\" height=\"2560\" data-id=\"901\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/stateofthelivingspring2-2_page-0001-2-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-901\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/stateofthelivingspring2-2_page-0001-2-scaled.jpg 1813w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/stateofthelivingspring2-2_page-0001-2-212x300.jpg 212w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/stateofthelivingspring2-2_page-0001-2-725x1024.jpg 725w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/stateofthelivingspring2-2_page-0001-2-768x1084.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/stateofthelivingspring2-2_page-0001-2-1088x1536.jpg 1088w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/stateofthelivingspring2-2_page-0001-2-1450x2048.jpg 1450w\" sizes=\"(max-width: 1813px) 100vw, 1813px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">P\u00e1gina 24 do livro Igb\u00e1rad\u00ec fun \u00ccw\u00e9 K\u00edk\u00e0 (&#8220;Desafios de leitura&#8221;), de Adebisi Afolayan e Aliu Babatunde Fafunwa, Instituto de Educa\u00e7\u00e3o, Universidade de Ife<br>1980<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1886\" height=\"2560\" data-id=\"906\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/StateofthelivingSpring1-2_page-0001-2-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-906\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/StateofthelivingSpring1-2_page-0001-2-scaled.jpg 1886w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/StateofthelivingSpring1-2_page-0001-2-221x300.jpg 221w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/StateofthelivingSpring1-2_page-0001-2-755x1024.jpg 755w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/StateofthelivingSpring1-2_page-0001-2-768x1042.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/StateofthelivingSpring1-2_page-0001-2-1132x1536.jpg 1132w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/StateofthelivingSpring1-2_page-0001-2-1509x2048.jpg 1509w\" sizes=\"(max-width: 1886px) 100vw, 1886px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">State&nbsp;of&nbsp;the&nbsp;Living&nbsp;Spring<br>Placa de madeira, cobre e pedra. Labirinto feito de cobre e pedra do rio Osun, floresta sagrada de Osogbo, Nig\u00e9ria I 70 x 100 cm<br>2021<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"960\" data-id=\"895\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/stateofthelivingspring3-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-895\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/stateofthelivingspring3-3.jpg 1280w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/stateofthelivingspring3-3-300x225.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/stateofthelivingspring3-3-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/stateofthelivingspring3-3-768x576.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pedra do Rio Osun, Osogbo, Nig\u00e9ria<br>2019<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1707\" height=\"2560\" data-id=\"904\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/SuasNotas_30x45print-3-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-904\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/SuasNotas_30x45print-3-scaled.jpg 1707w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/SuasNotas_30x45print-3-200x300.jpg 200w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/SuasNotas_30x45print-3-683x1024.jpg 683w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/SuasNotas_30x45print-3-768x1152.jpg 768w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/SuasNotas_30x45print-3-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/SuasNotas_30x45print-3-1365x2048.jpg 1365w\" sizes=\"(max-width: 1707px) 100vw, 1707px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Suas notas<br>Fotografia e xerox<br>2011<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1001\" data-id=\"899\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/leiturasparamoverocentro-anahupe-MarioGrisolli_3239-5.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-899\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/leiturasparamoverocentro-anahupe-MarioGrisolli_3239-5.jpg 1500w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/leiturasparamoverocentro-anahupe-MarioGrisolli_3239-5-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/leiturasparamoverocentro-anahupe-MarioGrisolli_3239-5-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/leiturasparamoverocentro-anahupe-MarioGrisolli_3239-5-768x513.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Instala\u00e7\u00e3o: Leituras para mover o centro, 2016<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1001\" data-id=\"897\" src=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/leiturasparamoverocentro-anahupe-MarioGrisolli_3242-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-897\" srcset=\"https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/leiturasparamoverocentro-anahupe-MarioGrisolli_3242-1.jpg 1500w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/leiturasparamoverocentro-anahupe-MarioGrisolli_3242-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/leiturasparamoverocentro-anahupe-MarioGrisolli_3242-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/art100.in\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/leiturasparamoverocentro-anahupe-MarioGrisolli_3242-1-768x513.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Instala\u00e7\u00e3o: Leituras para mover o centro, 2016<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Hupe, uma artista multifacetada, possui PhD em artes 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